quinta-feira, junho 04, 2009
Parkinson?
quarta-feira, junho 03, 2009
uf
Ao passar hoje pelo estádio de Alvalade achei aquilo muito mal frequentado, com muito mau aspecto, assim uma gente desgrenhada comunicando por monossílabos e gesticulações exageradas. Quando já pensava que me tinha enganado e estava perto do estádio da Luz e que havia lá jogo, lembrei-me de que hoje era o concerto de AC/DC. Uf. Por momentos...
segunda-feira, junho 01, 2009
Lidos . 01
«C'est pourquoi le parc est peuplé d'hommes qui se suicident et de danseurs qui tombent. C'est ainsi que le marquis de Fronteira tira vengeance de la vengeance de Madame d'Oeiras. C'est pourquoi les animaux sur les azulejos ont pris le visage des hommes. C'est pourquoi au coin des fresques, à l'angle de ces murs, on voit des figures accroupies qui relèvent leur jupe et excrètent dans l'ombre»
sexta-feira, maio 29, 2009
Ignomínia

Eu continuo solteiro, ninguém me pega. E desconfio que um grande obstáculo é não ter paciência para a bicharada, mas sobretudo o facto de andar com um carro com duas cadeirinhas de criança. Há dias dei a última machadada na minha imagem de solteirão, já sem falar na dignidade do meu carro, ao prantar este pára-sol com a Hello Kitty. Do outro lado está o Noddy, que sempre é um pouco mais másculo, mas não menos aviltante do meu celibato forçado.
quinta-feira, maio 28, 2009
quarta-feira, maio 27, 2009
Campions!
Catalunya triomfant,
tornarà a ser rica i plena.
Endarrera aquesta gent
tan ufana i tan superba.
…
(Hino da Catalunha)
tornarà a ser rica i plena.
Endarrera aquesta gent
tan ufana i tan superba.
…
(Hino da Catalunha)
Quando se diz que “o Porto é uma nação” esquece-se de que nação a sério é a Catalunha, com língua, cultura e história próprias, e o Barça é o seu representantes máximo. E não estou a falar de futebol. Comparar o bairrismo portuense, legítimo mas não menos provinciano por isso, com o nacionalismo catalão, alicerçado, repito, em língua, cultura e história próprias, só revela pouco conhecimento da realidade espanhola no que respeita às diferentes nacionalidades que a compõem. Mais do que uma equipa de futebol, o Barça é o grande embaixador do nacionalismo catalão, como se viu recentemente na final da Taça do Rei, onde os seus adeptos – juntamente com os adeptos do Athletic, o equivalente basco – vaiaram e assobiaram o hino espanhol.
Assim, como todas as vitórias do Barça, a desta noite é não uma vitória espanhola, mas uma vitória da Catalunha, simbolizada nas inúmeras bandeiras catalãs do Olímpico de Roma, e na bandeira catalã que o Piqué tem ao pescoço quando a taça é levantada (que só por distracção pode ser confundida com a espanhola, apesar de as cores serem parecidas) e, antes disso, na conferência de imprensa que antecedeu o jogo, onde Guardiola fez questão de falar em catalão (e numa língua que de início me pareceu basco, mas afinal era inglês mesmo). O mesmo Guardiola que gostava de dizer que “la meva selecció ets el Barça” (a minha selecção é o Barça).
A história da Catalunha está, além disso, intimamente ligada à de Portugal, nomeadamente à Restauração de 1640. Na verdade, o êxito da revolta portuguesa só foi possível porque poucos meses antes a Catalunha se tinha levantado contra os espanhóis. Ambas as revoltas, a portuguesa e a catalã, foram prestavelmente patrocinadas pela França, que se envolvia numa guerra sem quartel contra Espanha, no contexto da Guerra dos 30 Anos, e a quem interessava desestabilizar eternamente o inimigo. Aproveitando a deslocação de efectivos militares espanhóis para a Catalunha, foi relativamente fácil aos apoiantes do Duque de Bragança levarem a bom termo a revolta. E, claro, ajudou muito o facto de Filipe IV ter sido forçado a optar entre Portugal e Catalunha, não podendo acudir aos dois lados ao mesmo tempo. Assim optou, obviamente, pela Catalunha, e só quando a conseguiu pacificar, em 1652, e sobretudo com o fim da guerra com a França, em 1659, é que decidiu avançar em força para Portugal. Demasiado tarde. Quase 20 anos apenas com escaramuças fronteiriças e uma batalha importante, em 1644, na localidade espanhola de Montijo, Portugal tinha tido mais que tempo para se reorganizar, e vencer categoricamente as outras 4 grandes batalhas, e ficar em posição de força para a assinatura da paz em 1668. Os apoiantes da Restauração, de resto, bem cedo reconheceram o papel fundamental da Catalunha, como já dizia o Pe. António Vieira no Sermão dos Bons Anos (1 de Janeiro de 1642):
E já chega de cultura, que hoje é dia de festa. Visca el Barça! Visca Catalunya!
P.S.: o actual hino da Catalunha, de que coloquei no início os primeiros versos, é parte de um texto do século XVIII que relata, precisamente, a revolta de 1640. As partes mais sangrentas e anti-espanholas não são cantadas hoje.
Assim, como todas as vitórias do Barça, a desta noite é não uma vitória espanhola, mas uma vitória da Catalunha, simbolizada nas inúmeras bandeiras catalãs do Olímpico de Roma, e na bandeira catalã que o Piqué tem ao pescoço quando a taça é levantada (que só por distracção pode ser confundida com a espanhola, apesar de as cores serem parecidas) e, antes disso, na conferência de imprensa que antecedeu o jogo, onde Guardiola fez questão de falar em catalão (e numa língua que de início me pareceu basco, mas afinal era inglês mesmo). O mesmo Guardiola que gostava de dizer que “la meva selecció ets el Barça” (a minha selecção é o Barça).
