sexta-feira, novembro 17, 2006

Olha eles

O programa "Opinião Pública" da SIC-Notícias costuma ser um festival de populismo, demagogia e ignorância por parte da generalidade dos espectadores que telefonam. Mas hoje, em que se debate a entrevista do Cavaco à SIC, tem sido especialmente divertido e esclarecedor. As reacções despeitadas e desiludidas dos ppds e dos votantes do Cavaco ao apoio inequívoco dado ao governo pelo presidente mostram que realmente a eleição de Cavaco obedecia a objectivos revanchistas, por parte da generalidade dos seus apoiantes. Queriam não um presidente, mas um líder da oposição em Belém. Isto apesar das garantias em contrário dadas pelo Cavaco durante a campanha. Não acreditaram (e eu também não), mas parece que afinal estávamos todos enganados. A solidariedade do presidente com o governo parece ser total, e ainda vamos ver o PS a apoiar a sua reeleição (cruzes credo) - o que faria com que, pela primeira vez na vida, eu votasse contra as orientações do partido.

sábado, novembro 11, 2006

Roseta

O discurso de Helena Roseta no congresso do PS é uma bênção, e fez-me lembrar de novo por que razão sou socialista, por que razão sou de esquerda, por que razão sou militante do PS. Sublinho também as suas palavras, quando diz que o facto de se ser crítico de algumas opções do governo não significa que se seja oposição interna.

Tradição Académica IV


Recebi há tempos um atestado médico de uma aluna, referindo fracturas graves que a impossibilitarão de levar uma vida normal nos próximos meses. Imaginei um acidente de viação, uma queda, alguma coisa deste género. Entretanto fui contactado por um familiar, que me explicou a razão das fracturas graves: tendo-se recusado a ser praxada, a aluna foi agredida, o que levou às graves fracturas de que ainda está a recuperar. Teve o azar de querer ser integrada por alguns símios. Mas tenho a certeza de ela preferia mil vezes não ter sido integrada...

PS firme nas intenções de voto

Segundo estudo da Eurosondagem (que, como só tem um "s", se deve ler "Eurozondagem"), se se realizassem agora eleições, o PS venceria facilmente, apenas com uma ligeira queda de menos de 2% em relação às eleições de 2005. É notável que um governo que tem tomado várias medidas difíceis e impopulares, que tem enfrentado grande contestação na rua, ainda assim se mantenha no limiar da maioria absoluta, deixando o maior partido da oposição a mais de 10 pontos percentuais. Que isto sirva de motivação a José Sócrates, que vê a sua popularidade cada vez mais reforçada, para continuar o seu caminho, sem inflexões. Uma nota final para a maneira como a SIC apresenta a notícia, com um "PS em queda" em título. Um título destes levaria a crer que o PS tinha dado um tombo nas intenções de voto, situação aliás normal, tendo em conta as medidas impopulares. Mas depois vai-se a ver e afinal a "queda" é de menos de 2% em relação às eleições de 2005, e de menos de 1% em relação à última sondagem - valores dentro da margem de erro. Parece clara a intenção da SIC, já manifesta nos comentários e apartes dos jornalistas que fazem a cobertura do congresso de Santarém. Mais profissionalismo, é o que se pede!

quinta-feira, novembro 09, 2006

Visca Catalunya

Apesar de as recentes eleições terem sido vencidas pela conservadora Convergència i Unió (CiU), o novo governo catalão será uma coligação tripardida, formada pelo Partido Socialista da Catalunha (PSC), Esquerda Republicana (ER), e Iniciativa pela Catalunha, Verdes-Esquerda Unida e Alternativa (ICV-EU-iA). O chefe do governo será o socialista José Montilla. O Pesporrente manifesta o seu agrado por mais esta vitória da esquerda


I told you so...

É certamente ousado classificar o Partido Democrático dos EUA como um partido de esquerda. É, no entanto, a categoria onde mais facilmente se encaixa, quando se tenta classificá-lo de acordo com a taxonomia política europeia. Está mais perto do Labour do que dos Tories, se a comparação for feita com a política britânica.
Vem todo este relambório a propósito, como já se deve ter imaginado, das eleições intercalares americanas da passada Terça. A retumbante vitória democrata na Câmara dos Representantes e a maioria alcançada no Senado não podem deixar de animar aqueles que, como eu, são visceralmente antibushistas, mas de modo nenhum antiamericanos. Depois da assustadora vaga da extrema-direita religiosa, encabeçada pelo Bush filius, que até diz que fala com o seu deus, parece - repito: parece - chegar de novo a hora da América moderada, democrática, mais respeitadora dos direitos humanos.
A reacção republicana foi a esperada: fuga para a frente. Acossado por todos os lados, perante o recrudescimento das vozes contra a guerra, Bush filius pede agora aos Democratas que apresentem um plano alternativo, para se sair do atoleiro iraquiano. Acontece que os Democratas não têm de dar plano nenhum. Devem, é certo. Fá-lo-ão, sem dúvida. Mas não têm de o fazer. É que o problema não foi criado pelos Democratas: foi criado pelos Republicanos, são os Republicanos, com Bush filius à cabeça, que têm de encontrar e pôr em prática uma solução. Foram os Republicanos, com Bush filius à cabeça, atiçado pelo agora demitido Rumsfeld (de hoc alias), que fizeram por puro capricho, como se veio a ver, aquilo que nunca deveria ter sido feito: a invasão do Iraque. Criaram o problema, agora rersolvam-no. Exigir solução aos Democratas é um pouco como aquele menino que parte um vaso caro, depois de sobejamente avisado para ter cuidado, e que depois vai ter com o irmão mais novo e lhe exige que arranje uma solução.
A propósito da demissão de Rumsfelt, apetece dizer o tão americano I told you so. O ideólogo da guerra no Iraque, o senhor que andou há uns anos a vender armas a Saddam para ele massacrar curdos e xiitas, afinal o senhor Rumsfelt estava errado (como qualquer criança de 6 anos percebeu na altura), e foi posto no olho da rua - a mais eloquente assunção de que invadir o Iraque foi, como era óbvio para qualquer pessoa com QI médio, um tremendo disparate. Agora só falta o Bush filius e a sua entourage. É que andou meio mundo a avisá-los sobre o disparate e os perigos que repsentariam a invasão do Iraque, e eles não ligaram nenhuma. Quiseram agir sós, orgulhosamente sós, desprezando aliados e a própria ONU. Agora estão atolados até ao pescoço e querem ajuda. I told you so.

