quarta-feira, maio 18, 2011

Dos maiores de 23

A propósito do ataque do psd às "Novas Oportunidades", já se começam também a ouvir vozes a dizer mal dos acessos de maiores de 23 anos à Universidade, os antigos "ad hoc". Ataques soezes e injustificados. Posso dar testemunho de que até agora, na FLUL (a minha experiência na FCSH-UNL é recente), sem uma única excepção que me venha à memória, os alunos que entraram ao abrigo dos "maiores de 23" estão invariavelmente entre os melhores das turmas onde estão integrados, frequentemente mesmo até obtêm as mais altas classificaçõe da turma. São também, sem excepção, dos alunos mais interessados, aplicados e trabalhadores. É uma tremenda injustiça denegri-los como ainda hoje comecei a ouvir em alguns programas daqueles da TV para onde se liga a dizer de sua justiça (quase sempre baboseiras populistas).

Não me pronuncio (ou, como diz o presidente da república, não me "prenuncio") sobre as Novas Oportunidades, porque não conheço. Mas posso pronunciar-me sobre alguns casos de pessoas que conheço que fizeram aqueles antigos cursos em que num ano se fazia o secundário todo, e que chegaram à faculdade, através do "ad hoc", e que foram, também elas, das melhores da turma. É preciso ter algum cuidado com generalizações.

terça-feira, maio 17, 2011

Livros cá de casa . XVI


Em Portugal não se editam com frequência as grandes obras da nossa cultura, menos ainda as da cultura universal, ao abrigo de uma mentalidade parola que diz que "se pode sempre ler em inglês ou espanhol ou francês". 

O Apologético de Tertuliano, obra fundamental para o entendimento do Cristianismo primitivo, teve esta edição de 300 exemplares, que já não se acha em lugar nenhum, e tanto quanto sei não voltou a ser reeditado.

quinta-feira, maio 12, 2011

that ideal reader suffering from an ideal insomnia

and look at this prepronominal funferal, engraved and retouched and edgewiped and puddenpadded, very like a whale's egg farced with pemmican, as were it sentenced to be nuzzled over a full trillion times for ever and a night till his noddle sink or swim by that ideal reader suffering from an ideal insomnia: all those red raddled obeli cayennepeppercast over the text, calling unnecessary attention to errors, omissions, repetitions and misalignments
James Joyce, Finnegans Wake

terça-feira, maio 10, 2011

Outra vez da rapidez

Na Faculdade. Com preguiça de tirar o portátil com Linux da mochila, liguei o computador do gabinete, que tem Windows 7. Depois de esperar um bom bocado, enquanto ele configurava não sei o quê, acabei por perder a paciência, tirar o portátil da mochila, ligar o ubuntu linux, fazer o que tinha a fazer, escrever isto, e agora vou carregar no reset do outro, que continua a configurar não sei o quê e não me deixa entrar. 

Era uma boa maneira de o estado poupar dinheiro: acabar com os milhões de euros anuais pagos em licenças para o Merdows, e passar a usar Linux, que faz a mesma coisa em 1/3 do tempo, e é gratuito.

sábado, maio 07, 2011

Das teses

Depois de anos a trabalhar exclusivamente na tese de doutoramento, sempre de consciência pesada quando lia cousas não directamente relacionadas ou quando passava mais do que uma ou duas horas de lazer, assim que a tese acabou de ser defendida e aprovada, não encontrei melhor maneira de comemorar senão sair da Reitoria, e ir a pé até à Feira do Livro gastar alguns euros em livros. E que bem gastos foram.

sexta-feira, abril 29, 2011

Do assassínio da Feira do Livro

A Feira do Livro tem hoje o primeiro do que se prevê virem a ser muitos dias de chuva e mau tempo em geral. Depois do desastre do ano passado (que ainda assim teve menos dias maus do que os que agora se prevêem), não se percebe muito bem o que leva a organização a insistir neste calendário abstruso. Fazer a Feira numa altura do ano em que até as criancinhas sabem que o tempo é instável e tendencialmente chuvoso não lembra a ninguém. A não ser que a ideia seja acabar com a Feira ao ar livre, e assassiná-la num espaço fechado. Se assim é, mais valia assumirem-no de vez.

