sábado, dezembro 10, 2005

Olha a louca do bolo-rei de novo

Cavaco ontem, à saí­da da tareia que levou do Louçã, afirmou e repetiu que o célebre debate "olhe-que-não" entre Soares e Cunhal foi há 20 anos.


Se fosse Soares dizia-se que era da idade. Sendo Cavaco, é de quê?

A louca do bolo-rei ataca de novo

"É preciso não esquecer que o ditador iraquiano violou 12 resoluções da ONU em 10 anos e invadiu dois paí­ses: o Irão e o Iraque".

Cavaco Silva, no debate de ontem à noite. Se fosse Soares dizia-se que era da idade. Sendo Cavaco, é de quê?

A louca do bolo-rei

"A corrupção em Portugal existe porque os relatórios dos organismos internacionais dizem que existe".

Não, não é Monty Python. Foi o que disse Cavaco no debate com Louçã, esta noite.


Se fosse Soares dizia-se que era da idade. Sendo Cavaco, é de quê?

Além desta pérola, Cavaco demonstrou estar completamente por fora de vários assuntos importantes. Foi hilariante quando disse que seria bom fazer-se um estudo para saber da sustentabilidade da segurança social, e foi arrasado por Louçã, com um assassino "isso já foi feito, os números são estes, e isto devia ser do conhecimento de qualquer candidato". Mais hilariante do que isto só a afirmação histerico-nazi de que os imigrantes ilegais poderiam colocar os portugueses em minoria. Louçã não conteve o riso. Nem eu. Eu acho, sem ironia, que Cavaco enloqueceu de vez. Deu pena. Louçã estava divertidíssimo, e a realização não deixou escapar os risos mal disfarçados. Não os risos cínicos em que Louçã é mestre, mas risos de divertimento puro. Eu nem sou grande fã do Louçã, mas esta noite ele foi o meu herói, tamanha a tareia que deu em D. Sebastião.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Resistente

Soares nunca teve medo de dar a cara por aquilo em que acredita. Há quem diga que é louco por se arriscar a uma derrota histórica, depois de todo o capital de admiração e reconhecimento conquistado nas últimas décadas. Enganam-se. Não é o receio de uma eventual derrota que vai acobardar um homem que não teve medo da prisão e da tortura, quando se tratou de defender aquilo em que acreditava. Força Mário!


[imagem: ficha de Soares na PIDE]

Adesão à CEE


Se Cavaco agora se vangloria de ter governado em prosperidade, a Soares o deve, em última análise. Não fossem os milhões da UE, e as maiorias absolutas cavaquistas não teriam tido as condições í­mpares que não souberam aproveitar. A adesão à UE (então CEE) foi uma das principais batalhas políticas de Mário Soares, iniciada logo após o 25 de Abril. E foi Soares que assinou a adesão, na qualidade de primeiro-ministro demissionário de um governo derrubado por Cavaco Silva, na sequência da sua ascensão à presidência do PSD, ele que agora tem a audácia de se arrogar defensor da estabilidade.

sábado, dezembro 03, 2005

Pudera!


Cavaco diz que não quer Marques Mendes nem Ribeiro e Castro na campanha, a seu lado. Pela primeira vez sou obrigado a concordar com o novo D. Sebastião: eu também não quereria ser visto em público com nenhum dos dois, e muito menos com os dois juntos.

Força Sócrates!

Apesar de toda a aparente contestação popular, apesar das medidas difíceis, apesar das virgens ofendidas das nomeações, o PS continua destacadíssimo nas intenções de voto, e menos de 2 pontos abaixo do resultado de Fevereiro - o que até está dentro da margem de erro. Eis os números da sondagem SIC/EXPRESSO/RR:

PS - 42,7%
PSD - 34,6%
CDU - 8%
BE - 5,7%
CDS/PP - 5,7%

Ao contrário do que diz alguma opinião publicada, Sócrates está para lavar e durar. Ainda bem.

sábado, novembro 12, 2005

Assim não

A ausência de Manuel Alegre na votação do Orçamento de Estado foi um tiro no pé. Não com pistola, mas com canhão. Alegre pode estar zangado com o PS por não ter recebido o apoio oficial. Está no seu direito. Mas enquanto deputado, Alegre representa também os cidadãos que o elegeram. Se não quer apoiar o partido no parlamento, saia. Assim não. Pior do que isto foi a justificação: Alegre disse que sabia que o seu voto não seria necessário, e que por isso não tinha achado importante comparecer. Cuidado: pode haver gente que, no dia 22 de Janeiro, ache que Alegre não precisa do seu voto, e que portanto decida ficar em casa, ou votar noutro candidato...