A história da Catalunha está, além disso, intimamente ligada à de Portugal, nomeadamente à Restauração de 1640. Na verdade, o êxito da revolta portuguesa só foi possível porque poucos meses antes a Catalunha se tinha levantado contra os espanhóis. Ambas as revoltas, a portuguesa e a catalã, foram prestavelmente patrocinadas pela França, que se envolvia numa guerra sem quartel contra Espanha, no contexto da Guerra dos 30 Anos, e a quem interessava desestabilizar eternamente o inimigo. Aproveitando a deslocação de efectivos militares espanhóis para a Catalunha, foi relativamente fácil aos apoiantes do Duque de Bragança levarem a bom termo a revolta. E, claro, ajudou muito o facto de Filipe IV ter sido forçado a optar entre Portugal e Catalunha, não podendo acudir aos dois lados ao mesmo tempo. Assim optou, obviamente, pela Catalunha, e só quando a conseguiu pacificar, em 1652, e sobretudo com o fim da guerra com a França, em 1659, é que decidiu avançar em força para Portugal. Demasiado tarde. Quase 20 anos apenas com escaramuças fronteiriças e uma batalha importante, em 1644, na localidade espanhola de Montijo, Portugal tinha tido mais que tempo para se reorganizar, e vencer categoricamente as outras 4 grandes batalhas, e ficar em posição de força para a assinatura da paz em 1668. Os apoiantes da Restauração, de resto, bem cedo reconheceram o papel fundamental da Catalunha, como já dizia o Pe. António Vieira no Sermão dos Bons Anos (1 de Janeiro de 1642):
“Se Portugal se levantara enquanto Castela estava vitoriosa, ou, quando menos, enquanto estava pacífica, segundo o miserável estado em que nos tinham posto, era a empresa mui arriscada. Eram os dias críticos e perigosos; mas como a Providência Divina cuidava tão particularmente de nosso bem, por isso ordenou que se dilatasse nossa restauração tanto tempo, e que se esperasse a ocasião oportuna do ano de quarenta, em que Castela estava tão embaraçada com inimigos, tão apertada com guerras de dentro e de fora; para que, na diversão de suas impossibilidades, se lograsse mais segura a nossa resolução. Dilatou-se o remédio, mas segurou-se o perigo. Quando os Filisteus se quiseram levantar contra Sansão, aguardaram a que Dalila lhe tivesse presas e atadas as mãos, e então deram sobre ele. Assim o fizeram os Portugueses bem advertidos. Aguardaram a que Catalunha atasse as mãos ao Sansão que os oprimia, e como o tiveram assim embaraçado e preso. então se levantaram contra ele tão oportuna como venturosamente.”
E já chega de cultura, que hoje é dia de festa. Visca el Barça! Visca Catalunya!
P.S.: o actual hino da Catalunha, de que coloquei no início os primeiros versos, é parte de um texto do século XVIII que relata, precisamente, a revolta de 1640. As partes mais sangrentas e anti-espanholas não são cantadas hoje.
[em simultâneo no Facciosos]
Acabar bem o dia . 12
Acabar bem o dia . 11
Já se tinha ouvido isto por aqui. Agora vai a primeira versão que ouvi. Não no filme, que ainda não vi, mas num belíssimo CD (com uma capa medonha) comprado na Valentim de Carvalho no início dos anos 90.
Martín y Coll (c. 1660-1734), Diferencias sobre las folías Hespèrion XXI, Jordi Savall
Ouvir música aqui
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terça-feira, maio 26, 2009
segunda-feira, maio 25, 2009
A prisão do ético
Mais uma grande crítica a A prisão do ético, do Paulo Rodrigues Ferreira, agora do valter hugo mãe. E eu fiquei outra vez feliz e orgulhoso quase como se fosse eu.
Palinódia
Uma das cartas mais divertidas da Correspondência de Fradique Mendes, que li no início dos anos 90 numa edição de 1919, comprada num alfarrabista lisboeta, vem-se sempre à memória quando ouço tugas a falar portunhol convencidos de que estão a fazer um brilharete. Lembrei-me dela, por exemplo, quando o Queiroz era treinador do Real Madrid, ou quando o Durão Barroso (a. k. a. José Manuel Barroso) era líder do PSD e berrou apopléctico "Viva Espanha" num comício do Aznar, ou depois da lamentável figura do Sócrates ontem, num comício do PSOE. Neste último caso a releitura da carta teve um efeito catártico, na medida em que me vai permitir votar no PS descansado, sem ser assombrado pela recordação daqueles minutos humilhantes.
Deixo aqui algũs excerptos, na orthographia original, para os resistentes ao accordo orthographico (nos quaes, como se sabe, nam me incluo).
Deixo aqui algũs excerptos, na orthographia original, para os resistentes ao accordo orthographico (nos quaes, como se sabe, nam me incluo).
A MADAME S.
Paris, Fevereiro.
Minha Cara Amiga -- O hespanhol chama-se D. Ramon Covarubia, mora na Passage Saulnier, 12, e como é aragonez, e portanto sobrio, creio que com dez francos por lição se contentará amplamente. Mas se seu filho já sabe o castelhano necessario para entender os Romanceros, o D. Quixote, alguns dos «Piccarescos», vinte paginas de Quevedo, duas comedias de Lope de Vega, um ou outro romance de Galdós, que é tudo quanto basta lêr na litteratura de Hespanha, para que deseja a minha sensata amiga que elle pronuncie esse castelhano que sabe com o accento, o sabor, e o sal d'um madrileno nascido nas veras pedras da Calle-Mayor? Vai assim o dôce Raul desperdiçar o tempo que a Sociedade lhe marcou para adquirir idéas e noções (e a Sociedade a um rapaz da sua fortuna, do seu nome e da sua belleza, apenas concede, para esse abastecimento intelectual, sete anos, dos onze aos dezoito) -- em quê? No luxo de apurar até a um requinte superfino, e superfluo, o mero instrumento de adquirir noções e idéas. Porque as linguas, minha boa amiga, são apenas instrumentos do saber, como instrumentos de lavoura. Consumir energia e vida na aprendizagem de as pronunciar tão genuina e puramente, que pareça que se nasceu dentro de cada uma d'ellas, e que, por meio de cada uma, se pediu o primeiro pão e agua da vida -- é fazer como o lavrador que em vez de se contentar em cavar a terra com um ferro simples encabado n'um pau simples, se applicasse, durante os meses em que a horta tem de ser trabalhada, a embutir emblemas no ferro e esculpir flôres e folhagens ao comprido do pau. Com um hortelão assim, tão miudamente occupado em alindar e requintar a enxada, como estariam agora, minha senhora, os seus pomares da Touraine?
Um homem só deve fallar, com impeccavel segurança e pureza, a lingua da sua terra: -- todas as outras as deve fallar mal, orgulhosamente mal, com aquele accento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na lingua verdadeiramente reside a nacionalidade; -- e quem fôr possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa vai gradualmente soffrendo uma desnacionalização.
Eça de Queiroz, A correspondencia de Fradique Mendes: memorias e notas. Liv. Chardon, Porto, 1900. pp. 137-139
Portanto o nosso Primeiro-ministro apenas seguiu os conselhos do Eça, e assim provou o seu patriotismo, e eu vou poder votar nele tranquilo, sem que me ecoem nos ouvidos as cacofonias portunhólicas da sua intervenção no comício do PSOE.
domingo, maio 24, 2009
Vergüenza
[na foto: o Duque de Alba]
sexta-feira, maio 22, 2009
quinta-feira, maio 21, 2009
Começar bem o dia . 14
J. S. Bach (1685-1750), Toccata BWV 914
Gustav Leonhardt
Ouvir música aqui
Gustav Leonhardt
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É ciúmes a Cidra,
E indo a dizer ciúmes disse Hidra,
Que o ciúme é serpente,
Que espedaça seu louco padecente,
Dá-Ihe um cento de amor o apelido,
Que o ciúme é amor, mas mal sofrido,
Vé-se cheia de espinhos e amarela,
Que piques e desvelos vão por ela,
Já do forno no lume,
Cidra que foi zelo, se não foi ciúme,
Troquem, pois, os amantes e haja poucos,
Pelo zelo de Deus, ciúmes loucos.