domingo, abril 03, 2011

Da missão


Outros modelarão, bem o creio, bronzes com vida
e sem dureza; extrairão do mármore seres animados;
defenderão melhor as causas; medirão com o compasso
o curso dos céus e anunciarão o nascer dos astros.
Tu, Romano, sê atento a governar os povos com o teu poder
– estas serão as tuas artes – a impor hábitos de paz,
a poupar os vencidos e derrubar os orgulhosos.

(Eneida VI.847-853. Trad.: M. H. da Rocha Pereira)

Excudent alii spirantia mollius aera
(credo equidem), uiuos ducent de marmore uultus,
orabunt causas melius, caelique meatus
describent radio et surgentia sidera dicent:
tu regere imperio populos, Romane, memento
(hae tibi erunt artes), pacique imponere morem,
parcere subiectis et debellare superbos.

terça-feira, março 29, 2011

Livros cá de casa . XII


Gostava de ter tempo para retomar os estudos de Árabe, e sobretudo de me voltar a dedicar à literatura árabe medieval hispânica.

quinta-feira, março 17, 2011

Doping barroco

A ideia hoje era correr só um bocadinho, para regressar ao trabalho mais depressa. Só que a passadeira tem televisão, e no Mezzo estava a dar a a Missa em Si Menor de J.S. Bach. Assim, e como é mais do que óbvio, só parei a corrida quando o coro e a orquestra acabaram de entornar o Dona nobis pacem. Ou seja, em vez de uma corridinha rapída, de 4 ou 5km, foram quase 11km. Mas também, que graça tem correr só 4 ou 5km?

quarta-feira, março 16, 2011

Livros cá de casa . X


Comprado num alfarrabista de Lisboa. A edição não tem data, apenas indica ser a 4.ª. A informação contraria o que diz o catálogo da Biblioteca Nacional, segundo o qual a 4.ª edição seria dos anos 80. Não é o caso desta, claramente anterior. Pela ortografia e pelo aspecto geral, eu apontaria para os anos 40 ou, o mais tardar, 50. A primeira edição desta obra é de 1937.

domingo, março 13, 2011

Livros cá de casa . IX


Lido lá para finais dos anos 80, enrolado debaixo dos cobertores. A edição é de 1952, e a folha de rosto diz que:

Esta edição de QUO VADIS 
contém o texto integral de 
HENRYK SIENKIEWICZ 
e assinalou a estreia em Portugal, no ano 
de 1952, do filme da M. G. M. 
Colossal QUO VADIS
As ilustrações que acompanham esta edição 
foram extraídas do filme
por amável deferência da M. G. M.

sábado, março 12, 2011

Livros cá de casa . VIII


Achado num alfarrabista de Lisboa, lá pelos anos 90. Nunca percebi porque é que o autor não traduziu o Livro IV. Assim como assim era só mais um...

A edição é bilingue. O tradutor é Ruy Mayer, que também autografou este exemplar.

terça-feira, março 08, 2011

Azóia na Líbia, az-Zâwiya em Portugal

Muito falada nos últimos dias pelas piores razões, a cidade líbia de az-Zâwiya (الزاوية) tem precisamente o mesmo nome que as povoações portuguesas chamadas Azóia, cujo nome vem de az-Zâwiya, e de que a mais conhecida é Santa Iria da Azóia. A palavra significa "recanto", ou "oratório", dependendo dos contextos.

Por alguma razão obscura que não consigo descortinar, a imprensa portuguesa chama à cidade líbia "Zâwiya", roubando-lhe o artigo, que faz parte integrante do nome.

للأصدقائي العرب: في البرتغال مدن كثيرة التي أسماؤها الزاوية