O Pesporrente congratula-se com a vitória do SPÖ austríaco sobre a direita. Tratou-se de uma vitória inesperada e curta, mas que se lixe: o que interessa é que a esquerda ganhou. Esperemos, agora, que não se lembrem de fazer coligação com a direita, como já alguns comentadores alvitram. Aproveito para perguntar quando é que o PSD português decide de vez mudar de nome. É que, como toda a gente sabe, a social-democracia é uma corrente política da esquerda moderada, que tem em Portugal como único verdadeiro representante o PS.segunda-feira, outubro 02, 2006
Östereich
O Pesporrente congratula-se com a vitória do SPÖ austríaco sobre a direita. Tratou-se de uma vitória inesperada e curta, mas que se lixe: o que interessa é que a esquerda ganhou. Esperemos, agora, que não se lembrem de fazer coligação com a direita, como já alguns comentadores alvitram. Aproveito para perguntar quando é que o PSD português decide de vez mudar de nome. É que, como toda a gente sabe, a social-democracia é uma corrente política da esquerda moderada, que tem em Portugal como único verdadeiro representante o PS.sábado, setembro 30, 2006
Combustíveis

Quando os combustíveis aumentam, todos protestam - o que é natural e compreensível. Nas entrevistas de rua é comum ouvir coisas como "quando o petróleo desce eles não descem os combustíveis". Aqui já não é tão natural. Onde andam essas pessoas, quando as gasolineiras descem sucessivamente os preços dos combustíveis, como tem acontecido nos últimos tempos? Não se pede que protestem, como é óbvio. Mas ao menos podiam poupar-nos às tiradas demagógicas, quando os combustíveis sobem.
Pongo pygmaeus, ou como se gasta dinheiro em vão
A C.I.A. chegou à conclusão de que a guerra no Iraque aumentou a ameaça terrorista, provocando o aumento e dispersão dos movimentos fundamentalistas. Mas agora pergunto eu: isso não era óbvio para qualquer pessoa com Q.I. acima do de um orangotango amestrado, ainda antes de a guerra começar? Andaram a gastar o dinheiros dos contribuintes americanos (não que isso me preocupe muito) para fazer um estudo com conclusões a que qualquer pessoa com dois dedos de testa já tinha chegado ainda antes da guerra?Cavacadas
Pensava que já tinham acabado as nossas humilhações em Espanha. Tantos anos a tentarmos melhorar a nossa imagem em Espanha, tantos anos a tentar mostrar que as mulheres portuguesas também sabem ser bonitase vestir-se bem e até fazer o bigode, tantos anos a mostrar que os homens portugueses podiam não parecer todos saídos de um filme a preto e branco. Tantos anos para nada. Tantos anos para depois aparecer o Cavaco a discursar nas cortes em Madrid. Ó ignomínia! Poderia ser pior? Podia, e foi: aparecer a Maria Cavaca com ar de criada de servir ao lado da finíssima rainha Sofia.sexta-feira, setembro 01, 2006
Monsieur d'la Palisse est mort, il est mort devant Pavie, un quart d'heure avant sa mort, il était encore en vie!
Apareceu uma menina do PSD na TV (que se calhar até é bonita, mas com aquelas trombas não parece) em comunicado oficial a dizer que Soares é uma candidatura partidária que serve o PS e o próprio candidato. E...? A de Cavaco será o quê? Servirá quem? O MRPP?
terça-feira, agosto 29, 2006
A importância de ser tratado por "tu".
Ter perdido 25 quilos nos últimos 4 meses tem tido inúmeras vantagens. Além de poder voltar a vestir coisas que não pareçam sacos de batatas e de conseguir, pela primeira vez em 5 anos, ver os meus genitais sem ter de me curvar, parece que ganhei de novo alguma da juventude perdida - não toda, que praticamente 35 anos já pesam, e não é pouco. Na verdade, nos últimos tempos deixei de ser referido como "senhor", e voltei a ser chamado "rapaz". Além disso, os desconhecidos voltaram a usar o "tu" para se me dirigirem, o que não me acontecia praticamente desde que deixei de fumar (2001). Hoje uma vizinha que não cumprimento (só cumprimento um grupo extremamente reduzido e selecto de vizinhos) precisou de me pedir uma informação, e chamou-se "oh menino, oh pxt oh menino!". Não só lhe dirigi a palavra pela primeira vez na vida, como por pouco não lhe espetei um beijo nas fuças.sábado, julho 29, 2006
Não há pachorra
Há desenvolvimentos no caso Maria João Pires. Afinal já não vai acabar com o centro de Belgais. Afinal só está a descansar na Baía. Diz também que sempre foi apoiada pelo governo - pudera, nos últimos anos recebeu cerca de 2 000 000 de euros (dois milhões) de euros dos cofres do Estado... Então não se percebe a birra da senhora. Ou talvez até se perceba: ao que parece, o governo pediu-lhe que comprovasse a correcta utilização do dinheiro investido pelo Estado. Como a senhora se deve achar acima do comum mortal, amarrou o burrinho e ei-la que vai desamarrá-lo para o Brasil... Oh mulher, desampara-nos a loja, abdica lá da nacionalidade de vez, deixa-te de birras e dedica-te ao que sabes fazer, e bem - tocar piano.Macarronices
Depois do inacreditável "sapore autenticum est" (sic) e das "receitae artesanalis" (sic!) de uma marca de cervejas que devia ter vergonha na cara, agora aparece mais uma macarronada, desta de vez de uma marca de águas, que escreve, sem corar, "sanum per aqua" (sic). Os primeiros ainda podiam apresentar a desculpa de terem concebido a frase após uma boa dose do produto anunciado. Mas os segundos, quer desculpa têm?Que não saibam latim, não é crime (mas devia ser), agora que façam sair para a rua cavalidades destas sem verificarem primeiro com pessoas competentes, não se admite.
Boa viagem
A pianista Maria João Pires diz que não tinha condições em Portugal para continuar com a Associação Belgais, e fugiu para o Brasil (!). Eu até a compreendo, realmente deve ser complicado, recebendo apenas os míseros apoios da UE, da Caja Duero, da Câmara Municipal de Castelo Branco, do Ministério da Educação, do Ministério da Cultura, do Instituto das Artes, da Fundação Avina e da Yamaha. Devem ter sido tempos muito difíceis. Claro que agora na Baía terá muito mais apoios e compreensão... E o que acontece agora aos que trabalhavam directa ou indirectamente com a Associação Belgais? Olho da rua? Alguém ainda tem paciência para esta senhora e para os seus amuos de diva caprichosa? Será que vai cumprir também a ameaça/chantagem de abdicar da nacionalidade portuguesa, como fez há não muito tempo? Pormim, boa viagem, e que vá pela sombra, que o Sol na Baía diz que é escaldante, ainda apanha uma insolação, e depois é uma chatice.
sexta-feira, julho 28, 2006
Quo usque tamdem abutere, Israhel, patientia nostra?
