terça-feira, novembro 06, 2007

The lumberjack



I'm a lumberjack, and I'm okay,
I sleep all night, I work all day.

Mounties: He's a lumberjack, and he's okay,
He sleeps all night and he works all day.

I cut down trees, I eat my lunch,
I go to the lavatory.
On Wednesdays I go shoppin'
And have buttered scones for tea.

Mounties: He cuts down trees, he eats his lunch,
He goes to the lavatory.
On Wednesdays he goes shopping
And has buttered scones for tea.

Chorus : He's a lumberjack, and he's okay,
he sleeps all night and he works all day.

I cut down trees, I skip and jump.
I like to press wild flowers,
I put on women's clothing
And hang around in bars.

Mounties: He cuts down trees, he skips and jumps,
He likes to press wild flowers.
He puts on women's clothing
And hangs around in bars?!

Chorus : He's a lumberjack, and he's okay,
he sleeps all night and he works all day.

I cut down trees. I wear high heels,
Suspendies, and a bra,
I wish I'd been a girlie,
Just like my dear Mama.

Mounties: He cuts down trees, he wears high heels,
Suspendies, and a bra?!

I cut down trees. I wear high heels,
Suspendies, and a bra,
I wish I'd been a girlie,
Just like my dear Mama.

Monty Python

hã?

Alguém me explica, assim como se eu tivesse 5 anos e uma grave deificiência mental, qual é o problema deste cartaz, e porque está a causar tanta polémica? Aceitam-se desenhos, também.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Ibsen

Não há muitas palavras que possam descrever a excelência do espectáculo que a Cornucópia levou à cena até ontem, por isso não vou sequer tentar. Queria, no entanto, assinalar o facto de das duas vezes que lá fui a lotação estar esgotada, e de ontem haver uma enorme multidão à espera de desistências, para poder assistir. Isto demonstra uma coisa importante: que afinal é mentira que os teatros estejam vazios porque os bilhetes são caros. Alguns teatros estão vazios porque apresentam espectáculos sem qualidade. Não é o caso da Cornucópia, que até tem preços ao nível de um bilhete para um jogo de futebol.

P.S.: infelizmente uma parte muito significativa da audiência parece ter passado ao lado do texto, rindo de situações que eram tudo menos cómicas.

domingo, novembro 04, 2007

Elizabeth: The Golden Age


O filme é jeitoso. Tal como o outro filme de Kapur também dedicado à Rainha Virgem, vive muito de uma fotografia belíssima e de um guarda-roupa deslumbrante e historicamente rigoroso. O enredo é bonzinho, embora aqui e ali tenha caído num anacronismo e maniqueísmo perdoáveis na medida em que aquela produção tem de vender para compensar o orçamento, que não deve ter sido pequeno. Interessante, embora inverosímil, o toque trágico (no verdadeiro sentido da palavra) que até certo ponto parece tomar conta de Isabel, convencida de que Filipe II é o instrumento de Deus que castiga a sua hybris, a execução da católica Maria da Escócia. De resto a cena da execução é das mais fortes e bem conseguidas de todo o filme. Mais interessante ainda, do meu ponto de vista, a secundarização da batalha naval em relação à intriga política e amorosa. Kapur não caiu na tentação de fazer um filme de guerra e efeitos especiais, e eu fico-lhe profundamente grato. Um filme interessante, portanto, embora comercial.

P.S.:
Não percebi os sussurros de espanto de alguns espectadores, ao verem as quinas portuguesas em barcos da Armada espanhola. Não percebo o espanto. Se em 1588, data da partida Armada de Lisboa, as coroas portuguesa e espanhola se encontravam unificadas em Filipe II de Espanha e I de Portugal, se a Armada era composta por barcos portugueses e espanhóis (como qualquer pessoa informada sabe, o que houve foi uma unificação das coroas, não uma anexação), então que espanto haverá em as armas de Portugal e de Espanha surgirem lado a lado nos barcos da Armada? Ou há qualquer coisa que me está a escapar, ou o ensino anda mesmo muito mal.

sábado, novembro 03, 2007

Elizabeth, ou da ignorância

[Nicholas Hilliard, 1585]

