
A Carolina detesta paparazzi que a distraiam da leitura, sobretudo quando se trata da sua nova paixão: a recepção da cultura chinesa na literatura portuguesa do século XVI.
«Marco Fortes (lançamento do peso) disse, após a eliminação, que não se adaptou ao horário matinal da sua prova. "De manhã só é bom é na caminha, pelo menos comigo", disse o lançador do Sporting, de 25 anos, eliminado no passado dia 15, com dois lançamentos nulos e um lançamento a 18,05m, bem longe do seu melhor (20,13m).»in Público

Quando hoje fui buscar os meus sobrinhos à creche, dei com o Manuel retorcendo-se em pranto aflitivo no colo de uma auxiliar. Esta, pesarosa, comunicou-me que o Vlad o tinha mordido, e que lhe ia lavar o braço, onde se destacava o baixo relevo de uma dentadura completa e em bom estado. Ainda pensei dizer-lhe que talvez fosse melhor esfregar com alho, mas depois lembrei-me de que o perigo só era real se o Manuel lhe tivesse bebido o sangue. Conhecedor da impossibilidade de fazer o Manuel beber seja o que for sem ficar mais na roupa do que na boca, e tendo observado que ela se achava imaculada, pelo menos no que a sangue diz respeito, achei que estava tudo bem. Pelo sim pelo não, vou passar a ir à creche armado de dentes de alho e crucifixo. Não vá o diabo tecê-las, nunca se sabe o que nos pode fazer uma criança chamada Vlad.

Às vezes sou muito duro para as pastelonas empresas portuguesas (ou dependências portuguesas de multinacionais), que demoram eternidades bíblicas para enviar por correio encomendas feitas pela internet. A FNAC portuguesa, por exemplo. Fiz lá duas encomendas que demoraram entre 1 e 2 semanas a chegar. Como tenho contado, as encomendas através da Amazon.co.uk ou Amazon.fr demoram 2 ou 3 dias a chegar, o que diz muito das razões que levam a Inglaterra e a França a serem países prósperos, e Portugal esta apagada e vil tristeza. Quando uma encomenda demora menos a chegar de Londres ou Paris do que de Lisboa, parece-me que está tudo dito, quando à competência, organização e respeito pelos consumidores. E não, obviamente o problema não é dos correios: os correios que me entregam as encomendas da Amazon, a partir do momento em que desembarcam em Lisboa, são os mesmíssimos que me entregam os da FNAC. A diferença é que a Amazon põe-nos no correio poucas horas depois de a encomenda estar feita, a FNAC fá-lo vários dias depois.«"Só os ignorantes é que me chamam presidente [em vez de presidenta]. A palavra não existia porque não havia a função, agora que existe a função há a palavra que denomina a função. As línguas estão aí para mostrar a realidade e não para a esconder de acordo com a ideologia dominante, como aconteceu até agora. Presidenta, porque sou mulher e sou presidenta."
