segunda-feira, outubro 27, 2008

Futebol na Palestina


A selecção de futebol da Palestina jogou pela primeira vez na sua terra. O adversário foi outra equipa árabe a Jordânia, e o resultado um empate, 1-1. O resumo em vídeo pode ser visto na página do Público. Fica aqui a notícia, porque este blogue também se faz disto.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Torres Vedras . 2008.12.01


«Por duas razões se persuadem mal os homens a crer algumas cousas: ou por muito dificultosas, ou por muito desejadas; o desejo e a dificuldade fazem as cousas pouco críveis.»

Faz sentido

O PCP considera que as eleições nos Açores, onde o PS esmagou a concorrência com cerca de 50% dos votos e deixando o PSD a cerca de 20 pontos, são um "sinal de descontentamento com o governo nacional". Hm. Faz sentido.

sábado, outubro 18, 2008

Feio!

Tentei levar a Carolina, de 3 anos, a ouvir o Samuel Úria, na Livrododia, ontem. Prometi-lhe que havia um senhor a cantar. Ela pareceu gostar da ideia. Livro e música? Muito bem. O problema é que "estava muito alto". Descobrimos ontem que a Carolina tem medo de guitarras. Ainda tentámos mais duas ou três vezes, sempre que o Samuel largava a guitarra e conversava, entre canções. Mas logo que a música recomeçava, a Carolina puxava-me a mão. A última tentativa revelou-se uma inesperada manifestação política da minha sobrinha, que me fez muito feliz. Foi quando o Samuel manifestou o seu apoio ao John McCain. A Carolina, que se preparava para lhe dar mais uma oportunidade, estacou, indignada, puxou-me a mão mais uma vez, e forçou-me a abandonar a livraria ainda antes de o Samuel voltar a dedilhar a guitarra.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Boa e saborosa!

Folheando um livro infantil com a Carolina, de 3 anos, engasguei-me quando dei com esta pérola, que cito de cor: "a mulher, como a sardinha, quer-se boa e saborosa, e só depois pequenina". Eu não acho normal. Mas também é que verdade que depois da ameaça de me paparem o bacalhau, já espero tudo em livros infantis portugueses.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Uma questão de bom senso

Tenho de fazer uma manifestação de interesse, antes de entornar aqui a minha má disposição: adoro conduzir.

Até aos finais de 2006, isto é, até aos meus 35 anos, nunca me passou pela cabeça tirar a carta. Perante o espanto incrédulo dos que me perguntavam - perdão, que me exclamavam "porquê?!", sempre respondi que não me fazia falta nenhuma, que ia a todo o lado de transportes públicos ou a pé, que não era rico para gastar rios de dinheiro em impostos, revisões, combustível, prestações e mais um enorme etc. Sempre me mostrei insensível aos batidos argumentos da independência ("ai é uma independência") e à esfarrapadíssima desculpa dos maus transportes ("ainda se Lisboa tivesse bons transportes").

Mas nos finais de 2006, pouco depois de fazer 35 resistentes anos, decidi tirar a carta. A razão foi simples: estava num processo de mudança radical de vida, e além disso parecia-me evidente a necessidade de um carro para trazer os sobrinhos da escola. Arrastei-me durante mais de um ano, com várias pausas para descompressão mental, em insuportáveis aulas de código e em ligeiramente mais animadas aulas de condução. Lá tirei a dita cuja em Janeiro deste ano da graça de 2008, e, com carro novo e baratinho nas unhas, lá me lancei à estrada, para ver se afinal ficava assim tão independente e se os transportes públicos eram assim tão maus.