Soror Maria do Céu (1658-1753)
E indo a dizer ciúmes disse Hidra,
Que o ciúme é serpente,
Que espedaça seu louco padecente,
Dá-Ihe um cento de amor o apelido,
Que o ciúme é amor, mas mal sofrido,
Vé-se cheia de espinhos e amarela,
Que piques e desvelos vão por ela,
Já do forno no lume,
Cidra que foi zelo, se não foi ciúme,
Troquem, pois, os amantes e haja poucos,
Pelo zelo de Deus, ciúmes loucos.
Soror Maria do Céu (1658-1753)
quarta-feira, maio 20, 2009
Do populismo e da falta de memória
Durão Barroso, a.k.a. José Manuel Barroso, diz que "Ceder à pressão populista contra os imigrantes é mau para a Europa". Eu concordo em absoluto. Pena foi que, enquanto Primeiro-ministro de Portugal, em coligação com o populista Paulo Portas, tenha sido esse mesmo Durão Barroso, a.k.a. José Manuel Barroso, a aprovar a actual lei das quotas de imigração, que restringe a imigração de extra-comunitários. E para quem tem memória curta, era ele Primeiro-ministro quando o seu Ministro da Defesa, Paulo Portas, conhecido pelas suas posições na matéria, berrou inflamados "Imigração zero" e "Portugal aos portugueses", num comício do seu partido, então no governo liderado por Durão Barroso, a.k.a. José Manuel Barroso, que na altura não achou que tal fosse uma pressão populista.

segunda-feira, maio 18, 2009
On the Road from w20 on Vimeo.
É de graça e é imperdível. Vi-os desaparecer na noite, de Tiago Gomes e Tó Trips. Aqui.
Leituras
O José Mário Silva lembra alguns textos de A Prisão do Ético, do Paulo Rodrigues Ferreira, que me dá a honra de ser meu amigo. E eu fico contente e orgulhoso de o ver lido, quase como se fosse eu.
A estrada de Damasco (*)
Não sei se foi finalmente efeito das doses diárias de cultura, que culminaram há dias numa audição integral do Orfeu de Monteverdi, dirigido pelo Savall, mas a verdade é que o Benfica teve a primeira baixa, ainda antes do Quique: a minha sobrinha, que até nasceu no dia de uma derrota do Sporting (**), e que até ontem permanecia fiel à lampionagem por via paterna, hoje chamou-me de parte, e disse convicta "sabes, eu agora sou do Sporting". Fi-la repetir 3 vezes, não fosse algum galo cantar (***), e como só ouvi o guincho escandalizado da minha mãe lampiã, dei-me por satisfeito, enxuguei a lágrima, e amanhã vai já um equipamento completo, se me tiver sobrado alguma coisa na conta, depois da Feira do Livro.
publicado em simultâneo aqui
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(*) Pelamordeus, isto devia ser uma alusão transparente, num país onde saem milhares para a rua a celebrar os anos de uma estátua religiosa.
(**) 29 de Setembro de 2005, em casa, com o Halmstadt.
(***) Vide primeira nota.
publicado em simultâneo aqui
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(*) Pelamordeus, isto devia ser uma alusão transparente, num país onde saem milhares para a rua a celebrar os anos de uma estátua religiosa.
(**) 29 de Setembro de 2005, em casa, com o Halmstadt.
(***) Vide primeira nota.
Colheita '09
sábado, maio 16, 2009
Extraordinário

A líder do PSD acha, na entrevista à RR/Público, que o défice será superior às previsões da UE. Vindo de alguém que, quando era ministra das finanças, numa situação internacional de crescimento económico, só conseguiu (pelo menos oficialmente) controlar o défice recorrendo a medidas extraordinárias, pode-se dizer que é de uma lata também ela extraordinária.
sexta-feira, maio 15, 2009
O tempora

Passámos, eu e o Manuel (n. Novembro de 2006), parte da tarde a ouvir a ópera Semele, de Haendel, e pelo meio ia-lhe lendo Bocage e Almeida Garrett e D. Francisco Manuel de Melo. Não adianta. Ele diz que "gotha muito", mas por mais que o exponha a alta cultura ele continua a dizer que "o Benfica é que é bom". Talvez seja tempo de desistir de tantas óperas e literaturas. Não vá ele ficar como eu, e não me refiro às opções culturais.
P.S.: a foto é de outra exposição vã a coisas boas.
P.S.: a foto é de outra exposição vã a coisas boas.
أنت عمري
O Manuel (n. Novembro de 2006) delira com esta música, a que chama "as pandeiretas", e chora em desespero quando, chegando a casa, desligo o leitor de CD do carro. Um fã inesperado da Umm Kulthûm
Notas sobre o 13 de Maio . 2
καὶ οἱ λοιποὶ τῶν ἀνθρώπων οἳ οὐκ ἀπεκτάνθησαν ἐν ταῖς πληγαῖς ταύταις οὐδὲ μετενόησαν ἐκ τῶν ἔργων τῶν χειρῶν αὐτῶν ἵνα μὴ προσκυνήσουσιν τὰ δαιμόνια καὶ τὰ εἴδωλα τὰ χρυσᾶ καὶ τὰ ἀργυρᾶ καὶ τὰ χαλκᾶ καὶ τὰ λίθινα καὶ τὰ ξύλινα, ἃ οὔτε βλέπειν δύνανται οὔτε ἀκούειν οὔτε περιπατεῖν καὶ οὐ μετενόησαν ἐκ τῶν φόνων αὐτῶν οὔτε ἐκ τῶν φαρμάκων αὐτῶν οὔτε ἐκ τῆς πορνείας αὐτῶν οὔτε ἐκ τῶν κλεμμάτων αὐτῶν
e os restantes homens, que não foram mortos por estas pragas, não fizeram penitência das obras das suas mãos, de modo a não adorarem demónios, e ídolos de ouro e de prata e de bronze e de pedra e de madeira, que não podem ver, nem ouvir, nem andar; e não fizeram penitência pelos seus crimes, nem pelos seus encantamentos, nem pela sua luxúria, nem pelos seus furtos.
Apocalipse, 9:20
A tradução é minha, admito que com falhas (o meu grego está um pouco esquecido), mas não há dúvidas: o livro santo dos cristãos não permite a adoração de estátuas. Et pourtant...
e os restantes homens, que não foram mortos por estas pragas, não fizeram penitência das obras das suas mãos, de modo a não adorarem demónios, e ídolos de ouro e de prata e de bronze e de pedra e de madeira, que não podem ver, nem ouvir, nem andar; e não fizeram penitência pelos seus crimes, nem pelos seus encantamentos, nem pela sua luxúria, nem pelos seus furtos.
Apocalipse, 9:20
A tradução é minha, admito que com falhas (o meu grego está um pouco esquecido), mas não há dúvidas: o livro santo dos cristãos não permite a adoração de estátuas. Et pourtant...
