terça-feira, junho 16, 2009
Bloomsday '09

Happy. Happier then. Snug little room that was with the red wallpaper, Dockrell’s, one and ninepence a dozen. Milly’s tubbing night. American soap I bought: elderflower. Cosy smell of her bathwater. Funny she looked soaped all over. Shapely too. Now photography. Poor papa’s daguerreotype atelier he told me of. Hereditary tast.
Ulysses. Bodley Head, 1966. Página 196.
segunda-feira, junho 15, 2009
Vlad: a saga continua
O Manuel (a caminho dos 3 anos) estava a chorar quando o fui buscar à creche. A educadora disse-me que o Vlad o tinha mordido de novo. E apontava, penalizada, as marcas da dentadura do menino Vlad. Eu voltei a dizer algo como "está-lhe no sangue, e pelo menos desta vez aparou os caninos", e a educadora voltou a não perceber a fina alusão cultural, e despejou-me um sorriso comiserado. Vou deixar-me de piadas intelectuais, é o que é.sábado, junho 13, 2009
Futebol
Passei parte da tarde a jogar à bola. Isto seria uma actividade muito máscula, não fosse a bola ser cor de rosa com Minnies e Margaridas.
quinta-feira, junho 11, 2009
O Corpo de Deus de 1647 . 01
O dia de Corpo de Deus, feriado móvel cristão neste país laico, foi hoje. Ter-me-ia passado ao lado, não fosse ter notado as lojas fechadas. No ano de 1647, em Lisboa, o dia de Corpo de Deus teve todos os condimentos para ser muito mais animado.
Passavam menos de 7 anos da revolta que pôs fim à união dinástica que juntou os reinos de Portugal e Castela em 1580, e a guerra contra Filipe IV fazia-se no campo de batalha, mas sobretudo, nesta década de 40, no campo diplomático. Importava sobretudo aos Braganças ter o reconhecimento da Santa Sé, que, ontem como hoje, preferia jogar pelo seguro, de preferência alinhando com o lado mais forte. E o lado mais forte era, sem dúvida, Castela, ainda que acossada em várias frentes, no contexto da Guerra dos 30 Anos - sem a qual, como reconhecia Vieira logo em 1642, a Restauração seria impossível (1). Interessava, pois, ao partido português qualquer pretexto que deslustrasse a ortodoxia do Rei Católico.
A ocasião apresentou-se, alegadamente, no dia 20 de Junho de 1647, dia de Corpo de Deus. O rei D. João IV ia na procissão, que percorria a actual baixa pombalina, e passava ali mais ou menos onde é hoje a Rua dos Fanqueiros. A procissão deve ter sido bonita. As procissões costumam ser bonitas, sobretudo as barrocas. Mas aparentemente foi apenas mais uma procissão, ainda que barroca. Não foi senão em Julho que se revelou que por pouco não entrou essa procissão do Corpo de Deus de 1647 para a História, pelas piores razões.
A história, inexplicavelmente ignorada pela historiografia do século XX, mas que no século XIX ainda era tão conhecida que Camilo lhe dedicou um romance com duas sequelas (2), conta-se rapidamente. Domingos Leite Pereira, alegadamente a soldo de Filipe IV, ter-se-ia emboscado numas casas, cujas paredes derrubou para ficar com vista para os dois lados da rua, ali para a zona da actual Rua dos Fanqueiros. Não é que lhe interessasse ter uma boa vista por causa da beleza da procissão. Armado de uma escopeta, cujas balas tinham sido banhadas em veneno, o seu objectivo era, ao que parece, atingir D. João IV, de modo a acabar com a rebelião portuguesa, e fazer regressar a coroa de Portugal aos domínios dos Áustrias de Madrid. Não chegou, porém, sequer a disparar. Terá dito, nos interrogatórios a que poucos meses depois foi sujeito, que a visão de uma majestade divina sobre o rei lhe tinha paralisado os membros, e que tinha gritado louvores ao Bragança. Que nem ginjas, para a propaganda do Quinto Império.
Domingos Leite Pereira terá então fugido para Madrid, onde alegadamente terá prometido a Filipe IV que tentaria de novo - e aqui não bate a bota com a perdigota: então se a criatura viu a tal majestade divina sobre o rei e lhe entoou louvores, então porque raio resolve que afinal vai tentar matar o homem de novo, o tal a quem entoou louvores e que viu ser protegido pelo seu Deus? Bom, mas é assim que reza a crónica oficial, e quem sou eu para contrariar Frei Francisco Brandão. (o Camilo arranjou uma versão muito melhor, mas o Camilo é o Camilo, eu sou eu).
Seja como for, em finais de Julho de 1647 Domingos Leite Pereira está de novo em Portugal, alegadamente para tentar matar D. João IV, outra vez. A tentativa não passa disso mesmo. Traído pelo companheiro, Roque da Cunha, é preso no dia 31 de Julho de 1647. Parece que confessou logo tudo, inclusive a história da majestade divina, que tão bem aproveitada seria pela propaganda do Quinto Império. Foram encontradas no lugar do crime que não aconteceu a escopeta e as balas embebidas em veneno. O que é muito conveniente, e revelador de que o moço era bastante distraído. Como a justiça naqueles tempos era célere, talvez demasiado célere, foi executado com requintes de crueldade no dia 21 de Agosto de 1647, apenas 2 meses depois do crime que não chegou a cometer.
Os teóricos do Quinto Império não perderam tempo, vendo na tal visão da majestade divina sobre D. João IV um sinal da preferência de Deus pelo partido português. De resto achavam já desde há muito tempo muitas evidências disso, e até pessoas seriíssimas como o Padre António Vieira escreveram longamente sobre o assunto (3).
Mas isto caiu que nem ginjas também para a guerra diplomática que se travava na Santa Sé, tendo em vista o reconhecimento do Duque de Bragança como novo e legítimo rei de Portugal (o que só veio a acontecer já depois da paz com Espanha de 1668). Uns mais entusiásticos, outros mais racionais, todos os textos portugueses contemporâneos insistiram num ponto essencial: o Rei Católico, ao ter ordenado o assassínio em plena procissão do Corpo de Deus, cometia sacrilégio. Por outro lado, D. João IV, tendo escapado, protegido na procissão por intervenção divina, como o próprio regicida frustrado teria admitido nos interrogatórios, revelara ter Deus do seu lado. Assim, apenas restava à Santa Sé deixar-se de coisas, e dignar-se receber os embaixadores portugueses, prover os bispados, e assim reconhecer de facto a nova dinastia reinante em Lisboa. A Santa Sé, porém, não se comoveu com tanta conveniência junta, e só veio a reconhecer os Braganças três décadas depois de 1º de Dezembro.
