domingo, março 09, 2008

Forza Zapatero!

Em dia de eleições gerais em Espanha, este blogue de esquerda, da esquerda moderada, não podia deixar de manifestar aqui o desejo de uma vitória inequívoca do PSOE de Zapatero. Zapatero presidente!

sábado, março 08, 2008

O livro do Pedro

Com texto e ilustração de Manuela Bacelar, O livro do Pedro é uma história que, num mundo perfeito, seria apenas mais uma história infantil. Mas este não é um mundo perfeito. O preconceito, a estupidez e a estreiteza de espírito (passe a redundância) ainda dominam uma parte significativa da população. A Maria tem dois pais, o Pedro e o Paulo. Num mundo ideal isto seria banal, já o disse. Mas não é. E como não é, aqui fica o registo e o aplauso.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Allez Meneses!

A entrevista do líder do PSD à SIC demonstrou que estávamos todos muito enganados quando atribuíamos a Santana Lopes o troféu de bobo da corte do regime. Luís Filipe Meneses relega Santana à categoria de aprendiz, para gáudio de todos aqueles que, como eu, querem o PSD longos anos fora do governo. Sócrates não podia desejar melhor líder da oposição. As afirmações sobre a retirada da publicidade da RTP andam muito perto do hilariante, tendo provocado desconforto dentro do PSD mais sério, pelo seu ridículo e irresponsável. A ideia de proibir os médicos de exercer no público e no privado assume já foros de motivo para inimputabilidade. Por mim acho lindamente que o mantenham muitos e bons anos à frente do PSD, embora receie que ele nem chegue a 2009.

sábado, fevereiro 23, 2008

I beg your pardon?


A propósito das primárias Democratas nos Estados Unidos, um rapazola aparecia numa reportagem televisiva repetindo o absurdo lugar-comum de que com mulheres no poder o mundo seria mais pacífico. Claramente nunca ouviu falar de chefes de governo como a britânica Margareth Thatcher ou a ucraniana-israelita Golda Meir, que lideraram os seus países em guerras (Malvinas e Yom Kippur). Já para não falar da turca Tansu Çiller, que durante o razoavelmente longo período de tempo em que foi primeira-ministra da Turquia (1993-1996, se a memória não me falha) investiu fortemente na renovação das forças armadas turcas e reforçou a ofensiva militar contra os separatistas curdos. Ou a paquistanesa Benazir Bhutto, por quem sempre tive uma simpatia muito especial, mas que enquanto foi chefe do governo do Paquistão não só deu apoio activo aos Taliban afegãos na sua tomada do poder em Kabul, vendendo-lhes armas, como inclusive enviou militares paquistaneses para os apoiar na guerra. Ora aqui temos um belo (*) leque de senhoras que chefiaram governos no mínimo belicosos. Só falta dizerem que com as mulheres no poder há menos corrupção.

Não se interprete este texto como sendo contra as mulheres. De modo nenhum. Não sou contra sexo nenhum. A minha visão do mundo não se divide em sexos, cor de pele, etnia, nada. Para mim uma pessoa vale por si mesma, e ser homem, mulher, amarela, negra, é a mesma coisa. Votar num político pelo sexo ou pela cor da pele é um absurdo escandaloso.

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(*) Bem, tirando o camafeu da Meir, que era mais feia do que um general bêbedo, e a Thatcher, que no entanto na sua juventude deve ter sido uma bela rapariga.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Ai Deus e u é?

Quando Oliveira Martins foi designado presidente do Tribunal de Contas, a oposição, até aquela que quando é governo mete o pessoal todo em lugares de confiança política (o que é normal), bradou aos céus lamentos de virgens ofendidas, pondo em causa a honra de Oliveira Martins, jurando a pés juntos que ele ia para lá para fazer favores ao governo. Agora o mesmo Tribunal de Contas chumba o pedido de empréstimo da Câmara de Lisboa, destinado a acabar com a vergonha que são as dívidas do estado (neste caso a CML) aos fornecedores. A CML, presidida por um socialista, que fica assim em maus lençóis. Mas espera, então o Oliveira Martins não tinha ido para lá alegadamente para favorecer o PS? Há aqui qualquer coisa que me está a escapar...

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Eva


A minha sobrinha, de 2 anos e meio, jura a pés juntos e gritos convictos que a Eva Longoria, que viu fotografada neste cartaz, é a mãe do Ivo, colega da creche. Eu não tenho motivos para não acreditar nela, e já lhe dei um livro de autógrafos que espero ter amanhã devidamente assinado pela Eva.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Yes we can!