Acabar bem o dia . 10
Jean-Philippe Rameau (1683 - 1764), Pièces de Clavecin en Concert
Primeiro Concerto
Mitzi Meyerson (cravo)
Monica Huggett (violino)
Sarah Cunningham (viola da gamba)
Primeiro Concerto
Mitzi Meyerson (cravo)
Monica Huggett (violino)
Sarah Cunningham (viola da gamba)
quarta-feira, maio 13, 2009
Notas sobre o 13 de Maio . 1
terça-feira, maio 12, 2009
segunda-feira, maio 11, 2009
Acabar bem o dia . 09
Eu ouvia isto e ouvia e tornava a ouvir e não me cansava de ouvir. Comprei o CD, se bem me lembro, na falecida Valentim de Carvalho do Rossio. Depois gravei numa cassete que me acompanhava nas viagens para Lisboa, depois para Mafra e para Caldas da Rainha, onde dei aulas nos dois primeiros anos de actividade. Mais de uma década depois ouço outra vez e não paro de ouvir.
Faz o que eu digo...
Isso mesmo
O Manuel (2 anos e meio) ao ver a festa dos morcões no Estádio do Morcão disse "parecem cabeçudos". Eu não teria dito melhor.
domingo, maio 10, 2009
Pavor

A Manuela diz que se vive um clima de medo em Portugal. E tem razão: depois do que passámos quando foi ministra das finanças, não há muito tempo, eu tenho um medo desesperado de que ela volte ao poder.
179

Demorou uma série de dias, até porque eu tenho mais que fazer, mas já está: passei para mp3 toda a minha colecção de CD de música antiga. São 179, desde o canto bizantino do século VII ao barroco do século XVIII. A colecção foi sendo feita sobretudo na primeira metade da década de 90 do século passado. São 179. Pensava que eram mais, fico um bocadinho desiludido.
quinta-feira, maio 07, 2009
A coquilha
Sentido, talvez, por lhe ter questionado a futura virilidade, o Manuel ontem por pouco não me emasculou com um pontapé bem medido, enquanto lhe mudava a fralda. Não vá o diabo tecê-las, amanhã a ver se compro uma coquilha.
terça-feira, maio 05, 2009
45/46
Não é que os tenha excessivamente grandes. Pelo menos quase todos os homens que conheço dizem tê-los pelo menos com o mesmo tamanho. Mas eu começo a achar que é como o velho lugar comum dos pescadores e do tamanho do peixe. Porque sempre que entro numa sapataria ou casa de artigos de desporto, a possibilidade de achar um sapato 45/46 é mais reduzida ainda do que a de o Benfica acabar um campeonato à frente do Sporting, na última década. De vez em quando lá acontece, muito raramente, mas confesso que não me lembro já da última.
Hoje fui a uma daquelas lojas de sapatos que anunciam ter tudo ao mais baixo preço. A ideia era comprar uns ténis (dos sapatos normais há muito desisti, não se fazem para o meu número). Mas nada. O costume. Lá achei, com dificuldade, uns sapatos de marca, obscenamente caros, mas com uma boa promoção. Mas não se pode ter tudo: um mísero 44. Entornei com dificuldade os pés lá dentro, e fiquei assim tipo aquelas chinesas do século passado que enfaixavam os pés para eles ficarem pequeninos. O problema é que eu ando a enfaixar os meus em sapatos de número abaixo do meu há quase 20 anos, e nada de mirrarem.
Há, porém, uma coisa que me continua a fazer imensa confusão: os miúdos de hoje são enormes, normalmente mais altos do que eu, é de supor que tenham pés proporcionais. E eles dizem que têm, mas eu nunca lá fui de régua em punho. E se é verdade, eu gostava muito de saber onde compram sapatos. Porque eu já corri tudo, desde as lojas de marca aos mercados. E para achar, na última década, sapatos que me servissem tive de mandar vir dos EUA, onde pelos vistos há mais gente como eu.
P.S.: lá comprei a porcaria dos ténis; entre esmagar os pés nos ténis velhos, já a ficarem sem sola, e esmagá-los nuns novos, as escolhas não são muitas.
P.P.S.: ainda se a lenda urbana de o tamanho dos pés corresponder ao tamanho de outras secções anatómicas fosse certa, eu nem me queixava muito - mas eu garanto que é embaraçosamente errada.
Hoje fui a uma daquelas lojas de sapatos que anunciam ter tudo ao mais baixo preço. A ideia era comprar uns ténis (dos sapatos normais há muito desisti, não se fazem para o meu número). Mas nada. O costume. Lá achei, com dificuldade, uns sapatos de marca, obscenamente caros, mas com uma boa promoção. Mas não se pode ter tudo: um mísero 44. Entornei com dificuldade os pés lá dentro, e fiquei assim tipo aquelas chinesas do século passado que enfaixavam os pés para eles ficarem pequeninos. O problema é que eu ando a enfaixar os meus em sapatos de número abaixo do meu há quase 20 anos, e nada de mirrarem.
Há, porém, uma coisa que me continua a fazer imensa confusão: os miúdos de hoje são enormes, normalmente mais altos do que eu, é de supor que tenham pés proporcionais. E eles dizem que têm, mas eu nunca lá fui de régua em punho. E se é verdade, eu gostava muito de saber onde compram sapatos. Porque eu já corri tudo, desde as lojas de marca aos mercados. E para achar, na última década, sapatos que me servissem tive de mandar vir dos EUA, onde pelos vistos há mais gente como eu.
P.S.: lá comprei a porcaria dos ténis; entre esmagar os pés nos ténis velhos, já a ficarem sem sola, e esmagá-los nuns novos, as escolhas não são muitas.
P.P.S.: ainda se a lenda urbana de o tamanho dos pés corresponder ao tamanho de outras secções anatómicas fosse certa, eu nem me queixava muito - mas eu garanto que é embaraçosamente errada.
Acabar bem o dia . 08
Alessandro Scarlatti (1660-1725), Folia Giannalisa Arena
Ouvir música
Mais uma soberba variação sobre as "folias".
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Mais uma soberba variação sobre as "folias".
segunda-feira, maio 04, 2009
Quietinho
"Sampaio considera que pode ser necessário Governo de Bloco Central"
E no dia em que isso acontecer eu deixo de votar PS.
E no dia em que isso acontecer eu deixo de votar PS.
Começar bem o dia . 12
domingo, maio 03, 2009
Começar bem o dia . 11
A feira do coiso
Ir à Feira do Livro ao fim-de-semana faz-me muito mal à misantropia, maleita de que padeço desde que me conheço. Mas eu, que por conselho médico só devia lá ir durante a semana, e de preferência a horas mortas, quando há menos gente, não tenho emenda, e lá me vou içando Parque acima, arfando e bufando de impaciência no pescoço daquele gente toda que resolveu sair de casa ao mesmo tempo só para me chatear, irra, e qualquer dia passo-me como o Pepe e não respondo por mim. E vou descontando a irritação em compras, e ainda estamos no princípio do mês e o ordenado já está em grande, muito grande parte a forrar os bolsos dos senhores editores. Que ferro.
sábado, maio 02, 2009
quinta-feira, abril 30, 2009
Vai desejar o Menu AVC ou o Menu Enfarte?