terça-feira, novembro 07, 2006

Sinais do fim dos tempos

Isto é histórico. Pela primeira vez na minha vida estou de acordo e aplaudo as palavras do Cavaco:

«Para Cavaco Silva, a não concretização da pena de morte "seria uma manifestação de superioridade do novo regime do Iraque, que está construindo a sua democracia, em relação ao ditador" Saddam Hussein.»

Aplaudo, sublinho e assino por baixo. Por mais horrendos que tenham sido os crimes do antigo ditador de Bagdad, nada justifica a pena de morte, nada justifica que o Estado desça ao nível dos criminosos comuns.

domingo, novembro 05, 2006

I'm a lumberjack, and I'm okay...


I'm a lumberjack, and I'm okay,
I sleep all night, I work all day.

Mounties: He's a lumberjack, and he's okay,
He sleeps all night and he works all day.

I cut down trees, I eat my lunch,
I go to the lavatory.
On Wednesdays I go shoppin'
And have buttered scones for tea.

Mounties: He cuts down trees, he eats his lunch,
He goes to the lavatory.
On Wednesdays he goes shopping
And has buttered scones for tea.

Chorus : I'm a lumberjack, and I'm okay,
I sleep all night and I work all day.

I cut down trees, I skip and jump.
I like to press wild flowers,
I put on women's clothing
And hang around in bars.

Mounties: He cuts down trees, he skips and jumps,
He likes to press wild flowers.
He puts on women's clothing
And hangs around in bars?!

Chorus: I'm a lumberjack, and I'm okay,
I sleep all night and I work all day.

I cut down trees. I wear high heels,
Suspendies, and a bra,
I wish I'd been a girlie,
Just like my dear Mama.

Mounties: He cuts down trees, he wears high heels,
Suspendies, and a bra?!

Chorus: I'm a lumberjack, and I'm okay,
I sleep all night and I work all day.

Yes, I'm a lumberjack, and I'm ok-a-y,
I sleep all night and I work all day.

Monty Python

Pode repetir?

Acabo de ouvir o Pacheco Pereira dizer "iriam-se". Pelamordedeus! Nem na 4º classe me seria admitida uma coisa dessas!

Quis custodiet ipsos custodes?

A condenação à morte de Saddam Hussein é, tal como os crimes que praticou, um acto hediondo e revoltante. Não há justificação para a condenação à morte, por mais horrendos que sejam os crimes do condenado. O Estado não pode descer ao nível dos assassinos. O Estado não pode ser o assassino.

Mudanças

O Pesporrente mudou-se sem armas (sou pacifista) mas com bagagens para esta nova página.

sábado, outubro 21, 2006

Ai baralham?

No "Expresso da Meia-noite", da SIC-Notícias, Laurinda Alves, apologista da prisão de mulheres por aborto, disse entre outras pérolas que "os políticos baralham as pessoas". Laura, fofa, fala por ti. Lá porque tu te baralhas com facilidade não quer dizer que aconteça o mesmo com os outros...

sexta-feira, outubro 20, 2006

Iustitia et Misericordia


A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) apela ao voto "não" no referendo sobre a despenalização do aborto. Não há surpresa nesa posição, e estranho seria o contrário. Engraçado é ver que, depois de tão veemente apelo ao "não", a CEP dizer que os eleitores não devem seguir correntes de opinião. A afirmação, além de espantosa, é no mínimo irónica. Diz ainda a CEP que não entra em campanhas de tipo político (seja lá o que isso for). Esperemos que cumpram a promessa. É que em 1998, pouco antes do referendo, eu estive, por motivos profissionais, no 13 de Maio, em Fátima, e o que ouvi pelos microfones do santuário foi um verdadeiro comício político, com apelas explícitos ao "não". A Igreja Católica faz o seu papel e defende os seus valores, é certo. Mesmo que não concordemos com a sua opinião, como é o meu caso, temos de respeitá-la. Mas seria interessante que a Igreja Católica respeitasse também a opinião dos outros, o que infelizmente não acontece com frequência.

domingo, outubro 15, 2006

Referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez

Enquanto não surgem imagens da campanha portuguesa, aqui vão ficando algumas imagens feitas por esse mundo fora.