  1. A independência - Admito que o problema possa estar na definição de "independência". É que até agora eu não dei por nada. Com a excepção de duas saborosas (mas não indispensáveis) viagens ao Alentejo e Algarve num misto de trabalho e ócio, desde Janeiro ainda não dei por nenhuma independência. Ainda não fiz nada que não pudesse ter feito sem carro. Jantares de amigos, teatro, cinema. Nada. Continuei a ir de transportes públicos ou a pé, que é muito mais económico. Ainda fiz algumas experiências. Fui meia dúzia de vezes de carro para a faculdade, mas rapidamente me dei conta da tolice. Não compensa: é muito mais caro do que ir de autocarro, gasta-se o mesmo tempo a chegar lá (ou mesmo mais, em horas de ponta), e ainda se tem de procurar lugar para estacionar. Num jantar de amigos levei o carro. Sem qualquer necessidade e sem qualquer vantagem: além de ter ficado impedido de beber a belíssima vinhaça à vontade, gastei incomparavelmente mais dinheiro, perdi tempo e nervos à procura de lugar para estacionar, e no fim de contas ainda havia autocarros à hora em que me vim embora. Por isso continuo hoje, 10 meses depois de ter carta, a usar quase exclusivamente transportes públicos e a andar a pé. Abri apenas djuas excepções: primeiro, para as saídas nocturnas aqui em Torres Vedras, pois vivo a cerca de 3km do meu bar preferido, e não me apetece muito, depois da noitada, ainda fazer tal distância a pé. Independência? Nem por isso: tive de abdicar das cervejolas. É que se conduzir... A segunda excepção são as incursões ao supermercado com a minha mãe, e aí de facto é a única vantagem palpável de ter carta, e ir buscar os miúdos à escola, pois enfiar 2 pimpolhos de 2 e 3 anos num autocarro é tarefa para a qual os meus nervos não estão ainda calejados. Moral da história: não só não ganhei nenhuma independência, como perdi bastante, ao ter de deixar de beber socialmente quando uso o carro ("ai é uma independência!"), e sobretudo ao ter apertar o cinto para a prestação, para o seguro, para o combustível e para o imposto. Mas que grande independência que me saiu na rifa...

  2. Os transportes são mesmo maus? Não. Só pode dizê-lo quem nunca andou neles. Vejamos. Tenho autocarros a sairem de 7 em 7 minutos à hora de ponta, de 30 em 30 nas horas mortas, para Lisboa. A paragem é a 10 metros do Metro do Campo Grande, outros tantos a pé para a Faculdade - obviamente vou a pé. O percurso demora no máximo 40 minutos, sensivelmente o mesmo que o trajecto de carro - se não houver engarrafamentos na Calçada de Carriche, que o autocarro evita elegantemente, ao usar as faixas "bus". Para voltar para casa o ritmo de passagem de autocarros é o mesmo, e vai até às 00:30. Nada mau. Podia ser melhor, mas não é nada mau. Dá para jantares, cinema, teatro. Dir-me-ão que tenho a sorte de trabalhar ao pé da paragem do autocarro. É verdade. Mas a (má) experiência de me deslocar de carro em Lisboa para ir a outros sítios, uns mais centrais outros menos, diz-me que os transportes continuam a ser a melhor opção. A não ser que se seja como uma pessoa que eu conheço, que acha que ir do Metro do Campo Pequeno à Gulbenkian a pé é uma distância inaceitável. E aí parece-me que não há muito a fazer... E ainda que não fosse assim, há sempre o aspecto económico: não há calculadora que resista à comparação entre andar de carro e andar de transportes. O meu irmão, que às vezes vai para Lisboa de carro, disse-me em tempos, quando ia todos os dias assim, que gastava mais de 100€ por semana em gasolina, fora as portagens (cerca de 5€ por dia). Ora nessa altura o passe de 30 dias para Lisboa custava pouco mais de 100€... Mais palavras para quê?
Repito o que disse no início: adoro conduzir. Adoro. Por mim fazia viagens de 300km todas as semanas. No entanto ainda tenho algum siso. Pouco, mas tenho. E pouco dinheiro. E prezo a minha saúde. Por isso, se tiver de optar entre uma despesa insuportável em combustível e portagens, uma pilha de nervos diária com o pára-arranca, uma "renda" de prestação do carro e do seguro, uma barriga a crescer de sedentarismo, com os problemas de saúde daí decorrentes, por um lado; e uma despesa fixa e relativamente reduzida em passes, viagens descansadas a dormitar ou a ler, caminhadas a pé (as tais que me ajudaram a perder quase 40 kg em dois anos), então eu não hesito: o carro fica estacionado em casa, para ser usado só em ocasiões restritas e bem definidas. É por isso que pus 15€ de gasolina já não me lembro há quantas semanas, e o depósito continua confortavelmente fornecido.