Agora que frequento mais assiduamente, para almoçar, os bares da FLUL e da Biblioteca Nacional, começo a dar ainda mais valor aos meus 30-40 quilos perdidos em pouco mais de 2 anos, bem como aos resultados das minhas últimas análises ("de fazer inveja, esse colestrol", disse o médico), e sobretudo a perceber o espanto generalizado por tão radical emagrecimento: realmente é difícil perder peso quando nestas instituições públicas as ementas variam entre o Porco au Colestrol, a Mixórdia Não Identificável à la Aterosclerose, e os Bifinhos AVC. Eu lá pego no tabuleiro, mas, como não tenho vocação suicida, rejeito com olhares sobranceiros aquelas armas de destruição massiva, e peço uma saladinha ofendida, acompanhada de arroz branco ("poucochinho, faxavor"). Há uma senhora de uma simpatia indescritível, no bar da Biblioteca Nacional, que me olha com compaixão e sussurra, penalizada, "ah, o senhor é vegetariano", acompanhando às vezes com um gesto a abençoar uma mixórdia afogada em molhos de aspecto suspeito, onde flutua um reconfortante papel, já transparente de gordura, a berrar "Prato vegetariano". Eu costumo explicar, de modo a que à volta me ouçam e se arrependam, enquanto é tempo, dos seus pratos de gordura polvilhados de carne ou peixe módico, que não, que não sou vegetariano, que como tudo o que me puserem à frente, desde que seja grelhado ou cozido, desde que não esteja a boiar em óleo ou estrangulado em gordura. Bom, dispenso porco, é certo, mas como estou farto de que me perguntem se é por motivos religiosos e de responder que não, que é apenas por amor à vida e respeito pelas minhas educadas e exigentes papilas gustativas, já desisti de referir a excepção, e se me puserem uma costeletazita (*) de suíno à frente ainda sou capaz de tapar o nariz, conter o vómito e engoli-la sem mastigar muito - desde que seja grelhada e eu tenha muita muita muita fome.
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(*) "Costoleta"?! Ai sim? É de onde? Da costola?
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(*) "Costoleta"?! Ai sim? É de onde? Da costola?
quarta-feira, abril 29, 2009
Doctor and Patient. A Portuguese novelist dissects his country

"Lobo Antunes remains obsessively local, worrying over the inherited ailments of Portuguese history and the debilities of its culture."
António Lobo Antunes no New Yorker. A não perder.
terça-feira, abril 28, 2009
Evolução
P4200020
Originally uploaded by asimoes1971
Originally uploaded by asimoes1971
Ainda dizem que a Universidade de Lisboa está decadente. Pelo menos na qualidade das caixinhas dos diplomas nota-se uma claríssima evolução do primeiro (1993, à direita) para o último (2004, à esquerda). Os preços, por outro lado, continuam obscenos.
segunda-feira, abril 27, 2009
Os broncos
Que se vá para o México no pico da estação dos furacões, como é prática corrente entre os portugueses, ainda consigo compreender. Afinal ainda não é crime gostar de desportos radicais, e só põem a sua própria vida em risco, e ainda têm a hipótese de ganhar os seus minutos de fama, quando são entrevistados em directo nos telejornais, enquanto se encontram barricados em hotéis ou em aeroportos. Mas lá está, não prejudicam ninguém a não ser eles próprios. Revelam apenas burrice, perdoe-se o eufemismo. Agora que se vá despreocupadamente para o México, como se viu hoje nas notícias, com a ameaça de uma pandemia de gripe que já causou mais de uma centena de mortos e que ameaça tornar-se incontrolável, e portanto candidatando-se a tornar-se responsável pela sua introdução em Portugal, isto já roça o criminoso. Fosse eu governo, e esta gentinha não tornava a entrar no país sem uma quarentena. Todos enfiados numa garagem durante 1 mesinho, a pão e água, no regresso. O portuga é mesmo bronco.
sábado, abril 25, 2009
Página em branco
sexta-feira, abril 24, 2009
É verdade sim senhor
"Dragões insurgem-se contra arbitragem portuguesa.
CLUBE GARANTE QUE FUTEBOLISTAS FALTOSOS SÃO PROTEGIDOS"
CLUBE GARANTE QUE FUTEBOLISTAS FALTOSOS SÃO PROTEGIDOS"
E eu neste caso sou obrigado a concordar com os morcões, e a elogiar-lhes o sentido de autocrítica.
quinta-feira, abril 23, 2009
José Mário Silva na FLUL
A próxima sessão do Clube das Clássicas é já no dia 20 de Maio, e contará com a presença de José Mário Silva. Escritor e crítico literário, José Mário Silva tem na sua poesia claras referências ao mundo clássico. Editou em 2001 o seu primeiro livro de poemas, Nuvens & Labirintos (Gótica), a que se seguiu em 2008 o volume de micronarrativas Efeito Borboleta e outras histórias (Oficina do Livro). Já em 2009 sai o seu segundo livro de poemas, Luz Indecisa (Oceanos). Deste livro aqui ficam umas linhas.geografia humana
fast forward
Por muito
que aceleres
– duas vezes,
quatro vezes –
nunca deixas
de ter pressa.
Acabar bem o dia . 07
As ondas quebravam uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só para mim.
Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, abril 20, 2009
Ele há coisas do diabo ou O homem da conspiração
Há dias, numa das minhas aulas de árabe via conferência áudio, a minha professora egípcia resolveu dar a aula quase toda em árabe, em vez do usual inglês. Tudo correu bem até ao momento em que começou a perguntar a raiz dos verbos que iam aparecendo. Ora, em árabe a raiz verbal, ou base, diz-se القاعدة , o que se transcreve al-qâʿida (acentuação na sílaba -qâ-), o mesmo nome usado para a infame rede terrorista (*). Na altura brinquei, dizendo-lhe que tivesse cuidado, não fosse ser surpreendida pela visita de espiões americanos que a tivessem sob escuta. Ela não respondeu, e eu pensei que tivesse levado a mal. Minutos depois o seu nome desapareceu da lista da conferência. Quando voltou, pediu muitas desculpas, mas a sua ligação tinha sido cortada durante aqueles minutos. E eu já estou como o Sancho, que não acreditava em bruxas, mas...
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(*) E que os media portugueses parolamente transcrevem à inglesa, quando a forma aportuguesada seria aquela que indiquei, ou, no limite, alcaida.
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(*) E que os media portugueses parolamente transcrevem à inglesa, quando a forma aportuguesada seria aquela que indiquei, ou, no limite, alcaida.
