sexta-feira, março 14, 2008

ASAE



Eu se fosse aos senhores da ASAE deixava de controlar a qualidade e segurança alimentar a quem não o quisesse. Deixava que chafurdassem naquelas cozinhas imundas que todos vimos em boas reportagens. Ou que enfardassem as bolas de berlim degradadas pelo calor do Verão. Afinal o pessoal gosta das coisas à boa maneira tradicional portuguesa. Deixá-los então. Voltemos aos tempos do botulismo apanhado através do chouriço mal acondicionado (não venham é depois pedir apoios para os funerais). Ou às salmonelas à solta. Que chafurdassem nos óleos fritos, refritos, rerrefritos, rerrerrefritos, nas bancadas de madeira fedorentas de carnes apodrecidas de meses de utilização, nas colheres de pau ressumando mil aromas de mil pratos confeccionados nos últimos anos (não duvido de que um cozinhado feito com colher de pau tenha um sabor diferente; não sei é se o quero provar), que se engasgassem com o rissolito frito no óleo de origem incógnita e número indefinido de utilizações. Ah, e já me esquecia dos baldes de despejos ao lado dos pratos de comer. Como sempre ouvi dizer, albarda-se o burro à vontade do dono.

Eu cá fazia assim: quem faz aqueles abaixo-assinados e manda mails ao Paulo Portas tinha umas prateleiras no supermercado à parte, com a designação "não controlado pela ASAE". Também se podiam criar restaurantes e cafés "livres de controlo da ASAE". Para nós, que nos preocupamos com a nossa saúde e queremos viver no século XXI, então ficavam as prateleiras, restaurantes e cafés com o dístico "controlado pela ASAE". Ficávamos todos contentes. Claro que nós por mais tempo.

Inaguração do Centro de Línguas (CLi) da FLUL

Foi ontem, 13 de Março de 2008, inaugurado oficialmente o CLi. Aqui deixo a mensagem de apresentação.


«Caros Alunos,
Caros Funcionários,
Caros Colegas,

No presente ano lectivo, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa passa a contar com o Centro de Línguas (CLi), criado pelos Conselhos Directivo e Científico e por diversos departamentos da FLUL.

O CLi tem por vocação a prestação de serviços nas áreas das línguas estrangeiras, respondendo a solicitações internas e externas. Visa ainda criar condições que favoreçam aprendizagens complementares, orientadas ou em autonomia, das línguas inseridas nos currículos da FLUL. Pretende também implementar a certificação de competências em línguas através de protocolos com instituições internacionais.

O CLi possui vários espaços onde vai desenvolver as suas actividades:
  • Uma sala situada no piso superior do Edifício Central da FLUL, utilizada para fins administrativos e para local de reunião dos seus órgãos;
  • Na cave, o CLi possui duas salas multimédia com recursos específicos para projectos pessoais e colectivos de aprendizagem de línguas. No conjunto, estas salas estão equipadas com um total de 40 computadores equipados com o software Netop School que permitirá introduzir novas práticas pedagógicas na FLUL.

Estes espaços servem fins tão diversos como o trabalho de tutoria ou a prática do ensino à distância. O CLi coloca ao dispor da comunidade da FLUL estes recursos, que poderão ser utilizados mediante requisição. Para divulgar e promover a sua utilização, prevê-se a realização de acções de formação e treino, em data a indicar no futuro.

As inscrições para os cursos de línguas decorrerão a partir de Janeiro e o início das actividades do CLi está agendado para Março 2008. Brevemente, o CLi também disporá dum sítio na Internet, que permitirá um melhor acesso ao seu plano de actividades.

Os membros da Comissão Executiva do CLi estão abertos a sugestões e opiniões que ajudem a definir as áreas onde é mais urgente intervir. Qualquer contributo poderá ser enviado para o endereço electrónico cli@fl.ul.pt.

Os membros do CLi desejam-lhe um Ano Feliz.

Agradecendo a atenção, subscrevo-me, em nome da Comissão Executiva, com os melhores cumprimentos.

