terça-feira, setembro 27, 2005

Buracos

O Eurostat não validou as contas portuguesas de 2004, isto é o orçamento do governo de Santana Lopes. Não se percebe. Então não eram os governos PSD/CDS que tanto verberavam o último governo de Guterres por ter deixado um défice de 4%, e que dizia que ia pôr as contas na ordem? Claro que só quem tinha memória curta e se esquecia dos défices estratosféricos do cavaquismo é que acreditava numa coisa dessas. Depois do vexame dos 6,8% (tão, mas tão acima do défice de Guterres...), vem agora o Eurostat dizer que tem dúvidas sobre a validade daquelas contas - o que pode indiciar um défice ainda maior. É por estas e outras que há muito que não se ouve ninguém dizer mal das contas públicas deixadas por Guterres. Quem nos dera a nós, após 3 anos de rebaldaria PSD/CDS, ter as contas públicas no estado em que Guterres as deixou. Quem nos dera.

sábado, setembro 17, 2005

Grande ordinário

Devo antes de mais dizer que nenhuma simpatia me move a favor de Manuel Maria Carrilho - nem de resto nenhuma antipatia. Se vivesse em Lisboa votaria no PS, porque é o partido com cujas propostas me identifico mais. E não, as eleições autárquicas não são só a escolha de um nome. Pensá-lo e afirmá-lo revela desconhecimento de como as coisas se processam, além de uma simplificação excessiva. Carrilho tem os seus defeitos, em algumas alturas discordei dele. Mas é um homem competente, determinado, fiel aos seus valores. E é o cabeça de lista, para Lisboa, do partido com que mais me identifico e em que sempre votei. Vem tudo isto a propósito do debate entre Carrilho e Carmona, ontem na SIC-Notícias. Foi um debate azedo e vivo, com ataques pessoais. Carmona parece ter deixado cair a máscara de homem afável e fora dos meandros da política - coisa, aliás, em que só alguém muito ingénuo ou que não acompanhe a política portuguesa pode acreditar. Em vez do engenheiro simpático e ingénuo que os seus apoiantes reatratam, o que vi foi um homem azedo, arrogante e mal-criado. Carrilho não foi um exemplo de bonomia, é certo. Mas não passou os limites da falta de educação. Carmona, pelo contrário, adoptou a postura do rufia mal-criado, com risinhos e tiradas a roçar o boçal. Confesso que até a mim espantou. Parece que até eu já tinha ido na propaganda mediática que diz que Carrilho é arrogante e Carmona afável. Não vi nada disso, ontem. Aliás, o desabafo de Carmona, depois de Carrilho não lhe ter apertado a mão (eu teria feito o mesmo), revela toda a sua má-criação. Não se chama "grande ordinário" a um adversário político, sr. Carmona, nem "off the record". Sobretudo depois do triste espectáculo dado.

domingo, setembro 11, 2005

Carlos Miguel - Torres Vedras



Carlos Miguel - Candidato do PS à Câmara Municipal de Torres Vedras

Nélson político

O nosso Nélson é um dos apoiantes do candidato socialista à Câmara Municipal de Torres Vedras. É sempre bom saber que junta estas duas qualidades, sportinguista e socialista. Constou-me também de fonte do partido que ele é candidato a uma das juntas de freguesia do Concelho, embora em posição não elegível.

sexta-feira, setembro 09, 2005

Reformas

Onde é que andam as virgens ofendidas que gritaram de indignada histeria contra a reforma acumulada pelo ex-ministro das Finanças, Campos e Cunha? Seria interessante ouvi-las gritar de novo indignadas contra as reformas (sim, "as", plural) acumuladas por Cavaco, que aufere por mês qualquer coisa como 9356€ por mês em reformas e subvenções. Onde andam os que se revoltaram por o ex-ministro Campos e Cunha receber uma pensão (singular, só uma) a que tinha direito? Ou só é mau quando se trata de pessoas ligadas ao PS, e passa a ser bom quando se trata de pessoas ligadas ao PSD ou ao CDS?