«Tears of a son. July 23: Ali Sha'ita, 12, is distraught as he tries to comfort his mother, who was injured in an Israeli missile strike on their vehicle, killing three and injuring 16.»Jornal Guardian (Fotografia: Sean Smith).
quarta-feira, julho 26, 2006
Quem, eu?
"A Provedoria de Justiça acusou há dias a gestão da Câmara Municipal de Lisboa (CML) de favorecimento, com prejuízo do interesse público, do promotor imobiliário que construiu o condomínio que se ergue no local do antigo gasómetro da EDP, na Avenida Infante Santo."
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1265255
All animals are equal, but some animals are more equal than others

Na sua fúria assassina, os terroristas israelitas bombardearam um posto da ONU, matando quatro funcionários. Até quando? Quo usque tandem?
domingo, julho 16, 2006
Terror nazi
A comunidade internacional assiste indiferente ao bombardeamento de um país soberano, por outro país que possui armas de destruição massiva, e que já afirmou estar disposto a usá-las. Infraestruturas civis (aeroporto, estradas, etc.) estão a ser destruídas, um número ainda indeterminado de civis inocentes está a ser morto diariamente. Esse mesmo país agressor desrespeita olimpicamente todas as resoluções da ONU que exigem que se retire de territórios que ocupa há vários anos. Se fosse outro país qualquer, estava tudo indignado, e os EUA já teriam lançado um dos seus famigerados ataques preventivos. Mas como são os nazis israelitas, está tudo bem, assobia tudo para o lado...domingo, junho 18, 2006
Feira do Livro de Lisboa
A Feira do Livro já lá vai, para bem da minha carteira, com as queixas de sempre por parte dos editores. Não há público, não se vende. A verdade é que este ano a Feira tinha muito menos gente do que em outros anos. Era possível circular à vontade e compulsar os livros sem ter de abrir caminho à força de cotoveladas. Até nos "saldos" se podia movimentar com relativa facilidade. Os editores acusam a APEL de não ter divulgado convenientemente a Feira. A APEL, sem corar, disse que sim senhora, que se tinha fartado de divulgar. Qualquer pessoa que tenha passeado por Lisboa nos dias que antecederam a Feira sabe que isso é tão verdade como o Trappatoni ter deixado o Benfica para estar mais perto da mulher. Não vi um único cartaz, um único que fosse. Nem anúncios na imprensa. Nada. Nadinha. Eu só soube a data de abertura porque tive a sorte de a ver numa notícia de pé de página, no Público. Movimento-me num meio relativamente letrado e culto, e quando dizia a alguém "vamos à Feira do Livro?" a reacção era invariavelmente "já abriu?!". Uma tristeza. Se a APEL quer acabar com a Feira, se calhar era melhor assumi-lo, em vez de (não) fazer coisas destas.sábado, junho 03, 2006
Galiza, Portugal, a mesma língua
Activistas da GZ.pt (Associação de Solidariedade com a Galiza), constituída por galegos a viver em Lisboa, penduraram uma enorme faixa com os dizeres "Galiza, Portugal, a mesma língua" no Elevador de Santa Justa. São de louvar estas iniciativas, que visam divulgar a causa do reintegracionismo galego.Mais pormenores aqui.
A página acima indicada está escrita em "galego", usando a ortografia portuguesa. Se eu não desse esta informação todos pensariam que tinha sido escrita por um lisboeta. Haverá maior prova da unidade linguística galego-portuguesa? Até o português brasileiro se distingue, mesmo usando a mesma ortografia.
A página acima indicada está escrita em "galego", usando a ortografia portuguesa. Se eu não desse esta informação todos pensariam que tinha sido escrita por um lisboeta. Haverá maior prova da unidade linguística galego-portuguesa? Até o português brasileiro se distingue, mesmo usando a mesma ortografia.
sexta-feira, junho 02, 2006
Coligação Democrática de Direita
Curioso (mas não surpreendente) o alinhamento do PCP com a direita, no regozijo pelo primeiro veto do sr. Silva. O sentido de voto da bancada do PCP, que tem alinhado quase sempre com a direita (vide referendo sobre a despenalização do aborto), mostra bem o que poderia ter acontecido se o PS não tivesse maioria absoluta e não conseguisse um entendimento com o BE - que esse sim, se tem mostrado um partido de esquerda. Daqueles lados não se pode esperar nada, como se tem visto nas autarquias locais, onde frequentemente se têm coligado informalmente com a direita para derrubar câmaras socialistas. Já nem vou lembrar o caso do Porto, onde o vereador do PCP ajudou os seus amigos do PSD e do CDS a terem maioria, no mandato 2001-2005.domingo, maio 14, 2006
Quem és tu e o que fizeste ao Durão?
Vi hoje Durão Barroso, rebaptizado José Manuel Barroso, na SIC-Notícias exibir as traduções da Ilíada, Arte de Amar e Satíricon, todas editadas pela Cotovia. Disse que a Europa não pode esquecer as suas raízes clássicas, e outras opiniões bastante acertadas. Foi aqui que comecei a ficar duplamente preocupado. Primeiro porque concordei com tudo o que ele disse. Depois porque este não pode ser o mesmo homem que assinou a actual reforma do Ensino Secundário, o homem que assassinou por interposta pessoa (David Justino) o Grego e feriu de morte o Latim. Não pode ser a mesma pessoa. Fiquei na esperança de ter ouvido mal, e mandei um SMS à professora (e querida amiga) Cristina Pimentel, que ouviu o mesmo. Ele disse mesmo aquelas coisas, sem corar, sem lhe pesar na consciência ter praticamente liquidado o ensino em Portugal dessas raízes clássicas que tanto louva.sexta-feira, abril 07, 2006
Tá parva!
