Segunda-feira, Maio 19, 2008

أنا لست إرهابيا


Quando viu a já considerável dimensão da minha secção de livros em árabe ou sobre o mundo árabe e islâmico, a minha irmã sibilou "qualquer dia prendem-te". Hoje, enquanto lia um mail recebido, em língua árabe, e me preparava para responder também em árabe, achei que ela tinha razão. Com a estupidez que por aí grassa qualquer dia acham que sou um terrorista. Sim, ainda há gente tão estúpida que associa as duas coisas.

Quinta-feira, Maio 15, 2008

Não há pachorra

O facto de os grandes "casos" encontrados pela opinião pública e pela imprensa contra o actual governo serem minudências do género de se saber que o PM deu umas passas num avião revelam duas coisas: por um lado a pequenez mental do país em que vivemos; por outro, que apesar de toda a contestação e de um ou outro erro, este é um bom governo. Se assim não fosse não teria tanto relevo o cigarrinho do PM.

Quarta-feira, Maio 07, 2008

André v. 1990

Isto sou eu em 1990, desenhado por um amigo que, na altura, nem me conhecia, mas achou que eu tinha piada e resolveu desenhar-me. Eu tinha acabado de entrar na Faculdade de Letras, no curso de Línguas e Literaturas Clássicas, e tinha 18 misantropos anos.

Antes e depois

Esta entrada foi inspirada nesta do José Bandeira.


Já aqui tenho escrito várias vezes sobre a forma como decidi que às baleias pertencia estar no oceano, e como, agindo em conformidade, perdi cerca de 40 quilos. Para não acharem que é conversa, aqui ficam duas provas. O segundo grupo de fotografias tem a particularidade de ter sido tirado no mesmo sítio, praticamente na mesma data, em anos consecutivos e na mesma ocasião. Na primeira fotografia desse par, aquela em que estou de laranja berrante, já tinha começado a dieta e já tinha perdido uns quilinhos. Não parece, eu sei.



Agora já posso ir ao Oceanário sem que apareça um engraçadinho a dizer ao pai "Tinhas dito que não havia aqui morsas, mas afinal está ali uma!". Quanto à t-shirt laranja, hoje chega-me aos joelhos. A sério.

A pedido de várias famílias acrescento uma tirada na semana passada, aqui em casa:


Terça-feira, Maio 06, 2008

Sítio 4

«A Sítio 4 está a chegar.

Os textos são de:
Luíz Ruffato, Ozias Filho, Natércia Pontes (Brasil), Eduardo Estevez e António Alías (Espanha), Luís Naves, Maria Sousa, Miguel Real, Sérgio Luís de Carvalho, Paulo Kellerman, Carla Cook, Fernando Esteves Pinto, Lourenço Bray, Rui Matoso, André Simões, Luís Ene, José Magalhães e Nuno Travasso (Portugal).
As imagens de:
António Bártolo, Manuel Guerra Pereira e Vanessa Fernandes (Portugal)
A edição é de Luís Filipe Cristóvão e o design da Slingshot.

Na sessão de apresentação que se realiza na Livraria Trama, seguir-se-á um concerto do pianista Fernando M. Dinis.»

Quinta-feira, Abril 17, 2008

As crianças são cada vez mais espertas

A Carolina diz que a fada de um dos livros dela sou eu. A sério. Diz que é a "Fada Né". Eu contava só lhe explicar que o tio tem um estilo de vida alternativo lá mais daqui a uns 15 anos, mas ela pelos vistos já percebeu.

Domingo, Abril 06, 2008

Ainda o accordo orthographico

Em relação ao coiso ortográfico, eu não tenho, como já disse, uma posição apaixonada. No entanto tendo para o apoiar. Por várias razões, que tentarei esquematizar, recorrendo a alguns dos argumentos contra mais utilizados.

Argumento 1 - as consoantes mudas ("inspecção") servem para abrir a vogal pré-tónica. É falso. De facto o português europeu tem tendência para fechar as pré-tónicas (isto é: as sílabas antes da acentuada), mas não são as consoantes mudas que as abrem. Vejamos alguns exemplos:

- "actual" tem a pré-tónica fechada (ac-), apesar da consoante muda;
- "inflação" tem a pré-tónica aberta (-fla-), apesar de não ter qualquer consoante muda.

