domingo, outubro 15, 2006

Referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez

Enquanto não surgem imagens da campanha portuguesa, aqui vão ficando algumas imagens feitas por esse mundo fora.

Menos fogos

Apesar das 5 ondas de calor, 2006 foi o ano com menor área florestal ardida desde 1999. Uma vitória deste governo e das medidas acertadas que tomou. Curiosamente, ou não, não se dá o devido destaque na imprensa a esta boa notícia.

sexta-feira, outubro 13, 2006

O banqueiro dos pobres


O Pesporrente felicita com entusiasmo o Nobel da Paz atribuído a Muhammad Yunus e ao seu Banco Grameen. Yunus, ao contrário dos banqueiros convencionais, empresta dinheiro a quem realmente precisa, através do sistema de micro-crédito, permitindo que gente muito pobre consiga montar os seus pequenos negócios, e assim possa viver mais dignamente. Bravo, Yunos.

Despachos Hiper Lentos

No início de Setembro tive a infeliz ideia de aceitar que uma encomenda que fiz dos EUA fosse despachada (?) pela DHL. O arrependimento começou quando algum tempo depois, recebi um contacto da DHL, fazendo uma estimativa dos preços de entrega. Por duas míseras t-shirts pretendem extorquir-me cerca de 40 euros, se eu levantar o meu rabinho e for buscar pessoalmente a encomenda à alfândega, ou então cerca de 80 euros, se quiser que me venham entregar a casa. Juro que é verdade. Sim, eu também pensei "por esse preço mais vale ir directamente aos EUA comprar a porcaria das t-shirts".

Ainda meio zonzo com a fortuna pedida proposta, lá fiquei à espera que as malditas t-shirts chegassem. Ainda bem que me decidi sentar, porque se esperasse em pé ficava com as pernas feitas numa grande variz. Estamos hoje a 13 de Outubro, e das famigeradas t-shirts nem sequer o cheiro. Segundo pude saber, ainda nem sequer saíram dos EUA. Neste espaço de tempo recebi outras encomendas, mais pesadas e volumosas, vindas dos EUA pelo correio convencional. Foram feitas depois, chegaram antes, e nuns casos não paguei um cêntimo de taxas alfandegárias, noutros casos paguei uns cerca de 15 euros da praxe.

Gostava de saber com que legitimidade a DHL se faz pagar principescamente. É mais rápida do que o correio convencional? Não, nem por sombras. Já lá vai cerca de mês e meio, e ainda nem sequer saiu a encomenda dos EUA: continua "em trânsito", diz a DHL. O serviço tem mais qualidade? Não: além de ser bastante mais lento, nem sequer faz aquele serviço básico que é levar a casa sem cobrar mais por isso. Então porque é que cobram taxas dignas de um senhor feudal?

Cada vez mais irritado com este caso, decidi reclamar, uma vez mais. Enviei o mail que transcrevo de seguida, sem grande esperança de que me adiante alguma coisa.


"Venho de novo a minha estupefacção e o meu desagrado pelo péssimo serviço que me está a ser prestado (e será regiamente cobrado, se as instâncias competentes não me derem razão). A minha encomenda foi recolhida pela DHL-USA a 5 de Setembro, e até hoje, 13 de Outubro, não recebi nada. Entretanto, no espaço deste quase mês e meio, já fiz e recebi outras encomendas dos Estados Unidos, que me chegaram gratuitamente ou com taxas alfandegárias simbólicas. Segundo as informações obtidas nas páginas da DHL-USA e DHL-Portugal, a encomenda encontra-se ainda em trânsito nos EUA!

É inadmissível que a DHL, que se faz pagar principescamente, responda depois com um serviço muito mais lento e muito mais ineficaz do que o correio convencional. Acho uma afronta inqualificável que ainda me venham a cobrar nem que seja um cêntimo por este serviço (?), quando/se as minhas encomendas chegarem. Por mim, reafirmo a minha intenção de nunca mais recorrer à DHL, e já comecei a passar a palavra entre amigos e conhecidos. Entretanto já encetei os procedimentos necessários para saber como agir caso tenham a audácia de me cobrar a pequena fortuna que me foi anunciada como pagamento do serviço (?).