Teresa Beleza, que deve ser comediante, diz hoje no Público que a lei portuguesa é discriminatória ao fazer uma distinção entre homem e mulher, deixando de fora os homossexuais e os transsexuais. Os transsexuais ainda admito que possam pôr questões filosóficas dessa natureza, mas então um homem homossexual nao é um homem? E uma mulher homossexual não é uma mulher? Oh mulher, explique-se, que eu sou fraco de raciocínio e fiquei muito confuso com isto de os homens homossexuais não serem homens.
quinta-feira, março 09, 2006
Dia negro
Um dia negro na História recente de Portugal. O Cavaco tomou posse como presidente. Aquela coisa ali na fotografia em cima, aquilo é o nosso presidente. Na TV disse que ainda não se tinha habituado a ser chamado presidente, mas que já "respondia pelo nome". Menos mal. Tive uma cadela, em tempos, que só começou a responder pelo nome ao fim de uma semana.domingo, fevereiro 26, 2006
Obscenidades
É obscena a afirmação do sr. Patrick Monteiro de Barros e dos restantes defensores da energia nuclear, de que o acidente de Tchernobil "só causou pouco mais de 40 mortos". É obscena porque restringe deliberada e criminosamente o número de mortos aos que estavam nas instalações da central. É obscena porque esquece os milhares que morreram e morrerão por doenças derivadas das radiações do acidente. É obscena porque mentirosa. É obscena porque desrespeita as inúmeras crianças nascidas com malformações congénitas e cancros. É obscena porque esquece o sofrimento de milhares. É obscena porque desrespeita a memória de milhares de mortos passados e futuros.
Alguns números para avivar a memória e para denunciar a monstruosidade das afirmações de Monteiro de Barros e seus sequazes.
- cerca de 8 000 (oito mil) mortos devido às radiações
- cerca de 2 000 (dois mil) casos de cancro da tiróide
- cerca de 2 000 (dois mil ) a 8 000 (oito mil) casos esperados de cancro da tiróide nos próximos 10 anos
- cerca de 5 000 000 (cinco milhões) de pessoas tiveram ou têm doenças relacionadas com as radiações
P.S.: ia também falar daqueles que dizem que nunca houve um acidente nuclear grave na Europa, mas depois achei que falar de ignorantes e mentirosos é dar-lhes a importância que eles não têm.
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Ah pois!

quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Grande Freitas

Tenho estado para escrever um texto sobre a crise dos "cartoons" dinamarqueses, mas depois do comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, só me resta aplaudir o bom senso, a serenidade, e assinar por baixo.
sábado, janeiro 28, 2006
Direito ao amor
Pelo direito à igualdade, contra a indiferença, contra a intolerância, contra a homofobia: obviamente a Teresa e a Lena têm todo o meu apoio e solidariedade. E parabéns ao Luís Grave Rodrigues pela inciativa e apoio prestado.
domingo, janeiro 22, 2006
Promiscuidade
A reportagem da SIC-Notícias em frente à casa da Cavaqueira foi um dos momentos televisivos mais deprimentes e degradantes dos últimos tempos. Tivemos grandes planos das varandas cavaqueiras, fomos informados de que havia lá flores amarelas e um santo-antónio, soubemos que Cavaco veio dizer adeus à janela de pulover azul, e até foi feito um convite para que descesse e viesse conversar "à hora do chá" (sic) com o repórter. Deprimente. Foi mais uma demonstração do claro tomar de partido do grupo SIC. Ninguém foi fazer directos em frente à casa de nenhum dos outros candidatos. Por outro lado, deu-se relevo à intenção de Cavaco de esperar pelos resultados em casa, e não na sede de candidatura, como fazem as pessoas normais quando se candidatam. A sua intenção parece-me claríssima: caso vença à primeira volta (cruzes credo), a saída de casa em direcção ao Centro Cultural de Belém será mais um momento sebastiânico, o culminar do endeusamento do candidato que, enquanto primeiro-ministro, deixou as finanças públicas num estado lastimoso, lançou cães contra manifestações pacíficas, ordenou o espancamento brutal de operários manifestantes, e comeu bolo-rei de boca aberta perante as câmeras de TV.
segunda-feira, janeiro 16, 2006
sábado, janeiro 14, 2006
Ratos de laboratório

É impressionante a quantidade de pessoas que tentam subir ao contrário as escadas rolantes da estação de metro do Campo Grande. Com efeito, existem duas escadas rolantes, lado a lado, que dão acesso ao cais. Basta ver o espaço existente entre cada escada rolante (milímetros) para se perceber que não há qualquer separação entre os dois cais. Qualquer macaco de inteligência mediana perceberia que basta saltar para a escada rolante que sobre, e, uma vez lá em cima, virar para o lado direito ou esquerdo, conforme se pretenda ir para a linha verde ou para a amarela, respectivamente. Ainda assim, são várias as pessoas que, após uns segundos de hesitação, tentam subir a escada rolante que desce (!!!!), incapazes de raciocínio tão simples.
Faz-me isto lembrar outra situação que, embora menos grave, não deixa de pôr em causa algumas das ideias feitas sobre a inteligência humana por oposição à dos animais ditos irracionais.
Há em Santa Cruz três paragens de autocarro, contando com a de partida. Como esta se situa em frente ao acesso de algumas das praias mais frequentadas, é nela que se concentra a maioria das pessoas, ao fim da tarde. Assim, é muito frequente o autocarro já não parar nas outras paragens, por ter enchido logo na primeira. Isto acontece quase sempre ao fim da tarde, sobretudo ao Domingo. Tendo isto em consideração, parece-me que seria da mais elementar lógica as pessoas concentrarem-se na primeira paragem, nas alturas de maior enchente, e evitar pelo menos a segunda, que fica a pouco mais de 200 metros. É que é demasiado óbvio que uma pessoa que se dirija à primeira paragem às 17:55, por exemplo, terá muitíssimas mais hipóteses de apanhar o autocarro das 18:00 do que a pessoa que está na segunda paragem desde as 17:05. Mas nem sempre a mente humana é lógica... Comecei a dar-me conta disso uma vez em que o autocarro, como quase sempre, não parou na segunda paragem, ao fim da tarde. Olhei pela janela e vi a expressão de desalento de muita gente, acompanhada de esbracejamentos vários, ao verem que teriam de experar pelo próximo. Tive pena delas, e senti algum remorso, pois tinha chegado à primeira paragem mesmo em cima da hora, e muitas daquelas pessoas tinham ar de estar ali há muito tempo. No dia seguinte, o autocarro não parou de novo, como era óbvio. Reparei que muitas das pessoas que faziam um ar de espanto indignado por o autocarro não ter parado eram as mesmas do dia anterior. Passei então a olhar pela janela quando, àquela hora, o autocarro passava sem parar (sempre). Notei, estarrecido, que as pessoas que esbracejavam indignadas pela não paragem do autocarro eram sempre as mesmas. Novos, velhos, homens, mulheres. Não entendo. Ultrapassa-me. Mas será que é tão difícil para aquela gente perceber que o autocarro àquelas horas nunca pára ali? Independentemente de ser justo ou não, não deveriam já ter percebido isso, logo à segunda ou terceira vez? Por que raio ainda là estavam, ao fim de uma, de duas semanas, a esbracejar de espanto indignado por o autocarro não parar? Não serve como justificação a outra paragem ser longe, e as pessoas estarem cansadas: a primeira paragem fica a cerca de 200 metros - se tanto. De qualquer forma o que me escandaliza é o ar de espanto das pessoas, como se ao fim de uma, duas semanas não fosse já demasiado previsível que o autocarro não ia parar. Até um rato de laboratório o saberia.