A crónica oficial do acontecimento saiu logo em 1647, e é uma delícia propagandística. Recomendo vivamente os passos em discurso directo, sobretudo os atribuídos a D. João IV.
-----
(1) "Se Portugal se levantara enquanto Castela estava vitoriosa, ou, quando menos, enquanto estava pacífica, segundo o miserável estado em que nos tinham posto, era a empresa mui arriscada. eram os dias críticos e perigosos; mas como a Providência Divina cuidava tão particularmente de nosso bem, por isso ordenou que se dilatasse nossa restauração tanto tempo, e que se esperasse a ocasião oportuna do ano de quarenta, em que Castela estava tão embaraçada com inimigos, tão apertada com guerras de dentro e de fora; para que, na diversão de suas impossibilidades, se lograsse mais segura a nossa resolução. Dilatou-se o remédio, mas segurou-se o perigo. Quando os Filisteus se quiseram levantar contra Sansão, aguardaram a que Dalila lhe tivesse presas e atadas as mãos, e então deram sobre ele. Assim o fizeram os Portugueses bem advertidos. Aguardaram a que Catalunha atasse as mãos ao Sansão que os oprimia, e como o tiveram assim embaraçado e preso. então se levantaram contra ele tão oportuna como venturosamente." Padre António Vieira, Sermão dos Bons Anos, Janeiro de 1642.
(2) "O regicida", "A filha do regicida", "A caveira da mártir". Embora só o primeiro diga respeito ao não-acontecimento de 20 de Junho de 1647, os dois últimos dependem dele na sua construção.
(3) De resto o nosso actual Presidente da República, que já nos exortou a todos a seguir as recomendações do Padre António Vieira na História do Futuro, parece querer continuar a segurar a chama do Quinto Império, e não na sua versão inócua e muito incompleta, que é a mais conhecida: como as recomendações de Vieira vão no sentido de reconhecer que os portugueses são o novo povo eleito de Deus e que deverão esmagar os espanhóis, eu espera francamente que o Presidente nunca tenha lido o livro e que se tenha limitado a regurgitar o que algum assessor lhe passou para as mãos.
Passavam menos de 7 anos da revolta que pôs fim à união dinástica que juntou os reinos de Portugal e Castela em 1580, e a guerra contra Filipe IV fazia-se no campo de batalha, mas sobretudo, nesta década de 40, no campo diplomático. Importava sobretudo aos Braganças ter o reconhecimento da Santa Sé, que, ontem como hoje, preferia jogar pelo seguro, de preferência alinhando com o lado mais forte. E o lado mais forte era, sem dúvida, Castela, ainda que acossada em várias frentes, no contexto da Guerra dos 30 Anos - sem a qual, como reconhecia Vieira logo em 1642, a Restauração seria impossível (1). Interessava, pois, ao partido português qualquer pretexto que deslustrasse a ortodoxia do Rei Católico.
A ocasião apresentou-se, alegadamente, no dia 20 de Junho de 1647, dia de Corpo de Deus. O rei D. João IV ia na procissão, que percorria a actual baixa pombalina, e passava ali mais ou menos onde é hoje a Rua dos Fanqueiros. A procissão deve ter sido bonita. As procissões costumam ser bonitas, sobretudo as barrocas. Mas aparentemente foi apenas mais uma procissão, ainda que barroca. Não foi senão em Julho que se revelou que por pouco não entrou essa procissão do Corpo de Deus de 1647 para a História, pelas piores razões.
A história, inexplicavelmente ignorada pela historiografia do século XX, mas que no século XIX ainda era tão conhecida que Camilo lhe dedicou um romance com duas sequelas (2), conta-se rapidamente. Domingos Leite Pereira, alegadamente a soldo de Filipe IV, ter-se-ia emboscado numas casas, cujas paredes derrubou para ficar com vista para os dois lados da rua, ali para a zona da actual Rua dos Fanqueiros. Não é que lhe interessasse ter uma boa vista por causa da beleza da procissão. Armado de uma escopeta, cujas balas tinham sido banhadas em veneno, o seu objectivo era, ao que parece, atingir D. João IV, de modo a acabar com a rebelião portuguesa, e fazer regressar a coroa de Portugal aos domínios dos Áustrias de Madrid. Não chegou, porém, sequer a disparar. Terá dito, nos interrogatórios a que poucos meses depois foi sujeito, que a visão de uma majestade divina sobre o rei lhe tinha paralisado os membros, e que tinha gritado louvores ao Bragança. Que nem ginjas, para a propaganda do Quinto Império.
Domingos Leite Pereira terá então fugido para Madrid, onde alegadamente terá prometido a Filipe IV que tentaria de novo - e aqui não bate a bota com a perdigota: então se a criatura viu a tal majestade divina sobre o rei e lhe entoou louvores, então porque raio resolve que afinal vai tentar matar o homem de novo, o tal a quem entoou louvores e que viu ser protegido pelo seu Deus? Bom, mas é assim que reza a crónica oficial, e quem sou eu para contrariar Frei Francisco Brandão. (o Camilo arranjou uma versão muito melhor, mas o Camilo é o Camilo, eu sou eu).
Seja como for, em finais de Julho de 1647 Domingos Leite Pereira está de novo em Portugal, alegadamente para tentar matar D. João IV, outra vez. A tentativa não passa disso mesmo. Traído pelo companheiro, Roque da Cunha, é preso no dia 31 de Julho de 1647. Parece que confessou logo tudo, inclusive a história da majestade divina, que tão bem aproveitada seria pela propaganda do Quinto Império. Foram encontradas no lugar do crime que não aconteceu a escopeta e as balas embebidas em veneno. O que é muito conveniente, e revelador de que o moço era bastante distraído. Como a justiça naqueles tempos era célere, talvez demasiado célere, foi executado com requintes de crueldade no dia 21 de Agosto de 1647, apenas 2 meses depois do crime que não chegou a cometer.
Os teóricos do Quinto Império não perderam tempo, vendo na tal visão da majestade divina sobre D. João IV um sinal da preferência de Deus pelo partido português. De resto achavam já desde há muito tempo muitas evidências disso, e até pessoas seriíssimas como o Padre António Vieira escreveram longamente sobre o assunto (3).