Sem mais,
André Simões"

segunda-feira, outubro 09, 2006

má-criação

Os professores (e eu sou professor) têm todo o direito de protestar contra as políticas educativas do governo, ainda que não me pareça que no geral tenham razão. Não têm é o direito de serem mal-criados e ofensivos, como se tem visto nas manifestações. Não só não abona muito em favor da sua formação, como lhes retira a pouca razão que possam ter. É que do que já li da nova proposta de Estatuto da Carreira Docente, não me parece mal. Por exemplo, alguém me pode explicar onde está o mal de, por exemplo, a progressão na carreira ser feita por mérito e não por tempo? E quem é que tem medo da prova nacional de conhecimentos e competências, à semelhança do que se faz na Europa civilizada? Medo de ver barrada a entrada no sistema de ignorantes sem preparação, como acontece hoje? Parece-me da mais elementar lógica e justiça, mas isso se calhar sou eu...

domingo, outubro 08, 2006

Tradição Académica III

Dizem os defensores da praxe que esta é uma tradição secular. Sê-lo-á, em Coimbra. Não é, em Lisboa e outros sítios. Não era, quando tirei o curso entre 1989 e 1993, na FLUL. Mas ainda que fosse. Admitamos, por pura hipótese académica (sem tradição) que sim, que era (mas não é) uma antiga tradição. Vamos perpetuá-la só por ser tradição? Vamos recuperar a escravatura, longuíssima tradição? Vamos recuperar a pedofilia, tradição praticada durante milénios praticamente até aos nossos dias - quem não conhece casos de senhoras de idade, normalmente das aldeias, que se casaram aos 13 e 14 anos? E que tal o espancamento de mulheres pelos maridos, riquíssima tradição praticada até aos dias de hoje? E a exposição de filhos deficientes, tradição greco-latina, base da nossa civilização? Vamos recuperar isto tudo? Claro que não. Pessoas inteligentes e civilizadas sabem que tradição não é igual a lei, e que muitas tradições são condenáveis e devem ser combatidas. Como a alegada tradição académica.

As imagems deste e dos artigos anteriores foram retiradas do Antípodas - Movimento Anti-Praxe.

Tradição Académica II

Dizem os defensores da "tradição académica" que as praxes servem para integrar. Mais preocupante do que isto é ouvir alguns praxados papaguearem o mesmo. Preocupante, mas também deprimente. Deprimente saber que há quem não encontre melhor maneira de se integrar num grupo do que sujeitar-se a "brincadeiras" humilhantes em que, a bem ou a mal, desempenham um papel de inferioridade perante quem se sente superior apenas porque entrou alguns anos antes (muitas vezes demasiados anos antes). Preocupante e deprimente é ouvir meninas na televisão dizendo que cantaram insultos aos pais e a si próprias "mas que até foi divertido". Preocupante e deprimente é dizer ouvir praxadoras na televisão dizendo que obrigam os caloiros a simularem actos sexuais e orgasmos, mas que "não tem mal nenhum". Haverá comentário possível a isto? Eu abstenho-me, se não se importam.

Não é assim que se integram pessoas mentalmente saudáveis. Aliás, é óbvio para qualquer pessoa que não é essa a intenção, que isso não passa de um pretexto, passado de geração em geração, para os praxadores exerceram sobre os novos as suas frustrações sociais e sexuais. Se quisessem integrar organizavam festas e jantares, por exemplo. É no convívio que se integra, não na humilhação. E só uma mente muito doente pode confundir as duas coisas. No meu tempo de estudante não havia praticamente praxes na FLUL - e não foi assim há tanto tempo. Ao fim de poucas semanas conhecia já dezenas de colegas. Ninguém me praxou, ninguém me humilhou (admito que o meu 1,80 - altura elevada para a minha geração - e as minhas botas militares, cabelo rapado e calças rotas tenham intimidado alguns dos escassos praxadores). Conheci tanta gente em festas e jantares organizados por colegas mais velhos ou mesmo entre nós. O meu 1º ano foi inesquecível - talvez até demasiado. Sem praxes.