Menos fogos

Apesar das 5 ondas de calor, 2006 foi o ano com menor área florestal ardida desde 1999. Uma vitória deste governo e das medidas acertadas que tomou. Curiosamente, ou não, não se dá o devido destaque na imprensa a esta boa notícia.

sexta-feira, outubro 13, 2006

O banqueiro dos pobres


O Pesporrente felicita com entusiasmo o Nobel da Paz atribuído a Muhammad Yunus e ao seu Banco Grameen. Yunus, ao contrário dos banqueiros convencionais, empresta dinheiro a quem realmente precisa, através do sistema de micro-crédito, permitindo que gente muito pobre consiga montar os seus pequenos negócios, e assim possa viver mais dignamente. Bravo, Yunos.

Despachos Hiper Lentos

No início de Setembro tive a infeliz ideia de aceitar que uma encomenda que fiz dos EUA fosse despachada (?) pela DHL. O arrependimento começou quando algum tempo depois, recebi um contacto da DHL, fazendo uma estimativa dos preços de entrega. Por duas míseras t-shirts pretendem extorquir-me cerca de 40 euros, se eu levantar o meu rabinho e for buscar pessoalmente a encomenda à alfândega, ou então cerca de 80 euros, se quiser que me venham entregar a casa. Juro que é verdade. Sim, eu também pensei "por esse preço mais vale ir directamente aos EUA comprar a porcaria das t-shirts".

Ainda meio zonzo com a fortuna pedida proposta, lá fiquei à espera que as malditas t-shirts chegassem. Ainda bem que me decidi sentar, porque se esperasse em pé ficava com as pernas feitas numa grande variz. Estamos hoje a 13 de Outubro, e das famigeradas t-shirts nem sequer o cheiro. Segundo pude saber, ainda nem sequer saíram dos EUA. Neste espaço de tempo recebi outras encomendas, mais pesadas e volumosas, vindas dos EUA pelo correio convencional. Foram feitas depois, chegaram antes, e nuns casos não paguei um cêntimo de taxas alfandegárias, noutros casos paguei uns cerca de 15 euros da praxe.

Gostava de saber com que legitimidade a DHL se faz pagar principescamente. É mais rápida do que o correio convencional? Não, nem por sombras. Já lá vai cerca de mês e meio, e ainda nem sequer saiu a encomenda dos EUA: continua "em trânsito", diz a DHL. O serviço tem mais qualidade? Não: além de ser bastante mais lento, nem sequer faz aquele serviço básico que é levar a casa sem cobrar mais por isso. Então porque é que cobram taxas dignas de um senhor feudal?

Cada vez mais irritado com este caso, decidi reclamar, uma vez mais. Enviei o mail que transcrevo de seguida, sem grande esperança de que me adiante alguma coisa.


"Venho de novo a minha estupefacção e o meu desagrado pelo péssimo serviço que me está a ser prestado (e será regiamente cobrado, se as instâncias competentes não me derem razão). A minha encomenda foi recolhida pela DHL-USA a 5 de Setembro, e até hoje, 13 de Outubro, não recebi nada. Entretanto, no espaço deste quase mês e meio, já fiz e recebi outras encomendas dos Estados Unidos, que me chegaram gratuitamente ou com taxas alfandegárias simbólicas. Segundo as informações obtidas nas páginas da DHL-USA e DHL-Portugal, a encomenda encontra-se ainda em trânsito nos EUA!

É inadmissível que a DHL, que se faz pagar principescamente, responda depois com um serviço muito mais lento e muito mais ineficaz do que o correio convencional. Acho uma afronta inqualificável que ainda me venham a cobrar nem que seja um cêntimo por este serviço (?), quando/se as minhas encomendas chegarem. Por mim, reafirmo a minha intenção de nunca mais recorrer à DHL, e já comecei a passar a palavra entre amigos e conhecidos. Entretanto já encetei os procedimentos necessários para saber como agir caso tenham a audácia de me cobrar a pequena fortuna que me foi anunciada como pagamento do serviço (?).

Sem mais,
André Simões"

segunda-feira, outubro 09, 2006

má-criação

Os professores (e eu sou professor) têm todo o direito de protestar contra as políticas educativas do governo, ainda que não me pareça que no geral tenham razão. Não têm é o direito de serem mal-criados e ofensivos, como se tem visto nas manifestações. Não só não abona muito em favor da sua formação, como lhes retira a pouca razão que possam ter. É que do que já li da nova proposta de Estatuto da Carreira Docente, não me parece mal. Por exemplo, alguém me pode explicar onde está o mal de, por exemplo, a progressão na carreira ser feita por mérito e não por tempo? E quem é que tem medo da prova nacional de conhecimentos e competências, à semelhança do que se faz na Europa civilizada? Medo de ver barrada a entrada no sistema de ignorantes sem preparação, como acontece hoje? Parece-me da mais elementar lógica e justiça, mas isso se calhar sou eu...

domingo, outubro 08, 2006

Tradição Académica III

Dizem os defensores da praxe que esta é uma tradição secular. Sê-lo-á, em Coimbra. Não é, em Lisboa e outros sítios. Não era, quando tirei o curso entre 1989 e 1993, na FLUL. Mas ainda que fosse. Admitamos, por pura hipótese académica (sem tradição) que sim, que era (mas não é) uma antiga tradição. Vamos perpetuá-la só por ser tradição? Vamos recuperar a escravatura, longuíssima tradição? Vamos recuperar a pedofilia, tradição praticada durante milénios praticamente até aos nossos dias - quem não conhece casos de senhoras de idade, normalmente das aldeias, que se casaram aos 13 e 14 anos? E que tal o espancamento de mulheres pelos maridos, riquíssima tradição praticada até aos dias de hoje? E a exposição de filhos deficientes, tradição greco-latina, base da nossa civilização? Vamos recuperar isto tudo? Claro que não. Pessoas inteligentes e civilizadas sabem que tradição não é igual a lei, e que muitas tradições são condenáveis e devem ser combatidas. Como a alegada tradição académica.