Mas isto caiu que nem ginjas também para a guerra diplomática que se travava na Santa Sé, tendo em vista o reconhecimento do Duque de Bragança como novo e legítimo rei de Portugal (o que só veio a acontecer já depois da paz com Espanha de 1668). Uns mais entusiásticos, outros mais racionais, todos os textos portugueses contemporâneos insistiram num ponto essencial: o Rei Católico, ao ter ordenado o assassínio em plena procissão do Corpo de Deus, cometia sacrilégio. Por outro lado, D. João IV, tendo escapado, protegido na procissão por intervenção divina, como o próprio regicida frustrado teria admitido nos interrogatórios, revelara ter Deus do seu lado. Assim, apenas restava à Santa Sé deixar-se de coisas, e dignar-se receber os embaixadores portugueses, prover os bispados, e assim reconhecer de facto a nova dinastia reinante em Lisboa. A Santa Sé, porém, não se comoveu com tanta conveniência junta, e só veio a reconhecer os Braganças três décadas depois de 1º de Dezembro.
A crónica oficial do acontecimento saiu logo em 1647, e é uma delícia propagandística. Recomendo vivamente os passos em discurso directo, sobretudo os atribuídos a D. João IV.
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(1) "Se Portugal se levantara enquanto Castela estava vitoriosa, ou, quando menos, enquanto estava pacífica, segundo o miserável estado em que nos tinham posto, era a empresa mui arriscada. eram os dias críticos e perigosos; mas como a Providência Divina cuidava tão particularmente de nosso bem, por isso ordenou que se dilatasse nossa restauração tanto tempo, e que se esperasse a ocasião oportuna do ano de quarenta, em que Castela estava tão embaraçada com inimigos, tão apertada com guerras de dentro e de fora; para que, na diversão de suas impossibilidades, se lograsse mais segura a nossa resolução. Dilatou-se o remédio, mas segurou-se o perigo. Quando os Filisteus se quiseram levantar contra Sansão, aguardaram a que Dalila lhe tivesse presas e atadas as mãos, e então deram sobre ele. Assim o fizeram os Portugueses bem advertidos. Aguardaram a que Catalunha atasse as mãos ao Sansão que os oprimia, e como o tiveram assim embaraçado e preso. então se levantaram contra ele tão oportuna como venturosamente." Padre António Vieira, Sermão dos Bons Anos, Janeiro de 1642.
(2) "O regicida", "A filha do regicida", "A caveira da mártir". Embora só o primeiro diga respeito ao não-acontecimento de 20 de Junho de 1647, os dois últimos dependem dele na sua construção.
(3) De resto o nosso actual Presidente da República, que já nos exortou a todos a seguir as recomendações do Padre António Vieira na História do Futuro, parece querer continuar a segurar a chama do Quinto Império, e não na sua versão inócua e muito incompleta, que é a mais conhecida: como as recomendações de Vieira vão no sentido de reconhecer que os portugueses são o novo povo eleito de Deus e que deverão esmagar os espanhóis, eu espera francamente que o Presidente nunca tenha lido o livro e que se tenha limitado a regurgitar o que algum assessor lhe passou para as mãos.
quarta-feira, junho 10, 2009
Começar bem o dia . 16
Y así como uno tuviera injusta vanidad de haber nacido falto de una vista, de un pie tullido, o árido de un brazo, así es injustísimo lo que de sí presumen algunos, leyendo mal y escribiendo peor.
D. Francisco Manuel de Melo, Cartas familiares.
Carta 35, Dezembro de 1639
segunda-feira, junho 08, 2009
domingo, junho 07, 2009
Europeias 04
A sondagem da SIC para as legislativas confirma o que escrevi logo no início da noite. Se fossem legislativas, os resultados da noite teriam sido muito diferentes, e só por ingenuidade se pode achar que, em condições normais, o PS não vence com relativa facilidade as eleições do Outono.
Europeias 03
Além da boa notícia da manutenção da Manuela, há ainda a registar a derrota da parvalhona da Laurinda Alves, que não foi eleita.
Europeias 02
A eventual vitória tangencial do PSD permite, por outro lado, conservar a Manuela na liderança, além de agitar à esquerda o fantasma do regresso do PSD ao poder, o que são boas notícias para todos os apoiantes do PS.
Europeias 01
As primeiras projecções das eleições europeias apontam para um resultado muito próximo entre PS e PSD. Como seria de esperar, e como previam todas as sondagens. Ainda que naturalmente preferisse uma vitória do PS, e por boa margem, não deixa de ser interessante verificar que, mesmo com um mau candidato que debitava à média de uma gaffe por dia, mesmo sofrendo o desgaste normal de mais de 4 anos de governo, mesmo sofrendo o tradicional voto de protesto em eleições europeias, canalizado sobretudo para o BE e que regressará em grande parte, não deixa de ser interessante verificar que se eventualmente o PS perder estas eleições, será por uma margem muito reduzida, que em nada beliscará a convicção de que, se não acontecer nada de extraordinário até lá, o PS vencerá com maior ou menor dificuldade as eleições gerais de Outubro.
Por outro lado, o PSD, confirmando-se a vitória tangencial, sobe apenas ligeiramente em relação às legislativas de 2005, não capitalizando o voto de protesto contra o governo, que foi para a esquerda.
Por outro lado, o PSD, confirmando-se a vitória tangencial, sobe apenas ligeiramente em relação às legislativas de 2005, não capitalizando o voto de protesto contra o governo, que foi para a esquerda.
Da democracia
quinta-feira, junho 04, 2009
Parkinson?
4 minutos? Mas havia algum problema com a caneta? Ou é algum problema do sistema nervoso central? Definitivamente há um problema com as assinaturas no porto. Embora as melhorias sejam notórias.quarta-feira, junho 03, 2009
uf
Ao passar hoje pelo estádio de Alvalade achei aquilo muito mal frequentado, com muito mau aspecto, assim uma gente desgrenhada comunicando por monossílabos e gesticulações exageradas. Quando já pensava que me tinha enganado e estava perto do estádio da Luz e que havia lá jogo, lembrei-me de que hoje era o concerto de AC/DC. Uf. Por momentos...
segunda-feira, junho 01, 2009
Lidos . 01

