Estou a ver o debate da SIC sobre o referendo de 11 de Fevereiro. Mas sem a Laurinda Alves a fazer caras e amuos aquilo não tem graça nenhuma.

As bichas de horas na Gulbenkian nos últimos dias da exposição do Amadeo de Sousa Cardoso, mais do que uma inusitada apetência pela cultura do povo português, demonstra de novo em todo o seu esplendor esta característica nacional que tanto nos tem afundado: deixar tudo para a última hora. É que se o motivo fosse mesmo o desejo de cultura, teria havido bicha durante as outras semanas em que a exposição este patente. Mas não: de todas as vezes que passei por lá, não via mais do que 2 ou 3 pessoas (em dias bons) a rondar o acesso da dita cuja exposição.
Tenho de dizer que também acho que o doutoramento honoris causa do Cavaco é um momento negro da história da Universidade de Goa. Não pelos mesmos motivos dos manifestantes nacionalistas, no entanto.

As imagens entretanto divulgadas da execução de Saddam são uma demonstração eloquente (demasiado até) da brutalidade, da desumanidade, da violência, da carga vingativa da pena de morte. Saddam foi um monstro, um bruto desumano. Mas o Estado não se lhe pode igualar praticando uma acção criminosa equivalente. Pena de morte não é justiça, é vingança. Ontem foi um dia triste na História recente.
A confirmação da condenação à morte de Saddam Hussein revela que o "novo Iraque" ainda tem muito que aprender, para se distanciar do "velho Iraque" de Saddam, e aproximar-se das regras civilizadas e humanitárias. Com a previsível execução de Saddam o novo regime desce ao nível da antiga ditadura, revelando chocante e total desrespeito pelos mais elementares direitos humanos. Saddam é um monstro, um assassino, um criminoso. Ninguém no seu perfeito juízo duvida disso. Mas enforcá-lo não é justiça, é vingança. E infelizmente não me espanta que os EUA, que, ao lado da China, Irão, Arábia Saudita e outras companhias do mesmo calibre que mantêm a pena de morte, se alegrem com a sentença.
Lendo as notícias que dão conta da recusa da Igreja Católica em celebrar funeral religioso a Piergirogio Welby, o italiano que finalmente conseguiu morrer, depois de anos de sofrimento atroz, não sei se hei-de ficar revoltado, se repugnado, se agoniado, se enjoado, se indignado, se tudo junto. Não é que eu dê demasiada importância aos rituais fúnebres cristãos. É que essa Igreja Católica que recusou funeral a um homem que só quis deixar de sofrer foi a mesma que abençoou o funeral do carniceiro Pinochet. Foi a mesma que tem abençoado ou calado os crimes de tantos outros ditadores ao longo dos tempos por todo o mundo (é verdade que tem denunciado outros tantos, mas...). É por isso que não sei se hei-de ficar revoltado, se repugnado, se agoniado, se enjoado, se indignado, se tudo junto.
Não há coisa mais deprimente do que os telejornais da época de Natal, com reportagens com coitadinhos e desprezados da vida, com que só se preocupam durante estes 2 ou 3 dias do ano. A RTP costuma ser um oásis (murcho, é certo) neste panorama pindérico-natalício. Mas ontem desceu ao nível de uma SIC (mas ainda longe, felizmente, de uma TVI), com uma inenarrável reportagem nas urgências de um qualquer hospital de Lisboa. A "jornalista" raptou uma senhora de idade, e faz-lhe a seguinte pergunta: "Porque está aqui?". A sério. Compreendo que não acreditem em mim, eu também não acreditaria. A velhota olhou para ela, incrédula, e disse "Ora, porque estou doente!", acompanhando as palavras com uma expressão facial que diz "porque é que havia de ser, ó parva?". Para perguntas estúpidas, respostas estúpidas.

A Juventude Socialista, autora do projecto aprovado no parlamento em 1998 mas depois "desaprovado" pelos senhores Marcelo e Guterres conluiados, faz de novo campanha pelo SIM, num registo sereno e sem histerias. Na sua página disponibiliza um útil argumentário.