Quanto a mim, estou cada vez menos indeciso.

Diga lá?

Muito se falou das "gaffes" de Soares. Sim, aquelas que ele comete publicamente há pelo menos 31 anos. Disse-se que era da idade. E as de Cavaco, que nas 2 ou 3 vezes em que abriu a boca nos últimos tempos foi só para sair asneira (bem, antes asneira que bolo-rei)? Primeiro foi a "Assembleia Nacional", agora diz que as próximas eleições são as autárquicas. Com isto chegamos a algumas questões interessantes:
  • Cavaco está velho, e já não sabe o que diz?
  • Cavaco não fala com medo de cometer "gaffes" (afinal, tem uma ratio de "gaffe" por frase muito superior à de Soares)?
Seja como for, isto parece explicar o silêncio contumaz de Cavaco, aliás D. Sebastião: não fala, com medo de que lhe saia asneira.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Sócrates

A ascensão de Sócrates à liderança do PS ficou marcada pelo episódio do teleponto, no discurso da consagração. Aquilo que era uma atitude normal e usada por vários políticos em todo o mundo foi considerado sinónimo de impreparação e artificialismo. Se Sócrates tivesse levado o discurso em papel, não haveria tamanho chinfrim, apesar de na prática ser exactamente a mesma coisa.

Durante a campanha eleitoral para as Legislativas de Fevereiro de 2005, foi passada a mensagem de que Sócrates era um "robot", um político só de imagem, sem consistência. Alguma crispação nos debates com o dr. Lopes ajudou a fixar esta imagem.

Vem tudo isto a propósito do debate do Orçamento de Estado para 2006. No seguimento do que se tem visto em outros debates parlamentares, Sócrates tem feito intervenções de grande qualidade, desmontando os argumentos da oposição, e denunciando as suas contradições - memorável, de antologia, as intervenções a propósito do TGV, em que recordou que o PSD ainda há 2 anos era um entusiasta da alta velocidade, tendo inclusive assinado acordos com Espanha que previam a inauguração de alguns troços já em 2009, e aquela em que aproveitou uma deixa de um deputado do PSD que se queixava de a redução da despesa ser muito pequena, recordando que nos 3 anos de desgoverno PSD/CDS a despesa não só não desceu, como até subiu astronomicamente.

Estas intervenções mostram que eram falsas e injustas as acusações de artificialismo de Sócrates: as mais brilhantes tiradas desta tarde foram precisamente as que fez de improviso.

Não sou, nem nunca fui, admirador de Sócrates. Votei no PS, como voto sempre, porque sou militante, mas Sócrates nunca me convenceu, nem durante a campanha interna para a liderança, nem durante a campanha para as legislativas. Mas estes primeiros meses de governo, apesar de algumas medidas com as quais discordo, têm revelado coragem e competência. E de cada vez que ouço o homem no parlamento aumenta também a sensação de que temos ali político com consistência e coragem, mesmo que não concordemos com algumas das suas medidas. Marques Mendes sofreu isso hoje na pele: foi arrasado. Até Louçã, hábil na palavra, demagogo de primeira água, ficou reduzido ao sorriso seráfico que ostenta sempre que é derrotado na sua argumentação (o que não acontece todos os dias).

terça-feira, novembro 01, 2005

Adenda

Adenda à mensagem anterior

Ser político profissional não tem mal nenhum. Só na mente dos ideólogos da campanha cavaquista, ávidos de caçarem o voto pouco esclarecido, é que isto é um problema. Para os eleitores esclarecidos, incluindo grande parte do eleitorado cavaquista, ser político profissional não é problema nenhum - o seu candidato é, de resto, um dos mais profissionais políticos portugueses.

Portanto, grave não é ser político profissional. Grave, muito grave, é fazer-se passar por estar desligado da vida política, quando qualquer pessoa com memória sabe que Cavaco é uma das mais influentes figuras da política portuguesa desde há 25 (vinte cinco) anos, com cargos de responsabilidade como Ministro das Finanças (1 vez) e Primeiro-Ministro (3 vezes). Grave é enganar as pessoas desta maneira, com esta chico-espertice, com estes jogos de palavras. Grave é ostentar aquela pose salazarenga de austero messias acima da política, quando se é um dos mais influentes políticos dos últimos 31 anos, para o bem e para o mal.