«C'est pourquoi le parc est peuplé d'hommes qui se suicident et de danseurs qui tombent. C'est ainsi que le marquis de Fronteira tira vengeance de la vengeance de Madame d'Oeiras. C'est pourquoi les animaux sur les azulejos ont pris le visage des hommes. C'est pourquoi au coin des fresques, à l'angle de ces murs, on voit des figures accroupies qui relèvent leur jupe et excrètent dans l'ombre»
sexta-feira, maio 29, 2009
Ignomínia

Eu continuo solteiro, ninguém me pega. E desconfio que um grande obstáculo é não ter paciência para a bicharada, mas sobretudo o facto de andar com um carro com duas cadeirinhas de criança. Há dias dei a última machadada na minha imagem de solteirão, já sem falar na dignidade do meu carro, ao prantar este pára-sol com a Hello Kitty. Do outro lado está o Noddy, que sempre é um pouco mais másculo, mas não menos aviltante do meu celibato forçado.
quinta-feira, maio 28, 2009
quarta-feira, maio 27, 2009
Campions!

Catalunya triomfant,
tornarà a ser rica i plena.
Endarrera aquesta gent
tan ufana i tan superba.
…
(Hino da Catalunha)
tornarà a ser rica i plena.
Endarrera aquesta gent
tan ufana i tan superba.
…
(Hino da Catalunha)
Quando se diz que “o Porto é uma nação” esquece-se de que nação a sério é a Catalunha, com língua, cultura e história próprias, e o Barça é o seu representantes máximo. E não estou a falar de futebol. Comparar o bairrismo portuense, legítimo mas não menos provinciano por isso, com o nacionalismo catalão, alicerçado, repito, em língua, cultura e história próprias, só revela pouco conhecimento da realidade espanhola no que respeita às diferentes nacionalidades que a compõem. Mais do que uma equipa de futebol, o Barça é o grande embaixador do nacionalismo catalão, como se viu recentemente na final da Taça do Rei, onde os seus adeptos – juntamente com os adeptos do Athletic, o equivalente basco – vaiaram e assobiaram o hino espanhol.
Assim, como todas as vitórias do Barça, a desta noite é não uma vitória espanhola, mas uma vitória da Catalunha, simbolizada nas inúmeras bandeiras catalãs do Olímpico de Roma, e na bandeira catalã que o Piqué tem ao pescoço quando a taça é levantada (que só por distracção pode ser confundida com a espanhola, apesar de as cores serem parecidas) e, antes disso, na conferência de imprensa que antecedeu o jogo, onde Guardiola fez questão de falar em catalão (e numa língua que de início me pareceu basco, mas afinal era inglês mesmo). O mesmo Guardiola que gostava de dizer que “la meva selecció ets el Barça” (a minha selecção é o Barça).
A história da Catalunha está, além disso, intimamente ligada à de Portugal, nomeadamente à Restauração de 1640. Na verdade, o êxito da revolta portuguesa só foi possível porque poucos meses antes a Catalunha se tinha levantado contra os espanhóis. Ambas as revoltas, a portuguesa e a catalã, foram prestavelmente patrocinadas pela França, que se envolvia numa guerra sem quartel contra Espanha, no contexto da Guerra dos 30 Anos, e a quem interessava desestabilizar eternamente o inimigo. Aproveitando a deslocação de efectivos militares espanhóis para a Catalunha, foi relativamente fácil aos apoiantes do Duque de Bragança levarem a bom termo a revolta. E, claro, ajudou muito o facto de Filipe IV ter sido forçado a optar entre Portugal e Catalunha, não podendo acudir aos dois lados ao mesmo tempo. Assim optou, obviamente, pela Catalunha, e só quando a conseguiu pacificar, em 1652, e sobretudo com o fim da guerra com a França, em 1659, é que decidiu avançar em força para Portugal. Demasiado tarde. Quase 20 anos apenas com escaramuças fronteiriças e uma batalha importante, em 1644, na localidade espanhola de Montijo, Portugal tinha tido mais que tempo para se reorganizar, e vencer categoricamente as outras 4 grandes batalhas, e ficar em posição de força para a assinatura da paz em 1668. Os apoiantes da Restauração, de resto, bem cedo reconheceram o papel fundamental da Catalunha, como já dizia o Pe. António Vieira no Sermão dos Bons Anos (1 de Janeiro de 1642):
E já chega de cultura, que hoje é dia de festa. Visca el Barça! Visca Catalunya!
P.S.: o actual hino da Catalunha, de que coloquei no início os primeiros versos, é parte de um texto do século XVIII que relata, precisamente, a revolta de 1640. As partes mais sangrentas e anti-espanholas não são cantadas hoje.
Assim, como todas as vitórias do Barça, a desta noite é não uma vitória espanhola, mas uma vitória da Catalunha, simbolizada nas inúmeras bandeiras catalãs do Olímpico de Roma, e na bandeira catalã que o Piqué tem ao pescoço quando a taça é levantada (que só por distracção pode ser confundida com a espanhola, apesar de as cores serem parecidas) e, antes disso, na conferência de imprensa que antecedeu o jogo, onde Guardiola fez questão de falar em catalão (e numa língua que de início me pareceu basco, mas afinal era inglês mesmo). O mesmo Guardiola que gostava de dizer que “la meva selecció ets el Barça” (a minha selecção é o Barça).
A história da Catalunha está, além disso, intimamente ligada à de Portugal, nomeadamente à Restauração de 1640. Na verdade, o êxito da revolta portuguesa só foi possível porque poucos meses antes a Catalunha se tinha levantado contra os espanhóis. Ambas as revoltas, a portuguesa e a catalã, foram prestavelmente patrocinadas pela França, que se envolvia numa guerra sem quartel contra Espanha, no contexto da Guerra dos 30 Anos, e a quem interessava desestabilizar eternamente o inimigo. Aproveitando a deslocação de efectivos militares espanhóis para a Catalunha, foi relativamente fácil aos apoiantes do Duque de Bragança levarem a bom termo a revolta. E, claro, ajudou muito o facto de Filipe IV ter sido forçado a optar entre Portugal e Catalunha, não podendo acudir aos dois lados ao mesmo tempo. Assim optou, obviamente, pela Catalunha, e só quando a conseguiu pacificar, em 1652, e sobretudo com o fim da guerra com a França, em 1659, é que decidiu avançar em força para Portugal. Demasiado tarde. Quase 20 anos apenas com escaramuças fronteiriças e uma batalha importante, em 1644, na localidade espanhola de Montijo, Portugal tinha tido mais que tempo para se reorganizar, e vencer categoricamente as outras 4 grandes batalhas, e ficar em posição de força para a assinatura da paz em 1668. Os apoiantes da Restauração, de resto, bem cedo reconheceram o papel fundamental da Catalunha, como já dizia o Pe. António Vieira no Sermão dos Bons Anos (1 de Janeiro de 1642):
“Se Portugal se levantara enquanto Castela estava vitoriosa, ou, quando menos, enquanto estava pacífica, segundo o miserável estado em que nos tinham posto, era a empresa mui arriscada. Eram os dias críticos e perigosos; mas como a Providência Divina cuidava tão particularmente de nosso bem, por isso ordenou que se dilatasse nossa restauração tanto tempo, e que se esperasse a ocasião oportuna do ano de quarenta, em que Castela estava tão embaraçada com inimigos, tão apertada com guerras de dentro e de fora; para que, na diversão de suas impossibilidades, se lograsse mais segura a nossa resolução. Dilatou-se o remédio, mas segurou-se o perigo. Quando os Filisteus se quiseram levantar contra Sansão, aguardaram a que Dalila lhe tivesse presas e atadas as mãos, e então deram sobre ele. Assim o fizeram os Portugueses bem advertidos. Aguardaram a que Catalunha atasse as mãos ao Sansão que os oprimia, e como o tiveram assim embaraçado e preso. então se levantaram contra ele tão oportuna como venturosamente.”
E já chega de cultura, que hoje é dia de festa. Visca el Barça! Visca Catalunya!
P.S.: o actual hino da Catalunha, de que coloquei no início os primeiros versos, é parte de um texto do século XVIII que relata, precisamente, a revolta de 1640. As partes mais sangrentas e anti-espanholas não são cantadas hoje.
[em simultâneo no Facciosos]
Acabar bem o dia . 12
Acabar bem o dia . 11

