sexta-feira, abril 07, 2006

Tá parva!

Teresa Beleza, que deve ser comediante, diz hoje no Público que a lei portuguesa é discriminatória ao fazer uma distinção entre homem e mulher, deixando de fora os homossexuais e os transsexuais. Os transsexuais ainda admito que possam pôr questões filosóficas dessa natureza, mas então um homem homossexual nao é um homem? E uma mulher homossexual não é uma mulher? Oh mulher, explique-se, que eu sou fraco de raciocí­nio e fiquei muito confuso com isto de os homens homossexuais não serem homens.

quinta-feira, março 09, 2006

Dia negro

Um dia negro na História recente de Portugal. O Cavaco tomou posse como presidente. Aquela coisa ali na fotografia em cima, aquilo é o nosso presidente. Na TV disse que ainda não se tinha habituado a ser chamado presidente, mas que já "respondia pelo nome". Menos mal. Tive uma cadela, em tempos, que só começou a responder pelo nome ao fim de uma semana.

domingo, fevereiro 26, 2006

Obscenidades

Ví­tima de Tchernobil
Paul Fusco, Magnum Agency, New York


É obscena a afirmação do sr. Patrick Monteiro de Barros e dos restantes defensores da energia nuclear, de que o acidente de Tchernobil "só causou pouco mais de 40 mortos". É obscena porque restringe deliberada e criminosamente o número de mortos aos que estavam nas instalações da central. É obscena porque esquece os milhares que morreram e morrerão por doenças derivadas das radiações do acidente. É obscena porque mentirosa. É obscena porque desrespeita as inúmeras crianças nascidas com malformações congénitas e cancros. É obscena porque esquece o sofrimento de milhares. É obscena porque desrespeita a memória de milhares de mortos passados e futuros.

Alguns números para avivar a memória e para denunciar a monstruosidade das afirmações de Monteiro de Barros e seus sequazes.

- cerca de 8 000 (oito mil) mortos devido às radiações
- cerca de 2 000 (dois mil) casos de cancro da tiróide
- cerca de 2 000 (dois mil ) a 8 000 (oito mil) casos esperados de cancro da tiróide nos próximos 10 anos
- cerca de 5 000 000 (cinco milhões) de pessoas tiveram ou têm doenças relacionadas com as radiações

P.S.: ia também falar daqueles que dizem que nunca houve um acidente nuclear grave na Europa, mas depois achei que falar de ignorantes e mentirosos é dar-lhes a importância que eles não têm.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Ah pois!



Um dos argumentos mais usados contra o casamento civil entre homossexuais é o de que o casamento se destina a formar família, que tem portanto funções reprodutivas. Além de o argumento ser extremamente redutor (eu diria mesmo neandertalesco), se fosse levado a sério implicaria a proibiçãoo do casamento entre heterossexuais estéreis, pois esses, tal como os casais homossexuais, não poderão ter filhos. Nem os velhotes, já agora. Ora toma.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Grande Freitas


Tenho estado para escrever um texto sobre a crise dos "cartoons" dinamarqueses, mas depois do comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, só me resta aplaudir o bom senso, a serenidade, e assinar por baixo.

sábado, janeiro 28, 2006

domingo, janeiro 22, 2006

A coisa

Foi este o homem que os portugueses elegeram para os representar, como Presidente da República. Com os votos da direita, que está no seu direito e fez o seu papel, mas também com o voto de alguns que se dizem de esquerda, e que não passam de traidores.

Promiscuidade


A reportagem da SIC-Notí­cias em frente à casa da Cavaqueira foi um dos momentos televisivos mais deprimentes e degradantes dos últimos tempos. Tivemos grandes planos das varandas cavaqueiras, fomos informados de que havia lá flores amarelas e um santo-antónio, soubemos que Cavaco veio dizer adeus à janela de pulover azul, e até foi feito um convite para que descesse e viesse conversar "à hora do chá" (sic) com o repórter. Deprimente. Foi mais uma demonstração do claro tomar de partido do grupo SIC. Ninguém foi fazer directos em frente à casa de nenhum dos outros candidatos. Por outro lado, deu-se relevo à intenção de Cavaco de esperar pelos resultados em casa, e não na sede de candidatura, como fazem as pessoas normais quando se candidatam. A sua intenção parece-me clarí­ssima: caso vença à primeira volta (cruzes credo), a saí­da de casa em direcção ao Centro Cultural de Belém será mais um momento sebastiânico, o culminar do endeusamento do candidato que, enquanto primeiro-ministro, deixou as finanças públicas num estado lastimoso, lançou cães contra manifestações pacíficas, ordenou o espancamento brutal de operários manifestantes, e comeu bolo-rei de boca aberta perante as câmeras de TV.