Pilar del Río, "Diário de Notícias", 06-07-2008»
Tendo-me prometido, sob pena de abdicar da herança da minha biblioteca, que desta vez não faria xixi no chão, lá levei de novo a sobrinha Carolina, de quase 3 anos, à Bertrand de Torres Vedras. Perdão, à "uoja dos uivros". Nunca fiando, porém, antes de sairmos enfiei-a na sanita e de lá não saiu enquanto não fez a sua xixizada, perante o meu aplauso e entusiásticos "linda menina", que estes pequenos progressos têm de ser incentivados. Espero é que a miúda não venha a desenvolver, quando mais velhinha, nenhuma perversão por causa destes xixis aplaudidos e ovacionados. Depois do Poe e do Joyce, a minha irmã nunca me perdoaria. Mas dizia eu que lá a levei de novo à Bertrand de Torres Vedras. Francamente preferia ter ficado a fazer levantamento de sobrinhos em casa (*), pois nem estava, para escândalo da Carolina, calçado nem decentemente vestido. Mas que fazer diante dos imperativamente escandidos "que-ro ir à uo-ja dos ui-vros" acompanhados de categóricos franzir de sobrancelhas e furiosos enrugar de lábios? Lá me arrastei até ao carro e fiz os 5 minutos de viagem com o José Barata Moura a dar a papa à Joana no leitor de CDs (a alternativa é cantar eu o Avô Cantigas ou a Floribella brasileira). Depois entrámos, eu timidamente, a ver se alguém me apontava o dedo e me rosnava "lá está o da menina que fez xixi no chão", ela gritando de alegria - e isto compensa tudo. A visita foi, porém, rápida. Atraída talvez pelo verde vivo da capa (eu bem tento instruí-la nas virtudes do verde e dos leões e das camisolas às riscas horizontais), a Carolina parou ainda antes de chegar à secção infantil, e pegou no Crime e Castigo. Aliviado embora por não ter sido o livro das dietas da Oprah, que ameaçava mesmo ao lado, qual Adamastor de papel, imediatamente lho tirei das mãos, peguei nela e saí, sussurrando-lhe ao ouvido "o Ródia é um menino feio! A Carolina nunca vai namorar com meninos feios que matam velhotas à machadada". Ela disse que sim, eu fiquei mais descansado, levei-a a ver as iguanas (perdão, os "uagartos") na loja de animais, e acabou-se a história.
«Mas elle queria dizer se o Carlinhos já entrava com o seu Phedro, o seu Tito Liviosinho...
– Villaça, Villaça, advertiu o abbade, de garfo no ar e um sorriso de santa malicia, não se deve fallar em latim aqui ao nosso nobre amigo... Não admitte, acha que é antigo... Elle, antigo é...
– Ora sirva-se d'esse fricassé, ande abbade, disse Affonso, que eu sei que é o seu fraco, e deixe lá o latim...
O abbade obedeceu com deleite; e escolhendo no molho rico os bons pedaços de ave, ia murmurando:
– Deve-se começar pelo latimsinho, deve-se começar por lá... É a base; é a basesinha!»

Há quem chame a Manuela Ferreira Leite "dama de ferro". Injustamente. É que uma mulher que, enquanto foi ministra, demonstrou e assumiu um total desprezo pelos mais necessitados, congelando salários e proibindo renovação de contratos, entre outras malfeitorias; uma mulher que transformou uma crise orçamental numa profunda crise económica, com as suas medidas "estúpidas" (palavras da própria), de que ainda não saimos, e deixando o défice orçamental muito acima do que encontrou; uma mulher que tentou (não passou de intenções) controlar o défice com medidas extraordinárias, aumentando ao mesmo tempo a despesa pública - uma mulher dessas quando vem agora armar-se em paladina dos pobres e dizer que o que tem de se cortar (mais?!) é a despesa, uma mulher destas não é de ferro. É de pau. Como a sua cara. De pau.
Enquanto fazia xixi pernas abaixo na secção infantil da Bertrand de Torres Vedras, a minha sobrinha Carolina (a caminho dos 3 anos) manifestou hoje a sua independência em relação aos grandes grupos editoriais. Depois de bem espalhado o seu protesto na carpete, olhou para mim como se à espera de que a apoiasse, no mínimo com comportamento idêntico. Mas eu sou um vendido, e portanto peguei nela ao colo, pedindo entre dentes aos meus santinhos ateus que ninguém reparasse na conspícua poça indignada, rosnei um "amanhã no mesmo sítio à mesma hora" apressado ao Philip Roth que ando a namorar, cuspi sorrisos subservientes aos empregados, e saí, embebido em xixi contestatário, a correr em direcção ao fraldário.
Ouço e leio intervenções públicas do sr. Cavaco desde 1985, e ainda ando em tratamento psiquiátrico por causa disso, mas não queria deixar de assinalar as palavras que lhe li hoje. É que é a primeira vez em 23 anos que concordo com ele ponto por ponto, letra por letra. Nestes tempos de ignorância e caça às bruxas (já faltou mais para as fogueiras) é sempre bom ler palavras lúcidas e inteligentes, mesmo vindas de quem vêm.