Outros exemplos:

- Com consoante muda mas pré-tónica fechada: actualizar, actividade, actriz, etc. Expliquem-me lá o que está a fazer ali o "c" que não se pronuncia nem abre coisíssima nenhuma. Alguém diz "àtualizar"?

- Sem consoante muda mas com pré-tónica aberta: corar, pegada (marca de pé), pregar (predicar), pregador, pregação, etc. Foi precisa alguma consoante muda? Alguém diz "curar" ou "pgada" ou "prgar" ou "prgador" ou "prgação", naqueles contextos?

Já agora, porquê o apego ao "p" mudo de "óptimo"? Não é pronunciado, nem preciso para abrir nada. É etimológico? Pois é. Tal como era o "p" de "esculptura" e saiu da escrita. O que é que tem o "p" de "óptimo" a mais que o "p" de "esculptura"? A atual ortografia é incoerente, nestes e noutros casos.


Argumento 1a - As consoantes mudas são vestígios etimológicos. Certo. Mas então porque é que não pedem que as restituam em palavras como "condução", que até ao século XX se escreveu "conducção"? E já agora, porque não retomar os "y", "th", "ch", consoantes duplas, etc - afinal são também eles vestígios etimológicos.

Argumento 1b - As pessoas vão passar a pronunciar "âtor" por falta do "c" mudo. Falsíssimo. Não só pelo que em cima se escreveu e em baixo se escreverá, mas porque a experiência o desmente: é o mesmo argumento que os brasileiros usam para não quererem acabar com o trema, dizendo que as pessoas vão passar a dizer "linghiça". Ora nós todos sabemos que isso é falso, nós não usamos trema e nunca ouvi ninguém pronunciar dessa forma.

Argumento 2 - A língua deve evoluir naturalmente. Certíssimo. Mas um acordo ortográfico não muda a língua, nem nunca mudou. Aliás, a ortografia é uma mera convenção mais política do que linguística. A ortografia que usamos hoje não tem nem 100 anos, pois foi estabelecida em 1911, tendo até sofrido várias alterações entretanto (eu ainda aprendi a escrever "fàcilmente", o que hoje é errado). O próprio alfabeto é uma convenção, no nosso caso com motivações culturais. Porquê o latino e não o grego, o cirílico, o árabe? O persa, língua indo-europeia fortemente vocalizada (como a nossa) usa um alfabeto baseado no árabe, que nem sequer grafa as vogais breves - porque está pensado para uma língua semita, o árabe, onde as vogais não têm o relevo que têm nas línguas indo-europeias. Porquê então o alfabeto árabe? Porque a religião oficial é o Islão. De resto as línguas indo-paquistanesas, quase todas indo-europeias, escrevem-se com pelo menos 3 alfabetos diferentes, de acordo, em geral, com a religião. O urdu paquistanês, que é uma variante do hindi indiano, escreve-se num alfabeto arábico, enquanto o hindi se escreve com os "devanagari" já usados no sânscrito. Outras línguas indianas, como o concanim, usam o alfabeto latino, por razões históricas. O romeno, língua latina, escreveu-se durante muito tempo com alfabeto cirílico, tendo depois passado para latino - sem que a língua, obviamente, mudasse.

Argumento 3 - Vamos passar a escrever "fato". Falso. O acordo prevê apenas a queda das consoantes mudas. Ora, em "facto" o "c" é pronunciado, e, como o texto do acordo prevê, vai lá ficar.

Argumento 4 - O acordo é uma cedência aos brasileiros. Falso. Apesar de realmente mudar mais (mas a diferença é insignificante) a ortografia portuguesa, na prática é ela por ela.

Argumento 5 - O inglês também se escreve de maneira diferente nos países anglófonos. Sim, é verdade. E? Este acordo na prática deixa tudo na mesma. O léxico brasileiro afetado é menos de 1%, o luso-africano pouco mais de 1%. As grandes diferenças mantêm-se. Nós continuaremos a escrever "prémio", eles "prêmio". Nós continuaremos a escrever "facto", eles "fato". A única grande mudança é a queda das inúteis consoantes mudas. Portanto, continuará a haver uma ortografia brasileira diferente da luso-africana.