As imagems deste e dos artigos anteriores foram retiradas do Antípodas - Movimento Anti-Praxe.

Tradição Académica II

Dizem os defensores da "tradição académica" que as praxes servem para integrar. Mais preocupante do que isto é ouvir alguns praxados papaguearem o mesmo. Preocupante, mas também deprimente. Deprimente saber que há quem não encontre melhor maneira de se integrar num grupo do que sujeitar-se a "brincadeiras" humilhantes em que, a bem ou a mal, desempenham um papel de inferioridade perante quem se sente superior apenas porque entrou alguns anos antes (muitas vezes demasiados anos antes). Preocupante e deprimente é ouvir meninas na televisão dizendo que cantaram insultos aos pais e a si próprias "mas que até foi divertido". Preocupante e deprimente é dizer ouvir praxadoras na televisão dizendo que obrigam os caloiros a simularem actos sexuais e orgasmos, mas que "não tem mal nenhum". Haverá comentário possível a isto? Eu abstenho-me, se não se importam.

Não é assim que se integram pessoas mentalmente saudáveis. Aliás, é óbvio para qualquer pessoa que não é essa a intenção, que isso não passa de um pretexto, passado de geração em geração, para os praxadores exerceram sobre os novos as suas frustrações sociais e sexuais. Se quisessem integrar organizavam festas e jantares, por exemplo. É no convívio que se integra, não na humilhação. E só uma mente muito doente pode confundir as duas coisas. No meu tempo de estudante não havia praticamente praxes na FLUL - e não foi assim há tanto tempo. Ao fim de poucas semanas conhecia já dezenas de colegas. Ninguém me praxou, ninguém me humilhou (admito que o meu 1,80 - altura elevada para a minha geração - e as minhas botas militares, cabelo rapado e calças rotas tenham intimidado alguns dos escassos praxadores). Conheci tanta gente em festas e jantares organizados por colegas mais velhos ou mesmo entre nós. O meu 1º ano foi inesquecível - talvez até demasiado. Sem praxes.

Poderei dizer que não me senti integrado, por não ter sido praxado? De facto não fui integrado em grupos sado-maso. Mas fui plenamente integrado no resto da faculdade.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Tradição Académica I

Não podia deixar de manifestar aqui o meu apoio ao M.A.T.A., que luta contra uma das manifestações mais abjectas do património genético australopitequiano de alguns. Não me refiro apenas aos praxadores - refiro-me sobretudo aos praxados que vêm dizer que adoraram andar a fazer figuras tristes, e que não vêem mal nenhum em entoar cânticos ordinários e em chamarem nomes a si mesmos e aos seus pais. Não entendo também como se pode chamar "tradição" a algo que, quando entrei na Faculdade de Letras da UL, em 1989/1990, não existia. Aliás o fenómenos é recente. Lembro-me de que quando acabei o curso, em 1993, os dráculas... perdão, os trajes académicos, eram raros e apontados a dedo com curiosidade e comiseração. Quando voltei como professor, em 1996, já estavam por todo o lado. Voltarei a este assunto, quando estiver menos ensonado.

segunda-feira, outubro 02, 2006

SIM

Aqui me declaro convictamente a favor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Votarei SIM no referendo, e farei campanha activa dentro das minhas possibilidades. Chega de hipocrisia! Espero que este debate traga de novo à ribalta essa grande mulher da esquerda portuguesa que é Helena Roseta. Fico também satisfeito por saber que José Sócrates e Correia de Campos farão campanha pelo SIM, o que evita o embaraço de '98, quando Guterres manifestou publicamente a sua simpatia pelo "não".

Brasil

Numa altura em que as urnas no Brasil já fecharam, o Pesporrente manifesta o seu desejo de uma vitória retumbante do Lula logo à primeira volta. Não vivo no Brasil, nunca lá estive, nem estou mais interessado nesse país do que em qualquer outro, mas tenho desde há muito uma grande admiração pelo Lula, que, apesar dos escândalos, conseguiu diminuir os níveis de pobreza e melhorar as condições de vida dos mais desfavorecidos. Força Lula!

Östereich

O Pesporrente congratula-se com a vitória do SPÖ austríaco sobre a direita. Tratou-se de uma vitória inesperada e curta, mas que se lixe: o que interessa é que a esquerda ganhou. Esperemos, agora, que não se lembrem de fazer coligação com a direita, como já alguns comentadores alvitram. Aproveito para perguntar quando é que o PSD português decide de vez mudar de nome. É que, como toda a gente sabe, a social-democracia é uma corrente política da esquerda moderada, que tem em Portugal como único verdadeiro representante o PS.

sábado, setembro 30, 2006

Combustíveis


Quando os combustíveis aumentam, todos protestam - o que é natural e compreensível. Nas entrevistas de rua é comum ouvir coisas como "quando o petróleo desce eles não descem os combustíveis". Aqui já não é tão natural. Onde andam essas pessoas, quando as gasolineiras descem sucessivamente os preços dos combustíveis, como tem acontecido nos últimos tempos? Não se pede que protestem, como é óbvio. Mas ao menos podiam poupar-nos às tiradas demagógicas, quando os combustíveis sobem.