Podia ainda falar dos benefícios ambientais desta opção, mas são tão óbvios que até um chimpanzé amestrado os entende, e portanto poupo o meu latim.

terça-feira, outubro 07, 2008

Adeus ó vai-te embora

Já é público que a FNAC acabou com os descontos de 10%. Acabou assim também com o único motivo que ainda me fazia ir lá.

sábado, setembro 27, 2008

تحدث معي بالعربية

cartaz01

Desenvolvimentos

Desenvolvimentos do caso PT: recebi uma carta da tal advogada que, em nome da PT, me ameaçava com tribunal por dívidas inexistentes, a dizer que na verdade eu não devia nada. Assim. Nem um pedido de desculpas. É a PT que temos. Hoje já veio um senhor reinstalar a linha. E eu estou a pensar seriamente desistir de vez da PT. Farto de faltas de respeito, má criação e incompetência.

terça-feira, setembro 23, 2008

A incompetência e a falta de respeito

Cópia de email enviado à DECO e à Portugal Telecom

André Filipe V. N. Simões
Associado da DECO nº XXXXXXXXXXX

Caros senhores

Em Maio do corrente ano, cansado de receber ameaças de ida a tribunal por parte da Portugal Telecom por faltas de pagamento na ordem dos 17€, apesar de até ter débito directo activado na altura, solicitei a desactivação da minha linha. Foi-me dito, então, que o pedido só seria atendido se, após um primeiro contacto da minha parte nesse sentido, através do preenchimento de impresso, houvesse uma posterior confirmação, desta vez após contacto feito pela PT. Esse contacto existiu, mas entretanto eu tinha mudado de ideias, pois acabara de fazer contrato com um fornecedor de ADSL, e para tal necessitava de ter linha telefónica. Expliquei isso mesmo à senhora da PT que me contactou, e o pedido de desactivação ficou assim sem efeito.

A empresa fornecedora de ADSL, a ZON, assegurou-me que eu de facto deixaria de ter telefone, mas a linha ficaria activa, e por sua conta, de modo a ter ADSL. De facto nunca mais recebi facturas da PT, mas continuei a receber ameaças de ida a tribunal por dever ninharias da ordem dos 17€, que ia pagando mansamente.

A última ameaça chegou-me no dia 11 de Setembro. Uma advogada ameaçava-me com ida a tribunal se não pagasse nesse mesmo dia 11 de Setembro uma quantia de cerca de 28€. Ainda que a carta viesse datada de 3 de Setembro, a verdade é que me chegou apenas no dia 11, e os correios não se costumam atrasar na minha zona (curiosamente só se "atrasam" nestes casos). Mas adiante. Tendo contactado o serviço de contencioso da PT e explicado a situação, foi-me dito que iriam ver o que se passava, e que me iriam contactar. Naturalmente não recebi qualquer contacto... A partir de dia 18, no entanto, notei que a minha linha tinha sido desactivada. A PT, portanto, atirou primeiro e nem sequer perguntou.

Dirigi-me no dia 19 à loja PT de Torres Vedras, e expus a situação, manifestando o meu desagrado e disponibilizando-me, ainda assim, para saldar a estranha dívida. Para meu espanto, a senhora garantiu-me que eu não devia nada, aludindo a uns crípticos "acertos", que não me soube explicar. Disse-me sim, sem conseguir disfarçar o embaraço, que a linha tinha sido desactivada por falta de pagamento, apesar de eu não dever nada. Rasgou até, teatralmente, uma factura que nem sequer tinha o valor da ameaça da advogada da PT e que alegadamente eu devia mas que misteriosamente tinha deixado de estar a dever no espaço de minutos.