Argumento 6 - A ortografia é também uma questão afetiva. Certo. Mas estamos a discutir ortografia ou afetos? O grande pensador português Eduardo Lourenço, na casa dos 80 e muitos anos, escrevia há não muito tempo que continuaria a escrever "como aprendeu". Bom, suponho então que escreverá "êle", "mãi", "pae", "côr" e outras coisas que tais, que eram norma quando ele foi alfabetizado. Já sem falar dos acentos dos advérbios de modo, eliminados nos anos 70. Como não acredito que ele, com tanto livro publicado, escreva "êle é o pae do Victor, indiscutìvelmente um bom rapaz" (a não ser que depois lhe emendem os erros na tipografia), parece-me que há muita insensatez naquela afirmação (ou "affirmação"? ou "affirmaçom"? ou "afirmaçom"? ou "affirmaçam"? etc. já se escreveu destas formas todas).

Argumento 7 - Este acordo interessa às editoras. Não. Este acordo interessa a todos. Não foi feito por editores nem por políticos. Foi feito por pessoas sérias, linguistas e filólogos (e eu nem gosto muito de linguistas, mas o seu a seu dono). Pelo contrário, as editoras foram as primeiras a insurgir-se contra ele. Agora estão conformadas, e adaptaram-se rapidamente.

Argumento 8 - Este acordo é fruto de políticos, não se pode legislar sobre a língua. Falso. Vide supra, argumentos 2 e 7, sobretudo.

Este texto foi escrito usando a nova ortografia, como certamente notaram (ou, como se escrevia ainda no século XIX, "notarão").

Sábado, Abril 05, 2008

As senhoras da depuralina

A história das alegadas intoxicações com depuralina (podiam ter arranjado um nome menos piroso) leva-me de novo à questão dos emagrecimentos e dos engordanços, assunto de que feliz e infelizmente sei bastante. Eu já tinha visto os anúncios à dita cuja, insistindo na história dos detritos acumulados pelo corpo. Portanto, a depuralina, como a generalidade dos remédios miraculosos, baseia-se na perda de peso em virtude da expulsão de líquidos e "toxinas", não na perda de massa gorda. Hã? Isto faz sentido para alguém?

Desde miúdo que tenho vivido em sucessivas fases de obesidade que vão do cetácico ao bovino, passando pelo elefantíaco e pelo texuguino. Estas fases são alternadas por breves períodos de estado assim-assim, que normalmente são apenas o prelúdio para novo ataque adiposo. Até que, aos 35 anos, decidi que a minha simpatia pelas baleias não justificava destruir a minha saúde.

Antes disso, eu era como as senhoras da depuralina e afins: queria emagrecer, mas assim, sem muito trabalho, de preferência com uns comprimidos que me permitissem enfardar um fantástico bacalhau com natas - com saladinha - seguido de uma gulosa baba de camelo, tudo isto sem grandes pesos na consciência. Afinal havia o tal comprimidinho. Claro que nunca fui na cantiga dos comprimidos, nunca cheguei a tal ponto. Já na dos bacalhaus com natas...

Depois, tal como as senhoras da depuralina, lamentava a minha triste sorte, enquanto enchia o bandulho com um ovo estrelado a nadar em óleo de batatas. "Eu hoje nem tinha comido nada ainda", suspirava, enquanto me ensopava em chocolate. E era verdade. Eu realmente comia pouco. E roía as minhas bolachinhas de água e sal, essa bomba calórica que inexplicavelmente é considerada dietética pelas senhoras da depuralina (segundo uma nutricionista que uma vez li, uma bolachinha é equivalente a um pastel de nata).