Uma das coisas que distinguem, dizem os cientistas, o homem da generalidade dos outros animais é o ser capaz de aprender com os erros e a experiência, e a capacidade de reagir a novas situações. As pessoas que sobem escadas rolantes ao contrário e as que esperam pelo autocarro que obviamente nunca vai parar ali àquela hora ainda não foram informadas disso.
Faz-me isto lembrar outra situação que, embora menos grave, não deixa de pôr em causa algumas das ideias feitas sobre a inteligência humana por oposição à dos animais ditos irracionais.
Há em Santa Cruz três paragens de autocarro, contando com a de partida. Como esta se situa em frente ao acesso de algumas das praias mais frequentadas, é nela que se concentra a maioria das pessoas, ao fim da tarde. Assim, é muito frequente o autocarro já não parar nas outras paragens, por ter enchido logo na primeira. Isto acontece quase sempre ao fim da tarde, sobretudo ao Domingo. Tendo isto em consideração, parece-me que seria da mais elementar lógica as pessoas concentrarem-se na primeira paragem, nas alturas de maior enchente, e evitar pelo menos a segunda, que fica a pouco mais de 200 metros. É que é demasiado óbvio que uma pessoa que se dirija à primeira paragem às 17:55, por exemplo, terá muitíssimas mais hipóteses de apanhar o autocarro das 18:00 do que a pessoa que está na segunda paragem desde as 17:05. Mas nem sempre a mente humana é lógica... Comecei a dar-me conta disso uma vez em que o autocarro, como quase sempre, não parou na segunda paragem, ao fim da tarde. Olhei pela janela e vi a expressão de desalento de muita gente, acompanhada de esbracejamentos vários, ao verem que teriam de experar pelo próximo. Tive pena delas, e senti algum remorso, pois tinha chegado à primeira paragem mesmo em cima da hora, e muitas daquelas pessoas tinham ar de estar ali há muito tempo. No dia seguinte, o autocarro não parou de novo, como era óbvio. Reparei que muitas das pessoas que faziam um ar de espanto indignado por o autocarro não ter parado eram as mesmas do dia anterior. Passei então a olhar pela janela quando, àquela hora, o autocarro passava sem parar (sempre). Notei, estarrecido, que as pessoas que esbracejavam indignadas pela não paragem do autocarro eram sempre as mesmas. Novos, velhos, homens, mulheres. Não entendo. Ultrapassa-me. Mas será que é tão difícil para aquela gente perceber que o autocarro àquelas horas nunca pára ali? Independentemente de ser justo ou não, não deveriam já ter percebido isso, logo à segunda ou terceira vez? Por que raio ainda là estavam, ao fim de uma, de duas semanas, a esbracejar de espanto indignado por o autocarro não parar? Não serve como justificação a outra paragem ser longe, e as pessoas estarem cansadas: a primeira paragem fica a cerca de 200 metros - se tanto. De qualquer forma o que me escandaliza é o ar de espanto das pessoas, como se ao fim de uma, duas semanas não fosse já demasiado previsível que o autocarro não ia parar. Até um rato de laboratório o saberia.
Uma das coisas que distinguem, dizem os cientistas, o homem da generalidade dos outros animais é o ser capaz de aprender com os erros e a experiência, e a capacidade de reagir a novas situações. As pessoas que sobem escadas rolantes ao contrário e as que esperam pelo autocarro que obviamente nunca vai parar ali àquela hora ainda não foram informadas disso.
al-Qaida no Cacém
Vi em tempos na SIC-Notícias uma reportagem a propósito da passagem de um ano sobre as explosões nos estaleiros da REFER em Agualva. No meio das inevitáveis entrevistas, uma senhora "muito doente" (palavras da própria) diz que quando ouviu as explosões pensou que fossem "os aviões a destruir o prédio, como lá na América". Está-se mesmo a ver, ataques terroristas contra as torres do Cacém. Como é que ainda ninguém se tinha lembrado disto?
Em termos de disparate consegue mesmo bater aquele senhor que dizia que os fogos florestais estavam a ser motivados por terroristas a soldo do Saddam, vingando-se do apoio dado pelo governo aos americanos. Não estou a brincar, li nas cartas do Público. Espero que o Bush não tome conhecimento dessa denúncia, se não ainda decide vir libertar-nos!
quarta-feira, janeiro 04, 2006
Forca!
Finalmente enforcaram o Pai Natal. Eu queria comprar um, e pendurá-lo assim na minha varanda. Mas depois tive medo de que alguém, olhando de longe, pensasse que era mais um Pai Natal piroso, que não reparasse que ele estava enforcado, e mudei de ideias. Também me ocorreu pendurá-lo de pernas para o ar, tipo Mussolini em Milão, mas achei que ia ser pouco óbvio, que quase ninguém captaria a alusão, e ainda pensariam que era mais uma variante do Pai Natal piroso do costume. Também pensei em pendurá-lo sem as calças, mas não sei se saem. Acabei por desistir. Talvez para o ano.
sexta-feira, dezembro 23, 2005
sábado, dezembro 10, 2005
Olha a louca do bolo-rei de novo
A louca do bolo-rei ataca de novo
"É preciso não esquecer que o ditador iraquiano violou 12 resoluções da ONU em 10 anos e invadiu dois países: o Irão e o Iraque".
A louca do bolo-rei
"A corrupção em Portugal existe porque os relatórios dos organismos internacionais dizem que existe".
Não, não é Monty Python. Foi o que disse Cavaco no debate com Louçã, esta noite.

Se fosse Soares dizia-se que era da idade. Sendo Cavaco, é de quê?