Pongo pygmaeus, ou como se gasta dinheiro em vão

A C.I.A. chegou à conclusão de que a guerra no Iraque aumentou a ameaça terrorista, provocando o aumento e dispersão dos movimentos fundamentalistas. Mas agora pergunto eu: isso não era óbvio para qualquer pessoa com Q.I. acima do de um orangotango amestrado, ainda antes de a guerra começar? Andaram a gastar o dinheiros dos contribuintes americanos (não que isso me preocupe muito) para fazer um estudo com conclusões a que qualquer pessoa com dois dedos de testa já tinha chegado ainda antes da guerra?

Cavacadas

Pensava que já tinham acabado as nossas humilhações em Espanha. Tantos anos a tentarmos melhorar a nossa imagem em Espanha, tantos anos a tentar mostrar que as mulheres portuguesas também sabem ser bonitase vestir-se bem e até fazer o bigode, tantos anos a mostrar que os homens portugueses podiam não parecer todos saídos de um filme a preto e branco. Tantos anos para nada. Tantos anos para depois aparecer o Cavaco a discursar nas cortes em Madrid. Ó ignomínia! Poderia ser pior? Podia, e foi: aparecer a Maria Cavaca com ar de criada de servir ao lado da finíssima rainha Sofia.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Monsieur d'la Palisse est mort, il est mort devant Pavie, un quart d'heure avant sa mort, il était encore en vie!

Apareceu uma menina do PSD na TV (que se calhar até é bonita, mas com aquelas trombas não parece) em comunicado oficial a dizer que Soares é uma candidatura partidária que serve o PS e o próprio candidato. E...? A de Cavaco será o quê? Servirá quem? O MRPP?

terça-feira, agosto 29, 2006

A importância de ser tratado por "tu".

Ter perdido 25 quilos nos últimos 4 meses tem tido inúmeras vantagens. Além de poder voltar a vestir coisas que não pareçam sacos de batatas e de conseguir, pela primeira vez em 5 anos, ver os meus genitais sem ter de me curvar, parece que ganhei de novo alguma da juventude perdida - não toda, que praticamente 35 anos já pesam, e não é pouco. Na verdade, nos últimos tempos deixei de ser referido como "senhor", e voltei a ser chamado "rapaz". Além disso, os desconhecidos voltaram a usar o "tu" para se me dirigirem, o que não me acontecia praticamente desde que deixei de fumar (2001). Hoje uma vizinha que não cumprimento (só cumprimento um grupo extremamente reduzido e selecto de vizinhos) precisou de me pedir uma informação, e chamou-se "oh menino, oh pxt oh menino!". Não só lhe dirigi a palavra pela primeira vez na vida, como por pouco não lhe espetei um beijo nas fuças.

sábado, julho 29, 2006

Não há pachorra

Há desenvolvimentos no caso Maria João Pires. Afinal já não vai acabar com o centro de Belgais. Afinal só está a descansar na Baía. Diz também que sempre foi apoiada pelo governo - pudera, nos últimos anos recebeu cerca de 2 000 000 de euros (dois milhões) de euros dos cofres do Estado... Então não se percebe a birra da senhora. Ou talvez até se perceba: ao que parece, o governo pediu-lhe que comprovasse a correcta utilização do dinheiro investido pelo Estado. Como a senhora se deve achar acima do comum mortal, amarrou o burrinho e ei-la que vai desamarrá-lo para o Brasil... Oh mulher, desampara-nos a loja, abdica lá da nacionalidade de vez, deixa-te de birras e dedica-te ao que sabes fazer, e bem - tocar piano.

Macarronices

Depois do inacreditável "sapore autenticum est" (sic) e das "receitae artesanalis" (sic!) de uma marca de cervejas que devia ter vergonha na cara, agora aparece mais uma macarronada, desta de vez de uma marca de águas, que escreve, sem corar, "sanum per aqua" (sic). Os primeiros ainda podiam apresentar a desculpa de terem concebido a frase após uma boa dose do produto anunciado. Mas os segundos, quer desculpa têm?

Que não saibam latim, não é crime (mas devia ser), agora que façam sair para a rua cavalidades destas sem verificarem primeiro com pessoas competentes, não se admite.

Boa viagem

A pianista Maria João Pires diz que não tinha condições em Portugal para continuar com a Associação Belgais, e fugiu para o Brasil (!). Eu até a compreendo, realmente deve ser complicado, recebendo apenas os míseros apoios da UE, da Caja Duero, da Câmara Municipal de Castelo Branco, do Ministério da Educação, do Ministério da Cultura, do Instituto das Artes, da Fundação Avina e da Yamaha. Devem ter sido tempos muito difíceis. Claro que agora na Baía terá muito mais apoios e compreensão... E o que acontece agora aos que trabalhavam directa ou indirectamente com a Associação Belgais? Olho da rua?

