Há quem chame a Manuela Ferreira Leite "dama de ferro". Injustamente. É que uma mulher que, enquanto foi ministra, demonstrou e assumiu um total desprezo pelos mais necessitados, congelando salários e proibindo renovação de contratos, entre outras malfeitorias; uma mulher que transformou uma crise orçamental numa profunda crise económica, com as suas medidas "estúpidas" (palavras da própria), de que ainda não saimos, e deixando o défice orçamental muito acima do que encontrou; uma mulher que tentou (não passou de intenções) controlar o défice com medidas extraordinárias, aumentando ao mesmo tempo a despesa pública - uma mulher dessas quando vem agora armar-se em paladina dos pobres e dizer que o que tem de se cortar (mais?!) é a despesa, uma mulher destas não é de ferro. É de pau. Como a sua cara. De pau.quinta-feira, junho 26, 2008
A dama de pau
Há quem chame a Manuela Ferreira Leite "dama de ferro". Injustamente. É que uma mulher que, enquanto foi ministra, demonstrou e assumiu um total desprezo pelos mais necessitados, congelando salários e proibindo renovação de contratos, entre outras malfeitorias; uma mulher que transformou uma crise orçamental numa profunda crise económica, com as suas medidas "estúpidas" (palavras da própria), de que ainda não saimos, e deixando o défice orçamental muito acima do que encontrou; uma mulher que tentou (não passou de intenções) controlar o défice com medidas extraordinárias, aumentando ao mesmo tempo a despesa pública - uma mulher dessas quando vem agora armar-se em paladina dos pobres e dizer que o que tem de se cortar (mais?!) é a despesa, uma mulher destas não é de ferro. É de pau. Como a sua cara. De pau.quarta-feira, junho 25, 2008
Xixis
Enquanto fazia xixi pernas abaixo na secção infantil da Bertrand de Torres Vedras, a minha sobrinha Carolina (a caminho dos 3 anos) manifestou hoje a sua independência em relação aos grandes grupos editoriais. Depois de bem espalhado o seu protesto na carpete, olhou para mim como se à espera de que a apoiasse, no mínimo com comportamento idêntico. Mas eu sou um vendido, e portanto peguei nela ao colo, pedindo entre dentes aos meus santinhos ateus que ninguém reparasse na conspícua poça indignada, rosnei um "amanhã no mesmo sítio à mesma hora" apressado ao Philip Roth que ando a namorar, cuspi sorrisos subservientes aos empregados, e saí, embebido em xixi contestatário, a correr em direcção ao fraldário.terça-feira, junho 24, 2008
Sit terra tibi leuis
Conta o Público que um guarda israelita se suicidou quando Sarkozy e a sua mulher subiam para o avião, depois de uma visita a Israel. Eu também não sei se me aguentaria, depois de aturar o casal mais piroso e insuportável da política internacional.
domingo, junho 22, 2008
ما شاء الله
Ouço e leio intervenções públicas do sr. Cavaco desde 1985, e ainda ando em tratamento psiquiátrico por causa disso, mas não queria deixar de assinalar as palavras que lhe li hoje. É que é a primeira vez em 23 anos que concordo com ele ponto por ponto, letra por letra. Nestes tempos de ignorância e caça às bruxas (já faltou mais para as fogueiras) é sempre bom ler palavras lúcidas e inteligentes, mesmo vindas de quem vêm.sábado, junho 21, 2008
Ensaio sobre a incompetência

Quanto pensava que já tinha visto de tudo no que respeita à inventiva de alguns tradutores portugueses, eis que me deparo com esta pérola que é o título "Ensaio sobre o ciúme" para a espantosa "Sonata Kreutzer", de Lev Tolstói (rebaptizado Leon, nesta tradução...). A coisa é editada pela "Coisas de Ler", e não vi quem traduzia.
A obra, recorde-se, é intitulada "Крейцерова соната" (Kreitserova sonata), no original russo. Não há dúvidas, não há ambiguidades. "Sonata Kreutzer". Limpinho. Apesar disso, o(a) tradutor(a) resolveu ignorar o título original e pelo qual é conhecida em todo o mundo, e inventou um "Ensaio sobre o ciúme" que é a sua interpretação pessoal do conteúdo da obra. Eu gostava de saber o que acharia o(a) tradutor(a) se, seguindo o seu exemplo, aparecesse agora uma tradução francesa de "Os Maias" intitulada "Essai sur l'Inceste". Absurdo, não? Idiota, não? Não menos do que chamar à fabulosa "Sonata Kreutzer" "Ensaio sobre o ciúme".