Além desta pérola, Cavaco demonstrou estar completamente por fora de vários assuntos importantes. Foi hilariante quando disse que seria bom fazer-se um estudo para saber da sustentabilidade da segurança social, e foi arrasado por Louçã, com um assassino "isso já foi feito, os números são estes, e isto devia ser do conhecimento de qualquer candidato". Mais hilariante do que isto só a afirmação histerico-nazi de que os imigrantes ilegais poderiam colocar os portugueses em minoria. Louçã não conteve o riso. Nem eu. Eu acho, sem ironia, que Cavaco enloqueceu de vez. Deu pena. Louçã estava divertidíssimo, e a realização não deixou escapar os risos mal disfarçados. Não os risos cínicos em que Louçã é mestre, mas risos de divertimento puro. Eu nem sou grande fã do Louçã, mas esta noite ele foi o meu herói, tamanha a tareia que deu em D. Sebastião.
quinta-feira, dezembro 08, 2005
Resistente
Soares nunca teve medo de dar a cara por aquilo em que acredita. Há quem diga que é louco por se arriscar a uma derrota histórica, depois de todo o capital de admiração e reconhecimento conquistado nas últimas décadas. Enganam-se. Não é o receio de uma eventual derrota que vai acobardar um homem que não teve medo da prisão e da tortura, quando se tratou de defender aquilo em que acreditava. Força Mário![imagem: ficha de Soares na PIDE]
Adesão à CEE

Se Cavaco agora se vangloria de ter governado em prosperidade, a Soares o deve, em última análise. Não fossem os milhões da UE, e as maiorias absolutas cavaquistas não teriam tido as condições ímpares que não souberam aproveitar. A adesão à UE (então CEE) foi uma das principais batalhas políticas de Mário Soares, iniciada logo após o 25 de Abril. E foi Soares que assinou a adesão, na qualidade de primeiro-ministro demissionário de um governo derrubado por Cavaco Silva, na sequência da sua ascensão à presidência do PSD, ele que agora tem a audácia de se arrogar defensor da estabilidade.
quarta-feira, dezembro 07, 2005
sábado, dezembro 03, 2005
Pudera!

Cavaco diz que não quer Marques Mendes nem Ribeiro e Castro na campanha, a seu lado. Pela primeira vez sou obrigado a concordar com o novo D. Sebastião: eu também não quereria ser visto em público com nenhum dos dois, e muito menos com os dois juntos.
Força Sócrates!
Apesar de toda a aparente contestação popular, apesar das medidas difíceis, apesar das virgens ofendidas das nomeações, o PS continua destacadíssimo nas intenções de voto, e menos de 2 pontos abaixo do resultado de Fevereiro - o que até está dentro da margem de erro. Eis os números da sondagem SIC/EXPRESSO/RR:PS - 42,7%
PSD - 34,6%
CDU - 8%
BE - 5,7%
CDS/PP - 5,7%
Ao contrário do que diz alguma opinião publicada, Sócrates está para lavar e durar. Ainda bem.
sábado, novembro 12, 2005
Assim não
A ausência de Manuel Alegre na votação do Orçamento de Estado foi um tiro no pé. Não com pistola, mas com canhão. Alegre pode estar zangado com o PS por não ter recebido o apoio oficial. Está no seu direito. Mas enquanto deputado, Alegre representa também os cidadãos que o elegeram. Se não quer apoiar o partido no parlamento, saia. Assim não. Pior do que isto foi a justificação: Alegre disse que sabia que o seu voto não seria necessário, e que por isso não tinha achado importante comparecer. Cuidado: pode haver gente que, no dia 22 de Janeiro, ache que Alegre não precisa do seu voto, e que portanto decida ficar em casa, ou votar noutro candidato...
Quanto a mim, estou cada vez menos indeciso.
Quanto a mim, estou cada vez menos indeciso.
Diga lá?
Muito se falou das "gaffes" de Soares. Sim, aquelas que ele comete publicamente há pelo menos 31 anos. Disse-se que era da idade. E as de Cavaco, que nas 2 ou 3 vezes em que abriu a boca nos últimos tempos foi só para sair asneira (bem, antes asneira que bolo-rei)? Primeiro foi a "Assembleia Nacional", agora diz que as próximas eleições são as autárquicas. Com isto chegamos a algumas questões interessantes:- Cavaco está velho, e já não sabe o que diz?
- Cavaco não fala com medo de cometer "gaffes" (afinal, tem uma ratio de "gaffe" por frase muito superior à de Soares)?
Seja como for, isto parece explicar o silêncio contumaz de Cavaco, aliás D. Sebastião: não fala, com medo de que lhe saia asneira.
quarta-feira, novembro 09, 2005
Sócrates
A ascensão de Sócrates à liderança do PS ficou marcada pelo episódio do teleponto, no discurso da consagração. Aquilo que era uma atitude normal e usada por vários políticos em todo o mundo foi considerado sinónimo de impreparação e artificialismo. Se Sócrates tivesse levado o discurso em papel, não haveria tamanho chinfrim, apesar de na prática ser exactamente a mesma coisa.Durante a campanha eleitoral para as Legislativas de Fevereiro de 2005, foi passada a mensagem de que Sócrates era um "robot", um político só de imagem, sem consistência. Alguma crispação nos debates com o dr. Lopes ajudou a fixar esta imagem.
Vem tudo isto a propósito do debate do Orçamento de Estado para 2006. No seguimento do que se tem visto em outros debates parlamentares, Sócrates tem feito intervenções de grande qualidade, desmontando os argumentos da oposição, e denunciando as suas contradições - memorável, de antologia, as intervenções a propósito do TGV, em que recordou que o PSD ainda há 2 anos era um entusiasta da alta velocidade, tendo inclusive assinado acordos com Espanha que previam a inauguração de alguns troços já em 2009, e aquela em que aproveitou uma deixa de um deputado do PSD que se queixava de a redução da despesa ser muito pequena, recordando que nos 3 anos de desgoverno PSD/CDS a despesa não só não desceu, como até subiu astronomicamente.
Estas intervenções mostram que eram falsas e injustas as acusações de artificialismo de Sócrates: as mais brilhantes tiradas desta tarde foram precisamente as que fez de improviso.