Estreou há dias em Portugal o filme intitulado, no original, Elizabeth: The Golden Age. Em Portugal foi baptizado Elizabeth - A idade do ouro. A ignorância e incompetência dos tradutores portugueses é proverbial, no entanto os seus atentados intelectuais costumam cingir-se a um desconhecimento aflitivo das mais elementares regras da gramática portuguesa, bem como uma inacreditável ignorância da língua de partida. Neste caso a ignorância de factos básicos da História europeia levou a chamar Elizabeth a uma senhora que é, há vários séculos, conhecida como Isabel, em Portugal. Pode-se questionar a pertinência da tradução de nomes próprios, mas a verdade é que ela é de regra, por exemplo, nos nomes de personagens históricas ou da realeza contemporânea. É por isso que se diz que a actual rainha de Inglaterra é Isabel II - ou será que a mente iluminada do(a) tradutor(a) lhe chama Elizabeth II. É que é esse o uso prescrito. É por isso que, por exemplo, o famoso imperador se chamava Napoleão, não Napoléon. Já para não falar de Henrique VIII, Alexandre o Grande, Júlio César e outros que tais.

Bom, ingorância à parte, vou ver o filme, porque retrata um período histórico que me interessa bastante. Mas vou preparado para mais umas alarvidades do género. É pena não haver a opção de ver os filmes sem legendas, na língua original.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Um piano mesmo muito raro


Enquanto suava no ginásio, ia olhando para a televisão, posta estrategicamente por cima da passadeira. Estava a dar um programa medonho na MTV (sim, é redundante "medonho" e MTV na mesma frase, mas não interessa), sobre mansões de "parvenues" americanos. Um deles, com fronha de emigrante portuga em França (mas era americano e estava em L. A.), mostrava orgulhoso um "raro piano do século XVII": uma peça horrorosa, cheia de talha dourada, com todo o ar de órgão manhoso de igreja de província. Ora, como toda a gente sabe, o piano só foi inventado no século XVIII, ainda que se possa remontar aos finais década de 90 do século XVII um primeiro protótipo, que no entanto só com muito boa vontade se poderia chamar um piano. Portanto, o mamarracho de teclas modernas que o "parvenue" exibia orgulhoso e que, segundo o programa, lhe custou algumas centenas de milhares de dólares, é realmente uma peça mesmo mesmo muito rara... Assim uma espécie de Nossa Senhora de Fátima em marfim do século XVIII.

domingo, outubro 28, 2007

O naco de carne


O senhor à minha frente, barrigudo e bem fornecido de carnes, pediu não sei o quê. Crepes? Francesinhas? Assim uns quadrados com dois ou três dedos de altura, cobertos de uma pasta branca fumegante. Queijo derretido? Algum molho? Tinha muitíssimo bom aspecto. Olhou para o prato com ar culpado, e pediu, para acompanhamento, salada. Deitava olhares aflitivos às batatas fritas e à maionese. Mas resistiu. Depois pediu uma sopa, pouco convencido. A refeição ficaria completa com um desanimado pratinho de fruta. Aposto que no fim pediu café com adoçante. Eu pedi uma belíssima sopa. Como não tenho tendências suicidas, dispensei a gordura com um pouco de crepe, bem como a bacalhauzada com natas e o que quer que fosse aquela pasta grossa, avermelhada, com bolhas de gordura, onde nadavam pedaços de carne. Na impossibilidade de esperar que me grelhassem um bife, e como no chamado "Bar de Românicas" da FLUL se declarou guerra à comida saudável, fiquei-me pelo arroz branco com salada. Concluí com uma deliciosa pratada de fruta, e no fim bebi um chá sem açúcar - lembra alguém estragar o fabuloso sabor do chá com açúcar?! Depois olhei de novo para a barriga do senhor à minha frente. Eu também já tive uma assim, há 40 quilos atrás. Só que um dia achei que uma coisa daquelas era feia e perigosa para a saúde. E fiz uma dieta racional e séria. Aquele senhor acha que aqueles nacos de não sei quê embebidos em gordura fazem menos mal se forem acompanhados de salada.

O desafio

O André Benjamim lançou-me o desafio. Eu não costumo participar, mas abro uma excepção, em consideração ao meu homónimo, que gosto de ler. Além disso achei que era um bom pretexto para falar de uma das minhas mais recentes e intensas paixões, a língua e cultura árabe e islâmica.

O desafio é, pois, o seguinte:

"1. Pegue no livro mais próximo, com mais de 161 páginas – implica aleatoriedade, não tente escolher o livro;
2. Abra o livro na página 161;
3. Na referida página procurar a 5.ª frase completa;
4. Transcreva na íntegra para o seu blogue a frase encontrada;
5. Aumentar, de forma exponencial, a improdutividade, fazendo passar o desafio a mais 5 bloggers à escolha."