Paulo Rodrigues Ferreira
O Clube das Clássicas regressou, trazendo agora autores jovens ao nosso convívio. O primeiro é Paulo Rodrigues Ferreira, que lança o seu primeiro livro, com a chancela Livrododia Editores. É já no dia 22, no átrio da Biblioteca da FLUL. Confirmada está também a visita, ainda durante este semestre, de José Mário Silva e Luís Filipe Cristóvão.
domingo, abril 19, 2009
nihil noui sub sole
E também há pessoas, fora do PSD, que querem que Ferreira Leite tenha um mau resultado.
quinta-feira, abril 16, 2009
quarta-feira, abril 15, 2009
Verba aliena . 01
nothing is more exactly terrible than
to be alone in the house,with somebody and
with something)
.........................You are gone. ..there is laughter
and despair impersonates a street
i lean from the window,behold ghosts,
......................... ......................... .... ..... a man
hugging a woman in a park. .. Complete.
and slightly(why?or lest we understand)
slightly i am hearing somebody
coming up stairs,carefully
(carefully climbing carpeted flight after
carpeted fight. .. in stillness,climbing
the carpeted stairs of terror)
and continually i am seeing something,
inhaling gently a cigarrette(in a mirror
e. e. cummings
to be alone in the house,with somebody and
with something)
.........................You are gone. ..there is laughter
and despair impersonates a street
i lean from the window,behold ghosts,
......................... ......................... .... ..... a man
hugging a woman in a park. .. Complete.
and slightly(why?or lest we understand)
slightly i am hearing somebody
coming up stairs,carefully
(carefully climbing carpeted flight after
carpeted fight. .. in stillness,climbing
the carpeted stairs of terror)
and continually i am seeing something,
inhaling gently a cigarrette(in a mirror
e. e. cummings
sexta-feira, abril 10, 2009
Começar bem o dia . 07
Cristóbal de Morales (1500-1553), Agnus Dei
La Capella Reial de Catalunya, Hespèrion XXI, Jordi Savall
Ouvir música aqui
La Capella Reial de Catalunya, Hespèrion XXI, Jordi Savall
Ouvir música aqui
Ilustração: Pedro Machuca
quinta-feira, abril 02, 2009
Já basto eu, ḥabîbî
Esforço-me por contribuir de forma positiva para a educação dos meus sobrinhos (nascidos em finais de 2005 e de 2006), já que os vou buscar à escola e passo com eles várias horas por dia. Assim, no carro ouvem quase exclusivamente a Antena 2 (o Manuel às vezes pede para ouvir a Umm Kulthûm, e parece convertido aos ritmos árabes). Já obtive resultados interessantes, e são ambos, sobretudo ele, admiradores devotos de Mozart, não dispensando a Flauta Mágica com regularidade. Também tento expô-los a literatura infantil de qualidade, e volta e meia introduzo leitura de autores menos infantis, mas com sonoridades atractivas. Além disso vou introduzindo palavras e frases em línguas estrangeiras, com insistência no árabe, língua a que estão menos sujeitos mediaticamente. O Manuel já responde a "ḥabîbî" (meu querido), que é como o trato, e até já repete de vez em quando, com bom sotaque.
Mas nem tudo corre bem, e começo a questionar se serei boa influência, no fim de contas. Além de continuarem lampiões ferrenhos, há dias o Manuel insistiu em que lhe comprasse um livro da Anita. Não satisfeito, ao chegar a casa quis pôr a tiara roxa com fitinhas da irmã. Depois disse que era uma rainha, perante a consternação da minha mãe e o meu embaraço. Lá o convencemos de que não era uma rainha, que quando muito seria um rei. Ele acabou por concordar que não era rainha, mas não deu tempo a que respirássemos de alívio: afirmou ser uma fada. E eu não sei se será da Antena 2, se da boa literatura, se dos meus brincos...
Mas nem tudo corre bem, e começo a questionar se serei boa influência, no fim de contas. Além de continuarem lampiões ferrenhos, há dias o Manuel insistiu em que lhe comprasse um livro da Anita. Não satisfeito, ao chegar a casa quis pôr a tiara roxa com fitinhas da irmã. Depois disse que era uma rainha, perante a consternação da minha mãe e o meu embaraço. Lá o convencemos de que não era uma rainha, que quando muito seria um rei. Ele acabou por concordar que não era rainha, mas não deu tempo a que respirássemos de alívio: afirmou ser uma fada. E eu não sei se será da Antena 2, se da boa literatura, se dos meus brincos...
O macho
Já todos vimos - pelos menos nós, os que vemos coisas interessantes na TV - aquelas imagens de bandos de leões depois da caça: o macho dominante afocinha na barriga da zebra, enfarda até arrotar de fastio, e depois permite que as fêmeas, os machos ainda adolescentes e as crias comam o que sobrou. À volta, os abutres esperam que os leões se retirem, para, por sua vez, debicarem ossos, peles e os restos de tripas deixados.
Eu, a quem a natureza não deu atributos que me façam sobressair dos outros machos no que realmente interessa, sempre tive muita inveja destes leões dominadores. Sempre achei que não teria nunca o prazer de sujeitar machos rivais a terem de esperar pelos meus restos. Aliás, nunca achei que poderia ter machos rivais. Sempre achei que me estaria eternamente reservado o papel do macho de categoria inferior (e, nos piores pesadelos, de fêmea), no que toca aos despojos seja do que for. Até que, quem sabe fruto da velhice que não perdoa, comecei a acordar cedo, e a ir debicar a dose matinal de cafeína no café aqui do prédio.
A ideia é enfardar o cafezinho (não, não leva acento), mas também rebolar os olhos pelo jornal desportivo do dia. Dantes, quando me arrastava escadas abaixo já a meio da tarde e me entornava sem forças no balcão, na melhor das hipóteses encontrava o jornal já amarrotado e babado de dezenas de dedos lambuzados que o tinham desflorado ao longo da manhã. Já toda a gente o tinha lido, menos eu. Ossos e pele!
Agora apanho-o ainda rijinho (no pun intended), virgem ou quase. E agora acontece.
Agora acontece. Ainda agora aconteceu. Enquanto patinava os olhos pelas páginas do Record, notei nas mesas à minha volta os olhares invejosos de uns quantos machos. Perdi há décadas as ilusões de que essa inveja possa ser de alguma forma freudiana. Portanto tem de ser do jornal. De ser eu, nem que seja por minutos, o macho dominante do café. Ou pelo menos um dos de categoria superior. Eu não sou esquisito, satisfaço-me com pouco. O ar impaciente enquanto viro as páginas pachorrentas. Os olhares de coito interrompido quando pretendo ter acabado mas ainda me detenho, afinal, na inútil última página, fingindo ler não sei o quê. E depois quando o dobro e pouso perto de mim. Os primeiros movimentos nervosos dos machos inferiores (oh, que prazer poder dizê-lo), os rabos que hesitam a meio caminho entre o levantar e o ficar sentado. Os olhares trocados a aferir da categoria de cada um, para ver quem tem direito aos meus restos em primeiro lugar.
Depois levanto-me, vomitando olhares de desprezo pelo café. E há um ou dois ou três machos inferiores (ui!!!) que se levantam hesitantes, e de repente aceleram em direcção à minha mesa, e disputam o que resta da minha leitura matinal.