sábado, janeiro 14, 2006

Ratos de laboratório


É impressionante a quantidade de pessoas que tentam subir ao contrário as escadas rolantes da estação de metro do Campo Grande. Com efeito, existem duas escadas rolantes, lado a lado, que dão acesso ao cais. Basta ver o espaço existente entre cada escada rolante (milímetros) para se perceber que não há qualquer separação entre os dois cais. Qualquer macaco de inteligência mediana perceberia que basta saltar para a escada rolante que sobre, e, uma vez lá em cima, virar para o lado direito ou esquerdo, conforme se pretenda ir para a linha verde ou para a amarela, respectivamente. Ainda assim, são várias as pessoas que, após uns segundos de hesitação, tentam subir a escada rolante que desce (!!!!), incapazes de raciocínio tão simples.

Faz-me isto lembrar outra situação que, embora menos grave, não deixa de pôr em causa algumas das ideias feitas sobre a inteligência humana por oposição à dos animais ditos irracionais.

Há em Santa Cruz três paragens de autocarro, contando com a de partida. Como esta se situa em frente ao acesso de algumas das praias mais frequentadas, é nela que se concentra a maioria das pessoas, ao fim da tarde. Assim, é muito frequente o autocarro já não parar nas outras paragens, por ter enchido logo na primeira. Isto acontece quase sempre ao fim da tarde, sobretudo ao Domingo. Tendo isto em consideração, parece-me que seria da mais elementar lógica as pessoas concentrarem-se na primeira paragem, nas alturas de maior enchente, e evitar pelo menos a segunda, que fica a pouco mais de 200 metros. É que é demasiado óbvio que uma pessoa que se dirija à primeira paragem às 17:55, por exemplo, terá muitíssimas mais hipóteses de apanhar o autocarro das 18:00 do que a pessoa que está na segunda paragem desde as 17:05. Mas nem sempre a mente humana é lógica... Comecei a dar-me conta disso uma vez em que o autocarro, como quase sempre, não parou na segunda paragem, ao fim da tarde. Olhei pela janela e vi a expressão de desalento de muita gente, acompanhada de esbracejamentos vários, ao verem que teriam de experar pelo próximo. Tive pena delas, e senti algum remorso, pois tinha chegado à primeira paragem mesmo em cima da hora, e muitas daquelas pessoas tinham ar de estar ali há muito tempo. No dia seguinte, o autocarro não parou de novo, como era óbvio. Reparei que muitas das pessoas que faziam um ar de espanto indignado por o autocarro não ter parado eram as mesmas do dia anterior. Passei então a olhar pela janela quando, àquela hora, o autocarro passava sem parar (sempre). Notei, estarrecido, que as pessoas que esbracejavam indignadas pela não paragem do autocarro eram sempre as mesmas. Novos, velhos, homens, mulheres. Não entendo. Ultrapassa-me. Mas será que é tão difícil para aquela gente perceber que o autocarro àquelas horas nunca pára ali? Independentemente de ser justo ou não, não deveriam já ter percebido isso, logo à segunda ou terceira vez? Por que raio ainda là estavam, ao fim de uma, de duas semanas, a esbracejar de espanto indignado por o autocarro não parar? Não serve como justificação a outra paragem ser longe, e as pessoas estarem cansadas: a primeira paragem fica a cerca de 200 metros - se tanto. De qualquer forma o que me escandaliza é o ar de espanto das pessoas, como se ao fim de uma, duas semanas não fosse já demasiado previsível que o autocarro não ia parar. Até um rato de laboratório o saberia.

Uma das coisas que distinguem, dizem os cientistas, o homem da generalidade dos outros animais é o ser capaz de aprender com os erros e a experiência, e a capacidade de reagir a novas situações. As pessoas que sobem escadas rolantes ao contrário e as que esperam pelo autocarro que obviamente nunca vai parar ali àquela hora ainda não foram informadas disso.

al-Qaida no Cacém

Vi em tempos na SIC-Notícias uma reportagem a propósito da passagem de um ano sobre as explosões nos estaleiros da REFER em Agualva. No meio das inevitáveis entrevistas, uma senhora "muito doente" (palavras da própria) diz que quando ouviu as explosões pensou que fossem "os aviões a destruir o prédio, como lá na América". Está-se mesmo a ver, ataques terroristas contra as torres do Cacém. Como é que ainda ninguém se tinha lembrado disto?