O problema é que o livro que tinha mais perto de mim era um dicionário "Árabe - Inglês", e supus que dicionários não contassem. Pensei então no segundo livro mais perto de mim, o Alcorão. Mas o desafio implica não escolher. Voltei então ao dicionário. Tive a esperança de que aparecesse uma definição interessante. Sei lá, um conceito filosófico ou religioso. Ou um verbo de implicações cognitivas. Ou uma preposição daquelas muito ricas em sentidos. Ou até um adjectivo bonito. Sei lá, qualquer coisa de jeito. Mas o que está na 5ª frase completa (entendida como definição) é o seguinte:

"كاحل kahil (كواحل kawahil) ankle"

Bom, o difícil agora é escolher 5 pessoas. Mas aqui vai:

André (O melhor blog do universo)
Cláudio (claudiofranco.net v. something)
Firefly (Staré mesto)
Mariana (Clube das leoas)
Pedro (Reflexos meus)

Aprender árabe foi um dos maiores desafios a que me propus nos últimos anos. Não tanto pela proverbial (e até certo ponto real) dificuldade da língua, mas por três factores que ma tornaram irresistível.

1. O facto de não ser uma língua indo-europeia. Até agora só tinha aprendido línguas indo-europeias: inglês, francês, latim, grego clássico e espanhol (por ordem cronológica). Por mais estranhas que aparentem ser, há sempre um determinado número de características fundamentais que as unem, ao nível morfo-sintáctico. Por mais bizarro que possa parecer o sistema verbal grego clássico, ele obedece, no essencial, aos mesmos princípios do nosso. Mas com o árabe não se passa nada disto. É necessário esquecer praticamente tudo o que se sabe sobre línguas. Lembra a alguém, por exemplo, que animais ou coisas no plural levem uma concordância de adjectivo no feminino singular?

2. O facto de ser uma língua sagrada. O estudo do árabe não se pode dissociar do Islão, ainda que haja um número significativo de arabófonos de religião cristã ou judaica. É que o árabe que aprendo, o árabe padrão usado nos "media", literatura e relações internacionais, não é outro senão o árabe do Alcorão, fixado há 14 séculos, apenas com alguns neologismos impostos pela evolução tecnológica. Eu não sou muçulmano nem imagino que venha alguma vez a ser. Sou ateu. Mas as religiões fascinam-me, e por isso talvez tenha lido o Novo Testamento mais vezes do que a esmagadora maioria dos cristãos. O Islão, tão pouco e mal conhecido no Ocidente, sempre me fascinou. Esta é uma oportunidade única de o conhecer melhor, e com a possibilidade de ler os seus textos fundadores no original.

3. O facto de ser uma língua quase imutável. Como ficou dito em cima, o árabe padrão moderno é o árabe fixado por Maomé no Alcorão, no século VII d.C., apenas com alguns neologismos impostos pela evolução tecnológica. Mas a sintaxe, a morfologia, a generalidade do léxico, são os mesmos num jornal do Cairo ou numa Sura do Alcorão. É quase como se nos jornais portugueses se escrevesse à maneira de Fernão Lopes, ou, levando um pouco mais longe o símile, como se o telejornal fosse dito em latim. Evidentemente não é este o árabe do homem da rua, que fala o que se convencionou, por razões políticas e religiosas, chamar dialectos, mas que na prática são línguas diferentes. Ora, tendo-me eu dedicado durante tantos anos ao estudo da filologia medieval hispânica, como poderia deixar escapar esta oportunidade de aprender a língua usada, com quase nenhumas alterações, no al-Andalus medieval?

segunda-feira, outubro 22, 2007

Rua!

Regressa este blogue à actividade com a excelente notícia que foi a derrota sofrida pela extrema-direita polaca nas eleições deste Domingo. Não é que o Tusk seja assim por aí além em termos ideológicos (não posso avaliar mais nada, não vivendo na Polónia), mas a derrota das ideias reaccionárias, ultra-religiosas, xenófobas, homófobas, etc. tem de ser uma boa notícia em qualquer parte do mundo.

quarta-feira, março 07, 2007

Mais esta?!

