sexta-feira, abril 29, 2011

Do assassínio da Feira do Livro

A Feira do Livro tem hoje o primeiro do que se prevê virem a ser muitos dias de chuva e mau tempo em geral. Depois do desastre do ano passado (que ainda assim teve menos dias maus do que os que agora se prevêem), não se percebe muito bem o que leva a organização a insistir neste calendário abstruso. Fazer a Feira numa altura do ano em que até as criancinhas sabem que o tempo é instável e tendencialmente chuvoso não lembra a ninguém. A não ser que a ideia seja acabar com a Feira ao ar livre, e assassiná-la num espaço fechado. Se assim é, mais valia assumirem-no de vez.

domingo, abril 03, 2011

Da missão


Outros modelarão, bem o creio, bronzes com vida
e sem dureza; extrairão do mármore seres animados;
defenderão melhor as causas; medirão com o compasso
o curso dos céus e anunciarão o nascer dos astros.
Tu, Romano, sê atento a governar os povos com o teu poder
– estas serão as tuas artes – a impor hábitos de paz,
a poupar os vencidos e derrubar os orgulhosos.

(Eneida VI.847-853. Trad.: M. H. da Rocha Pereira)

Excudent alii spirantia mollius aera
(credo equidem), uiuos ducent de marmore uultus,
orabunt causas melius, caelique meatus
describent radio et surgentia sidera dicent:
tu regere imperio populos, Romane, memento
(hae tibi erunt artes), pacique imponere morem,
parcere subiectis et debellare superbos.

terça-feira, março 29, 2011

Livros cá de casa . XII


Gostava de ter tempo para retomar os estudos de Árabe, e sobretudo de me voltar a dedicar à literatura árabe medieval hispânica.

quinta-feira, março 17, 2011

Doping barroco

A ideia hoje era correr só um bocadinho, para regressar ao trabalho mais depressa. Só que a passadeira tem televisão, e no Mezzo estava a dar a a Missa em Si Menor de J.S. Bach. Assim, e como é mais do que óbvio, só parei a corrida quando o coro e a orquestra acabaram de entornar o Dona nobis pacem. Ou seja, em vez de uma corridinha rapída, de 4 ou 5km, foram quase 11km. Mas também, que graça tem correr só 4 ou 5km?

quarta-feira, março 16, 2011

Livros cá de casa . X


Comprado num alfarrabista de Lisboa. A edição não tem data, apenas indica ser a 4.ª. A informação contraria o que diz o catálogo da Biblioteca Nacional, segundo o qual a 4.ª edição seria dos anos 80. Não é o caso desta, claramente anterior. Pela ortografia e pelo aspecto geral, eu apontaria para os anos 40 ou, o mais tardar, 50. A primeira edição desta obra é de 1937.

domingo, março 13, 2011

Livros cá de casa . IX


Lido lá para finais dos anos 80, enrolado debaixo dos cobertores. A edição é de 1952, e a folha de rosto diz que:

Esta edição de QUO VADIS 
contém o texto integral de 
HENRYK SIENKIEWICZ 
e assinalou a estreia em Portugal, no ano 
de 1952, do filme da M. G. M. 
Colossal QUO VADIS
As ilustrações que acompanham esta edição 
foram extraídas do filme
por amável deferência da M. G. M.

sábado, março 12, 2011

Livros cá de casa . VIII


Achado num alfarrabista de Lisboa, lá pelos anos 90. Nunca percebi porque é que o autor não traduziu o Livro IV. Assim como assim era só mais um...

A edição é bilingue. O tradutor é Ruy Mayer, que também autografou este exemplar.

terça-feira, março 08, 2011

Azóia na Líbia, az-Zâwiya em Portugal

Muito falada nos últimos dias pelas piores razões, a cidade líbia de az-Zâwiya (الزاوية) tem precisamente o mesmo nome que as povoações portuguesas chamadas Azóia, cujo nome vem de az-Zâwiya, e de que a mais conhecida é Santa Iria da Azóia. A palavra significa "recanto", ou "oratório", dependendo dos contextos.

Por alguma razão obscura que não consigo descortinar, a imprensa portuguesa chama à cidade líbia "Zâwiya", roubando-lhe o artigo, que faz parte integrante do nome.

للأصدقائي العرب: في البرتغال مدن كثيرة التي أسماؤها الزاوية

domingo, março 06, 2011

Vitórias Sportinguistas, vitórias contra a xenofobia

No dia em que a equipa do futebol do Sporting voltou a vencer ao fim de muito tempo, mais dois grandes resultados sportinguistas, no atletismo: Naide Gomes e Obikwelu (sobre estes dois nacionalizados ninguém se queixa - e ainda bem - de representarem Portugal: tivessem eles nascido no Brasil, não faltariam os salazarengos anti-brasileiros do costume).

quinta-feira, março 03, 2011

A carroça e o Ferrari (volto à carga)

Resolvidos os problemas do portátil novo, configurei-o à minha medida. Instalei Linux (Ubuntu 10.10) ao lado do Windows 7, que vem de raiz. Não resisti a fazer mais uma corrida entre os dois sistemas, a ver se o Windows melhorou os anteriores e vergonhosos resultados. Ingenuidade a minha.