Há outro pormenor significativo e revelador do calibre desta edição: na ficha técnica, diz-se que o título original é "The Kreutzer sonata". Das duas uma, ou foi descoberta alguma versão inglesa escrita pelo próprio punho de Tolstói, ou então trata-se de uma pateta (mais do que patética) confissão do tradutor e/ou do editor de que, ao contrário do que manda o bom senso, a qualidade e o respeito pelos leitores, esta tradução é em segunda mão. Se uma tradução é, à partida, uma versão imperfeita do original, uma tradução de uma tradução é como uma fotocópia de uma fotocópia: acentuam-se os inevitáveis erros, afasta-se irremediavelmente do original.
Não desespere, porém, quem ainda não leu esta obra extraordinária, e, como eu, tem a desdita de não saber russo. Além de traduções inglesas de grande qualidade e quase de graça, feitas sobre o original russo e respeitando-lhe o título, há a tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra, obviamente directa do russo, na Relógio d'Água. Parece-me já ter visto por aí uma tradução do António Pescada, mas não posso garantir. A Guimarães também tem uma tradução respeitando o título, talvez seja a do Pescada.
Desorientações
Enquanto beberricava ontem o meu chá matinal, no café aqui do prédio, deixei cair inadvertidamente os olhos sobre a manchete do Correio da Manhã. Escarrapachava que as "visitas íntimas" homossexuais passariam a ser permitidas nas prisões portuguesas. A ILGA veio logo toda contente aprovar a medida. Eu também aprovo, como é evidente. Mas não deixo de lamentar que tenha de haver uma lei para isto. Numa sociedade normal a lei das "visítas íntimas" não teria de explicitar a orientação sexual das pessoas. O problema parte daí. Se não o fizesse, não seria necessário vir esta nova legislação. Mas nós ainda vivemos, infelizmente, numa sociedade obcecada pela orientação sexual. E isto tanto é válido para os legisladores como as as associações do género da ILGA.
A notícia vem referida também no Público.
A notícia vem referida também no Público.
Estabilização
De cada vez que fazia este teste, ao longo dos anos, ia-me chegando mais à esquerda. Agora, e quando caminho a passos largos para os 40, parece que estabilizei. Não sei é se isso é bom ou se é mau.
terça-feira, junho 17, 2008
İkinci Viyana Kuşatması
Na sequência da sensacional vitória turca sobre os checos, o jogo que mais me alegrou neste europeu, um adepto turco eufórico gritava "agora vamos até Viena". Não deixaria de ser uma divertida ironia da História.
segunda-feira, junho 16, 2008
Bloomsday
quinta-feira, junho 12, 2008
Só se for para os seus
«Citando padre António Vieira, o Presidente desafiou ainda: "saibamos nós, os portugueses de hoje, honrar a sua memória e acreditar, como ele acreditou, nessa História do Futuro, a História que desejamos para os nossos filhos".»
Notícia tirada daqui.
Como eu suponho que o sr. Cavaco leu a História do Futuro, suponho também que, como Vieira defende nesse texto, o sr. Cavaco acha que Portugal é uma nação superior eleita e protegida por Deus, a quem está destinado o domínio sobre todas as outras nações, liderando o mundo cristão contra o Islão. Não é essa a História que eu desejo para os nossos filhos. Porque eu não acredito em impérios, e prezo demasiado a tolerância e a convivência inter-cultural. É que como o sr. Cavaco devia saber (não é assim tão transcendente), a História do Futuro tem um contexto histórico muito preciso, dificilmente exportável, pelo menos por pessoas de bem, para fora do século em que foi escrita. A não ser que o sr. Cavaco não tenha lido, e que se tenha limitado a arrotar umas postinhas de pescada sussurradas por algum assessor que ou é alucinado ou também não leu, e nesse caso trata-se de uma tremenda, escandalosa desonestidade intelectual.
Já agora, e embora não venha na História do Futuro, fica aqui uma citaçãozinha de Vieira, na corrente do que escreveu na História do Futuro.