Já se tinha ouvido isto por aqui. Agora vai a primeira versão que ouvi. Não no filme, que ainda não vi, mas num belíssimo CD (com uma capa medonha) comprado na Valentim de Carvalho no início dos anos 90.
Martín y Coll (c. 1660-1734), Diferencias sobre las folías Hespèrion XXI, Jordi Savall
Ouvir música aqui
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terça-feira, maio 26, 2009
segunda-feira, maio 25, 2009
A prisão do ético
Mais uma grande crítica a A prisão do ético, do Paulo Rodrigues Ferreira, agora do valter hugo mãe. E eu fiquei outra vez feliz e orgulhoso quase como se fosse eu.
Palinódia
Uma das cartas mais divertidas da Correspondência de Fradique Mendes, que li no início dos anos 90 numa edição de 1919, comprada num alfarrabista lisboeta, vem-se sempre à memória quando ouço tugas a falar portunhol convencidos de que estão a fazer um brilharete. Lembrei-me dela, por exemplo, quando o Queiroz era treinador do Real Madrid, ou quando o Durão Barroso (a. k. a. José Manuel Barroso) era líder do PSD e berrou apopléctico "Viva Espanha" num comício do Aznar, ou depois da lamentável figura do Sócrates ontem, num comício do PSOE. Neste último caso a releitura da carta teve um efeito catártico, na medida em que me vai permitir votar no PS descansado, sem ser assombrado pela recordação daqueles minutos humilhantes.
Deixo aqui algũs excerptos, na orthographia original, para os resistentes ao accordo orthographico (nos quaes, como se sabe, nam me incluo).
Deixo aqui algũs excerptos, na orthographia original, para os resistentes ao accordo orthographico (nos quaes, como se sabe, nam me incluo).
A MADAME S.
Paris, Fevereiro.
Minha Cara Amiga -- O hespanhol chama-se D. Ramon Covarubia, mora na Passage Saulnier, 12, e como é aragonez, e portanto sobrio, creio que com dez francos por lição se contentará amplamente. Mas se seu filho já sabe o castelhano necessario para entender os Romanceros, o D. Quixote, alguns dos «Piccarescos», vinte paginas de Quevedo, duas comedias de Lope de Vega, um ou outro romance de Galdós, que é tudo quanto basta lêr na litteratura de Hespanha, para que deseja a minha sensata amiga que elle pronuncie esse castelhano que sabe com o accento, o sabor, e o sal d'um madrileno nascido nas veras pedras da Calle-Mayor? Vai assim o dôce Raul desperdiçar o tempo que a Sociedade lhe marcou para adquirir idéas e noções (e a Sociedade a um rapaz da sua fortuna, do seu nome e da sua belleza, apenas concede, para esse abastecimento intelectual, sete anos, dos onze aos dezoito) -- em quê? No luxo de apurar até a um requinte superfino, e superfluo, o mero instrumento de adquirir noções e idéas. Porque as linguas, minha boa amiga, são apenas instrumentos do saber, como instrumentos de lavoura. Consumir energia e vida na aprendizagem de as pronunciar tão genuina e puramente, que pareça que se nasceu dentro de cada uma d'ellas, e que, por meio de cada uma, se pediu o primeiro pão e agua da vida -- é fazer como o lavrador que em vez de se contentar em cavar a terra com um ferro simples encabado n'um pau simples, se applicasse, durante os meses em que a horta tem de ser trabalhada, a embutir emblemas no ferro e esculpir flôres e folhagens ao comprido do pau. Com um hortelão assim, tão miudamente occupado em alindar e requintar a enxada, como estariam agora, minha senhora, os seus pomares da Touraine?
Um homem só deve fallar, com impeccavel segurança e pureza, a lingua da sua terra: -- todas as outras as deve fallar mal, orgulhosamente mal, com aquele accento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na lingua verdadeiramente reside a nacionalidade; -- e quem fôr possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa vai gradualmente soffrendo uma desnacionalização.
Eça de Queiroz, A correspondencia de Fradique Mendes: memorias e notas. Liv. Chardon, Porto, 1900. pp. 137-139
Portanto o nosso Primeiro-ministro apenas seguiu os conselhos do Eça, e assim provou o seu patriotismo, e eu vou poder votar nele tranquilo, sem que me ecoem nos ouvidos as cacofonias portunhólicas da sua intervenção no comício do PSOE.
domingo, maio 24, 2009
Vergüenza
O portunhol do nosso Primeiro-ministro ontem em Espanha foi a maior humilhação portuguesa frente aos espanhóis, desde a batalha de Alcântara, em 1580. O tuga tem a mania de que sabe falar espanhol, e depois faz aquelas tristíssimas figuras. Vou ter de levar os fones com música bem alta, quando for votar no PS nas próximas legislativas, para não levar nos ouvidos aquela humilhação.[na foto: o Duque de Alba]
sexta-feira, maio 22, 2009
quinta-feira, maio 21, 2009
Começar bem o dia . 14
Ilustração: Johann Baptist ZimmermannJ. S. Bach (1685-1750), Toccata BWV 914
Gustav Leonhardt
Ouvir música aqui
Gustav Leonhardt
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É ciúmes a Cidra,
E indo a dizer ciúmes disse Hidra,
Que o ciúme é serpente,
Que espedaça seu louco padecente,
Dá-Ihe um cento de amor o apelido,
Que o ciúme é amor, mas mal sofrido,
Vé-se cheia de espinhos e amarela,
Que piques e desvelos vão por ela,
Já do forno no lume,
Cidra que foi zelo, se não foi ciúme,
Troquem, pois, os amantes e haja poucos,
Pelo zelo de Deus, ciúmes loucos.
Soror Maria do Céu (1658-1753)
E indo a dizer ciúmes disse Hidra,
Que o ciúme é serpente,
Que espedaça seu louco padecente,
Dá-Ihe um cento de amor o apelido,
Que o ciúme é amor, mas mal sofrido,
Vé-se cheia de espinhos e amarela,
Que piques e desvelos vão por ela,
Já do forno no lume,
Cidra que foi zelo, se não foi ciúme,
Troquem, pois, os amantes e haja poucos,
Pelo zelo de Deus, ciúmes loucos.
Soror Maria do Céu (1658-1753)
quarta-feira, maio 20, 2009
Do populismo e da falta de memória
Durão Barroso, a.k.a. José Manuel Barroso, diz que "Ceder à pressão populista contra os imigrantes é mau para a Europa". Eu concordo em absoluto. Pena foi que, enquanto Primeiro-ministro de Portugal, em coligação com o populista Paulo Portas, tenha sido esse mesmo Durão Barroso, a.k.a. José Manuel Barroso, a aprovar a actual lei das quotas de imigração, que restringe a imigração de extra-comunitários. E para quem tem memória curta, era ele Primeiro-ministro quando o seu Ministro da Defesa, Paulo Portas, conhecido pelas suas posições na matéria, berrou inflamados "Imigração zero" e "Portugal aos portugueses", num comício do seu partido, então no governo liderado por Durão Barroso, a.k.a. José Manuel Barroso, que na altura não achou que tal fosse uma pressão populista.