Alguém ainda tem paciência para esta senhora e para os seus amuos de diva caprichosa? Será que vai cumprir também a ameaça/chantagem de abdicar da nacionalidade portuguesa, como fez há não muito tempo? Pormim, boa viagem, e que vá pela sombra, que o Sol na Baía diz que é escaldante, ainda apanha uma insolação, e depois é uma chatice.

sexta-feira, julho 28, 2006

Quo usque tamdem abutere, Israhel, patientia nostra?

«Tears of a son. July 23: Ali Sha'ita, 12, is distraught as he tries to comfort his mother, who was injured in an Israeli missile strike on their vehicle, killing three and injuring 16.»
Jornal Guardian (Fotografia: Sean Smith).

Via Causa Nossa.

A não perder, ainda, este lúcido texto de Vital Moreira, na Aba da Causa.

quarta-feira, julho 26, 2006

Quem, eu?

Tão inocentes e honestos que nós somos...

"A Provedoria de Justiça acusou há dias a gestão da Câmara Municipal de Lisboa (CML) de favorecimento, com prejuízo do interesse público, do promotor imobiliário que construiu o condomínio que se ergue no local do antigo gasómetro da EDP, na Avenida Infante Santo."

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1265255

All animals are equal, but some animals are more equal than others


Na sua fúria assassina, os terroristas israelitas bombardearam um posto da ONU, matando quatro funcionários. Até quando? Quo usque tandem?

domingo, julho 16, 2006

Terror nazi

A comunidade internacional assiste indiferente ao bombardeamento de um país soberano, por outro país que possui armas de destruição massiva, e que já afirmou estar disposto a usá-las. Infraestruturas civis (aeroporto, estradas, etc.) estão a ser destruídas, um número ainda indeterminado de civis inocentes está a ser morto diariamente. Esse mesmo país agressor desrespeita olimpicamente todas as resoluções da ONU que exigem que se retire de territórios que ocupa há vários anos. Se fosse outro país qualquer, estava tudo indignado, e os EUA já teriam lançado um dos seus famigerados ataques preventivos. Mas como são os nazis israelitas, está tudo bem, assobia tudo para o lado...

domingo, junho 18, 2006

Feira do Livro de Lisboa

A Feira do Livro já lá vai, para bem da minha carteira, com as queixas de sempre por parte dos editores. Não há público, não se vende. A verdade é que este ano a Feira tinha muito menos gente do que em outros anos. Era possível circular à vontade e compulsar os livros sem ter de abrir caminho à força de cotoveladas. Até nos "saldos" se podia movimentar com relativa facilidade. Os editores acusam a APEL de não ter divulgado convenientemente a Feira. A APEL, sem corar, disse que sim senhora, que se tinha fartado de divulgar. Qualquer pessoa que tenha passeado por Lisboa nos dias que antecederam a Feira sabe que isso é tão verdade como o Trappatoni ter deixado o Benfica para estar mais perto da mulher. Não vi um único cartaz, um único que fosse. Nem anúncios na imprensa. Nada. Nadinha. Eu só soube a data de abertura porque tive a sorte de a ver numa notícia de pé de página, no Público. Movimento-me num meio relativamente letrado e culto, e quando dizia a alguém "vamos à Feira do Livro?" a reacção era invariavelmente "já abriu?!". Uma tristeza. Se a APEL quer acabar com a Feira, se calhar era melhor assumi-lo, em vez de (não) fazer coisas destas.

sábado, junho 03, 2006

Galiza, Portugal, a mesma língua

Activistas da GZ.pt (Associação de Solidariedade com a Galiza), constituída por galegos a viver em Lisboa, penduraram uma enorme faixa com os dizeres "Galiza, Portugal, a mesma língua" no Elevador de Santa Justa. São de louvar estas iniciativas, que visam divulgar a causa do reintegracionismo galego.

Mais pormenores aqui.

A página acima indicada está escrita em "galego", usando a ortografia portuguesa. Se eu não desse esta informação todos pensariam que tinha sido escrita por um lisboeta. Haverá maior prova da unidade linguística galego-portuguesa? Até o português brasileiro se distingue, mesmo usando a mesma ortografia.

Imagens retiradas do Portal Galego da Língua

sexta-feira, junho 02, 2006

Coligação Democrática de Direita

Curioso (mas não surpreendente) o alinhamento do PCP com a direita, no regozijo pelo primeiro veto do sr. Silva. O sentido de voto da bancada do PCP, que tem alinhado quase sempre com a direita (vide referendo sobre a despenalização do aborto), mostra bem o que poderia ter acontecido se o PS não tivesse maioria absoluta e não conseguisse um entendimento com o BE - que esse sim, se tem mostrado um partido de esquerda. Daqueles lados não se pode esperar nada, como se tem visto nas autarquias locais, onde frequentemente se têm coligado informalmente com a direita para derrubar câmaras socialistas. Já nem vou lembrar o caso do Porto, onde o vereador do PCP ajudou os seus amigos do PSD e do CDS a terem maioria, no mandato 2001-2005.

domingo, maio 14, 2006

Quem és tu e o que fizeste ao Durão?