Poderei dizer que não me senti integrado, por não ter sido praxado? De facto não fui integrado em grupos sado-maso. Mas fui plenamente integrado no resto da faculdade.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Tradição Académica I

Não podia deixar de manifestar aqui o meu apoio ao M.A.T.A., que luta contra uma das manifestações mais abjectas do património genético australopitequiano de alguns. Não me refiro apenas aos praxadores - refiro-me sobretudo aos praxados que vêm dizer que adoraram andar a fazer figuras tristes, e que não vêem mal nenhum em entoar cânticos ordinários e em chamarem nomes a si mesmos e aos seus pais. Não entendo também como se pode chamar "tradição" a algo que, quando entrei na Faculdade de Letras da UL, em 1989/1990, não existia. Aliás o fenómenos é recente. Lembro-me de que quando acabei o curso, em 1993, os dráculas... perdão, os trajes académicos, eram raros e apontados a dedo com curiosidade e comiseração. Quando voltei como professor, em 1996, já estavam por todo o lado. Voltarei a este assunto, quando estiver menos ensonado.

segunda-feira, outubro 02, 2006

SIM

Aqui me declaro convictamente a favor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Votarei SIM no referendo, e farei campanha activa dentro das minhas possibilidades. Chega de hipocrisia! Espero que este debate traga de novo à ribalta essa grande mulher da esquerda portuguesa que é Helena Roseta. Fico também satisfeito por saber que José Sócrates e Correia de Campos farão campanha pelo SIM, o que evita o embaraço de '98, quando Guterres manifestou publicamente a sua simpatia pelo "não".

Brasil

Numa altura em que as urnas no Brasil já fecharam, o Pesporrente manifesta o seu desejo de uma vitória retumbante do Lula logo à primeira volta. Não vivo no Brasil, nunca lá estive, nem estou mais interessado nesse país do que em qualquer outro, mas tenho desde há muito uma grande admiração pelo Lula, que, apesar dos escândalos, conseguiu diminuir os níveis de pobreza e melhorar as condições de vida dos mais desfavorecidos. Força Lula!

Östereich

O Pesporrente congratula-se com a vitória do SPÖ austríaco sobre a direita. Tratou-se de uma vitória inesperada e curta, mas que se lixe: o que interessa é que a esquerda ganhou. Esperemos, agora, que não se lembrem de fazer coligação com a direita, como já alguns comentadores alvitram. Aproveito para perguntar quando é que o PSD português decide de vez mudar de nome. É que, como toda a gente sabe, a social-democracia é uma corrente política da esquerda moderada, que tem em Portugal como único verdadeiro representante o PS.

sábado, setembro 30, 2006

Combustíveis


Quando os combustíveis aumentam, todos protestam - o que é natural e compreensível. Nas entrevistas de rua é comum ouvir coisas como "quando o petróleo desce eles não descem os combustíveis". Aqui já não é tão natural. Onde andam essas pessoas, quando as gasolineiras descem sucessivamente os preços dos combustíveis, como tem acontecido nos últimos tempos? Não se pede que protestem, como é óbvio. Mas ao menos podiam poupar-nos às tiradas demagógicas, quando os combustíveis sobem.

Pongo pygmaeus, ou como se gasta dinheiro em vão

A C.I.A. chegou à conclusão de que a guerra no Iraque aumentou a ameaça terrorista, provocando o aumento e dispersão dos movimentos fundamentalistas. Mas agora pergunto eu: isso não era óbvio para qualquer pessoa com Q.I. acima do de um orangotango amestrado, ainda antes de a guerra começar? Andaram a gastar o dinheiros dos contribuintes americanos (não que isso me preocupe muito) para fazer um estudo com conclusões a que qualquer pessoa com dois dedos de testa já tinha chegado ainda antes da guerra?

Cavacadas

Pensava que já tinham acabado as nossas humilhações em Espanha. Tantos anos a tentarmos melhorar a nossa imagem em Espanha, tantos anos a tentar mostrar que as mulheres portuguesas também sabem ser bonitase vestir-se bem e até fazer o bigode, tantos anos a mostrar que os homens portugueses podiam não parecer todos saídos de um filme a preto e branco. Tantos anos para nada. Tantos anos para depois aparecer o Cavaco a discursar nas cortes em Madrid. Ó ignomínia! Poderia ser pior? Podia, e foi: aparecer a Maria Cavaca com ar de criada de servir ao lado da finíssima rainha Sofia.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Monsieur d'la Palisse est mort, il est mort devant Pavie, un quart d'heure avant sa mort, il était encore en vie!