Confirmou ainda que apesar de eu não dever nada, realmente a PT tinha pedido a uma advogada para me ameaçar com uma acção judicial caso eu não pagasse a dívida que não devia. Perplexo, pedi para me confirmar que a linha me tinha sido desactivada por falta de pagamento apesar de eu não dever nem um cêntimo, pois não podia acreditar no que estava a ouvir. Ela confirmou. Aludiu, em desespero de causa, ao tal pedido de desactivação que eu tinha feito há largos meses, e que, como lhe recordei, tinha sido cancelado após contacto da PT. Confirmou no meu processo que assim tinha sido, e regressou à versão inicial da falta de pagamento apesar de eu não dever nada. Monty Python? Não. PT.

Julgando-me mergulhado num enredo de Kafka, liguei para a linha de apoio da PT, onde uma solícita operadora me confirmou que a linha tinha sido desactivada por falta de pagamento, mas que eu não devia nada, nem um cêntimo. Abstive-me de comentários e resignei-me a esperar mais uns dias, até divorciar-me de vez da PT - agora até é mais fácil, com a nova lei.

Os dias passaram, e da PT nem um contacto. Liguei de novo para o contencioso, onde a mesma versão me foi relatada, e que repito porque por tão incrível e surreal receio não me acreditem: que a linha tinha sido desactivada por falta de pagamento, mas que eu não devia nada, nem um tostão.

Os telefonemas (feitos e pagos por mim) têm-se multiplicado, e a conversa é sempre a mesma. Que não devo nada à PT, mas que a minha linha de facto está desactivada por falta de pagamento. Da PT nem um contacto, nem uma satisfação, nada.

Hoje contactei de novo o serviço de apoio ao cliente da PT, e a história repetiu-se. O operador voltou a aludir ao pedido de desactivação de Maio, e de novo reconheceu que o mesmo tinha sido cancelado. Anunciou-me, porém, que já tinha indicação de que a linha seria reactivada, numa clara confirmação de que afinal eu tinha mesmo razão. Não me soube foi dizer quando se daria a tal reactivação, e não me garantiu que eu não tivesse de pagar as despesas de reactivação, apesar de não ter qualquer culpa numa situação que claramente se deve a falta de competência de alguém dentro da PT.

Da PT continuo sem receber um contacto que seja - eu é que tenho tomado a iniciativa, e toda a gente sabe que casamentos assim não funcionam. Não me deram cavaco quando me desactivaram sem razão a linha (tirando as ameaças da advogada), e cavaco não me deram quando decidira reactivar - mas sem data prevista.

Se eu fosse como a PT, ameaçaria com tribunal por danos morais e materiais inflingidos (afinal eles ameaçam-me com idas a tribunal por dívidas de 17€), mas eu tenho bom senso, e quero apenas dar a conhecer a situação, e solicitar junto dos senhores informações no sentido de saber o que fazer caso me sejam cobradas as despesas, e sobretudo se tenho direito a exigir compensação pelos danos causados pela empresa.

A referência da carta com as ameaças da PT é: XXXXXXXXXXX
O meu número de telefone (desactivado...): XXXXXXXXXXX

Com os meus melhores cumprimentos,
André Filipe V. N. Simões

quarta-feira, setembro 17, 2008

Os russos

Eu dizia que a música me tinha acabado na primeira metade do século XVIII. Ouvia especialmente os séculos XVI e XVII. Victoria, Monteverdi, Palestrina, J. S. Bach, Caccini, Morales, Guerrero, Haendel, Purcell, Lully, Charpentier, eu sei lá, tantos outros. Vá lá, mesmo sainda da barreira cronológica, ainda admitia um Mozart ou um Beethoven ou um Bomtempo. Eram as excepções, as tais que fazem a regra. Até dar uma segunda oportunidade a Tchaikovski, a Prokofiev, a Stravinski. Agora já não só os escritores.

sábado, setembro 13, 2008

Dress you up

Eu gostava dela nos anos 80, quando revolucionou a pop feminina, e usava rendas e crucifixos. Tinha o quarto forrado de posters, numa altura em que poucos assumiam gostar dela e muitos não a conheciam. Comprei-lhe todos os LP até ao True Blue. Comemorava-lhe o aniversário a cada 16 de Agosto. Fiquei desgostoso com a fase menos atrevida, exultei como se fosse uma ressurreição com o monumental clip Justify my love, na altura proibido em quase todo o mundo, hoje perfeitamente banal.