Lá queimaram o porco fascista de Santiago. Eu não me teria lembrado de melhor destino a dar à besta. Bom, talvez lhe lançasse o corpo imundo para uma vala comum, ou em alto-mar, mas isso seria vingança, pois repetiria o que ele fez aos outros. E eu não sou pela vingança, sou pela justiça. Por isso, e apesar de a justiça não ter sido eficaz e rápida em vida, talvez tenha sido melhor assim, queimar-lhe as entranhas nojentas e poupar a terra aos fluidos e fedores do seu corpo decomposto.


Aparecem cada vez mais cedo os anúncios prometendo emagrecimentos miraculosamente rápidos. Dantes apareciam mais pela Primavera, agora é durante o ano todo. Há dias reparei num que prometia a perda de 35 quilos "sem esforço". Ora o problema está precisamente aí: perder peso sem esforço é uma miragem, e na generalidade dos casos esses tratamentos redundam num ganho de peso ainda maior, a médio prazo, mesmo que no intervalo se tenham realmente perdido os quilos prometidos. Perder peso implica força de vontade e esforço. A sensação com que fico é a de que se pretende fazê-lo sem sacrifícios, comendo de tudo (e muitos promentem-no) e não levantado o rabo do sofá.Cerca de 30 quilos (a menos) depois, achei que tinha graça ir para um ginásio, e consultar um nutricionista a ver se estava a fazer bem as coisas. A nutricionista achou que eu estava a comer pouco, mas que no essencial estava a fazer as coisas bem. O ginásio é uma maravilha, e já perdi bastante massa gorda, que no entanto não se nota muito no peso (menos 5 quilos em 3 meses), pois é acompanhada de um aumento significativo da massa muscular. Mas nota-se, e muito, na silhueta e na roupa. Menos 12 números de calças, em 9 meses.
Conseguiria os mesmos resultados se continuasse a fazer uma dieta irregular e a não levantar o rabo da cadeira senão para as operações mais essenciais? Evidentemente que não. Até podia passar uma fomeca durante uns tempos, como fiz em 2000, e perder uns bons quilos, mas depois voltava tudo ao mesmo ou a pior, como veio a acontecer. Agora já estou a fazer a minha alimentação normal, em quantidades até superiores ao que fazia - mas com mais qualidade - e o peso não só não aumenta como até continua a descer a um ritmo constante.
Mas o mais importante é mesmo a perseverança e a força de vontade. Antes de avançar para esta solução, tinha feito uma "dieta" daquelas em que se vai dando facadinhas diárias, e exercício físico só mesmo o de carregar nos botões do comando da TV ou dos teclados do computador e telemóvel. Ainda assim perdi 2 quilos. Num ano e meio. Não, assim não se vai lá.
Não estou a vender produtos nem penso abrir clínicas de emagrecimento. É que já começa mesmo a ser maçador estar a explicar várias vezes por dia como é que consegui perder 35 quilos em 9 meses, agora vou passar a andar com uns papelinhos, tipo cartão de visita, com o URL deste texto, e quando alguém me abordar com a pergunta do costume, despacho-o/a com um "ora faxavor de ver aqui neste URL o segredo da minha linha".
Dixi.
O ainda secretário-geral das Nações Unidas vem dizer que a situação no Iraque é hoje muito pior do que nos tempos de Saddam, e que se assiste a uma guerra civil. Ai é? Olha, tem graça, ainda ninguém tinha reparado nisso.
O papa Ratzi deu uma volta radical na sua posição em relação à adesão da Turquia à EU. Depois de ter afirmado, enquanto era apenas cardeal Ratzi, que a entrada na Turquia era um erro, vem agora, já papa, afirmar precisamente o contrário, de acordo com as notícias que correm insistentemente, e ainda não desmentidas nem oficiosa nem oficialmente.