«Em Espanha verá o rei de Portugal ressuscitado, e Castela vencida e dominada pelos portugueses. Em Itália verá o Turco barbaramente vitorioso, e depois desbaratado e posto em fugida. Em Europa verá universal suspensão de armas entre todos os príncipes cristãos, católicos e não católicos; verá ferver o mar e a terra em exércitos e em armadas contra o inimigo comum. Na África e na Ásia, e em parte da mesma Europa, verá o Império Otomano acabado, e El-Rei de Portugal adorado Imperador de Constantinopla. Finalmente, com assombro de todas as gentes, verá aparecidas de repente as dez tribos de Israel, que há mais de dois mil anos desapareceram, reconhecendo por seu Deus e seu senhor Jesus Cristo, em cuja morte não tiveram parte.»
Padre António Vieira, Carta ao padre André Fernandes,
29 de Abril de 1659
Edição de J. Lúcio de Azevedo, INCM
29 de Abril de 1659
Edição de J. Lúcio de Azevedo, INCM
quarta-feira, junho 04, 2008
quinta-feira, maio 29, 2008
As freiras do Bugio
Juro que por momentos pensei que esta notícia do Público fosse sobre um eventual ataque da hierarquia católica contra o meritório esforço de laicização do país feito por este governo. Sei lá, que se tivessem barricado no Bugio (o de Lisboa), preparando um bombardeamento de terços e crucifixos. Não me parece assim tão improvável.Leak source
Volta e meia vou verificar a pasta de "spam" do meu servidor de email, a ver se não terá ido lá parar algum email a sério indevidamente. Olho para os assuntos e para os remetentes, salvo o que eventualmente estiver fora do sítio, e apago o resto com um só clique. Noto, porém, que a cada dia que passa cresce o número de emails a prometer que me aumentam o sexo. Não o sexo em termos abstractos, mas concretos (não é que isso seja tão relevante como o facto de ter feito a distinção possa levar a pensar, pois a verdade é que eu bem precisava de um aumento de ambos, sobretudo do primeiro). Isto leva-me a pensar que há por aí algum(a) "ex" ressabiado(a) a divulgar pormenores da minha infeliz anatomia na esperança de me embaraçar. Ou então sou eu a ficar ainda mais paranóico. Em ambos os casos a situação é preocupante.segunda-feira, maio 26, 2008
Viva
Diz que o Lidl já acabou com o racionamento de arroz que impedia que um cliente comprasse mais de 10kg. Que bom! Agora já posso comprar os meus 11kg diários.P.S.: quando é que o Modelo acaba com o racionamento de bananas, para eu poder comer os meus 11kg diários?
Feira do Livro
Ao contrário do que se passou nos últimos anos, a Feira do Livro de Lisboa teve muita publicidade. Gratuita e má, mas teve. Nos últimos anos, e apesar de a APEL jurar o contrário (e sem corar!), não houve mais publicidade do que uma outra notícia de duas linhas no canto esconso de um ou outro jornal. De resto, e tal como este ano, nem cartazes, nem campanhas televisivas. Este ano houve, porém, toda a polémica que se sabe, e que teve uma grande virtude: pela primeira vez em muitos anos, toda a gente ficou a saber que e quando abria a Feira do Livro. O resultado esteve à vista ontem: à cunha. É verdade que era Domingo. Mas devo ter visto lá ontem mais gente do que em todos os domingos juntos dos últimos 3 ou 4 anos.
Foto: a colheita de ontem.
sábado, maio 24, 2008
Os demagogos
Ao ver o Paulo Portas no seu registo histérico-histriónico em Badajoz reclamar pelo facto de os combustíveis serem mais baratos em Espanha, por causa (mas não só) da carga fiscal, vem-me uma pergunta à cabeça: não é este o mesmo senhor que esteve no governo durante 3 penosos anos? Porque é que não fez, enquanto governante, o que exige agora ao actual governo?
A gasolina e os cafés
Na minha praceta há 3 cafés.
O mais antigo tem hoje muito menos gente do que era habitual. Ainda me lembro de o ver apinhado, à noite, e sempre muito composto de dia, mesmo depois de o do meio ter aberto, mesmo depois de o mais recente ter aberto. Vai-se mantendo porque tem uma clientela fiel, ligada por fortes laços de amizade aos donos.