Não sou, nem nunca fui, admirador de Sócrates. Votei no PS, como voto sempre, porque sou militante, mas Sócrates nunca me convenceu, nem durante a campanha interna para a liderança, nem durante a campanha para as legislativas. Mas estes primeiros meses de governo, apesar de algumas medidas com as quais discordo, têm revelado coragem e competência. E de cada vez que ouço o homem no parlamento aumenta também a sensação de que temos ali político com consistência e coragem, mesmo que não concordemos com algumas das suas medidas. Marques Mendes sofreu isso hoje na pele: foi arrasado. Até Louçã, hábil na palavra, demagogo de primeira água, ficou reduzido ao sorriso seráfico que ostenta sempre que é derrotado na sua argumentação (o que não acontece todos os dias).
terça-feira, novembro 01, 2005
Adenda
Adenda à mensagem anterior
Ser político profissional não tem mal nenhum. Só na mente dos ideólogos da campanha cavaquista, ávidos de caçarem o voto pouco esclarecido, é que isto é um problema. Para os eleitores esclarecidos, incluindo grande parte do eleitorado cavaquista, ser político profissional não é problema nenhum - o seu candidato é, de resto, um dos mais profissionais políticos portugueses.
Portanto, grave não é ser político profissional. Grave, muito grave, é fazer-se passar por estar desligado da vida política, quando qualquer pessoa com memória sabe que Cavaco é uma das mais influentes figuras da política portuguesa desde há 25 (vinte cinco) anos, com cargos de responsabilidade como Ministro das Finanças (1 vez) e Primeiro-Ministro (3 vezes). Grave é enganar as pessoas desta maneira, com esta chico-espertice, com estes jogos de palavras. Grave é ostentar aquela pose salazarenga de austero messias acima da política, quando se é um dos mais influentes políticos dos últimos 31 anos, para o bem e para o mal.
A propósito, recorde-se o estado em que o seu consulado no Ministério das Finanças (1980-1983) deixou o país. Já sem falar no "monstro" criado durante os seus governos (1985-1995), o tal défice, que atingiu nessa altura valores altíssimos, mais até do que o défice deixado por Santana, e muito mais do que o défice deixado por Guterres. Por isso nem é de admirar as desfaçatez com que agora aparece como salvador da pátria, como se nada tivesse que ver com o actual estado do país. Já tinha feito o mesmo em 1985, aproveitando-se da memória curta do eleitorado português.
Portanto, grave não é ser político profissional. Grave, muito grave, é fazer-se passar por estar desligado da vida política, quando qualquer pessoa com memória sabe que Cavaco é uma das mais influentes figuras da política portuguesa desde há 25 (vinte cinco) anos, com cargos de responsabilidade como Ministro das Finanças (1 vez) e Primeiro-Ministro (3 vezes). Grave é enganar as pessoas desta maneira, com esta chico-espertice, com estes jogos de palavras. Grave é ostentar aquela pose salazarenga de austero messias acima da política, quando se é um dos mais influentes políticos dos últimos 31 anos, para o bem e para o mal.
A propósito, recorde-se o estado em que o seu consulado no Ministério das Finanças (1980-1983) deixou o país. Já sem falar no "monstro" criado durante os seus governos (1985-1995), o tal défice, que atingiu nessa altura valores altíssimos, mais até do que o défice deixado por Santana, e muito mais do que o défice deixado por Guterres. Por isso nem é de admirar as desfaçatez com que agora aparece como salvador da pátria, como se nada tivesse que ver com o actual estado do país. Já tinha feito o mesmo em 1985, aproveitando-se da memória curta do eleitorado português.É por estas e outras coisas que eu NÃO vou votar Cavaco. Não quero ver voltar à política portuguesa aquela probóscide antipática. Lembrar-me-ia sempre da arrogância do seu governo. Do total desrespeito pelos mais desfavorecidos. Da força brutal da polícia, que lançava cães e bastonadas contra manifestações pacíficas. Do descontrolo das finanças públicas. Do desemprego. Da má disposição. De todas estas e outras coisas de que os mais desmemoriados já não se lembram. Não quero.
Ainda não sei em quem vou votar, se em Mário Soares se em Manuel Alegre - que são tão profissionais como Cavaco, mas assumem-no e orgulham-se disso. Mas sei muito bem em quem não vou votar.
Se isto não é um profissional...
Percurso político de Cavaco Silva, aliás D. Sebastião:- Ministro das Finanças (1980-1983)
- Primeiro-Ministro (1985-1987)
- Primeiro-Ministro (1987-1991)
- Primeiro-Ministro (1991-1995)
- Presidente do PSD (1985-1995)
- Candidato presidencial derrotado, graças aos deuses (1995)
- Candidato presidencial para mal dos nossos pecados (2005)
Se isto não é um político profissional, então o que é um político profissional?
P.S.: se não é profissional, não deveria devolver as três (3) pensões, no valor de 9356 euros mensais, que recebe pelas suas várias funções políticas desde há 25 anos?
terça-feira, outubro 25, 2005
sábado, outubro 22, 2005
terça-feira, setembro 27, 2005
Buracos
O Eurostat não validou as contas portuguesas de 2004, isto é o orçamento do governo de Santana Lopes. Não se percebe. Então não eram os governos PSD/CDS que tanto verberavam o último governo de Guterres por ter deixado um défice de 4%, e que dizia que ia pôr as contas na ordem? Claro que só quem tinha memória curta e se esquecia dos défices estratosféricos do cavaquismo é que acreditava numa coisa dessas. Depois do vexame dos 6,8% (tão, mas tão acima do défice de Guterres...), vem agora o Eurostat dizer que tem dúvidas sobre a validade daquelas contas - o que pode indiciar um défice ainda maior. É por estas e outras que há muito que não se ouve ninguém dizer mal das contas públicas deixadas por Guterres. Quem nos dera a nós, após 3 anos de rebaldaria PSD/CDS, ter as contas públicas no estado em que Guterres as deixou. Quem nos dera.