segunda-feira, maio 18, 2009
On the Road from w20 on Vimeo.
É de graça e é imperdível. Vi-os desaparecer na noite, de Tiago Gomes e Tó Trips. Aqui.
Leituras
O José Mário Silva lembra alguns textos de A Prisão do Ético, do Paulo Rodrigues Ferreira, que me dá a honra de ser meu amigo. E eu fico contente e orgulhoso de o ver lido, quase como se fosse eu.
A estrada de Damasco (*)
Não sei se foi finalmente efeito das doses diárias de cultura, que culminaram há dias numa audição integral do Orfeu de Monteverdi, dirigido pelo Savall, mas a verdade é que o Benfica teve a primeira baixa, ainda antes do Quique: a minha sobrinha, que até nasceu no dia de uma derrota do Sporting (**), e que até ontem permanecia fiel à lampionagem por via paterna, hoje chamou-me de parte, e disse convicta "sabes, eu agora sou do Sporting". Fi-la repetir 3 vezes, não fosse algum galo cantar (***), e como só ouvi o guincho escandalizado da minha mãe lampiã, dei-me por satisfeito, enxuguei a lágrima, e amanhã vai já um equipamento completo, se me tiver sobrado alguma coisa na conta, depois da Feira do Livro.
publicado em simultâneo aqui
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(*) Pelamordeus, isto devia ser uma alusão transparente, num país onde saem milhares para a rua a celebrar os anos de uma estátua religiosa.
(**) 29 de Setembro de 2005, em casa, com o Halmstadt.
(***) Vide primeira nota.
publicado em simultâneo aqui
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(*) Pelamordeus, isto devia ser uma alusão transparente, num país onde saem milhares para a rua a celebrar os anos de uma estátua religiosa.
(**) 29 de Setembro de 2005, em casa, com o Halmstadt.
(***) Vide primeira nota.
Colheita '09
sábado, maio 16, 2009
Extraordinário

A líder do PSD acha, na entrevista à RR/Público, que o défice será superior às previsões da UE. Vindo de alguém que, quando era ministra das finanças, numa situação internacional de crescimento económico, só conseguiu (pelo menos oficialmente) controlar o défice recorrendo a medidas extraordinárias, pode-se dizer que é de uma lata também ela extraordinária.
sexta-feira, maio 15, 2009
O tempora

Passámos, eu e o Manuel (n. Novembro de 2006), parte da tarde a ouvir a ópera Semele, de Haendel, e pelo meio ia-lhe lendo Bocage e Almeida Garrett e D. Francisco Manuel de Melo. Não adianta. Ele diz que "gotha muito", mas por mais que o exponha a alta cultura ele continua a dizer que "o Benfica é que é bom". Talvez seja tempo de desistir de tantas óperas e literaturas. Não vá ele ficar como eu, e não me refiro às opções culturais.
P.S.: a foto é de outra exposição vã a coisas boas.
P.S.: a foto é de outra exposição vã a coisas boas.
أنت عمري
O Manuel (n. Novembro de 2006) delira com esta música, a que chama "as pandeiretas", e chora em desespero quando, chegando a casa, desligo o leitor de CD do carro. Um fã inesperado da Umm Kulthûm
Notas sobre o 13 de Maio . 2
καὶ οἱ λοιποὶ τῶν ἀνθρώπων οἳ οὐκ ἀπεκτάνθησαν ἐν ταῖς πληγαῖς ταύταις οὐδὲ μετενόησαν ἐκ τῶν ἔργων τῶν χειρῶν αὐτῶν ἵνα μὴ προσκυνήσουσιν τὰ δαιμόνια καὶ τὰ εἴδωλα τὰ χρυσᾶ καὶ τὰ ἀργυρᾶ καὶ τὰ χαλκᾶ καὶ τὰ λίθινα καὶ τὰ ξύλινα, ἃ οὔτε βλέπειν δύνανται οὔτε ἀκούειν οὔτε περιπατεῖν καὶ οὐ μετενόησαν ἐκ τῶν φόνων αὐτῶν οὔτε ἐκ τῶν φαρμάκων αὐτῶν οὔτε ἐκ τῆς πορνείας αὐτῶν οὔτε ἐκ τῶν κλεμμάτων αὐτῶν
e os restantes homens, que não foram mortos por estas pragas, não fizeram penitência das obras das suas mãos, de modo a não adorarem demónios, e ídolos de ouro e de prata e de bronze e de pedra e de madeira, que não podem ver, nem ouvir, nem andar; e não fizeram penitência pelos seus crimes, nem pelos seus encantamentos, nem pela sua luxúria, nem pelos seus furtos.
Apocalipse, 9:20
A tradução é minha, admito que com falhas (o meu grego está um pouco esquecido), mas não há dúvidas: o livro santo dos cristãos não permite a adoração de estátuas. Et pourtant...
e os restantes homens, que não foram mortos por estas pragas, não fizeram penitência das obras das suas mãos, de modo a não adorarem demónios, e ídolos de ouro e de prata e de bronze e de pedra e de madeira, que não podem ver, nem ouvir, nem andar; e não fizeram penitência pelos seus crimes, nem pelos seus encantamentos, nem pela sua luxúria, nem pelos seus furtos.
Apocalipse, 9:20
A tradução é minha, admito que com falhas (o meu grego está um pouco esquecido), mas não há dúvidas: o livro santo dos cristãos não permite a adoração de estátuas. Et pourtant...
Acabar bem o dia . 10
Jean-Philippe Rameau (1683 - 1764), Pièces de Clavecin en Concert
Primeiro Concerto
Mitzi Meyerson (cravo)
Monica Huggett (violino)
Sarah Cunningham (viola da gamba)
Primeiro Concerto
Mitzi Meyerson (cravo)
Monica Huggett (violino)
Sarah Cunningham (viola da gamba)
quarta-feira, maio 13, 2009
Notas sobre o 13 de Maio . 1
Quando entrei em casa da minha mãe, lampiã contumaz, e a vi embevecida a olhar para um ecran de TV recheado de lenços brancos, pensei que estavam a repetir o final dos últimos jogos do benfica no Galinheiro. Afinal era só o 13 de Maio em Fátima, data que a nação lampiã nos últimos anos comemora ferverosamente, embora normalmente antes da data canónica.terça-feira, maio 12, 2009
segunda-feira, maio 11, 2009
Acabar bem o dia . 09

Eu ouvia isto e ouvia e tornava a ouvir e não me cansava de ouvir. Comprei o CD, se bem me lembro, na falecida Valentim de Carvalho do Rossio. Depois gravei numa cassete que me acompanhava nas viagens para Lisboa, depois para Mafra e para Caldas da Rainha, onde dei aulas nos dois primeiros anos de actividade. Mais de uma década depois ouço outra vez e não paro de ouvir.
Faz o que eu digo...
O Papa Ratzi "apela a que o Holocausto nunca seja esquecido". Eu concordo. Mas acho que o esforço de memória devia começar em casa, e o líder dos católicos devia ter puxado um bocadinho pela dita cuja antes de levantar a excomunhão ao execrável bispo negacionista.Isso mesmo
O Manuel (2 anos e meio) ao ver a festa dos morcões no Estádio do Morcão disse "parecem cabeçudos". Eu não teria dito melhor.
domingo, maio 10, 2009
Pavor

A Manuela diz que se vive um clima de medo em Portugal. E tem razão: depois do que passámos quando foi ministra das finanças, não há muito tempo, eu tenho um medo desesperado de que ela volte ao poder.
179