Lisboa, 4 de Janeiro 2007
Guilhermina Jorge»

Mais informações e folheto de inscrição aqui:
http://www.fl.ul.pt/agenda/pdf/Folheto_CLi.pdf

quinta-feira, março 13, 2008

Porque é que eu não mando vir coisas da FNAC.pt

Na Segunda, dia 10 de Março de 2008, encomendei na Amazon.co.uk a Key to a New Arabic Grammar, de John A. Haywood e H.M. Nahmad. Ficou-me em 24,92£ (32,50€), já com os portes de envio. O prazo de entrega foi britânico. Só hoje, dia 13 de Março de 2008, vim à faculdade, e lá estava a minha Key, no meu cacifo. Se só chegou hoje, foram 3 dias desde o pedido. Portanto, mandar vir de Londres é mais rápido do que mandar vir da FNAC ali em Lisboa. Com efeito, das duas vezes em que mandei vir coisas da FNAC.pt, nunca esperei menos de uma semana. Da Amazon.co.uk nunca esperei mais de 4 dias. E note-se que estou apenas a comparar com artigos disponíveis na FNAC no momento do pedido. Se tiverem de mandar vir, o período de espera pode ser de meses. Mais vale mandar vir da Amazon, mesmo da norte-americana. Mais rápido, mais barato, serviço melhor.

terça-feira, março 11, 2008

A herdeira


Quando olho para as prateleiras que já me deixam pouco espaço em casa, vergadas (não é figura de estilo) sob o peso de alguns milhares dos livros que fui juntando desde a infância (muitos perderam-se ou foram emprestados, o que vai dar ao mesmo), tenho sempre um aperto na alma. Para onde irão, quando eu morrer. Se for em breve, serão partilhados entre a minha mãe e os meus irmãos. Se contudo prevalecer a estatística e só me libertarem daqui a uns 40 anos, fico sem saber o que lhes fazer. Filhos não tenho, e vir a tê-los é tão improvável como o Porto ser condenado com descida de divisão na sequência do Apito Dourado. Restam-me os sobrinhos, os que já cá estão e os que poderão vir a nascer. E nisso reside a minha esperança. A Carolina, do alto dos seus caprichosos 2 anos e meio, até agora tem-se revelado uma bibliómana capaz de me vir a fazer frente. Não vai para lado nenhum sem um livro, que prefere a qualquer brinquedo, mesmo se tiver poucas ou nenhumas imagens, e mais do que pedir-nos para desenhar, pede-nos para escrever.

Ontem foi pela segunda vez à Bertrand de Torres Vedras comigo. Na primeira vez foi a surpresa. Não sabia que havia lojas de livros. Ontem, mal vislumbrou a porta da livraria começou a dar guinchos de alegria, como só lhe tinha ouvido uma ou duas vezes. Correu para dentro da livraria e lançou-se, literalmente, aos livros infantis. Sentou-se, com um molho debaixo de cada braço, na mesinha colorida da secção infantil, e só com muitas súplicas a consegui arrancar de lá. É neste momento a candidata mais bem colocada para herdar estes milhares de livros que me tiram o sono. No melhor dos sentidos.

domingo, março 09, 2008

Forza Zapatero!

Em dia de eleições gerais em Espanha, este blogue de esquerda, da esquerda moderada, não podia deixar de manifestar aqui o desejo de uma vitória inequívoca do PSOE de Zapatero. Zapatero presidente!

sábado, março 08, 2008

O livro do Pedro

Com texto e ilustração de Manuela Bacelar, O livro do Pedro é uma história que, num mundo perfeito, seria apenas mais uma história infantil. Mas este não é um mundo perfeito. O preconceito, a estupidez e a estreiteza de espírito (passe a redundância) ainda dominam uma parte significativa da população. A Maria tem dois pais, o Pedro e o Paulo. Num mundo ideal isto seria banal, já o disse. Mas não é. E como não é, aqui fica o registo e o aplauso.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Allez Meneses!

A entrevista do líder do PSD à SIC demonstrou que estávamos todos muito enganados quando atribuíamos a Santana Lopes o troféu de bobo da corte do regime. Luís Filipe Meneses relega Santana à categoria de aprendiz, para gáudio de todos aqueles que, como eu, querem o PSD longos anos fora do governo. Sócrates não podia desejar melhor líder da oposição. As afirmações sobre a retirada da publicidade da RTP andam muito perto do hilariante, tendo provocado desconforto dentro do PSD mais sério, pelo seu ridículo e irresponsável. A ideia de proibir os médicos de exercer no público e no privado assume já foros de motivo para inimputabilidade. Por mim acho lindamente que o mantenham muitos e bons anos à frente do PSD, embora receie que ele nem chegue a 2009.

sábado, fevereiro 23, 2008

I beg your pardon?