A eleição presidencial norte-americana há muito deixou de ser um assunto exclusivamente norte-americano, por razões tão óbvias que me dispenso recordá-las. Por isso parece-me legítimo tomar partidos, ainda que não tenhamos o direito de voto. Como homem de esquerda, aquilo a que os americanos chamam "liberal", o meu apoio vai sempre para os candidatos Democratas, do partido que mais perto está do socialismo democrático europeu. Por isso o meu primeiro instinto foi apoiar Hillary Clinton, reconhecida pelas suas tendências esquerdistas (à escala norte-americana, naturalmente). No entanto não fiquei imune aos encantos de Barack Obama. Há qualquer coisa naquele homem que me dá esperança. Por isso aqui fica o meu voto simbólico nas primárias Democratas: Obama!

quinta-feira, janeiro 31, 2008

FNAC? Não obrigado.

Cometi o erro de mandar vir um DVD via net, da FNAC portuguesa. Já uma vez tinha mandado vir um livro, por isso deveria estar prevenido. Mas resolvi dar-lhes uma segunda oportunidade. Em vão. As encomendas continuam a demorar cerca de uma semana a chegar, entre a feitura da encomenda e a sua recepção. Habituado à celeridade da Amazon.co.uk, que me entrega as encomendas em 3 ou 4 dias, não volto a cair no mesmo erro. A partir de agora, encomendas da FNAC só em desespero de causa. Ah, e nem sequer coloco a hipótese de mandar vir livros do estrangeiro via FNAC: ignorando evoluções e invenções como o comboio ou os automóveis e as estradas de asfalto, a FNAC portuguesa continua a mandar vir as encomendas via correio a cavalo, e a fazer a sua entrega em carroças puxadas por mulas por caminhos de cabras. Só assim se justifica os meses que uma encomenda demora a chegar...

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Cloverfield

Matt Reeves

Nunca tinha ouvido falar deste filme, e é com surpresa que descubro que tem sido um "hipe" cibernético nos últimos tempos. Mais: quando entrei na sala não fazia ideia do que me esperava. Escolhi este porque não me apetecia ver nenhum dos outros. Ainda bem que nunca tinha ouvido falar dele. Se soubesse à partida que se tratava de um filme-catástrofe, com um monstro a destruir (outra vez) Nova Iorque, o mais provável é que tivesse voltado para casa resmungando um "já não há pachorra".

Cloverfield é, no entanto, um filme excelente. Quem vai à espera de um Godzilla revisitado, desengane-se - e havia umas pessoas muito decepcionadas, atrás de mim, provavelmente mais habituadas a ver coisas menos exigentes. A câmera não pára. É uma câmera de mão. Uma festa de despedida. E de repente a electricidade falha e começam a cair prédios e pedaços da Estátua da Liberdade. Atentado? Sismo?

Depois é mais de uma hora de angústia e incerteza. O que é aquilo? De onde veio? E depois acaba-se a fita da cassete de vídeo.

Imperdível.

sábado, janeiro 19, 2008

Rins fritos



A minha irmã acha que eu não devia deixar a minha sobrinha ler Edgar Allan Poe. Eu ainda me tentei defender, alegando que entre Poe e Joyce, a sua primeira escolha, me tinha parecido mais apropriado à idade o primeiro. Mas a minha irmã mostrou-se irredutível, afirmando que agora já entendia porque raio a miúda tinha tentado emparedar o irmão, e que mal por mal preferia que ela ganhasse a mania de comer rins fritos.

sábado, janeiro 05, 2008

A mãe e o pai


A minha sobrinha, de 2 anos, afirma sem hesitar que este fresco de Pompeios (*), de que tenho uma reprodução no meu escritório, representa a mãe e o pai. Como classicista fico comovido e feliz: tão nova já reconhece os nossos pais.

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(*) Pompeia é um galicismo incorrecto.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Dakar

O cancelamento do Dakar 2008 é uma vitória retumbante do terrorismo internacional, e uma derrota vergonhosa da liberdade e da democracia. Cedendo à ameaça, a organização abriu, além disso, uma caixa de Pandora de consequências imprevisíveis. Qual será o próximo grande evento a ser cancelado por causa de uma ameaça terrorista? Jogos Olímpicos? Europeu de Futebol?

Note-se que não há, nesta minha posição, qualquer parti pris. Acho o automobilismo execrável, e acho que é um alívio ver-me livre dos entediantes "resumos do dia", que bem podiam ser imagens de arquivo, para mim aquilo é sempre igual.

A propósito, alguém me explica porque é que se diz que este seria o 30º Dakar? Ora bem, ou a minha matemática já não é o que era, ou há aqui algum dado que me está a falhar: se a primeira edição foi em 1979 e nós estamos em 2008, é fazer as contas. 2008 - 1979 = 29. Não me enganei pois não? Ou falta aqui algum dado? Como disse não tenho pachorra para marmanjos a acelerar carros badalhocos, não sou muito entendido no assunto.