Demorou uma série de dias, até porque eu tenho mais que fazer, mas já está: passei para mp3 toda a minha colecção de CD de música antiga. São 179, desde o canto bizantino do século VII ao barroco do século XVIII. A colecção foi sendo feita sobretudo na primeira metade da década de 90 do século passado. São 179. Pensava que eram mais, fico um bocadinho desiludido.
quinta-feira, maio 07, 2009
A coquilha

Sentido, talvez, por lhe ter questionado a futura virilidade, o Manuel ontem por pouco não me emasculou com um pontapé bem medido, enquanto lhe mudava a fralda. Não vá o diabo tecê-las, amanhã a ver se compro uma coquilha.
terça-feira, maio 05, 2009
45/46

Não é que os tenha excessivamente grandes. Pelo menos quase todos os homens que conheço dizem tê-los pelo menos com o mesmo tamanho. Mas eu começo a achar que é como o velho lugar comum dos pescadores e do tamanho do peixe. Porque sempre que entro numa sapataria ou casa de artigos de desporto, a possibilidade de achar um sapato 45/46 é mais reduzida ainda do que a de o Benfica acabar um campeonato à frente do Sporting, na última década. De vez em quando lá acontece, muito raramente, mas confesso que não me lembro já da última.
Hoje fui a uma daquelas lojas de sapatos que anunciam ter tudo ao mais baixo preço. A ideia era comprar uns ténis (dos sapatos normais há muito desisti, não se fazem para o meu número). Mas nada. O costume. Lá achei, com dificuldade, uns sapatos de marca, obscenamente caros, mas com uma boa promoção. Mas não se pode ter tudo: um mísero 44. Entornei com dificuldade os pés lá dentro, e fiquei assim tipo aquelas chinesas do século passado que enfaixavam os pés para eles ficarem pequeninos. O problema é que eu ando a enfaixar os meus em sapatos de número abaixo do meu há quase 20 anos, e nada de mirrarem.
Há, porém, uma coisa que me continua a fazer imensa confusão: os miúdos de hoje são enormes, normalmente mais altos do que eu, é de supor que tenham pés proporcionais. E eles dizem que têm, mas eu nunca lá fui de régua em punho. E se é verdade, eu gostava muito de saber onde compram sapatos. Porque eu já corri tudo, desde as lojas de marca aos mercados. E para achar, na última década, sapatos que me servissem tive de mandar vir dos EUA, onde pelos vistos há mais gente como eu.
P.S.: lá comprei a porcaria dos ténis; entre esmagar os pés nos ténis velhos, já a ficarem sem sola, e esmagá-los nuns novos, as escolhas não são muitas.
P.P.S.: ainda se a lenda urbana de o tamanho dos pés corresponder ao tamanho de outras secções anatómicas fosse certa, eu nem me queixava muito - mas eu garanto que é embaraçosamente errada.
Hoje fui a uma daquelas lojas de sapatos que anunciam ter tudo ao mais baixo preço. A ideia era comprar uns ténis (dos sapatos normais há muito desisti, não se fazem para o meu número). Mas nada. O costume. Lá achei, com dificuldade, uns sapatos de marca, obscenamente caros, mas com uma boa promoção. Mas não se pode ter tudo: um mísero 44. Entornei com dificuldade os pés lá dentro, e fiquei assim tipo aquelas chinesas do século passado que enfaixavam os pés para eles ficarem pequeninos. O problema é que eu ando a enfaixar os meus em sapatos de número abaixo do meu há quase 20 anos, e nada de mirrarem.
Há, porém, uma coisa que me continua a fazer imensa confusão: os miúdos de hoje são enormes, normalmente mais altos do que eu, é de supor que tenham pés proporcionais. E eles dizem que têm, mas eu nunca lá fui de régua em punho. E se é verdade, eu gostava muito de saber onde compram sapatos. Porque eu já corri tudo, desde as lojas de marca aos mercados. E para achar, na última década, sapatos que me servissem tive de mandar vir dos EUA, onde pelos vistos há mais gente como eu.
P.S.: lá comprei a porcaria dos ténis; entre esmagar os pés nos ténis velhos, já a ficarem sem sola, e esmagá-los nuns novos, as escolhas não são muitas.
P.P.S.: ainda se a lenda urbana de o tamanho dos pés corresponder ao tamanho de outras secções anatómicas fosse certa, eu nem me queixava muito - mas eu garanto que é embaraçosamente errada.
Acabar bem o dia . 08

Alessandro Scarlatti (1660-1725), Folia Giannalisa Arena
Ouvir música
Mais uma soberba variação sobre as "folias".
Ouvir música
Mais uma soberba variação sobre as "folias".
segunda-feira, maio 04, 2009
Quietinho
"Sampaio considera que pode ser necessário Governo de Bloco Central"
E no dia em que isso acontecer eu deixo de votar PS.
E no dia em que isso acontecer eu deixo de votar PS.
Começar bem o dia . 12
domingo, maio 03, 2009
Começar bem o dia . 11
A feira do coiso
Ir à Feira do Livro ao fim-de-semana faz-me muito mal à misantropia, maleita de que padeço desde que me conheço. Mas eu, que por conselho médico só devia lá ir durante a semana, e de preferência a horas mortas, quando há menos gente, não tenho emenda, e lá me vou içando Parque acima, arfando e bufando de impaciência no pescoço daquele gente toda que resolveu sair de casa ao mesmo tempo só para me chatear, irra, e qualquer dia passo-me como o Pepe e não respondo por mim. E vou descontando a irritação em compras, e ainda estamos no princípio do mês e o ordenado já está em grande, muito grande parte a forrar os bolsos dos senhores editores. Que ferro.
sábado, maio 02, 2009
quinta-feira, abril 30, 2009
Vai desejar o Menu AVC ou o Menu Enfarte?

Agora que frequento mais assiduamente, para almoçar, os bares da FLUL e da Biblioteca Nacional, começo a dar ainda mais valor aos meus 30-40 quilos perdidos em pouco mais de 2 anos, bem como aos resultados das minhas últimas análises ("de fazer inveja, esse colestrol", disse o médico), e sobretudo a perceber o espanto generalizado por tão radical emagrecimento: realmente é difícil perder peso quando nestas instituições públicas as ementas variam entre o Porco au Colestrol, a Mixórdia Não Identificável à la Aterosclerose, e os Bifinhos AVC. Eu lá pego no tabuleiro, mas, como não tenho vocação suicida, rejeito com olhares sobranceiros aquelas armas de destruição massiva, e peço uma saladinha ofendida, acompanhada de arroz branco ("poucochinho, faxavor"). Há uma senhora de uma simpatia indescritível, no bar da Biblioteca Nacional, que me olha com compaixão e sussurra, penalizada, "ah, o senhor é vegetariano", acompanhando às vezes com um gesto a abençoar uma mixórdia afogada em molhos de aspecto suspeito, onde flutua um reconfortante papel, já transparente de gordura, a berrar "Prato vegetariano". Eu costumo explicar, de modo a que à volta me ouçam e se arrependam, enquanto é tempo, dos seus pratos de gordura polvilhados de carne ou peixe módico, que não, que não sou vegetariano, que como tudo o que me puserem à frente, desde que seja grelhado ou cozido, desde que não esteja a boiar em óleo ou estrangulado em gordura. Bom, dispenso porco, é certo, mas como estou farto de que me perguntem se é por motivos religiosos e de responder que não, que é apenas por amor à vida e respeito pelas minhas educadas e exigentes papilas gustativas, já desisti de referir a excepção, e se me puserem uma costeletazita (*) de suíno à frente ainda sou capaz de tapar o nariz, conter o vómito e engoli-la sem mastigar muito - desde que seja grelhada e eu tenha muita muita muita fome.
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(*) "Costoleta"?! Ai sim? É de onde? Da costola?
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(*) "Costoleta"?! Ai sim? É de onde? Da costola?
quarta-feira, abril 29, 2009
Doctor and Patient. A Portuguese novelist dissects his country