Nomeações

Onde estão aqueles que tanto se indignaram com a naturalí­ssima nomeação de Armando Vara para a CGD, acusando o governo de promover os seus "boys", e esquecendo que se mantinham na administração todos os outros elementos nomeados pelo governo PSD/CDS (e que quando foram nomeados toda a gente achou muito bem)? Seria interessante ver o que tinham a dizer sobre a nomeação de Carlos Tavares, antigo ministro de Durão Barroso, para a presidência da CMVM.

segunda-feira, setembro 05, 2005

Concurso de colocação de professores será válido por três ou quatro anos

O primeiro-ministro disse ontem, dia 2, no Porto, que o concurso para colocação de professores já em 2006 será válido para 3 ou 4 anos. Se isto se confirmar, acho que são excelentes notícias para a classe docente, pois atenua-se um dos principais calvários do professor: contratos anuais, até efectivar, e correr o país de casa às costas. A notícia já saiu na "Última Hora" do Público, e vou colá-la aqui, porque o Público não costuma conservar por muito tempo as notícias em versão electrónica. Alguma coisa de boa que sai do Ministério da Educação, finalmente. Claro que tem o inconveniente de haver menos vagas por ano, mas por outro lado quem obtém colocação tem uma estabilidade profissional e pessoal incomparável. Aqui fica a notícia, então.

«Governo quer que alteração entre em vigor no próximo ano
Sócrates: concurso de colocação de professores será válido por três ou quatro anos

02.09.2005 - 23h56 Lusa, PUBLICO.PT

José Sócrates anunciou esta noite que o concurso de colocação de professores será válido por três ou quatro anos consoante o ciclo de ensino. O Governo pretende que esta alteração entre em vigor a partir do próximo ano lectivo.

A novidade foi anunciada durante o comício de "rentrée" política do PS, no Porto, onde o secretário-geral socialista e primeiro-ministro fez um balanço dos primeiros seis meses do seu Executivo e traçou as próximas prioridades da governação.

No próximo ano lectivo o concurso de colocação de docentes nas escolas portuguesas "será válido por um período de três ou quatro anos, conforme a duração do ciclo de ensino", de modo a evitar a "instabilidade permanente provocada pelos professores em trânsito, saltando de escola para escola", afirmou José Sócrates.

"Pusemos na ordem o concurso de professores e o ano lectivo pode começar com normalidade. Alguns políticos ainda coram de vergonha quando se fala nisto", disse, recordando os problemas ocorridos nos últimos anos em torno da colocação dos docentes.

"Temos ainda problemas com o sistema de colocação dos professores. É preciso acabar com a instabilidade permanente", frisou Sócrates, adiantando ainda a prioridade do Governo na valorização do primeiro ciclo do ensino básico.

O funcionamento das escolas até às 17h30, o ensino de inglês, o fornecimento de refeições na maioria dos estabelecimentos de ensino primário e a formação contínua dos professores deste ciclo na área da matemática foram realçados pelo primeiro-ministro como medidas que vão melhorar a qualidade da educação.»

Soares é fixe!

A direita, cada vez mais incomodada com a candidatura presidencial de Mário Soares, começa a lançar alguns falsos argumentos contra a sua candidatura. Dizem que, na actual conjuntura, é preciso um presidente com formação em economia ou finanças. No entanto, segundo a Constituição Portuguesa, o Presidente não governa... Esse papel pertence ao Governo! Portanto, de pouco ou nada servirá um presidente com formação em economia ou finanças, pois nenhuma das suas atribuições lhe permitirá pôr em prática esses conhecimentos. Também dizem que o seu tempo já passou, e que já é um homem velho. Bem, e o tempo de Cavaco, primeiro-ministro entre 1985 e 1995, não passou já também? E é algum rapaz novo, ele? Dizem também (e sem corar!) que Soares dará um mau presidente, pois confunde milhares com milhões (esta é da autoria do Marcelo), e não lê os "dossiers". Com esta fiquei confuso... Então mas este não é o mesmo Mário Soares que se considera ter sido um excelente presidente entre 1986 e 1996? Deixou de ler "dossiers" entretanto, foi? Eu sinceramente espero que sim, pois há coisas mais importantes e interessantes na vida do que ler "dossiers", e para isso é que existem os assessores, regiamente pagos, de resto, passe o paradoxo do advérbio neste contexto.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Coligação de Direita Unitária