Eu, a quem a natureza não deu atributos que me façam sobressair dos outros machos no que realmente interessa, sempre tive muita inveja destes leões dominadores. Sempre achei que não teria nunca o prazer de sujeitar machos rivais a terem de esperar pelos meus restos. Aliás, nunca achei que poderia ter machos rivais. Sempre achei que me estaria eternamente reservado o papel do macho de categoria inferior (e, nos piores pesadelos, de fêmea), no que toca aos despojos seja do que for. Até que, quem sabe fruto da velhice que não perdoa, comecei a acordar cedo, e a ir debicar a dose matinal de cafeína no café aqui do prédio.
A ideia é enfardar o cafezinho (não, não leva acento), mas também rebolar os olhos pelo jornal desportivo do dia. Dantes, quando me arrastava escadas abaixo já a meio da tarde e me entornava sem forças no balcão, na melhor das hipóteses encontrava o jornal já amarrotado e babado de dezenas de dedos lambuzados que o tinham desflorado ao longo da manhã. Já toda a gente o tinha lido, menos eu. Ossos e pele!
Agora apanho-o ainda rijinho (no pun intended), virgem ou quase. E agora acontece.
Agora acontece. Ainda agora aconteceu. Enquanto patinava os olhos pelas páginas do Record, notei nas mesas à minha volta os olhares invejosos de uns quantos machos. Perdi há décadas as ilusões de que essa inveja possa ser de alguma forma freudiana. Portanto tem de ser do jornal. De ser eu, nem que seja por minutos, o macho dominante do café. Ou pelo menos um dos de categoria superior. Eu não sou esquisito, satisfaço-me com pouco. O ar impaciente enquanto viro as páginas pachorrentas. Os olhares de coito interrompido quando pretendo ter acabado mas ainda me detenho, afinal, na inútil última página, fingindo ler não sei o quê. E depois quando o dobro e pouso perto de mim. Os primeiros movimentos nervosos dos machos inferiores (oh, que prazer poder dizê-lo), os rabos que hesitam a meio caminho entre o levantar e o ficar sentado. Os olhares trocados a aferir da categoria de cada um, para ver quem tem direito aos meus restos em primeiro lugar.
Depois levanto-me, vomitando olhares de desprezo pelo café. E há um ou dois ou três machos inferiores (ui!!!) que se levantam hesitantes, e de repente aceleram em direcção à minha mesa, e disputam o que resta da minha leitura matinal.
Assim é que se começa bem o dia. Até porque daqui a pouco vou para o ginásio, depois o duche no balneário, e lá se vai toda esta ilusão de macho superior.
domingo, março 29, 2009
A prisão do ético

É no dia 4 de Abril, às 16:00, o lançamento na Livrododia (Torres Vedras) do livro A prisão do ético, de Paulo Rodrigues Ferreira. A edição é da Livrododia Editores, e eu, que já o tenho, posso garantir que é imperdível.
sexta-feira, março 27, 2009
A cidade e as bestas
Quando li As Cidades e as Serras a minha simpatia e compreensão recairam desde as primeiras linhas em Jacinto, o homem da cidade. E foi com uma mistura de tristeza e coração atraiçoado que o vi evoluir no sentido da rejeição da vida urbana. A mim o campo põe-me doente. Física, mas sobretudo mentalmente. O isolamento, a apatia, a inanição intelectual. Um horror. Há pouco tempo descobri mais um defeito: a absoluta falta de civismo dos condutores. Estou habituado a conduzir apenas em aglomerados urbanos ou próximo de centros urbanos. Apesar da tradicional falta de consideração do condutor português, que se traduz sobretudo em carros mal estacionados e em segundas filas, vigora apesar de tudo o civismo e um mínimo de educação. Mas quando comecei a conduzir para casa da minha irmã, em pleno Oeste rural, comecei a perceber os números assutadores da sinistralidade rodoviária: excesso de velocidade, ultrapassagens delirantes, total falta de respeito pelas mais elementares regras de segurança, e uma enorme, tremenda má criação. É este o campo português? Minha rica cidade!
terça-feira, março 24, 2009
Asma nas teclas

Quando me diagnosticou asma, a alergologista pediu-me que fizesse uma série de exames. Um deles media a minha capacidade respiratória. Quando lho entreguei, despejou o nariz na papelada e regougou se por acaso sentia dificuldades respiratórias. Respondi-lhe que não, que sempre tinha respirado bem. Alvejou-me com um dos olhos, e berrou triunfante que eu sempre tinha tido problemas respiratórios, mas que como não tinha uma referência de comparação, achava que respirava bem. Era como se sempre tivesse visto o mundo a 2 dimensões e alguém me tentasse explicar como é o mundo a 3 dimensões. Apenas poderia fazer uma pequeníssima ideia.
Vem isto a propósito de mais uma aventura a utilizar um computador com Windows. Familiares e amigos não conseguem compreender porque é que bufo, resmungo, suo e às vezes até grito quando tenho de ser submetido a tal prova. Aos meus desesperados "esta merda nunca mais abre" respondem com "mas até está a abrir depressa" perplexos. Quando ao fim de 10 segundos de espera para encerrar o computador me impaciento, não conseguem entender o meu bufar irado. Se um programa deixa de responder e rebenta, parece-lhes tão natural como lavar os dentes ao deitar, e não concebem a razão do meu espanto e revolta.
No fundo é como eu com a minha asma: não tendo ponto de referência, achei sempre que respirava tão bem como um atleta de alta competição, e no fim tinha pouco mais do que a capacidade respiratória de um velho de 90 anos.
Lembrei-me de novo de tudo isto quando tentava em desespero consultar o meu email, no Windows da minha irmã. Ao fim de várias tentativas e murros furibundos no teclado consegui, não sem antes ter sido forçado a reiniciar o Firefox e o IE duas ou três vezes. Eu estou habituado, no meu Linux, a carregar no ícone do Firefox e ele abrir sem que eu tenha tido tempo de largar o rato. Depois de conseguir por fim que o IE estabilizasse, abri o Blogger para começar a escrever esta entrada. Desisti a meio da segunda linha, exasperado com o rosnar constante do disco, com o folclore das luzinhas de actividade a cegar-me, com o cursor a bloquear regularmente durante alguns segundos. Carreguei então várias vezes na cruzinha para fechar a janela e bater com a porta do escritório da mana. Quando por fim o sistema se dignou obedecer-me, fui mastigar o bolo de anos do meu cunhado e ruminar irritações.
Agora, já no meu Linux, tudo obedece, em fracções de segundo. As luzinhas de actividade estão numa modorra imperturbável. O cursor não pára. O Firefox abriu tão depressa que quase podia jurar que ainda antes de clicar já estava aberto. E não consigo entender (e juro que me esforço) como é que há quem ainda prefira sistemas operativos caros ou pirateados, e que demoram o triplo, às vezes o quíntuplo, do tempo a fazer as mesmas coisas. Nem sempre com a mesma eficiência.
A minha mãe, que vai a caminho dos 63 anos, era uma dessas pessoas. Encarava os vírus, os programas bloqueados e a rebentarem sem explicação aparente, a lentidão exasperante, a gordura mastodôntica, encarava tudo isso com a mesma naturalidade com que sorve o seu chá nocturno. Um dia, e sem explicação (como é de regra), o seu Windows deixou de funcionar. Propus-lhe instalar um sistema Linux, até encontrar alguém que pudesse instalar-lhe mais um Windows. Cairam-lhe os olhos no chão de susto e bateu no peito em aflição: e o meu messenger? E o meu office? E o meu desktop?