Em termos de disparate consegue mesmo bater aquele senhor que dizia que os fogos florestais estavam a ser motivados por terroristas a soldo do Saddam, vingando-se do apoio dado pelo governo aos americanos. Não estou a brincar, li nas cartas do Público. Espero que o Bush não tome conhecimento dessa denúncia, se não ainda decide vir libertar-nos!

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Forca!


Finalmente enforcaram o Pai Natal. Eu queria comprar um, e pendurá-lo assim na minha varanda. Mas depois tive medo de que alguém, olhando de longe, pensasse que era mais um Pai Natal piroso, que não reparasse que ele estava enforcado, e mudei de ideias. Também me ocorreu pendurá-lo de pernas para o ar, tipo Mussolini em Milão, mas achei que ia ser pouco óbvio, que quase ninguém captaria a alusão, e ainda pensariam que era mais uma variante do Pai Natal piroso do costume. Também pensei em pendurá-lo sem as calças, mas não sei se saem. Acabei por desistir. Talvez para o ano.

sábado, dezembro 10, 2005

Olha a louca do bolo-rei de novo

Cavaco ontem, à saí­da da tareia que levou do Louçã, afirmou e repetiu que o célebre debate "olhe-que-não" entre Soares e Cunhal foi há 20 anos.


Se fosse Soares dizia-se que era da idade. Sendo Cavaco, é de quê?

A louca do bolo-rei ataca de novo

"É preciso não esquecer que o ditador iraquiano violou 12 resoluções da ONU em 10 anos e invadiu dois paí­ses: o Irão e o Iraque".

Cavaco Silva, no debate de ontem à noite. Se fosse Soares dizia-se que era da idade. Sendo Cavaco, é de quê?

A louca do bolo-rei

"A corrupção em Portugal existe porque os relatórios dos organismos internacionais dizem que existe".

Não, não é Monty Python. Foi o que disse Cavaco no debate com Louçã, esta noite.


Se fosse Soares dizia-se que era da idade. Sendo Cavaco, é de quê?

Além desta pérola, Cavaco demonstrou estar completamente por fora de vários assuntos importantes. Foi hilariante quando disse que seria bom fazer-se um estudo para saber da sustentabilidade da segurança social, e foi arrasado por Louçã, com um assassino "isso já foi feito, os números são estes, e isto devia ser do conhecimento de qualquer candidato". Mais hilariante do que isto só a afirmação histerico-nazi de que os imigrantes ilegais poderiam colocar os portugueses em minoria. Louçã não conteve o riso. Nem eu. Eu acho, sem ironia, que Cavaco enloqueceu de vez. Deu pena. Louçã estava divertidíssimo, e a realização não deixou escapar os risos mal disfarçados. Não os risos cínicos em que Louçã é mestre, mas risos de divertimento puro. Eu nem sou grande fã do Louçã, mas esta noite ele foi o meu herói, tamanha a tareia que deu em D. Sebastião.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Resistente

Soares nunca teve medo de dar a cara por aquilo em que acredita. Há quem diga que é louco por se arriscar a uma derrota histórica, depois de todo o capital de admiração e reconhecimento conquistado nas últimas décadas. Enganam-se. Não é o receio de uma eventual derrota que vai acobardar um homem que não teve medo da prisão e da tortura, quando se tratou de defender aquilo em que acreditava. Força Mário!


[imagem: ficha de Soares na PIDE]

Adesão à CEE


Se Cavaco agora se vangloria de ter governado em prosperidade, a Soares o deve, em última análise. Não fossem os milhões da UE, e as maiorias absolutas cavaquistas não teriam tido as condições í­mpares que não souberam aproveitar. A adesão à UE (então CEE) foi uma das principais batalhas políticas de Mário Soares, iniciada logo após o 25 de Abril. E foi Soares que assinou a adesão, na qualidade de primeiro-ministro demissionário de um governo derrubado por Cavaco Silva, na sequência da sua ascensão à presidência do PSD, ele que agora tem a audácia de se arrogar defensor da estabilidade.