No tempo de antena de hoje do PCP louvava-se o trabalho feito pelo vereador comunista no Porto. A coligação PSD/CDS também agradece a colaboração activa desse vereador, que formou com a direita uma coligação de facto. Espero não tornar a ouvir o velho discurso comunista de que o PS pisca o olho à direita. É que o PCP no Porto não piscou o olho à direita: deitou-se na cama com ela.

segunda-feira, agosto 15, 2005

O chinelão



Quando eu era miúdo e chegava o Verão, só me sentia bem descalço. A minha irmã tinha a mesma tara. Mas não podia ser: a minha mãe insistia em que era necessário ter alguma coisa para protegermos os pés. Já se sabe, as mães têm sempre razão, mesmo quando não têm, e nós acabávamos por ceder, depois de muita fita. Íamos então comprar umas chinelas baratas, que nunca fomos gente de muitas posses. Normalmente íamos àqueles vendedores que dantes montavam a sua barraquinha perto da praia, e a minha mãe comprava-nos umas chinelas daquelas de enfiar no dedo. Eram óptimas, podíamos andar com elas em todo o lado, e evitávamos a chulezeira, pois o pé era convenientemente arejado. Aquelas chanatas não eram, porém, dignas de serem usadas em ambiente que não fosse a praia e o caminho de lá a casa e de casa a lá. Não passava pela cabeça da minha mãe deixar-nos usar aqueles chinelões práticos mas horrorosos na escola, muito menos visitar família ou amigos com elas calçadas. Eram pouco dignas, baratuchas, dignas de loja dos 300, se na altura as houvesse.

Foi portanto estarrecido que descobri que as xanatas que a minha mãe nos comprava nas barracas de vendedores ambulantes, práticas mas feias e pouco dignas mesmo para pessoas com poucas posses como nós, foram rebaptizadas de "havaianas", e são o último grito da moda. Eu juro que ainda pensei que fossem apenas parecidas, quando vi o primeiro anúncio televisivo a publicitá-las, há coisa de um ano ou dois. Nunca mais me lembrei disso, porque como tenho vida própria e cultura mediana não perco tempo a ver anúncios televisivos nem consumo revistas ou programas de moda/fofocas. No entanto, não pude deixar de reparar que neste Verão antecipado começaram a aparecer rapazes e raparigas aos montes, até na faculdade, com as inestéticas chinelonas que a minha mãe nos comprava nos vendedores ambulantes, mas que nos proibia de usar em situações que não fossem o ir à praia ou brincar no quintal. Lembrei-me então do tal anúncio que vira há coisa de um ano ou dois, e perguntei a uma amiga se "aquilo" eram as famosas havaianas. Confirmou-me que sim. Eu não podia acreditar. São iguais às que a minha mãe nos comprava. Sim, também as havia coloridas e com bonecos. Se a minha irmã e eu aparecêssemos na escola com umas xanatas - perdão: "havaianas" - calçadas, seríamos imediatamente recambiados para casa por algum professor, e levaríamos um valente raspanete da minha mãe, indignada por termos feito tal figura. Hoje é um "must".

Espero que no próximo Verão sejam promovidos a acessórios de moda aquelas chinelas de plástico transparente medonhas que a gente usava para tomar banho nas zonas infestadas de peixe-aranha. Sempre protegem mais o pezinho.