Retirado de um Resúmen de Urbanidad para las Niñas, de uma tal Pilar Pascual de Sanjuán, que devia ser uma chata de primeira, publicado em 1920:
Ouço o inefável Duarte Pio, impropriamente designado "Dom" por algumas pessoas, dizer que a República atrasa Portugal, e que não vota nas presidenciais porque o presidente se faz alguma coisa atrapalha o governo, se não faz, então não serve para nada. Bom, então se chegasse o infausto dia em que o Duarte fosse rei? Se fizess alguma coisa atrapalharia o governo? Se não fizesse nada, que estaria lá a fazer?
Ribeiro e Castro diz que achou a entrevista do Cavaco muito positiva. Podemos, portanto, assumir que também considera muito positiva a acção do Governo, pois foi basicamente isso que o Cavaco veio dizer.
O programa "Opinião Pública" da SIC-Notícias costuma ser um festival de populismo, demagogia e ignorância por parte da generalidade dos espectadores que telefonam. Mas hoje, em que se debate a entrevista do Cavaco à SIC, tem sido especialmente divertido e esclarecedor. As reacções despeitadas e desiludidas dos ppds e dos votantes do Cavaco ao apoio inequívoco dado ao governo pelo presidente mostram que realmente a eleição de Cavaco obedecia a objectivos revanchistas, por parte da generalidade dos seus apoiantes. Queriam não um presidente, mas um líder da oposição em Belém. Isto apesar das garantias em contrário dadas pelo Cavaco durante a campanha. Não acreditaram (e eu também não), mas parece que afinal estávamos todos enganados. A solidariedade do presidente com o governo parece ser total, e ainda vamos ver o PS a apoiar a sua reeleição (cruzes credo) - o que faria com que, pela primeira vez na vida, eu votasse contra as orientações do partido.
O discurso de Helena Roseta no congresso do PS é uma bênção, e fez-me lembrar de novo por que razão sou socialista, por que razão sou de esquerda, por que razão sou militante do PS. Sublinho também as suas palavras, quando diz que o facto de se ser crítico de algumas opções do governo não significa que se seja oposição interna.
Segundo estudo da Eurosondagem (que, como só tem um "s", se deve ler "Eurozondagem"), se se realizassem agora eleições, o PS venceria facilmente, apenas com uma ligeira queda de menos de 2% em relação às eleições de 2005. É notável que um governo que tem tomado várias medidas difíceis e impopulares, que tem enfrentado grande contestação na rua, ainda assim se mantenha no limiar da maioria absoluta, deixando o maior partido da oposição a mais de 10 pontos percentuais. Que isto sirva de motivação a José Sócrates, que vê a sua popularidade cada vez mais reforçada, para continuar o seu caminho, sem inflexões. Uma nota final para a maneira como a SIC apresenta a notícia, com um "PS em queda" em título. Um título destes levaria a crer que o PS tinha dado um tombo nas intenções de voto, situação aliás normal, tendo em conta as medidas impopulares. Mas depois vai-se a ver e afinal a "queda" é de menos de 2% em relação às eleições de 2005, e de menos de 1% em relação à última sondagem - valores dentro da margem de erro. Parece clara a intenção da SIC, já manifesta nos comentários e apartes dos jornalistas que fazem a cobertura do congresso de Santarém. Mais profissionalismo, é o que se pede!
Apesar de as recentes eleições terem sido vencidas pela conservadora Convergència i Unió (CiU), o novo governo catalão será uma coligação tripardida, formada pelo Partido Socialista da Catalunha (PSC), Esquerda Republicana (ER), e Iniciativa pela Catalunha, Verdes-Esquerda Unida e Alternativa (ICV-EU-iA). O chefe do governo será o socialista José Montilla. O Pesporrente manifesta o seu agrado por mais esta vitória da esquerda
É certamente ousado classificar o Partido Democrático dos EUA como um partido de esquerda. É, no entanto, a categoria onde mais facilmente se encaixa, quando se tenta classificá-lo de acordo com a taxonomia política europeia. Está mais perto do Labour do que dos Tories, se a comparação for feita com a política britânica.