«Citando padre António Vieira, o Presidente desafiou ainda: "saibamos nós, os portugueses de hoje, honrar a sua memória e acreditar, como ele acreditou, nessa História do Futuro, a História que desejamos para os nossos filhos".»
«Em Espanha verá o rei de Portugal ressuscitado, e Castela vencida e dominada pelos portugueses. Em Itália verá o Turco barbaramente vitorioso, e depois desbaratado e posto em fugida. Em Europa verá universal suspensão de armas entre todos os príncipes cristãos, católicos e não católicos; verá ferver o mar e a terra em exércitos e em armadas contra o inimigo comum. Na África e na Ásia, e em parte da mesma Europa, verá o Império Otomano acabado, e El-Rei de Portugal adorado Imperador de Constantinopla. Finalmente, com assombro de todas as gentes, verá aparecidas de repente as dez tribos de Israel, que há mais de dois mil anos desapareceram, reconhecendo por seu Deus e seu senhor Jesus Cristo, em cuja morte não tiveram parte.»
Juro que por momentos pensei que esta notícia do Público fosse sobre um eventual ataque da hierarquia católica contra o meritório esforço de laicização do país feito por este governo. Sei lá, que se tivessem barricado no Bugio (o de Lisboa), preparando um bombardeamento de terços e crucifixos. Não me parece assim tão improvável.
Volta e meia vou verificar a pasta de "spam" do meu servidor de email, a ver se não terá ido lá parar algum email a sério indevidamente. Olho para os assuntos e para os remetentes, salvo o que eventualmente estiver fora do sítio, e apago o resto com um só clique. Noto, porém, que a cada dia que passa cresce o número de emails a prometer que me aumentam o sexo. Não o sexo em termos abstractos, mas concretos (não é que isso seja tão relevante como o facto de ter feito a distinção possa levar a pensar, pois a verdade é que eu bem precisava de um aumento de ambos, sobretudo do primeiro). Isto leva-me a pensar que há por aí algum(a) "ex" ressabiado(a) a divulgar pormenores da minha infeliz anatomia na esperança de me embaraçar. Ou então sou eu a ficar ainda mais paranóico. Em ambos os casos a situação é preocupante.
Diz que o Lidl já acabou com o racionamento de arroz que impedia que um cliente comprasse mais de 10kg. Que bom! Agora já posso comprar os meus 11kg diários.
A Juventude Socialista volta a manifestar o seu apoio à igualdade entre todos os cidadãos, independentemente da sua orientação sexual, com a afixação de cartazes em Lisboa e Porto (embora eles talvez fizessem mais falta noutras cidades...). O meu aplauso e apoio a esta iniciativa.



«A Sítio 4 está a chegar.
A história das alegadas intoxicações com depuralina (podiam ter arranjado um nome menos piroso) leva-me de novo à questão dos emagrecimentos e dos engordanços, assunto de que feliz e infelizmente sei bastante. Eu já tinha visto os anúncios à dita cuja, insistindo na história dos detritos acumulados pelo corpo. Portanto, a depuralina, como a generalidade dos remédios miraculosos, baseia-se na perda de peso em virtude da expulsão de líquidos e "toxinas", não na perda de massa gorda. Hã? Isto faz sentido para alguém?
O já muito referido e debatido caso da besta do Porto que atacou uma professora e foi filmada, bem como as notícias que agora surgem sobre a punição da criatura, levantam outra questão, que tem que ver com o tipo de punição que a escola reserva para casos de indisciplina.
A coisa contar-se-ia em poucas palavras, não fosse do outro lado estar o serviço de atendimento ao cliente da Sapo ADSL e os seus habituais processos labirínticos e repetitivos.
A minha mais recente leitura recreativa é O culto do chá, de Wenceslau de Moraes, edição da Biblioteca de Autores Independentes. Como tantas vezes aqui tenho deixado catilinárias enfurecidas contra a pornografia que é o preço dos livros em Portugal, é justo que aqui venha agora felicitar esta colecção, que oferece livros a preços decentes, provando (se necessário fosse) que é possível vender livros a preços comportáveis para o português médio.