Até que um dia achei que se em 35 anos nunca tinha conseguido ser magro sem esforço (tirando os loucos anos da licenciatura, em que saía de casa às 10 da noite e entrava às 10 da manhã, e não era para estudar), então se calhar era preciso mudar hábitos de vida. Afinal nunca me chegou notícia de alguém que emagrecesse de forma consistente sem fazer exercício e sem uma alimentação racional (o que não é, muito pelo contrário, igual a passar fome). Eu estava já numa situação de obesidade grau 2 (seja lá o que isso for, mas soa mal), não conseguia comprar roupa a não ser nos armazéns de roupa desportiva americana (já vestia o XXXXL, tenho provas no meu armário), não tinha muito a perder.

A receita é simples, lógica e resulta. Em vez de comer que nem um alarve 2 ou 3 vezes por dia, passando o resto do tempo cheio de fome, passei a comer pequenas quantidades várias vezes ao dia - truque bem conhecido, mas muito pouco praticado. Cortei com as gorduras, passei a um regime de carne e peixe grelhados, arroz, batata cozida, e muitos, muitos vegetais. Tudo em pequenas quantidades. Numa primeira fase cortei mesmo com o pão, o que foi um disparate, mas eu precisava de um tratamento de choque. Mas isto, obviamente, não chegava. Tinha de haver exercício físico. Não necessariamente num ginásio.

Em vez de andar de transportes urbanos aqui na minha Torres Vedras, passei a fazer a pé o caminho que vai da minha casa à paragem do autocarro para Lisboa. Eram 30 minutos a pé (que hoje faço em 20, em dias de maior preguiça). Deixei de cometer o absurdo que era ir de metro do Campo Grande para a Cidade Universitária, o que são mais uns 10 minutos (na altura uns 15). Só isto. Parece uma perda de tempo? Bem, entre esperar o auocarro urbano à porta de casa e depois o trajecto propriamente dito até à paragem para Lisboa eram pelo menos 15 minutos. O mesmo que hoje demoro a pé, se estiver com pressa. E menos do que se for de carro, pois entre fazer o trajecto e procurar lugar, demoro bem mais de 15 minutos.

De vez em quando fazia umas corridinhas. Das primeiras vezes a coisa custava, ao fim de 1 minuto estava com os bofes de fora, como soi dizer-se. Mas depois a coisa foi andando. Hoje faço sem grandes dramas 8 km, ou 50 minutos sem parar. Mas note-se, não foi preciso correr tanto, só comecei a fazê-lo depois de perder o peso todo que queria. Quanto?

No primeiro mês foram-se 10 quilos. Depois mais 10. E depois outros 10. Trinta. Em cerca de 1 ano. Só fazendo o que descrevi em cima. Sem dramas. Com esforço, claro. Mas sem esforço, só mesmo as dietas da depuralina... Depois achei que era boa ideia ir para um ginásio, para estabilizar e consolidar. Apesar de me terem prevenido de um eventual ganho de peso por causa do aumento da massa muscular, não hesitei. E a verdade é que aumentei espectacularmente a massa muscular (hoje tenho músculos que desconhecia em sítios inimagináveis), que reduzi a massa gorda a números normais, e além disso continuei a perder peso. Muito mais devagar, mas continuei. Perdi mais 5 quilos.

Portanto, 35 (trinta e cinco) quilos, mais coisa menos coisa, desde que decidi que as baleias são boas para estar no mar. Já lá vão 2 anos. Sem depuralinas nem outras mezinhas. Com esforço, mas sem esforço não se tem nada na vida. E tenho hoje uma qualidade de vida, uma energia, uma força e uma resistência que nem com 20 anos. Antes deste processo, chegava ao cimo da escadaria do estádio de Alvalade (a interior, aquela com cerca de 100 degraus...) com o coração aos saltos e a respiração cortada (tenho asma). Agora subo-as a correr, e chego ao cimo sem que a respiração tenha a mínima alteração. Além disso, nunca na minha vida tinha estado tanto tempo em estado não-obeso.