Vi hoje Durão Barroso, rebaptizado José Manuel Barroso, na SIC-Notícias exibir as traduções da Ilíada, Arte de Amar e Satíricon, todas editadas pela Cotovia. Disse que a Europa não pode esquecer as suas raízes clássicas, e outras opiniões bastante acertadas. Foi aqui que comecei a ficar duplamente preocupado. Primeiro porque concordei com tudo o que ele disse. Depois porque este não pode ser o mesmo homem que assinou a actual reforma do Ensino Secundário, o homem que assassinou por interposta pessoa (David Justino) o Grego e feriu de morte o Latim. Não pode ser a mesma pessoa. Fiquei na esperança de ter ouvido mal, e mandei um SMS à professora (e querida amiga) Cristina Pimentel, que ouviu o mesmo. Ele disse mesmo aquelas coisas, sem corar, sem lhe pesar na consciência ter praticamente liquidado o ensino em Portugal dessas raízes clássicas que tanto louva.

sexta-feira, abril 07, 2006

Tá parva!

Teresa Beleza, que deve ser comediante, diz hoje no Público que a lei portuguesa é discriminatória ao fazer uma distinção entre homem e mulher, deixando de fora os homossexuais e os transsexuais. Os transsexuais ainda admito que possam pôr questões filosóficas dessa natureza, mas então um homem homossexual nao é um homem? E uma mulher homossexual não é uma mulher? Oh mulher, explique-se, que eu sou fraco de raciocí­nio e fiquei muito confuso com isto de os homens homossexuais não serem homens.

quinta-feira, março 09, 2006

Dia negro

Um dia negro na História recente de Portugal. O Cavaco tomou posse como presidente. Aquela coisa ali na fotografia em cima, aquilo é o nosso presidente. Na TV disse que ainda não se tinha habituado a ser chamado presidente, mas que já "respondia pelo nome". Menos mal. Tive uma cadela, em tempos, que só começou a responder pelo nome ao fim de uma semana.

domingo, fevereiro 26, 2006

Obscenidades

Ví­tima de Tchernobil
Paul Fusco, Magnum Agency, New York


É obscena a afirmação do sr. Patrick Monteiro de Barros e dos restantes defensores da energia nuclear, de que o acidente de Tchernobil "só causou pouco mais de 40 mortos". É obscena porque restringe deliberada e criminosamente o número de mortos aos que estavam nas instalações da central. É obscena porque esquece os milhares que morreram e morrerão por doenças derivadas das radiações do acidente. É obscena porque mentirosa. É obscena porque desrespeita as inúmeras crianças nascidas com malformações congénitas e cancros. É obscena porque esquece o sofrimento de milhares. É obscena porque desrespeita a memória de milhares de mortos passados e futuros.

Alguns números para avivar a memória e para denunciar a monstruosidade das afirmações de Monteiro de Barros e seus sequazes.

- cerca de 8 000 (oito mil) mortos devido às radiações
- cerca de 2 000 (dois mil) casos de cancro da tiróide
- cerca de 2 000 (dois mil ) a 8 000 (oito mil) casos esperados de cancro da tiróide nos próximos 10 anos
- cerca de 5 000 000 (cinco milhões) de pessoas tiveram ou têm doenças relacionadas com as radiações

P.S.: ia também falar daqueles que dizem que nunca houve um acidente nuclear grave na Europa, mas depois achei que falar de ignorantes e mentirosos é dar-lhes a importância que eles não têm.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Ah pois!



Um dos argumentos mais usados contra o casamento civil entre homossexuais é o de que o casamento se destina a formar família, que tem portanto funções reprodutivas. Além de o argumento ser extremamente redutor (eu diria mesmo neandertalesco), se fosse levado a sério implicaria a proibiçãoo do casamento entre heterossexuais estéreis, pois esses, tal como os casais homossexuais, não poderão ter filhos. Nem os velhotes, já agora. Ora toma.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Grande Freitas


Tenho estado para escrever um texto sobre a crise dos "cartoons" dinamarqueses, mas depois do comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, só me resta aplaudir o bom senso, a serenidade, e assinar por baixo.

sábado, janeiro 28, 2006

domingo, janeiro 22, 2006

A coisa

Foi este o homem que os portugueses elegeram para os representar, como Presidente da República. Com os votos da direita, que está no seu direito e fez o seu papel, mas também com o voto de alguns que se dizem de esquerda, e que não passam de traidores.

Promiscuidade


A reportagem da SIC-Notí­cias em frente à casa da Cavaqueira foi um dos momentos televisivos mais deprimentes e degradantes dos últimos tempos. Tivemos grandes planos das varandas cavaqueiras, fomos informados de que havia lá flores amarelas e um santo-antónio, soubemos que Cavaco veio dizer adeus à janela de pulover azul, e até foi feito um convite para que descesse e viesse conversar "à hora do chá" (sic) com o repórter. Deprimente. Foi mais uma demonstração do claro tomar de partido do grupo SIC. Ninguém foi fazer directos em frente à casa de nenhum dos outros candidatos. Por outro lado, deu-se relevo à intenção de Cavaco de esperar pelos resultados em casa, e não na sede de candidatura, como fazem as pessoas normais quando se candidatam. A sua intenção parece-me clarí­ssima: caso vença à primeira volta (cruzes credo), a saí­da de casa em direcção ao Centro Cultural de Belém será mais um momento sebastiânico, o culminar do endeusamento do candidato que, enquanto primeiro-ministro, deixou as finanças públicas num estado lastimoso, lançou cães contra manifestações pacíficas, ordenou o espancamento brutal de operários manifestantes, e comeu bolo-rei de boca aberta perante as câmeras de TV.

sábado, janeiro 14, 2006

Ratos de laboratório


É impressionante a quantidade de pessoas que tentam subir ao contrário as escadas rolantes da estação de metro do Campo Grande. Com efeito, existem duas escadas rolantes, lado a lado, que dão acesso ao cais. Basta ver o espaço existente entre cada escada rolante (milímetros) para se perceber que não há qualquer separação entre os dois cais. Qualquer macaco de inteligência mediana perceberia que basta saltar para a escada rolante que sobre, e, uma vez lá em cima, virar para o lado direito ou esquerdo, conforme se pretenda ir para a linha verde ou para a amarela, respectivamente. Ainda assim, são várias as pessoas que, após uns segundos de hesitação, tentam subir a escada rolante que desce (!!!!), incapazes de raciocínio tão simples.