A propósito, recorde-se o estado em que o seu consulado no Ministério das Finanças (1980-1983) deixou o país. Já sem falar no "monstro" criado durante os seus governos (1985-1995), o tal défice, que atingiu nessa altura valores altíssimos, mais até do que o défice deixado por Santana, e muito mais do que o défice deixado por Guterres. Por isso nem é de admirar as desfaçatez com que agora aparece como salvador da pátria, como se nada tivesse que ver com o actual estado do país. Já tinha feito o mesmo em 1985, aproveitando-se da memória curta do eleitorado português.

É por estas e outras coisas que eu NÃO vou votar Cavaco. Não quero ver voltar à política portuguesa aquela probóscide antipática. Lembrar-me-ia sempre da arrogância do seu governo. Do total desrespeito pelos mais desfavorecidos. Da força brutal da polícia, que lançava cães e bastonadas contra manifestações pacíficas. Do descontrolo das finanças públicas. Do desemprego. Da má disposição. De todas estas e outras coisas de que os mais desmemoriados já não se lembram. Não quero.

Ainda não sei em quem vou votar, se em Mário Soares se em Manuel Alegre - que são tão profissionais como Cavaco, mas assumem-no e orgulham-se disso. Mas sei muito bem em quem não vou votar.

Se isto não é um profissional...

Percurso político de Cavaco Silva, aliás D. Sebastião:

- Ministro das Finanças (1980-1983)
- Primeiro-Ministro (1985-1987)
- Primeiro-Ministro (1987-1991)
- Primeiro-Ministro (1991-1995)
- Presidente do PSD (1985-1995)
- Candidato presidencial derrotado, graças aos deuses (1995)
- Candidato presidencial para mal dos nossos pecados (2005)

Se isto não é um político profissional, então o que é um político profissional?


P.S.: se não é profissional, não deveria devolver as três (3) pensões, no valor de 9356 euros mensais, que recebe pelas suas várias funções políticas desde há 25 anos?

terça-feira, setembro 27, 2005

Buracos

O Eurostat não validou as contas portuguesas de 2004, isto é o orçamento do governo de Santana Lopes. Não se percebe. Então não eram os governos PSD/CDS que tanto verberavam o último governo de Guterres por ter deixado um défice de 4%, e que dizia que ia pôr as contas na ordem? Claro que só quem tinha memória curta e se esquecia dos défices estratosféricos do cavaquismo é que acreditava numa coisa dessas. Depois do vexame dos 6,8% (tão, mas tão acima do défice de Guterres...), vem agora o Eurostat dizer que tem dúvidas sobre a validade daquelas contas - o que pode indiciar um défice ainda maior. É por estas e outras que há muito que não se ouve ninguém dizer mal das contas públicas deixadas por Guterres. Quem nos dera a nós, após 3 anos de rebaldaria PSD/CDS, ter as contas públicas no estado em que Guterres as deixou. Quem nos dera.

sábado, setembro 17, 2005

Grande ordinário

Devo antes de mais dizer que nenhuma simpatia me move a favor de Manuel Maria Carrilho - nem de resto nenhuma antipatia. Se vivesse em Lisboa votaria no PS, porque é o partido com cujas propostas me identifico mais. E não, as eleições autárquicas não são só a escolha de um nome. Pensá-lo e afirmá-lo revela desconhecimento de como as coisas se processam, além de uma simplificação excessiva. Carrilho tem os seus defeitos, em algumas alturas discordei dele. Mas é um homem competente, determinado, fiel aos seus valores. E é o cabeça de lista, para Lisboa, do partido com que mais me identifico e em que sempre votei. Vem tudo isto a propósito do debate entre Carrilho e Carmona, ontem na SIC-Notícias. Foi um debate azedo e vivo, com ataques pessoais. Carmona parece ter deixado cair a máscara de homem afável e fora dos meandros da política - coisa, aliás, em que só alguém muito ingénuo ou que não acompanhe a política portuguesa pode acreditar. Em vez do engenheiro simpático e ingénuo que os seus apoiantes reatratam, o que vi foi um homem azedo, arrogante e mal-criado. Carrilho não foi um exemplo de bonomia, é certo. Mas não passou os limites da falta de educação. Carmona, pelo contrário, adoptou a postura do rufia mal-criado, com risinhos e tiradas a roçar o boçal. Confesso que até a mim espantou. Parece que até eu já tinha ido na propaganda mediática que diz que Carrilho é arrogante e Carmona afável. Não vi nada disso, ontem. Aliás, o desabafo de Carmona, depois de Carrilho não lhe ter apertado a mão (eu teria feito o mesmo), revela toda a sua má-criação. Não se chama "grande ordinário" a um adversário político, sr. Carmona, nem "off the record". Sobretudo depois do triste espectáculo dado.