A propósito das primárias Democratas nos Estados Unidos, um rapazola aparecia numa reportagem televisiva repetindo o absurdo lugar-comum de que com mulheres no poder o mundo seria mais pacífico. Claramente nunca ouviu falar de chefes de governo como a britânica Margareth Thatcher ou a ucraniana-israelita Golda Meir, que lideraram os seus países em guerras (Malvinas e Yom Kippur). Já para não falar da turca Tansu Çiller, que durante o razoavelmente longo período de tempo em que foi primeira-ministra da Turquia (1993-1996, se a memória não me falha) investiu fortemente na renovação das forças armadas turcas e reforçou a ofensiva militar contra os separatistas curdos. Ou a paquistanesa Benazir Bhutto, por quem sempre tive uma simpatia muito especial, mas que enquanto foi chefe do governo do Paquistão não só deu apoio activo aos Taliban afegãos na sua tomada do poder em Kabul, vendendo-lhes armas, como inclusive enviou militares paquistaneses para os apoiar na guerra. Ora aqui temos um belo (*) leque de senhoras que chefiaram governos no mínimo belicosos. Só falta dizerem que com as mulheres no poder há menos corrupção.

Não se interprete este texto como sendo contra as mulheres. De modo nenhum. Não sou contra sexo nenhum. A minha visão do mundo não se divide em sexos, cor de pele, etnia, nada. Para mim uma pessoa vale por si mesma, e ser homem, mulher, amarela, negra, é a mesma coisa. Votar num político pelo sexo ou pela cor da pele é um absurdo escandaloso.

---
(*) Bem, tirando o camafeu da Meir, que era mais feia do que um general bêbedo, e a Thatcher, que no entanto na sua juventude deve ter sido uma bela rapariga.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Ai Deus e u é?

Quando Oliveira Martins foi designado presidente do Tribunal de Contas, a oposição, até aquela que quando é governo mete o pessoal todo em lugares de confiança política (o que é normal), bradou aos céus lamentos de virgens ofendidas, pondo em causa a honra de Oliveira Martins, jurando a pés juntos que ele ia para lá para fazer favores ao governo. Agora o mesmo Tribunal de Contas chumba o pedido de empréstimo da Câmara de Lisboa, destinado a acabar com a vergonha que são as dívidas do estado (neste caso a CML) aos fornecedores. A CML, presidida por um socialista, que fica assim em maus lençóis. Mas espera, então o Oliveira Martins não tinha ido para lá alegadamente para favorecer o PS? Há aqui qualquer coisa que me está a escapar...

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Eva


A minha sobrinha, de 2 anos e meio, jura a pés juntos e gritos convictos que a Eva Longoria, que viu fotografada neste cartaz, é a mãe do Ivo, colega da creche. Eu não tenho motivos para não acreditar nela, e já lhe dei um livro de autógrafos que espero ter amanhã devidamente assinado pela Eva.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Yes we can!



A eleição presidencial norte-americana há muito deixou de ser um assunto exclusivamente norte-americano, por razões tão óbvias que me dispenso recordá-las. Por isso parece-me legítimo tomar partidos, ainda que não tenhamos o direito de voto. Como homem de esquerda, aquilo a que os americanos chamam "liberal", o meu apoio vai sempre para os candidatos Democratas, do partido que mais perto está do socialismo democrático europeu. Por isso o meu primeiro instinto foi apoiar Hillary Clinton, reconhecida pelas suas tendências esquerdistas (à escala norte-americana, naturalmente). No entanto não fiquei imune aos encantos de Barack Obama. Há qualquer coisa naquele homem que me dá esperança. Por isso aqui fica o meu voto simbólico nas primárias Democratas: Obama!

quinta-feira, janeiro 31, 2008

FNAC? Não obrigado.

Cometi o erro de mandar vir um DVD via net, da FNAC portuguesa. Já uma vez tinha mandado vir um livro, por isso deveria estar prevenido. Mas resolvi dar-lhes uma segunda oportunidade. Em vão. As encomendas continuam a demorar cerca de uma semana a chegar, entre a feitura da encomenda e a sua recepção. Habituado à celeridade da Amazon.co.uk, que me entrega as encomendas em 3 ou 4 dias, não volto a cair no mesmo erro. A partir de agora, encomendas da FNAC só em desespero de causa. Ah, e nem sequer coloco a hipótese de mandar vir livros do estrangeiro via FNAC: ignorando evoluções e invenções como o comboio ou os automóveis e as estradas de asfalto, a FNAC portuguesa continua a mandar vir as encomendas via correio a cavalo, e a fazer a sua entrega em carroças puxadas por mulas por caminhos de cabras. Só assim se justifica os meses que uma encomenda demora a chegar...