Agora tenho-lhe um tremendo respeito. Ao contrário de outras estrelas da sua época, não é cadente, não faz sempre a mesma coisa, não usa sempre a mesma receita. Ela é uma estrela em contínua ascenção, há mais de um quarto de século. Não gosto hoje da música dela, se calhar nem nunca gostei a sério, já não lhe compro os discos. Mas um dia destes volto a ter um poster dela em casa. Dos dos anos 80.

domingo, setembro 07, 2008

Uma questão de funcionalidade e estética

Uma das coisas que me levam ao desespero quando sou forçado a usar um computador com Windows (*) é a impossibilidade de alterar as configurações (só nos deixam mexer, e com cuidadinho, nas coisas mais básicas), mas também o aspecto. Não me refiro a mudar as cores ou outras minudências. Refiro-me mesmo a alterar radicalmente o aspecto e o funcionamento do sistema gráfico. O sistema Linux, pelo contrário, uma vez que separa com muita clareza o sistema gráfico do modo texto, permite que o utilizador escolha o sistema gráfico que lhe der na gana - ou nem escolha nenhum. E não estamos a falar de mudar cores e sons, repito. Estamos a falar de sistemas gráficos diferentes, com gestores de janelas diferentes, definições diferentes, filosofias diferentes - e que se podem alternar fazendo um simples "logout". Ainda que neste caso a imagem seja muito redutora, mostro o aspecto do meu ambiente de trabalho agora e há poucos dias, usando o sistema KDE e usando o sistema Gnome, ambos livres e gratuitos:

KDE


Gnome


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(*) Na faculdade, por exemplo, onde se gastam milhões em licenças todos os anos, quando há alternativas gratuitas que fazem o mesmo e melhor.

Paranoid Park


Paranoid Park
Gus Van Sant

O medo.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Já lhe chamaram tanta coisa

Certamente devido a denúncia de algum(a) amante despeitado(a), as minhas caixas de correio electrónico são bombardeadas diariamente com promessas de "penis enlargement". Quer dizer, não chego a vê-las na altura, pois o servidor trata de arrumá-las na caixa de "spam", silenciosamente. Isto é bom porque assim não me chateio, mas tem o inconveniente de o servidor, volta e meia, despejar nessa caixa emails sérios e até importantes. Como aquele de uma respeitável funcionária do Vaticano, que talvez por ter nome de actriz porno acabou apertada entre promessas de virilidade acrescida, sem que eu tivesse dado por isso a não ser demasiado tarde. Já com o Gonçalo M. Tavares me tinha acontecido o mesmo: o primeiro email que me enviou foi impiedosamente escondido pelo meu servidor entre os insultos à minha virilidade - concretamente à sua dimensão.

Para evitar situações deste género, uma vez por semana passo os olhos pela pasta de "spam", não vá ter de novo algum email importante mal arrumado. Calhou fazer hoje uma dessas incursões, e por entre as muitas gargalhadas indirectas à minha pobreza viril desobri um mimo, que prometia dimensões equinas para o meu "dinosaur". Já tinha lido muitos eufemismos nestes emails - e repito: recebo dezenas por dia - mas "dinossauro" é a primeira vez.