Entretanto afrouxei a dieta, mas mantendo sempre as gordurangas de fora, afrouxei o ritmo e intensidade de exercício físico, passei a ir mais vezes de carro até à paragem do autocarro. O peso estabilizou, nem para cima nem para baixo. Como nunca fui guloso, nunca comi bolos regularmente, nunca comi chocolates regularmente, carne sempre evitei (como por obrigação), em minha casa nunca se comeram refogados nem outras bombas cardíacas, posso afirmar com certeza que tenho tendência para engordar. Apesar disso, perdi 35 quilos sem grande trabalho, regulando apenas os hábitos alimentares e de vida. Para quem enfarda doces e carnongas a boiar em molhanga - mas que depois põe adoçante no café - seria ainda mais fácil perder peso. Bastaria fazer uma alimentação racional e deixar de querer levar o carro para dentro de casa e do trabalho.

Com quase 37 anos não tenho esperanças de vir a ser finalmente magro. Mas com 1,80 e 84k, dou-me por satisfeito. Sem depuralinas.

Domingo, Março 30, 2008

Ἀπόδοτε οὖν τὰ Καίσαρος Καίσαρι καὶ τὰ τοῦ θεοῦ τῷ θεῷ (Mt 22:21)

Segundo o Público de hoje, a ICAR pede a Sócrates que controle laicismo de alguns membros do PS. Talvez fosse tempo de alguém pedir à ICAR que controle as suas tentativas de interferir num Estado laico.

Quinta-feira, Março 27, 2008

IVA

Numa medida mais simbólica do que prática, o Governo resolveu descer a taxa máxima do IVA de 21% para 20%. A oposição, fazendo o seu papel, tratou imediatamente de atacar a medida. O PSD disse uma série de irrelevâncias e momices histriónicas, habituais nesta liderança menezíaca. O CDS disse que o motivo que motivou esta descida, a descida do défice público, se conseguiu à custa de aumento de receitas. E disse isto em tom de crítica, o que é espantoso. Queriam que descesse como? Com receitas extraordinárias, como fizeram, sem qualquer resultado, no seu tempo de desgoverno? O PCP não sei o que disse, mas não é difícil imaginar. O BE recordou que esta redução é insignificante, e que não afecta os bens essenciais. Pois é. É verdade. Do mesmo modo, quando o Governo aumentou a taxa máxima do IVA, em 2005, foi também um aumento insignificante. É que, precisamente como a redução de agora, o aumento de 2005 não afectou os bens essenciais, reflectindo-se apenas em coisas como carros, máquina de filmar, roupas ou jóias. Mas na altura o discurso do BE foi ligeiramente diferente...

Quarta-feira, Março 26, 2008

De quem?!

O Dário de Notícias publicita um dos seus "cursos de línguas" com uma menina em cima de uma bandeira israelita, e uns dizeres do género "Venha aprender a língua de Ulisses". A não ser que este Ulisses seja alguma outra personalidade que agora me esteja a escapar, há por aqui alguma confusão. Não me consta que, a ter existido, falasse hebraico. Também não falaria grego moderno, certamente, se a frase se referisse a um passado ou futuro CD de um "curso de grego". A não ser que o DN esteja a vender cursos de grego homérico, o que me parece improvável.

Seja como for, espero que os cursos de hebraico ou grego do DN tenham menos erros do que o de árabe (mais seria complicado). O "livro de exercícios" era um atentado à língua e cultura árabes difícil de imaginar. Começava por não ligar as letras, o que é a base da ortografia árabe. É um pouco como se apresentassem um curso de português em que as palavras se escrevessem de cima para baixo. Absurdo e injustificável. Por exemplo, a palavra para "sim" (na'am) aparecia escrita ن ع م em vez do correcto نعم . Convenhamos, qualquer semelhança entre uma coisa e outra é mera coincidência.

Terça-feira, Março 25, 2008

Voilà

Quando me perguntam como é possível um rapaz jeitoso como eu estar em permanente estado de solteiro, costumo responder que se por um lado não quero quem ache que Anton Tchékhov é um jogador de futebol, por outro também não quero quem ache que Marat Izmáilov é um realista russo ou aquele senhor de turbante morto na banheira - ou, pior, um costureiro em ascensão.

Raus!