Os testes foram feitos com o computador a funcionar com a bateria.

A primeira corrida é a mais simples: quanto demora cada um a iniciar? Vitória esperada e retumbante do Linux, que demora apenas 38 segundos a ficar operacional, incluindo a introdução da password.
O Windows 7 demora, com a introdução da mesma password, quase o dobro do tempo: 68 segundos.

A segunda corrida consiste na abertura do Firefox (mesma versão em ambos os sistemas) pela primeira vez. Nova goleada: o Windows 7 precisa de 35 segundos para abrir; a partir daí demora 4.
O Linux demora apenas 5 segundos para abrir pela primeira vez - ou seja, 7 vezes menos tempo. A partir daí demora apenas 2 segundos - metade do equivalente em Windows 7.

A terceira corrida consiste na abertura do  processador de texto do OpenOffice (mesma versão em ambos os sistemas). O Windows 7 precisa de 18 segundos para o abrir pela primeira vez. A segunda vez precisa de 3 segundos.
Já o Linux demora 11 segundos para abrir pela primeira vez, e 3 nas subsequentes. Resultado mais equilibrado, ainda assim vantagem para o Linux.

A quarta corrida consiste no fecho do sistema. O Windows 7 precisa de uns inacreditáveis 27 segundos. O Linux faz o mesmo em 5 segundos.

Veredicto final: vitória retumbante, esmagadora do Linux, que faz o mesmo incomparavelmente mais depressa. E sem crash nem vírus. Ah, e é gratuito.

terça-feira, março 01, 2011

Linux vs. Windows (volto à carga)

Eu sou do tempo em que se dizia que o Linux era muito complicado, que era um problema com a instalação de hardware, e outras cousas do tipo, algumas das quais eram verdade há 15-20 anos. Como deixei de usar windows regularmente há uns 15 anos, fui ficando desactualizado, no que a esse sistema operativo PAGO diz respeito. Sempre que o tenho de usar, no entanto, fico com uma pilha de nervos para o resto da semana.

Nada disto é novo, toda a gente que já usou os dois sistemas sabe que o windows está para Linux como uma carroça para um ferrari.

Hoje comprei um netbook com Windows 7 instalado (queria ver se era só no aspecto que era uma cópia descarada do Linux). Queria também ver se a lentidão que verificava nos computadores com Windows 7 que conhecia era mesmo sistémica. Assim que liguei, crash. Nova tentativa. Crash. Outra. Crash. Mais outra. Crash. Às vezes nem liga. Fica ali de ecran negro e nada. Ao fim de algumas horas de tentativas infrutíferas (comprado às 13:00, primeira vez que consegui abrir sem crash foi há pouco) lá consegui. Mas demora vários minutos até ligar mesmo e ficar operacional, como de resto já tinha observado em outros computadores com este Windows 7\. Espetei-lhe uma pen. Não reconhece. Tenta instalar não sei o quê. Falha. O mesmo que já tinha verificado em vários outros computadores com windows: mesmo quando acabam por reconhecer, primeiro têm de instslar cousas estranhas. Com Linux é só prantar a pen e já está.

Para mim chega. Meu bom velho Linux, fiável, sem crash, sem vírus, rápido, eficaz!

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Da elocução

Já tinha acontecido há uns anos, e até já contei algumas vezes. Na altura estava na praia a ler um volume de contos de Dostoiévski (tinha muito mais graça se fosse o "Crime e Castigo", mas não era), e umas miúdas que teriam uns 4 ou 5 anos interromperam a brincadeira e vieram pedir-me que lhes lesse "essa história". Embasbaquei uns segundos, mas lá me decidi, e pus-me a ler Dostoiévski às miúdas. Ao fim de menos de um minuto já elas voltavam à brincadeira, e eu calei-me, para prosseguir a "minha" leitura. Elas, no entanto, voltaram-se ao mesmo tempo, e berraram "continua" (ou "não pares", não me lembro bem).

Ontem não era Dostoiévski, mas a Vida de Rómulo, de Plutarco. O Manuel (4 anos), que até então estava entretido ao colo da mãe, pediu-me que lhe lesse "essa história". Eu obedeci, e durante alguns minutos lá lhe li as malfeitorias do fundador de Roma. Passado um pouco, quis ir ouvir pela enésima vez o "Pedro e o Lobo", do Prokófiev, mas às tantas, salvo erro quando o gato perseguia o passarinho, pediu-me para lhe ler de novo "a história do Rómulo".

Como nem me parece que as miúdas entendessem a prosa russa oitocentista, nem que o Manuel seja muito sensível à historiografia grega do séc. I d.C., a única moral que posso tirar daqui é que se calhar ando a perder tempo quando tento escolher com o máximo rigor os livros infantis para oferecer aos miúdos. Parece que lhes interessa sobretudo ouvir, não importa o quê.



sábado, fevereiro 19, 2011

Livros cá de casa . VII


"Codling, snakelet, iciclist! My diaper has more life to it! Who drowned you in drears, man, or are you pillale with ink?"

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Livros cá de casa . VI


Um daqueles que só podem ser lidos no original. O que se perde em uma ou oura frase menos bem entendida ganha-se na sonoridade do todo, impossível de reproduzir na tradução.