Já se passaram vários meses. Usa o Pidgin, que faz basicamente o mesmo que o Messenger e usa a mesma lista de contactos, mas é menos pesado; o office é agora o OpenOffice, que faz a mesma coisa que o da Microsoft, mas é gratuito; o Firefox é o mesmo que já usava em Windows; o desktop, sendo diferente, faz a mesma coisa, e é mais intuitivo e configurável. Nunca mais me falou em querer o Windows de volta. E aposto que mais dia menos dia também ela bufará quando sofrer o suplício de ter de usar um sistema Windows.
Vem isto a propósito de mais uma aventura a utilizar um computador com Windows. Familiares e amigos não conseguem compreender porque é que bufo, resmungo, suo e às vezes até grito quando tenho de ser submetido a tal prova. Aos meus desesperados "esta merda nunca mais abre" respondem com "mas até está a abrir depressa" perplexos. Quando ao fim de 10 segundos de espera para encerrar o computador me impaciento, não conseguem entender o meu bufar irado. Se um programa deixa de responder e rebenta, parece-lhes tão natural como lavar os dentes ao deitar, e não concebem a razão do meu espanto e revolta.
No fundo é como eu com a minha asma: não tendo ponto de referência, achei sempre que respirava tão bem como um atleta de alta competição, e no fim tinha pouco mais do que a capacidade respiratória de um velho de 90 anos.
Lembrei-me de novo de tudo isto quando tentava em desespero consultar o meu email, no Windows da minha irmã. Ao fim de várias tentativas e murros furibundos no teclado consegui, não sem antes ter sido forçado a reiniciar o Firefox e o IE duas ou três vezes. Eu estou habituado, no meu Linux, a carregar no ícone do Firefox e ele abrir sem que eu tenha tido tempo de largar o rato. Depois de conseguir por fim que o IE estabilizasse, abri o Blogger para começar a escrever esta entrada. Desisti a meio da segunda linha, exasperado com o rosnar constante do disco, com o folclore das luzinhas de actividade a cegar-me, com o cursor a bloquear regularmente durante alguns segundos. Carreguei então várias vezes na cruzinha para fechar a janela e bater com a porta do escritório da mana. Quando por fim o sistema se dignou obedecer-me, fui mastigar o bolo de anos do meu cunhado e ruminar irritações.
Agora, já no meu Linux, tudo obedece, em fracções de segundo. As luzinhas de actividade estão numa modorra imperturbável. O cursor não pára. O Firefox abriu tão depressa que quase podia jurar que ainda antes de clicar já estava aberto. E não consigo entender (e juro que me esforço) como é que há quem ainda prefira sistemas operativos caros ou pirateados, e que demoram o triplo, às vezes o quíntuplo, do tempo a fazer as mesmas coisas. Nem sempre com a mesma eficiência.
A minha mãe, que vai a caminho dos 63 anos, era uma dessas pessoas. Encarava os vírus, os programas bloqueados e a rebentarem sem explicação aparente, a lentidão exasperante, a gordura mastodôntica, encarava tudo isso com a mesma naturalidade com que sorve o seu chá nocturno. Um dia, e sem explicação (como é de regra), o seu Windows deixou de funcionar. Propus-lhe instalar um sistema Linux, até encontrar alguém que pudesse instalar-lhe mais um Windows. Cairam-lhe os olhos no chão de susto e bateu no peito em aflição: e o meu messenger? E o meu office? E o meu desktop?
Já se passaram vários meses. Usa o Pidgin, que faz basicamente o mesmo que o Messenger e usa a mesma lista de contactos, mas é menos pesado; o office é agora o OpenOffice, que faz a mesma coisa que o da Microsoft, mas é gratuito; o Firefox é o mesmo que já usava em Windows; o desktop, sendo diferente, faz a mesma coisa, e é mais intuitivo e configurável. Nunca mais me falou em querer o Windows de volta. E aposto que mais dia menos dia também ela bufará quando sofrer o suplício de ter de usar um sistema Windows.
Beati pauperes spiritu
Contei oito alminhas de cartazes em punho e megafone na mão à porta da ES Madeira Torres (Torres Vedras) esta manhã. As palavras de ordem eram as do costume (não às aulas de substituição, não ao regime de faltas, etc.). Depois fiquei muito deprimido. Ainda estou para perceber se por causa da indigência argumentativa e do ridículo das reivindicações daquela meia dúzia, se pela apatia generalizada dos estudantes portugueses, longe dos dias em que enchiam ruas, independentemente da justiça das causas, e eram atacados à bastonada e com cães açulados pelo actual Presidente da República.
sábado, março 07, 2009
A lapa
É como uma lapa chata, agarrada à rocha do seu lugarzinho de deputado, pelo partido pelo qual foi eleito, mas contra o qual queria concorrer. E tem todo o direito de querer, deixemo-lo bem claro. O que não se percebe é porque raio se mantém deputado e filiado no partido contra o qual vota no parlamento, ao lado da oposição, a cujo congresso, onde poderia expor e discutir as suas ideias, se baldou, e contra o qual diz que se pudesse se candidatava.
Helena Roseta, que é uma grande mulher, ao menos levou a sua divergência às últimas consequências, saindo (infelizmente) do partido assim que se sentiu a mais. É que quando se é uma figura de relevo num partido e se está em rota de colisão com a direcção só há duas coisas a fazer: apresentar uma candidatura alternativa, ou sair. Roseta optou pela última solução. Alegre preferiu ficar sem ficar. Não apresentou candidatura alternativa - nem sequer foi a congresso - nem saiu. E é por isso que eu, eleitor socialista, até votaria em Helena Roseta, se se apresentasse como candidata presidencial. Mas em Alegre, em quem nas últimas eleições presidenciais até me senti tentado a votar, agora nem morto, nem com uma mola no nariz. Antes votar em branco (Cavaco nem que viesse deusnossenhor pedir pelamordedeus). É que eu não gosto de lapas.
quarta-feira, março 04, 2009
Da gorduranga
Por mais que que se invista em campanhas de prevenção da obesidade, doenças cardiovasculares, oncológicas e outras, será sempre dinheiro e latim mal gasto, enquanto as cantinas e bares de instituições públicas continuarem a servir apenas bifes a boiar em molhanga gordurosa, bacalhauzadas afogadas em natas, gordura de porco com lascas de carne agarrada e outras armas biológicas de destruição em massa. Nos bares da Faculdade de Letras da UL, por exemplo, a única hipótese para escapar aos instintos assassinos dos responsáveis pelas ementas dos vários bares é pedir para se grelhar um bife (e esperar um bom bocado...), ou então fazer como eu, e pedir um pratinho de arroz branco, uma salada que não esteja infectada com maionese, uma sopinha, e passar fome o resto da tarde.
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