Ah, e para quem me conhece e sabe que tenho também um irmão e já se está a perguntar "então e ele não usava?", a verdade é que o meu irmão não se limitava a andar descalço quando o calor apertava: quando o perdíamos de vista por mais do que um ou dois minutos, já ele corria completamente nu pela rua. Não, hoje em dia já não o faz.

quinta-feira, agosto 11, 2005

Cartazes, ou uma boa oportunidade de ficar calado

O PSD de Ílhavo armou um escândalo porque o PS de Aveiro colocou cartazes de propaganda autárquica em Ílhavo. Apareceu na TV um senhor com ar de virgem ofendida (eles estão a ganhar-lhe o jeito), a dizer que tinha contactado todas as concelhias e que não tinha conhecimento de mais nenhuma situação deste género, que era uma afronta fazer campanha em concelho alheio. Bom, claramente esqueceu-se de contactar a concelhia de Loures. É que se o tivesse feito, teria ficado a saber que o PSD-Loures tem cartazes de propaganda autárquica num concelho alheio, concretamente na Calçada de Carriche, cidade e concelho de Lisboa. Está lá há vários dias. Aqui ficam o telefone da concelhia do PSD de Loures, para os senhores do PSD-Ílhavo não voltarem a fazer tão triste figura:21 9892166

segunda-feira, agosto 08, 2005

Perguntas

O facto de eu ter na minha carteira um cartão de militante do PS faz de mim uma pessoa menos competente? É que se faz eu rasgo-o já. Ou o facto de ter as cotas em atraso conta como se não fosse militante? E se eu rasgar o cartão, passando a independente e mantendo as minhas ideias todas intactas, fico mais competente?

Isto é um blogue

Na Festa do Pontal, em Faro, o palanque onde Marques Mendes botou faladura dizia "O Algarve é uma região". Brilhante. Eis algumas sugestões com igual alcance intelectual, para escrever em outros palanques: "Isto é um palanque" "O Tejo é um rio" "A Ponte Vasco da Gama é uma ponte" "O Porto é uma cidade" "O Alentejo é uma região" "O Douro também é um rio" "Portugal fica na Europa" "Alfama é um bairro" "Almada fica na margem esquerda" "O Estádio de Alvalade é um estádio

sexta-feira, agosto 05, 2005

Nomeações

A oposição está indignada com a substituição de gente ligada ao PSD por gente ligada ao PS, na Caixa Geral de Depósitos. O PSD pôs um senhor com ar de virgem ofendida a falar na TV, denunciando favorecimentos partidários. Ficamos assim a saber que quando o PSD lá pôs o outro senhor na CGD, que era do PSD, também foi um favorecimento partidário.

segunda-feira, julho 25, 2005

Mário Soares

O PS esteve meses a fio - anos - sem candidato presidencial. No espaço de poucos dias, no entanto, surgiram três pré-candidatos passíveis de serem apoiados pelo partido: Freitas do Amaral, Manuel Alegre, Mário Soares, por ordem de aparecimento e de probabilidade. Com efeito, se Freitas se limitou a um "nunca digas nunca" e Manuel Alegre esboçou um "estou disponível", Soares afirma claramente que vai "reflectir e contactar sectores muito alargados da sociedade portuguesa". Esta presumível candidatura ("mais do que provável", dizia-se hoje na SIC-N) é sem sombra de dúvida a mais forte candidatura de esquerda, mesmo mais do que a de Manuel Alegre, que mais do que provavelmente fica assim abortada à nascença. Apesar de eu estar convencido de que Alegre tinha condições para vencer Cavaco, a imagem que estava a passar era a de que se tratava apenas de uma candidatura "para perder por poucos". Como se sabe, nada pior para uma candidatura de qualquer espécie do partir com essa ideia (apesar de a primeira vitória presidencial de Soares ser a excepção que confirma a regra). Com Soares é diferente. É o único candidato à esquerda que desde há muito tem uma imagem ganhadora, aparecendo em várias sondagens muito perto de Cavaco - a uma distância suficientemente curta para poder ser batida em pré-campanha e em campanha, com o reconhecido carisma de Soares, e a sua capacidade para mobilizar e concentrar multidões à sua volta. Lembro-me de fazer em 1985, com 14 anos, a campanha para a primeira volta. Lembro-me de ser o único miúdo da escola com um "crachá" do M.A.S.P., de ser uma espécie avis rara no meio do oceano freitista que tomava então conta de Portugal. Ou daquela noite em que fui com a minha mãe, quase clandestinos, a uma sessão de esclarecimento do PCP, onde se apelava ao voto em Soares contra Freitas - a minha mãe ia com um lenço na cabeça, para não ser reconhecida. Só quem não viveu aqueles anos é que pode achar estranho dois socialistas irem clandestinos a uma sessão do PCP. Lembro-me também da alegria incontida na noite da vitória, na segunda volta, daquelas pessoas todas na rua. Lembro de passar em frente à sede do PCP, e de haver centenas de comunistas a saltar e a chorar de alegria, a abraçar-nos. E só quem não se lembra do que era Portugal nos anos 80 é que não se espanta com isto. Lembro-me de ter acreditado sempre, mesmo quando os primeiros resultados davam percentagens esmagadoras para Freitas. Para quem não se lembra, na altura só a meio da noite apareciam as primeiras projecções, e aquilo que nos ia sendo dado eram resultados provisórios, que começavam em Macau e iam descendo de Norte para Sul. Ora era precisamente em Macau e no Norte que Freitas tinha os seus maiores apoios. Mas no fim a vitória sorriu-nos a nós, pessoal de esquerda. Então como agora todos apostavam na vitória do candidato da direita. Faço votos de que agora como então acabe por ser o candidato da esquerda - seja ele quem for - a vencer.