Não bastavam ao Al Gore os ataques soezes de que tem sido vítima nos EUA? Não lhe bastava ter sido derrotado nas presidenciais mesmo tendo tido mais votos do que o adversário? Tinham mesmo de lhe fazer mais esta?

sábado, março 03, 2007

Exames de português


Já entrou em vigor a obrigatoriedade de realização de exames de português para a obtenção da nacionalidade portuguesa. A lei não se aplica, racistamente, aos nascidos em Portugal filhos de portugueses. Para os nacionalistas não é má ideia. É que se fosse obrigatório obter classificação positiva num exame de português para a obtenção da nacionalidade, em vez de 10 milhões talvez fôssemos 1 milhão - e estou a ser optimista.

domingo, fevereiro 25, 2007

Num país normal...



Num país normal, Jardim há muito teria sido demitido e reformado compulsivamente, tais têm sido os dislates, as incontinências verbais, a chantagem, o insulto.

domingo, fevereiro 11, 2007

Aposta ganha

No futebol costuma-se dizer que, se uma equipa ganha o jogo, então o treinador é felicitado por determinada táctica. Se por um acaso perder, então essa mesma táctica é arrasada por adeptos e imprensa. Sócrates não era obrigado a submeter a sua proposta de despenalização do aborto a referendo. Tinha legitimidade legal e política para propor a alteração no parlamento, onde tinha a garantia de uma aprovação por maioria esmagadora. Era o que o PCP defendia. Mas o que o PCP nunca entendeu é que os movimentos do "não" nunca deixariam passar em branco esta manobra legalíssima, e que a nova lei ficaria maculada inevitavelmente logo à nascença. Pelo contrário, a opção referendária (que não era legalmente obrigatória, recorde-se) permite calar os "nãos" radicais, por um lado, e a legitimação da legislação proposta, por outro. Sócrates apostou tudo, e ganhou. Ganhámos todos.

SIM!


VITÓRIA!!!!!

Margaritas ante porcos

Ainda não se sabe o resultado do referendo, são agora 19:00, mas já se sabe que a abstenção anda por volta dos 60%. Portanto, o portuga típico, que passa a vida em declarações proto-fascistas do tipo "eles são todos iguais", "eles querem é poleiro", responde desta forma quando lhe é dada a oportunidade de escolher, sem ser por intermédio desses "malandros": está-se nas tintas, não quer saber, os outros que decidam. É este o povo que temos. Eu? Eu fui votar, como qualquer pessoa bem formada e civilizada.

P.S.: o que quer dizer o título deste texto? Eu acho que qualquer pessoa sabe, mas pronto, para terem a certeza: "... pérolas a porcos".

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Não fiques em casa!

SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM SIM

Todas as sondagens apontam para uma vitória folgada do SIM, no referendo de Domingo. Mas nós já vimos este filme, e não podemos portanto fiar-nos em sondagens. Sondagens não ganham eleições: é um lugar-comum, mas não deixa de ser uma verdade incontornável. Não podemos nós, que somos contra a penalização das mulheres que se vêem obrigadas a abortar, ficar em casa, fiados de que os outros vão resolver por nós. É que até podem resolver, mas não necessariamente como queremos. Todos às urnas, todos pelo SIM!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

преступление без наказания (Crime sem castigo)

A última dos apoiantes do "não" é que se deve alterar a lei de modo a que a mulher que aborta não seja penalizada. Isto é, que seja crime, mas sem ser punido. Portanto, pode-se fazer, porque não há penalização. Por isso votam contra uma proposta que pretende despenalizar a mulher que faça um aborto, e por isso hostilizam o SIM, que quer que acabem os julgamentos de mulheres que abortam. Espera lá que agora fiquei baralhado. Alguém me pode explicar assim como se eu tivesse 5 anos?

quarta-feira, janeiro 31, 2007

SIM

Não sei se ainda me consideram jovem, apesar de num recente programa da RTP sobre jovens os ditos cujos parecerem ser meus avós. Mas eu assumo: já não sou jovem. Já caminho em direcção aos 40, e só se fosse agricultor é que ainda era considerado um jovem. Mas isso não me impede de me juntar, ainda que simbolicamente, à campanha dos Jovens pelo SIM.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Assim não tem graça

Estou a ver o debate da SIC sobre o referendo de 11 de Fevereiro. Mas sem a Laurinda Alves a fazer caras e amuos aquilo não tem graça nenhuma.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Diz-me com quem andas...

Na marcha que os apoiantes do "não" hoje fizeram por Lisboa andava um grupo dos fascistas do PNR. Diz-me com quem andas...