Faz-me isto lembrar outra situação que, embora menos grave, não deixa de pôr em causa algumas das ideias feitas sobre a inteligência humana por oposição à dos animais ditos irracionais.

Há em Santa Cruz três paragens de autocarro, contando com a de partida. Como esta se situa em frente ao acesso de algumas das praias mais frequentadas, é nela que se concentra a maioria das pessoas, ao fim da tarde. Assim, é muito frequente o autocarro já não parar nas outras paragens, por ter enchido logo na primeira. Isto acontece quase sempre ao fim da tarde, sobretudo ao Domingo. Tendo isto em consideração, parece-me que seria da mais elementar lógica as pessoas concentrarem-se na primeira paragem, nas alturas de maior enchente, e evitar pelo menos a segunda, que fica a pouco mais de 200 metros. É que é demasiado óbvio que uma pessoa que se dirija à primeira paragem às 17:55, por exemplo, terá muitíssimas mais hipóteses de apanhar o autocarro das 18:00 do que a pessoa que está na segunda paragem desde as 17:05. Mas nem sempre a mente humana é lógica... Comecei a dar-me conta disso uma vez em que o autocarro, como quase sempre, não parou na segunda paragem, ao fim da tarde. Olhei pela janela e vi a expressão de desalento de muita gente, acompanhada de esbracejamentos vários, ao verem que teriam de experar pelo próximo. Tive pena delas, e senti algum remorso, pois tinha chegado à primeira paragem mesmo em cima da hora, e muitas daquelas pessoas tinham ar de estar ali há muito tempo. No dia seguinte, o autocarro não parou de novo, como era óbvio. Reparei que muitas das pessoas que faziam um ar de espanto indignado por o autocarro não ter parado eram as mesmas do dia anterior. Passei então a olhar pela janela quando, àquela hora, o autocarro passava sem parar (sempre). Notei, estarrecido, que as pessoas que esbracejavam indignadas pela não paragem do autocarro eram sempre as mesmas. Novos, velhos, homens, mulheres. Não entendo. Ultrapassa-me. Mas será que é tão difícil para aquela gente perceber que o autocarro àquelas horas nunca pára ali? Independentemente de ser justo ou não, não deveriam já ter percebido isso, logo à segunda ou terceira vez? Por que raio ainda là estavam, ao fim de uma, de duas semanas, a esbracejar de espanto indignado por o autocarro não parar? Não serve como justificação a outra paragem ser longe, e as pessoas estarem cansadas: a primeira paragem fica a cerca de 200 metros - se tanto. De qualquer forma o que me escandaliza é o ar de espanto das pessoas, como se ao fim de uma, duas semanas não fosse já demasiado previsível que o autocarro não ia parar. Até um rato de laboratório o saberia.

Uma das coisas que distinguem, dizem os cientistas, o homem da generalidade dos outros animais é o ser capaz de aprender com os erros e a experiência, e a capacidade de reagir a novas situações. As pessoas que sobem escadas rolantes ao contrário e as que esperam pelo autocarro que obviamente nunca vai parar ali àquela hora ainda não foram informadas disso.

al-Qaida no Cacém

Vi em tempos na SIC-Notícias uma reportagem a propósito da passagem de um ano sobre as explosões nos estaleiros da REFER em Agualva. No meio das inevitáveis entrevistas, uma senhora "muito doente" (palavras da própria) diz que quando ouviu as explosões pensou que fossem "os aviões a destruir o prédio, como lá na América". Está-se mesmo a ver, ataques terroristas contra as torres do Cacém. Como é que ainda ninguém se tinha lembrado disto?

Em termos de disparate consegue mesmo bater aquele senhor que dizia que os fogos florestais estavam a ser motivados por terroristas a soldo do Saddam, vingando-se do apoio dado pelo governo aos americanos. Não estou a brincar, li nas cartas do Público. Espero que o Bush não tome conhecimento dessa denúncia, se não ainda decide vir libertar-nos!

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Forca!


Finalmente enforcaram o Pai Natal. Eu queria comprar um, e pendurá-lo assim na minha varanda. Mas depois tive medo de que alguém, olhando de longe, pensasse que era mais um Pai Natal piroso, que não reparasse que ele estava enforcado, e mudei de ideias. Também me ocorreu pendurá-lo de pernas para o ar, tipo Mussolini em Milão, mas achei que ia ser pouco óbvio, que quase ninguém captaria a alusão, e ainda pensariam que era mais uma variante do Pai Natal piroso do costume. Também pensei em pendurá-lo sem as calças, mas não sei se saem. Acabei por desistir. Talvez para o ano.