"Lobo Antunes remains obsessively local, worrying over the inherited ailments of Portuguese history and the debilities of its culture."
António Lobo Antunes no New Yorker. A não perder.
terça-feira, abril 28, 2009
Evolução
P4200020
Originally uploaded by asimoes1971
Originally uploaded by asimoes1971
Ainda dizem que a Universidade de Lisboa está decadente. Pelo menos na qualidade das caixinhas dos diplomas nota-se uma claríssima evolução do primeiro (1993, à direita) para o último (2004, à esquerda). Os preços, por outro lado, continuam obscenos.
segunda-feira, abril 27, 2009
Os broncos

Que se vá para o México no pico da estação dos furacões, como é prática corrente entre os portugueses, ainda consigo compreender. Afinal ainda não é crime gostar de desportos radicais, e só põem a sua própria vida em risco, e ainda têm a hipótese de ganhar os seus minutos de fama, quando são entrevistados em directo nos telejornais, enquanto se encontram barricados em hotéis ou em aeroportos. Mas lá está, não prejudicam ninguém a não ser eles próprios. Revelam apenas burrice, perdoe-se o eufemismo. Agora que se vá despreocupadamente para o México, como se viu hoje nas notícias, com a ameaça de uma pandemia de gripe que já causou mais de uma centena de mortos e que ameaça tornar-se incontrolável, e portanto candidatando-se a tornar-se responsável pela sua introdução em Portugal, isto já roça o criminoso. Fosse eu governo, e esta gentinha não tornava a entrar no país sem uma quarentena. Todos enfiados numa garagem durante 1 mesinho, a pão e água, no regresso. O portuga é mesmo bronco.
sábado, abril 25, 2009
Página em branco
sexta-feira, abril 24, 2009
É verdade sim senhor
"Dragões insurgem-se contra arbitragem portuguesa.
CLUBE GARANTE QUE FUTEBOLISTAS FALTOSOS SÃO PROTEGIDOS"
CLUBE GARANTE QUE FUTEBOLISTAS FALTOSOS SÃO PROTEGIDOS"
E eu neste caso sou obrigado a concordar com os morcões, e a elogiar-lhes o sentido de autocrítica.
quinta-feira, abril 23, 2009
José Mário Silva na FLUL
A próxima sessão do Clube das Clássicas é já no dia 20 de Maio, e contará com a presença de José Mário Silva. Escritor e crítico literário, José Mário Silva tem na sua poesia claras referências ao mundo clássico. Editou em 2001 o seu primeiro livro de poemas, Nuvens & Labirintos (Gótica), a que se seguiu em 2008 o volume de micronarrativas Efeito Borboleta e outras histórias (Oficina do Livro). Já em 2009 sai o seu segundo livro de poemas, Luz Indecisa (Oceanos). Deste livro aqui ficam umas linhas.geografia humana
fast forward
Por muito
que aceleres
– duas vezes,
quatro vezes –
nunca deixas
de ter pressa.
Acabar bem o dia . 07
As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.
Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, abril 20, 2009
Ele há coisas do diabo ou O homem da conspiração
Há dias, numa das minhas aulas de árabe via conferência áudio, a minha professora egípcia resolveu dar a aula quase toda em árabe, em vez do usual inglês. Tudo correu bem até ao momento em que começou a perguntar a raiz dos verbos que iam aparecendo. Ora, em árabe a raiz verbal, ou base, diz-se القاعدة , o que se transcreve al-qâʿida (acentuação na sílaba -qâ-), o mesmo nome usado para a infame rede terrorista (*). Na altura brinquei, dizendo-lhe que tivesse cuidado, não fosse ser surpreendida pela visita de espiões americanos que a tivessem sob escuta. Ela não respondeu, e eu pensei que tivesse levado a mal. Minutos depois o seu nome desapareceu da lista da conferência. Quando voltou, pediu muitas desculpas, mas a sua ligação tinha sido cortada durante aqueles minutos. E eu já estou como o Sancho, que não acreditava em bruxas, mas...
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(*) E que os media portugueses parolamente transcrevem à inglesa, quando a forma aportuguesada seria aquela que indiquei, ou, no limite, alcaida.
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(*) E que os media portugueses parolamente transcrevem à inglesa, quando a forma aportuguesada seria aquela que indiquei, ou, no limite, alcaida.
Paulo Rodrigues Ferreira
O Clube das Clássicas regressou, trazendo agora autores jovens ao nosso convívio. O primeiro é Paulo Rodrigues Ferreira, que lança o seu primeiro livro, com a chancela Livrododia Editores. É já no dia 22, no átrio da Biblioteca da FLUL. Confirmada está também a visita, ainda durante este semestre, de José Mário Silva e Luís Filipe Cristóvão.
domingo, abril 19, 2009
nihil noui sub sole
E também há pessoas, fora do PSD, que querem que Ferreira Leite tenha um mau resultado.
quinta-feira, abril 16, 2009
quarta-feira, abril 15, 2009
Verba aliena . 01
nothing is more exactly terrible than
to be alone in the house,with somebody and
with something)
.........................You are gone. ..there is laughter
and despair impersonates a street
i lean from the window,behold ghosts,
......................... ......................... .... ..... a man
hugging a woman in a park. .. Complete.
and slightly(why?or lest we understand)
slightly i am hearing somebody
coming up stairs,carefully
(carefully climbing carpeted flight after
carpeted fight. .. in stillness,climbing
the carpeted stairs of terror)
and continually i am seeing something,
inhaling gently a cigarrette(in a mirror
e. e. cummings
to be alone in the house,with somebody and
with something)
.........................You are gone. ..there is laughter
and despair impersonates a street
i lean from the window,behold ghosts,
......................... ......................... .... ..... a man
hugging a woman in a park. .. Complete.
and slightly(why?or lest we understand)
slightly i am hearing somebody
coming up stairs,carefully
(carefully climbing carpeted flight after
carpeted fight. .. in stillness,climbing
the carpeted stairs of terror)
and continually i am seeing something,
inhaling gently a cigarrette(in a mirror
e. e. cummings
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