Francamente não vejo qual o problema com a história de se pedir informações aos recém-casados sobre a festa e coisas do género. Tudo o que sirva para apanhar criminosos (neste caso os que fogem aos impostos) parece-me muitíssimo bem. De resto acho que nestes casos se podia aplicar a receita que recomendei a quem protesta por a ASAE nos estar a tentar aproximar do 1º mundo: criem-se serviços públicos com separação de utentes. De um lado, os que pagam os impostos devidos e não se importam de que se faça tudo o que é possível para que todos paguem. Esses teriam direito, por exemplo, a um serviço de saúde ao nível do 1º mundo. Do outro, os que fogem aos impostos, não passam nem pedem facturas, etc: esses seriam atendidos nos serviços (não) pagos pelo seu crime - hospitais a cair de podres e sem condições. É muito bonito andar a exigir mundos e fundos ao Estado, quando depois se foge aos impostos. Criminosos!

Segunda-feira, Março 24, 2008

Ai que surpresa tão grande

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1323436&idCanal=62

«Auto-estrada do Sul com 30 quilómetros de filas compactas no regresso das mini-férias da Páscoa

A auto-estrada do Sul, que liga o Algarve a Lisboa, está com "filas compactas de trânsito" numa extensão de cerca de 30 quilómetros, segundo a GNR, que refere igualmente a existência de congestionamentos em todo o país.

De acordo com a Brigada de Trânsito (BT) da GNR, os portugueses que escolheram o Algarve para passar as mini-férias da Páscoa estão a enfrentar muitas dificuldades no regresso a casa, sobretudo na A2, entre Alcácer do Sal e a Marateca, onde o trânsito está compacto ao longo de cerca de 30 quilómetros. ...»

Domingo, Março 23, 2008

Este ano não!

Todos os anos sou apanhado de surpresa, e só quando vejo na televisão o Algarve apinhado de gente muito apertadinha - ainda dizem que Gaza tem a maior concentração de habitantes por km2: claramente nunca foram a Albufeira ou outras terras com nome tão ou mais árabe do que Gaza, por altura da Páscoa - é que me lembro. Depois percebo a súbita e saborosa desertificação, e dou graças aos céus, em Latim e em Árabe, por estar imune a este delírio nacional que faz com que milhões saiam de casa na Sexta, depois de terem passado parte da Quinta aos gritos a prepararem tudo, passem a Sexta em viagem e a acomodarem-se, gozem o Sábado frio e chuvoso em algum centro comercial, e regressem Domingo à tarde, com a habitual sessão de gritaria com os miúdos enquanto arranjam a bagagem, para amanhã estarem de novo no trabalho. A mim sabem-me tão bem estes dias completos e descansados, sem viagens nem canseiras... Claro que o pessoal agora tem a vida mais facilitada, desde que abriu a A2. Já não lhes acontece como à senhora mal disposta que, há uns anos, num daqueles directos de Telejornal sem qualquer justificação que não encher horário à falta de notícias a sério, rosnava que tinha passado a Sexta em viagem, tinha chegado ao Algarve à noite, tinha passado o Sábado em casa a fugir da chuva, e depois tinha saído Domingo de regresso à casa, processo em que, no decorrer do Telejornal, ainda estava com aspecto imperfeito. Agora a canseira resume-se a algumas horas para lá e mais algumas para cá, sempre dá para o fim de tarde de Sexta e a manhã de Domingo. Mas dizia eu que todos os anos sou apanhado de surpresa. É verdade. Todos os anos quando olho para as notícias e vejo os desfiles do Ku Klux Klan em Espanha dou uma palmadinha na testa e digo "Eh pá, é Páscoa!". Se vou a tempo ainda ligo algum canal de TV nacional (não sem antes respirar fundo, não estu habituado), para ter aquelas sensações do tempo da infância. Sabes. Como quando se sente um cheiro ou se ouve uma voz que nos faz lembrar acontecimentos de quando éramos pequeninos. Neste caso não são meras reminiscências: os filmes que passam nos canais são de facto os mesmos do tempo da minha infância, nos anos 70 e 80 do século passado. Ora queixava-me eu de que todos os anos era apanhado de surpresa. Mas este ano não! Farto de palmadinhas na testa, este ano decidi antecipar-me: comprei as prendas todas com várias semanas de antecedência!