O do meio tem duas portas que dão para os dois lados do prédio. Em cada uma um malcriado papel a berrar "É proibido fazer do café passagem". Antes de o papel estar afixado já o café estava quase vazio. Agora está permanentemente vazio. A dona e a empregada passam o dia à porta, na rua, a fumar cigarros entediados. O declínio deste café, que já foi concorridíssimo, começou quando os donos, desrespeitando ostensivamente toda a vizinhança, começaram a fazer festanças pela noite dentro, ao Sábado, com música no máximo e muito, muito álcool a correr. Antes disso estava sempre à cunha. Quando havia futebol, rebentava pelas costuras. Agora já nem passa futebol. Não há ninguém para o ver.
O mais recente começou por ter uma clientela residual. Afinal o mais antigo e o do meio estavam no seu auge, sempre cheios de gente. Além disso, não tinha (nem tem ainda) SportTV, o que em dias de futebol é uma falha imperdoável. Depois foi fazendo a diferença, e roubando a clientela aos outros. Agora, mesmo sendo, de longe, o mais pequeno dos três, é o que tem sempre mais gente. A certas horas não há lugar sentado, e para se chegar ao balcão é preciso pedir licença com alguma veemência. Qual é o segredo? Um serviço exemplar. Se um empregado demora mais do que alguns segundos a atender o cliente, o patrão (que também serve, é apenas o primus inter pares dos empregados) chama-lhe imediatamente a atenção. Se o serviço é mal feito, o patrão é o primeiro a protestar. Além disso, o cliente aqui tem mesmo sempre razão, e qualquer eventual falha é compensada com abundantes e sinceros pedidos de desculpa por parte de empregados e patrão. Se acaso patrão e empregados estão a almoçar, não há ninguém ao balcão e um cliente entra, há sempre alguém que se levanta da mesa, rapidamente, sem maus modos, sem expressão de enfado, e atende com sorrisos. O cliente, além de ter sempre razão, é sempre o mais importante: se o patrão está a tratar com um fornecedor e aparece um cliente, não há hesitações: o fornecedor que espere, o cliente é atendido sempre em primeiro lugar, custe o que custar, doa a quem doer. Neste café é impensável a usual cena do empregado a lavar pachorrentamente chávenas de café enquanto os clientes esperam. E portanto este é o café mais frequentado da praceta. Mesmo sem a SportTV, a história e as dimensões dos restantes. Mesmo sendo o mais recente. Talvez por ser o único dos três que não funciona à portuguesa.
O mais antigo tem hoje muito menos gente do que era habitual. Ainda me lembro de o ver apinhado, à noite, e sempre muito composto de dia, mesmo depois de o do meio ter aberto, mesmo depois de o mais recente ter aberto. Vai-se mantendo porque tem uma clientela fiel, ligada por fortes laços de amizade aos donos.
O do meio tem duas portas que dão para os dois lados do prédio. Em cada uma um malcriado papel a berrar "É proibido fazer do café passagem". Antes de o papel estar afixado já o café estava quase vazio. Agora está permanentemente vazio. A dona e a empregada passam o dia à porta, na rua, a fumar cigarros entediados. O declínio deste café, que já foi concorridíssimo, começou quando os donos, desrespeitando ostensivamente toda a vizinhança, começaram a fazer festanças pela noite dentro, ao Sábado, com música no máximo e muito, muito álcool a correr. Antes disso estava sempre à cunha. Quando havia futebol, rebentava pelas costuras. Agora já nem passa futebol. Não há ninguém para o ver.
O mais recente começou por ter uma clientela residual. Afinal o mais antigo e o do meio estavam no seu auge, sempre cheios de gente. Além disso, não tinha (nem tem ainda) SportTV, o que em dias de futebol é uma falha imperdoável. Depois foi fazendo a diferença, e roubando a clientela aos outros. Agora, mesmo sendo, de longe, o mais pequeno dos três, é o que tem sempre mais gente. A certas horas não há lugar sentado, e para se chegar ao balcão é preciso pedir licença com alguma veemência. Qual é o segredo? Um serviço exemplar. Se um empregado demora mais do que alguns segundos a atender o cliente, o patrão (que também serve, é apenas o primus inter pares dos empregados) chama-lhe imediatamente a atenção. Se o serviço é mal feito, o patrão é o primeiro a protestar. Além disso, o cliente aqui tem mesmo sempre razão, e qualquer eventual falha é compensada com abundantes e sinceros pedidos de desculpa por parte de empregados e patrão. Se acaso patrão e empregados estão a almoçar, não há ninguém ao balcão e um cliente entra, há sempre alguém que se levanta da mesa, rapidamente, sem maus modos, sem expressão de enfado, e atende com sorrisos. O cliente, além de ter sempre razão, é sempre o mais importante: se o patrão está a tratar com um fornecedor e aparece um cliente, não há hesitações: o fornecedor que espere, o cliente é atendido sempre em primeiro lugar, custe o que custar, doa a quem doer. Neste café é impensável a usual cena do empregado a lavar pachorrentamente chávenas de café enquanto os clientes esperam. E portanto este é o café mais frequentado da praceta. Mesmo sem a SportTV, a história e as dimensões dos restantes. Mesmo sendo o mais recente. Talvez por ser o único dos três que não funciona à portuguesa.