O sabor da cereja

طعم گيلاس
(Ta'm-e gilas)
Abbas Kiarostami

Badii quer morrer, e sabe como fazê-lo: tranquilizantes. Tem até uma sepultura cavada, à sombra de uma cerejeira, onde se deitará enquanto os tranquilizantes fazem efeito. Só há uma dificuldade: contratar alguém que o enterre. Um filme sobre solidão e desespero. Mais uma pérola de Kiarostami.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Elephant

Gus Van Sant

Elephant é mais uma pequena maravilha com que Gus Van Sant nos presenteia. Um murro no estômago, onde a violência é estética e a morte é limpa e rápida, como num jogo de computador.

Primeiro Ministro entre 1985 e 1995



O senhor Cavaco manifesta-se preocupado com a disparidade existente entre os salários dos gestores e os dos seus empregados. Só lhe fica bem este tipo de preocupações. Mas é pena ter-se estado nas tintas para o problema, agravando-o até, nos 10 anos 10 em que foi chefe do Governo.

http://dn.sapo.pt/2008/01/02/nacional/presidente_critica_altos_salarios_ge.html

terça-feira, janeiro 01, 2008

duh...

Ir passar férias para um país africano em altura de eleições é de uma estupidez confrangedora. Embora não tanto como ir passar férias para as Caraíbas na época dos furacões, concedo.

Gerry

Gerry
Gus Van Sant


Há filmes que marcam uma vida. Gerry é, para mim, um deles. De Gus Van Sant já tinha visto outras pequenas pérolas, como Mala Noche, ou My Own Private Idaho. Apesar disso, Gerry conseguiu surpreender-me. Planos longos longos, quase ausência de diálogo, banda sonora fabulosa. Um filme opressivo e angustiante. Dois rapazes perdidos no deserto. A rever. Talvez ainda hoje.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Quatro curtas de Kiarostami

Fotograma de Zang-e Tafrîh.

Quatro deliciosas curtas metragens de Kiarostami:


No primeiro filme, uma criança procura encontrar um estratagema para passar por uma ruela, controlada por um cão com ar de rufia.

No segundo filme, uma criança sofre castigos na escola e perseguições por parte de outras crianças, e parte sozinha não se sabe para onde.

No terceiro filme, num registo digno de Monty Python (embora não seja, certamente, essa a ideia do autor, duas crianças apresentam duas soluções opostas para resolver um problema: uma delas emprestou um livro à segunda, que o devolve rasgado.

O quarto filme é o meu preferido. Um velhote quase surdo, que precisa de um aparelho auditivo para ouvir. No entanto, a maior parte das vezes, quem sabe para ter um pouco de paz, tem-no de fora da orelha. Vemos o seu passeio pelas ruas da aldeia, até chegar a casa, ora tirando, ora pondo o aparelho, conforme as circunstâncias. Ao chegar a casa, incomodado pelo ruído infernal de umas obras ali perto, retira o aparelho e entretem-se com as suas coisas. Por isso não ouve a campainha, tocada pelas duas netas, meninas dos seus 6 ou 7 anos, que regressam da escola, e que se vêem obrigadas a gritar pelo avô, com a ajuda de uma pequena multidão de colegas de escola que se vai juntando: um coro de vozes infantis, que consegue por fim penetrar o mundo de silêncio do velhote. Uma delícia.

domingo, dezembro 30, 2007

E a vida continua

زندگی و دیگر هیچ
(Zendegi va digar hich)
Abbas Kiarostami

Prossigo a minha descoberta de Kiarostami e do cinema iraniano. "E a vida continua" é mais uma obra sublime. Não se percebe muito bem onde começa o documentário, não se percebe muito bem onde começa a ficção. É a segunda parte da "trilogia do terramoto", e é à primeira parte, "Onde é a casa do meu amigo", que regressamos, nesta viagem do realizador a Koker, a aldeia onde filmou o primeiro filme, depois do terramoto que abalou o norte do Irão em 1990, para tentar saber o que aconteceu ao jovem protagonista, Babek Ahmed Poor (uso a ortografia do IMDB, não tendo encontrado o original persa para verificar). É um filme em tom de documentário, em que nada verdadeiramente se passa, tirando os testemunhos arrepiantes dos sobreviventes do terramoto, mas que nos prende e nos torna companheiros desta viagem sem fim conhecido. Um filme profundamente pacífico e sereno, apesar do argumento. E a vida continua, e um Brasil x Argentina em futebol (Mundial '90) merece a instalação de uma antena num acampamento de desalojados de um terramoto que, ficamos a saber, aconteceu quando Escócia e Brasil jogavam e o Brasil tinha marcado um golo.