sábado, julho 23, 2005

Ainda a demissão do ministro das finanças


Agora que se vão sabendo mais pormenores, a demissão de Campos e Cunha faz cada vez mais sentido. Aparentemente o ex-ministro terá pedido por quatro vezes a Sócrates para abandonar o governo, em diversas ocasiões. Terá também prevenido Sócrates da publicação do seu já famoso artigo de opinião. Sócrates alegadamente não terá lido o artigo antes da publicação, e, depois desta, terá posto o ex-ministro perante duas alternativas: ou se demitia ou era demitido. Sócrates agiu bem, na defesa da coesão do governo e no seguimento das políticas presentes no programa de governo apresentado aos eleitores em fevereiro passado, e sufragadas com maioria absolutal. Fica-se sem saber o que terá levado Campos e Cunha a aceitar integrar o governo, sabendo que a Ota e o TGV faziam parte - e ainda bem - das intenções deste governo. Finalmente, não deixa de ser divertido o frenesim da oposição e de alguma comunicação social. Sócrates é criticado por, pasme-se!, manter uma atitude coerente e por não permitir secessões no seu governo. Que queriam? Que fosse a rebaldaria, que cada ministro dissesse o que bem lhe aprouvesse, indo contra a linha política do governo? Afinal criticava-se - e bem - Santana Lopes por não ter um rumo e permitir que cada ministro dissesse o que lhe desse na real gana, e agora critica-se Sócrates por fazer exactamente o contrário? Criticava-se Guterres por hesitar e ziguezaguear, e agora critica-se Sócrates por fazer exactamente o contrário?

sexta-feira, julho 22, 2005

Em que é que ficamos, afinal?

Marques Mendes elogiou hoje na RTP1 o ex-Ministro das Finanças, Campos e Cunha, dizendo que, apesar de não concordar com a subida do IVA, achava que ele estava a fazer um trabalho sério. Eu também acho. Pena que Marques Mendes não o tenha dito enquanto Campos e Cunha era ministro. Pena também que Marques Mendes não se tenha insurgido contra o aumento do IVA decretado pelo governo do seu partido, em 2002. Aliás é curioso como o PSD e o CDS hoje criticam ferozmente uma medida que o seu próprio governo decretou praticamente mal tomou posse.

Igualmente curioso foi o discurso de um comentador cujo nome não retive, na RTP-N. Dizia esse senhor que aparentemente Sócrates não permitia que houvesse no seu governo vozes discordantes, coisa que não lhe parecia bem, ao comentador. Depreende-se que se Sócrates as permitisse, na opinião desse comentador isso seria positivo. No entanto uma das maiores críticas que se fizeram a Santana Lopes foi precisamente o de qualquer ministro ter a sua opinião, nem sempre concordante com a do próprio primeiro-ministro, o que indiciava descoordenação. Também a Guterres se criticou o ser demasiado dialogante e tolerante. Em que é que ficamos, afinal? Pode haver vozes discordantes ou não? Deve haver uma disciplina férrea ou não?