sábado, setembro 17, 2005
Grande ordinário
Devo antes de mais dizer que nenhuma simpatia me move a favor de Manuel Maria Carrilho - nem de resto nenhuma antipatia. Se vivesse em Lisboa votaria no PS, porque é o partido com cujas propostas me identifico mais. E não, as eleições autárquicas não são só a escolha de um nome. Pensá-lo e afirmá-lo revela desconhecimento de como as coisas se processam, além de uma simplificação excessiva. Carrilho tem os seus defeitos, em algumas alturas discordei dele. Mas é um homem competente, determinado, fiel aos seus valores. E é o cabeça de lista, para Lisboa, do partido com que mais me identifico e em que sempre votei. Vem tudo isto a propósito do debate entre Carrilho e Carmona, ontem na SIC-Notícias. Foi um debate azedo e vivo, com ataques pessoais. Carmona parece ter deixado cair a máscara de homem afável e fora dos meandros da política - coisa, aliás, em que só alguém muito ingénuo ou que não acompanhe a política portuguesa pode acreditar. Em vez do engenheiro simpático e ingénuo que os seus apoiantes reatratam, o que vi foi um homem azedo, arrogante e mal-criado. Carrilho não foi um exemplo de bonomia, é certo. Mas não passou os limites da falta de educação. Carmona, pelo contrário, adoptou a postura do rufia mal-criado, com risinhos e tiradas a roçar o boçal. Confesso que até a mim espantou. Parece que até eu já tinha ido na propaganda mediática que diz que Carrilho é arrogante e Carmona afável. Não vi nada disso, ontem. Aliás, o desabafo de Carmona, depois de Carrilho não lhe ter apertado a mão (eu teria feito o mesmo), revela toda a sua má-criação. Não se chama "grande ordinário" a um adversário político, sr. Carmona, nem "off the record". Sobretudo depois do triste espectáculo dado.domingo, setembro 11, 2005
Nélson político
O nosso Nélson é um dos apoiantes do candidato socialista à Câmara Municipal de Torres Vedras. É sempre bom saber que junta estas duas qualidades, sportinguista e socialista. Constou-me também de fonte do partido que ele é candidato a uma das juntas de freguesia do Concelho, embora em posição não elegível.sexta-feira, setembro 09, 2005
Reformas
Onde é que andam as virgens ofendidas que gritaram de indignada histeria contra a reforma acumulada pelo ex-ministro das Finanças, Campos e Cunha? Seria interessante ouvi-las gritar de novo indignadas contra as reformas (sim, "as", plural) acumuladas por Cavaco, que aufere por mês qualquer coisa como 9356€ por mês em reformas e subvenções. Onde andam os que se revoltaram por o ex-ministro Campos e Cunha receber uma pensão (singular, só uma) a que tinha direito? Ou só é mau quando se trata de pessoas ligadas ao PS, e passa a ser bom quando se trata de pessoas ligadas ao PSD ou ao CDS?
Nomeações
Onde estão aqueles que tanto se indignaram com a naturalíssima nomeação de Armando Vara para a CGD, acusando o governo de promover os seus "boys", e esquecendo que se mantinham na administração todos os outros elementos nomeados pelo governo PSD/CDS (e que quando foram nomeados toda a gente achou muito bem)? Seria interessante ver o que tinham a dizer sobre a nomeação de Carlos Tavares, antigo ministro de Durão Barroso, para a presidência da CMVM.
segunda-feira, setembro 05, 2005
Concurso de colocação de professores será válido por três ou quatro anos
O primeiro-ministro disse ontem, dia 2, no Porto, que o concurso para colocação de professores já em 2006 será válido para 3 ou 4 anos. Se isto se confirmar, acho que são excelentes notícias para a classe docente, pois atenua-se um dos principais calvários do professor: contratos anuais, até efectivar, e correr o país de casa às costas. A notícia já saiu na "Última Hora" do Público, e vou colá-la aqui, porque o Público não costuma conservar por muito tempo as notícias em versão electrónica. Alguma coisa de boa que sai do Ministério da Educação, finalmente. Claro que tem o inconveniente de haver menos vagas por ano, mas por outro lado quem obtém colocação tem uma estabilidade profissional e pessoal incomparável. Aqui fica a notícia, então.«Governo quer que alteração entre em vigor no próximo ano
Sócrates: concurso de colocação de professores será válido por três ou quatro anos
02.09.2005 - 23h56 Lusa, PUBLICO.PT
A novidade foi anunciada durante o comício de "rentrée" política do PS, no Porto, onde o secretário-geral socialista e primeiro-ministro fez um balanço dos primeiros seis meses do seu Executivo e traçou as próximas prioridades da governação.
No próximo ano lectivo o concurso de colocação de docentes nas escolas portuguesas "será válido por um período de três ou quatro anos, conforme a duração do ciclo de ensino", de modo a evitar a "instabilidade permanente provocada pelos professores em trânsito, saltando de escola para escola", afirmou José Sócrates.
"Pusemos na ordem o concurso de professores e o ano lectivo pode começar com normalidade. Alguns políticos ainda coram de vergonha quando se fala nisto", disse, recordando os problemas ocorridos nos últimos anos em torno da colocação dos docentes.
"Temos ainda problemas com o sistema de colocação dos professores. É preciso acabar com a instabilidade permanente", frisou Sócrates, adiantando ainda a prioridade do Governo na valorização do primeiro ciclo do ensino básico.
O funcionamento das escolas até às 17h30, o ensino de inglês, o fornecimento de refeições na maioria dos estabelecimentos de ensino primário e a formação contínua dos professores deste ciclo na área da matemática foram realçados pelo primeiro-ministro como medidas que vão melhorar a qualidade da educação.»
No próximo ano lectivo o concurso de colocação de docentes nas escolas portuguesas "será válido por um período de três ou quatro anos, conforme a duração do ciclo de ensino", de modo a evitar a "instabilidade permanente provocada pelos professores em trânsito, saltando de escola para escola", afirmou José Sócrates.
"Pusemos na ordem o concurso de professores e o ano lectivo pode começar com normalidade. Alguns políticos ainda coram de vergonha quando se fala nisto", disse, recordando os problemas ocorridos nos últimos anos em torno da colocação dos docentes.
"Temos ainda problemas com o sistema de colocação dos professores. É preciso acabar com a instabilidade permanente", frisou Sócrates, adiantando ainda a prioridade do Governo na valorização do primeiro ciclo do ensino básico.
O funcionamento das escolas até às 17h30, o ensino de inglês, o fornecimento de refeições na maioria dos estabelecimentos de ensino primário e a formação contínua dos professores deste ciclo na área da matemática foram realçados pelo primeiro-ministro como medidas que vão melhorar a qualidade da educação.»
Soares é fixe!