Apareceu uma menina do PSD na TV (que se calhar até é bonita, mas com aquelas trombas não parece) em comunicado oficial a dizer que Soares é uma candidatura partidária que serve o PS e o próprio candidato. E...? A de Cavaco será o quê? Servirá quem? O MRPP?

terça-feira, agosto 29, 2006

A importância de ser tratado por "tu".

Ter perdido 25 quilos nos últimos 4 meses tem tido inúmeras vantagens. Além de poder voltar a vestir coisas que não pareçam sacos de batatas e de conseguir, pela primeira vez em 5 anos, ver os meus genitais sem ter de me curvar, parece que ganhei de novo alguma da juventude perdida - não toda, que praticamente 35 anos já pesam, e não é pouco. Na verdade, nos últimos tempos deixei de ser referido como "senhor", e voltei a ser chamado "rapaz". Além disso, os desconhecidos voltaram a usar o "tu" para se me dirigirem, o que não me acontecia praticamente desde que deixei de fumar (2001). Hoje uma vizinha que não cumprimento (só cumprimento um grupo extremamente reduzido e selecto de vizinhos) precisou de me pedir uma informação, e chamou-se "oh menino, oh pxt oh menino!". Não só lhe dirigi a palavra pela primeira vez na vida, como por pouco não lhe espetei um beijo nas fuças.

sábado, julho 29, 2006

Não há pachorra

Há desenvolvimentos no caso Maria João Pires. Afinal já não vai acabar com o centro de Belgais. Afinal só está a descansar na Baía. Diz também que sempre foi apoiada pelo governo - pudera, nos últimos anos recebeu cerca de 2 000 000 de euros (dois milhões) de euros dos cofres do Estado... Então não se percebe a birra da senhora. Ou talvez até se perceba: ao que parece, o governo pediu-lhe que comprovasse a correcta utilização do dinheiro investido pelo Estado. Como a senhora se deve achar acima do comum mortal, amarrou o burrinho e ei-la que vai desamarrá-lo para o Brasil... Oh mulher, desampara-nos a loja, abdica lá da nacionalidade de vez, deixa-te de birras e dedica-te ao que sabes fazer, e bem - tocar piano.

Macarronices

Depois do inacreditável "sapore autenticum est" (sic) e das "receitae artesanalis" (sic!) de uma marca de cervejas que devia ter vergonha na cara, agora aparece mais uma macarronada, desta de vez de uma marca de águas, que escreve, sem corar, "sanum per aqua" (sic). Os primeiros ainda podiam apresentar a desculpa de terem concebido a frase após uma boa dose do produto anunciado. Mas os segundos, quer desculpa têm?

Que não saibam latim, não é crime (mas devia ser), agora que façam sair para a rua cavalidades destas sem verificarem primeiro com pessoas competentes, não se admite.

Boa viagem

A pianista Maria João Pires diz que não tinha condições em Portugal para continuar com a Associação Belgais, e fugiu para o Brasil (!). Eu até a compreendo, realmente deve ser complicado, recebendo apenas os míseros apoios da UE, da Caja Duero, da Câmara Municipal de Castelo Branco, do Ministério da Educação, do Ministério da Cultura, do Instituto das Artes, da Fundação Avina e da Yamaha. Devem ter sido tempos muito difíceis. Claro que agora na Baía terá muito mais apoios e compreensão... E o que acontece agora aos que trabalhavam directa ou indirectamente com a Associação Belgais? Olho da rua?

Alguém ainda tem paciência para esta senhora e para os seus amuos de diva caprichosa? Será que vai cumprir também a ameaça/chantagem de abdicar da nacionalidade portuguesa, como fez há não muito tempo? Pormim, boa viagem, e que vá pela sombra, que o Sol na Baía diz que é escaldante, ainda apanha uma insolação, e depois é uma chatice.

sexta-feira, julho 28, 2006

Quo usque tamdem abutere, Israhel, patientia nostra?

«Tears of a son. July 23: Ali Sha'ita, 12, is distraught as he tries to comfort his mother, who was injured in an Israeli missile strike on their vehicle, killing three and injuring 16.»
Jornal Guardian (Fotografia: Sean Smith).

Via Causa Nossa.

A não perder, ainda, este lúcido texto de Vital Moreira, na Aba da Causa.