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Cloverfield

Matt Reeves

Nunca tinha ouvido falar deste filme, e é com surpresa que descubro que tem sido um "hipe" cibernético nos últimos tempos. Mais: quando entrei na sala não fazia ideia do que me esperava. Escolhi este porque não me apetecia ver nenhum dos outros. Ainda bem que nunca tinha ouvido falar dele. Se soubesse à partida que se tratava de um filme-catástrofe, com um monstro a destruir (outra vez) Nova Iorque, o mais provável é que tivesse voltado para casa resmungando um "já não há pachorra".

Cloverfield é, no entanto, um filme excelente. Quem vai à espera de um Godzilla revisitado, desengane-se - e havia umas pessoas muito decepcionadas, atrás de mim, provavelmente mais habituadas a ver coisas menos exigentes. A câmera não pára. É uma câmera de mão. Uma festa de despedida. E de repente a electricidade falha e começam a cair prédios e pedaços da Estátua da Liberdade. Atentado? Sismo?

Depois é mais de uma hora de angústia e incerteza. O que é aquilo? De onde veio? E depois acaba-se a fita da cassete de vídeo.

Imperdível.

sábado, janeiro 19, 2008

Rins fritos



A minha irmã acha que eu não devia deixar a minha sobrinha ler Edgar Allan Poe. Eu ainda me tentei defender, alegando que entre Poe e Joyce, a sua primeira escolha, me tinha parecido mais apropriado à idade o primeiro. Mas a minha irmã mostrou-se irredutível, afirmando que agora já entendia porque raio a miúda tinha tentado emparedar o irmão, e que mal por mal preferia que ela ganhasse a mania de comer rins fritos.

sábado, janeiro 05, 2008

A mãe e o pai


A minha sobrinha, de 2 anos, afirma sem hesitar que este fresco de Pompeios (*), de que tenho uma reprodução no meu escritório, representa a mãe e o pai. Como classicista fico comovido e feliz: tão nova já reconhece os nossos pais.

---
(*) Pompeia é um galicismo incorrecto.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Dakar

O cancelamento do Dakar 2008 é uma vitória retumbante do terrorismo internacional, e uma derrota vergonhosa da liberdade e da democracia. Cedendo à ameaça, a organização abriu, além disso, uma caixa de Pandora de consequências imprevisíveis. Qual será o próximo grande evento a ser cancelado por causa de uma ameaça terrorista? Jogos Olímpicos? Europeu de Futebol?

Note-se que não há, nesta minha posição, qualquer parti pris. Acho o automobilismo execrável, e acho que é um alívio ver-me livre dos entediantes "resumos do dia", que bem podiam ser imagens de arquivo, para mim aquilo é sempre igual.

A propósito, alguém me explica porque é que se diz que este seria o 30º Dakar? Ora bem, ou a minha matemática já não é o que era, ou há aqui algum dado que me está a falhar: se a primeira edição foi em 1979 e nós estamos em 2008, é fazer as contas. 2008 - 1979 = 29. Não me enganei pois não? Ou falta aqui algum dado? Como disse não tenho pachorra para marmanjos a acelerar carros badalhocos, não sou muito entendido no assunto.

O sabor da cereja

طعم گيلاس
(Ta'm-e gilas)
Abbas Kiarostami

Badii quer morrer, e sabe como fazê-lo: tranquilizantes. Tem até uma sepultura cavada, à sombra de uma cerejeira, onde se deitará enquanto os tranquilizantes fazem efeito. Só há uma dificuldade: contratar alguém que o enterre. Um filme sobre solidão e desespero. Mais uma pérola de Kiarostami.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Elephant

Gus Van Sant

Elephant é mais uma pequena maravilha com que Gus Van Sant nos presenteia. Um murro no estômago, onde a violência é estética e a morte é limpa e rápida, como num jogo de computador.

Primeiro Ministro entre 1985 e 1995



O senhor Cavaco manifesta-se preocupado com a disparidade existente entre os salários dos gestores e os dos seus empregados. Só lhe fica bem este tipo de preocupações. Mas é pena ter-se estado nas tintas para o problema, agravando-o até, nos 10 anos 10 em que foi chefe do Governo.

http://dn.sapo.pt/2008/01/02/nacional/presidente_critica_altos_salarios_ge.html