A gasolina
Quando ontem à noite fui pôr gasolina na bomba que me está mais à mão, o serviço estava em modo pré-pagamento. Tudo bem, até me dava jeito, pois tinha uma notinha de 10€ no bolso, e tinha deixado a carteira em casa. Assim poupava-me à humilhação de me distrair, pôr mais de 10€ e depois ter de explicar na caixa que de facto só tinha 10€ no bolso, e que não sabia como resolver agora a situação.
Dirigi-me, pois, à caixa, para efectuar o pré-pagamento. Tinha uma boa meia dúzia de pessoas à frente. Admirado, deitei os olhos ao início da bicha, à espera de ver alguma senhora de idade a fazer uma tremenda confusão com os trocos. Mas não: o que vi foi o empregado deitado sobre o balcão, enquanto introduzia num terminal pachorrento os números que um senhor com ar de fornecedor lhe ia ditando com calma, muita calma. Decidi esperar 30 segundos, na esperança de que fosse uma operação rápida. Mas não. Os números iam sendo lentamente debitados e reintroduzidos, à medida que o empregado se enganava e tinha de recomeçar, ignorando os clientes à espera.
Irritado com esta falta de consideração misturada com muita incompetência, lembrei-me de que nada me prendia àquela bomba, e que o que não faltava na área era precisamente bombas. Revirei os olhos ostensivamente, suspirei com mais força do que o necessário, dei meia volta e fui-me embora. Os outros clientes continuaram portuguesmente à espera de que o fornecedor e o empregado continuassem o namoro. Alguns olharam para mim com olhos que diziam "então, é assim, eles têm mesmo de acabar isto, a gente espera". Antes de me meter no carro olhei para os cartazes, para saber que companhia era. Era a Galp.
É pena que este povo seja assim, que engula tudo, que ache que tudo é normal. Num país a sério com uma educação a sério estas operações seriam feitas de modo a não prejudicar os clientes. E se não o fossem, todos sairiam e dirigir-se-iam a outra bomba, como eu fiz.
Dirigi-me, pois, à caixa, para efectuar o pré-pagamento. Tinha uma boa meia dúzia de pessoas à frente. Admirado, deitei os olhos ao início da bicha, à espera de ver alguma senhora de idade a fazer uma tremenda confusão com os trocos. Mas não: o que vi foi o empregado deitado sobre o balcão, enquanto introduzia num terminal pachorrento os números que um senhor com ar de fornecedor lhe ia ditando com calma, muita calma. Decidi esperar 30 segundos, na esperança de que fosse uma operação rápida. Mas não. Os números iam sendo lentamente debitados e reintroduzidos, à medida que o empregado se enganava e tinha de recomeçar, ignorando os clientes à espera.
Irritado com esta falta de consideração misturada com muita incompetência, lembrei-me de que nada me prendia àquela bomba, e que o que não faltava na área era precisamente bombas. Revirei os olhos ostensivamente, suspirei com mais força do que o necessário, dei meia volta e fui-me embora. Os outros clientes continuaram portuguesmente à espera de que o fornecedor e o empregado continuassem o namoro. Alguns olharam para mim com olhos que diziam "então, é assim, eles têm mesmo de acabar isto, a gente espera". Antes de me meter no carro olhei para os cartazes, para saber que companhia era. Era a Galp.
É pena que este povo seja assim, que engula tudo, que ache que tudo é normal. Num país a sério com uma educação a sério estas operações seriam feitas de modo a não prejudicar os clientes. E se não o fossem, todos sairiam e dirigir-se-iam a outra bomba, como eu fiz.
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