Uma questão de rapidez


Uso Linux desde meados dos anos 90, primeiro num computador com arranque duplo (escolhia se queria Linux ou Windows), mais tarde apenas com Linux. Deixei de usar Windows durante muitos anos, até começar a ouvir maravilhas do XP e do Vista. Assim, no portátil que comprei no ano passado mantive o Vista, com Linux em alternativa. Rapidamente me desiludi com o caos do menu iniciar, feito a pensar em iniciados, não em utilizadores comuns. Depois vieram as habituais quebras, as falhas, e toda uma procissão de maleitas informáticas, tão típicas do Windows, e que só quem está habituado à eficiência de outros sistemas nota como inadmissíveis. Quando me vê a lutar em desespero com o seu Windows XP, a minha mãe diz "mas isso é normal", e eu não consigo convencê-la de que não é. Afinal ela sempre viu as coisas assim. É como dizer a uma pessoa que só visse a preto e branco que o mundo a cores é muito melhor. Mas isto são contas de outro rosário, e eu há muito deixei de ser proselitista no que respeita a sistemas operativos. Fiquem lá com o vosso lixo microsoft, see if I care.

Hoje, no entanto, apeteceu-me fazer uma experiência. É consensual que o Linux é mais seguro do que o Windows, toda a gente sabe que aquela lenda urbana de ser muito complicado é menos credível do que o monstro de Loch Ness, e o mito de ser difícil de instalar baseia-se não sei muito bem em quê, pois sempre foi mais simples de instalar do que o Windows - sobretudo agora, em que as distribuições mais populares se instalam rapidamente sem "reboots" e com 3 ou 4 cliques de rato. Faltava-me, porém, ter dados sobre a rapidez. Sempre me pareceu que o Windows era como um elefante centenário com artroses, em termos de rapidez e agilidade, mas sempre admiti que fosse por preconceito. Por isso hoje de cronómetro em punho resolvi fazer contas.

A experiência foi feita no meu portátil com processador Intel Core Duo a 2GHz, memória de 1G. De um lado Windows Vista, do outro Linux Ubuntu 8.04. Resolvi cronometrar apenas as acções comparáveis:
  1. arranque, desde que se carrega no botão de ligação até o indicador de actividade de disco ficar inactivo;
  2. tempo que demora a desligar;
  3. abertura do Firefox (a mesma versão em ambos os sistemas);
  4. abertura do OpenOffice Writer (a mesma versão em ambos os sistemas).
Os resultados confirmaram de forma eloquente as minhas suspeitas:
  1. O Windows demorou, sem introdução de login nem password, 2:58 minutos até o indicador de actividade do disco parar, e 1:20 minutos até a actividade ficar reduzida a ponto de conseguir abrir um programa. O Linux Ubuntu demorou incluindo introdução de login e password 1:03 até o indicador de actividade parar por completo. Vitória do Linux por knock out.
  2. O Windows demorou 32 segundos a desligar o computador. O Linux Ubuntu demorou 12 segundos. Vitória do Linux por abada das antigas.
  3. O Windows demorou 10 segundos a abrir o Firefox. O Linux Ubuntu demorou 2 segundos. Vitória do Linux por goleada.
  4. O Windows demorou 12 segundos a abrir o OpenOffice Writer. O Linux Ubuntu demorou 1 segundo. Vitória do Linux por humilhação.
Portanto no ponto 1 o Linux demorou quase 1/3 do tempo a efectuar a mesma tarefa. No ponto 2, o Linux demorou igualmente quase 1/3 do tempo a efectuar a mesmíssima coisa. No ponto 3 o Linux demorou 1/5 do tempo a efectuar rigorosamente a mesma coisa. No ponto 4 o Linux demorou 1/12 (!) do tempo a fazer precisamente a mesma coisa.

Por isso fiquei cá a pensar: se faz a mesma coisa em muito, mas mesmo muito mesmo tempo, se é mais fácil de instalar, se é mais simples de usar, se é mais seguro, se não tem vírus., se é gratuito e livre.. então porque é que o pessoal ainda insiste no Windows?

N.B.: a imagem é do meu computador de secretária, não do portátil, mas para o caso tanto faz.

sábado, agosto 30, 2008

Karénina


Não consigo convencê-la a pegar na Karénina. Diz que depois da Guerra e Paz não vai conseguir ler mais nenhum Tolstói.