A direita, cada vez mais incomodada com a candidatura presidencial de Mário Soares, começa a lançar alguns falsos argumentos contra a sua candidatura. Dizem que, na actual conjuntura, é preciso um presidente com formação em economia ou finanças. No entanto, segundo a Constituição Portuguesa, o Presidente não governa... Esse papel pertence ao Governo! Portanto, de pouco ou nada servirá um presidente com formação em economia ou finanças, pois nenhuma das suas atribuições lhe permitirá pôr em prática esses conhecimentos. Também dizem que o seu tempo já passou, e que já é um homem velho. Bem, e o tempo de Cavaco, primeiro-ministro entre 1985 e 1995, não passou já também? E é algum rapaz novo, ele? Dizem também (e sem corar!) que Soares dará um mau presidente, pois confunde milhares com milhões (esta é da autoria do Marcelo), e não lê os "dossiers". Com esta fiquei confuso... Então mas este não é o mesmo Mário Soares que se considera ter sido um excelente presidente entre 1986 e 1996? Deixou de ler "dossiers" entretanto, foi? Eu sinceramente espero que sim, pois há coisas mais importantes e interessantes na vida do que ler "dossiers", e para isso é que existem os assessores, regiamente pagos, de resto, passe o paradoxo do advérbio neste contexto.quinta-feira, setembro 01, 2005
quinta-feira, agosto 25, 2005
Coligação de Direita Unitária
No tempo de antena de hoje do PCP louvava-se o trabalho feito pelo vereador comunista no Porto. A coligação PSD/CDS também agradece a colaboração activa desse vereador, que formou com a direita uma coligação de facto. Espero não tornar a ouvir o velho discurso comunista de que o PS pisca o olho à direita. É que o PCP no Porto não piscou o olho à direita: deitou-se na cama com ela.
segunda-feira, agosto 15, 2005
O chinelão

Quando eu era miúdo e chegava o Verão, só me sentia bem descalço. A minha irmã tinha a mesma tara. Mas não podia ser: a minha mãe insistia em que era necessário ter alguma coisa para protegermos os pés. Já se sabe, as mães têm sempre razão, mesmo quando não têm, e nós acabávamos por ceder, depois de muita fita. Íamos então comprar umas chinelas baratas, que nunca fomos gente de muitas posses. Normalmente íamos àqueles vendedores que dantes montavam a sua barraquinha perto da praia, e a minha mãe comprava-nos umas chinelas daquelas de enfiar no dedo. Eram óptimas, podíamos andar com elas em todo o lado, e evitávamos a chulezeira, pois o pé era convenientemente arejado. Aquelas chanatas não eram, porém, dignas de serem usadas em ambiente que não fosse a praia e o caminho de lá a casa e de casa a lá. Não passava pela cabeça da minha mãe deixar-nos usar aqueles chinelões práticos mas horrorosos na escola, muito menos visitar família ou amigos com elas calçadas. Eram pouco dignas, baratuchas, dignas de loja dos 300, se na altura as houvesse.
Foi portanto estarrecido que descobri que as xanatas que a minha mãe nos comprava nas barracas de vendedores ambulantes, práticas mas feias e pouco dignas mesmo para pessoas com poucas posses como nós, foram rebaptizadas de "havaianas", e são o último grito da moda. Eu juro que ainda pensei que fossem apenas parecidas, quando vi o primeiro anúncio televisivo a publicitá-las, há coisa de um ano ou dois. Nunca mais me lembrei disso, porque como tenho vida própria e cultura mediana não perco tempo a ver anúncios televisivos nem consumo revistas ou programas de moda/fofocas. No entanto, não pude deixar de reparar que neste Verão antecipado começaram a aparecer rapazes e raparigas aos montes, até na faculdade, com as inestéticas chinelonas que a minha mãe nos comprava nos vendedores ambulantes, mas que nos proibia de usar em situações que não fossem o ir à praia ou brincar no quintal. Lembrei-me então do tal anúncio que vira há coisa de um ano ou dois, e perguntei a uma amiga se "aquilo" eram as famosas havaianas. Confirmou-me que sim. Eu não podia acreditar. São iguais às que a minha mãe nos comprava. Sim, também as havia coloridas e com bonecos. Se a minha irmã e eu aparecêssemos na escola com umas xanatas - perdão: "havaianas" - calçadas, seríamos imediatamente recambiados para casa por algum professor, e levaríamos um valente raspanete da minha mãe, indignada por termos feito tal figura. Hoje é um "must".
Espero que no próximo Verão sejam promovidos a acessórios de moda aquelas chinelas de plástico transparente medonhas que a gente usava para tomar banho nas zonas infestadas de peixe-aranha. Sempre protegem mais o pezinho.
Ah, e para quem me conhece e sabe que tenho também um irmão e já se está a perguntar "então e ele não usava?", a verdade é que o meu irmão não se limitava a andar descalço quando o calor apertava: quando o perdíamos de vista por mais do que um ou dois minutos, já ele corria completamente nu pela rua. Não, hoje em dia já não o faz.
quinta-feira, agosto 11, 2005
Cartazes, ou uma boa oportunidade de ficar calado
O PSD de Ílhavo armou um escândalo porque o PS de Aveiro colocou cartazes de propaganda autárquica em Ílhavo. Apareceu na TV um senhor com ar de virgem ofendida (eles estão a ganhar-lhe o jeito), a dizer que tinha contactado todas as concelhias e que não tinha conhecimento de mais nenhuma situação deste género, que era uma afronta fazer campanha em concelho alheio. Bom, claramente esqueceu-se de contactar a concelhia de Loures. É que se o tivesse feito, teria ficado a saber que o PSD-Loures tem cartazes de propaganda autárquica num concelho alheio, concretamente na Calçada de Carriche, cidade e concelho de Lisboa. Está lá há vários dias. Aqui ficam o telefone da concelhia do PSD de Loures, para os senhores do PSD-Ílhavo não voltarem a fazer tão triste figura:21 9892166
segunda-feira, agosto 08, 2005
Perguntas
O facto de eu ter na minha carteira um cartão de militante do PS faz de mim uma pessoa menos competente? É que se faz eu rasgo-o já. Ou o facto de ter as cotas em atraso conta como se não fosse militante? E se eu rasgar o cartão, passando a independente e mantendo as minhas ideias todas intactas, fico mais competente?
Isto é um blogue
Na Festa do Pontal, em Faro, o palanque onde Marques Mendes botou faladura dizia "O Algarve é uma região". Brilhante. Eis algumas sugestões com igual alcance intelectual, para escrever em outros palanques: "Isto é um palanque" "O Tejo é um rio" "A Ponte Vasco da Gama é uma ponte" "O Porto é uma cidade" "O Alentejo é uma região" "O Douro também é um rio" "Portugal fica na Europa" "Alfama é um bairro" "Almada fica na margem esquerda" "O Estádio de Alvalade é um estádio
sexta-feira, agosto 05, 2005
Nomeações
A oposição está indignada com a substituição de gente ligada ao PSD por gente ligada ao PS, na Caixa Geral de Depósitos. O PSD pôs um senhor com ar de virgem ofendida a falar na TV, denunciando favorecimentos partidários. Ficamos assim a saber que quando o PSD lá pôs o outro senhor na CGD, que era do PSD, também foi um favorecimento partidário.
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